— Era para ter chegado a meia hora atrás - reclama Flávia assim que entrei no laboratório.
— Bom te ver também Flávia. Aqui estão suas evidência Florence - falo colocando uma sacola sobra a mesa.— Vejo que Vicente e Renan já chegaram.- observei a caixa térmica sobre outra mesa.
— Chegaram a meia hora atrás. Foram pontuais, diferente de você - crítica Flávia revirando a sacola.
— Parei para tomar café. Estou perdoado pelo atraso?
— Podia ter comido este ovo Irlandês. Que na verdade não sei nem porque trouxe. Não conseguirei nada com ele - fala Flávia abrindo a pequena embalagem de isopor.
— E comer uma evidência! Para você depois me chamar de irresponsável, acho que não. Não foi dessa vez que realizará seu sonho.
— Pelo menos trouxe carne moída pura. Mesmo cozida conseguirei alguma coisa. Sabe! O vapor e a temperatura quebram a molécula do DNA.
— Então não será possível distinguir o DNA?- perguntei.
— Não disse que não conseguiria, vai demorar um pouco mais de tempo até reconstruir o DNA parte a parte, mas obterei algum resultado - explica Flávia separando um pouco da carne crua da caixa térmica e levando ao microscópio.— Felizmente wery irá me dar uma visão ampla das fibras musculares dessa carne.- fala Flávia ajustando a lâmina de baixo do microscópio.
Wery era o nome carinhoso que Flávia havia dado a seu microscópio.
Depois de um tempo observando a porção de carne, Flávia volta a mesa e separa outra quantidade de carne, dessa vez mais que a anterior, levando ao espectrômetro de massa.
— O que descobriu no microscópio? Perguntei me curvando para observar.
— Não é carne bovina. - fala Flávia.
— Como sabe?r
— Você fugiu de que aula? Biologia? Química? Ciências? Ou anatomia humana?
— Porque tantas perguntas?- falo ainda olhando no microscópio.
— Pelo menos motivos de me perguntar cada coisa que vou fazer nesse laboratório. E talvez pelo fato de que acho que não chegou a frequentar uma escola.
— Pega leve. Porque quer saber se fugi de algumas dessas aulas?
— Em algum ponto do estudo de cada matéria dessas que citei, estuda o corpo humano.
— E daí!
— E daí, que se tivesse frequentado alguma delas, saberia que a carne humana é semelhante a carne suína.
— Por isso que proibiram o treinamento em autópsia em corpos humanos e passaram utilizar porcos?
— Não é bem assim detetive.- se pronunciou Marcos ao entrar no laboratório com as vestes sujas de sangue.
Desvio minha atenção do microscópio para Marcos.
— Caramba doutor. Esteve fazendo autópsia em um dinossauro?
— Concordo que sou velho detetive mas, discordo que seja pré-histórico. Esse sangue é do cadáver encontrado no parque ontem a noite. Na falta do médico legista titular estou como legista auxiliar. Passei a noite toda fazendo a autópsia dela.
Marcos amava tanto sua profissão que as vezes passará a noite inteira fazendo autópsia em corpos, quando questionado o porquê disso, apenas dizia que fazia isso porque o quanto antes a autópsia fosse finalizada, mais antes o caso podia ser solucionado, e também para que a família pudesse se despedir de seu ente querido o mais breve possível.
— O que descobriu nessa doutor?- pergunta Flávia.
— Já lhe respondo minha querida, antes, como um bom médico legista responderei a pergunta do nosso investigador.
— Que pergunta?- questiono.
Flávia me olha com olhar cínico e cruza os braços.
— Não fomos proibidos de usar corpos de pessoas na faculdade de autópsia - começa Marcos me explicando. Foi quando lembrei do que se tratava.
— Há sim! Prociga doutor, estou curioso para saber.
— Não sei como funciona isso nos Estados Unidos, aqui no Brasil poucas pessoas se opõem a colaborar com o avanço da medicina, temos uma total falta de corpos humanos para que nossos médicos e legistas aprendam o ofício. Isso levou a passarmos a utilizar corpos de porcos que morrem simultaneamente nos confinamentos.- Marcos vai até o microscópio e olha com um dos olhos.— certamente essa carne não é bovina. Como sabemos disso?- Marcos me olha e me lança um sorriso maroto.— Tudo em um corpo suíno é parecido com o nosso, desde fibras musculares até mesmo seus órgãos internos.- Marcos termina de falar e logo um alarme sonoro indicou que o espectrômetro de massa tinha um resultado.
— Vid descobriu alguma coisa.- fala Flávia correndo ao espectrômetro de massa enquanto eu e Marcos ficamos petrificados no mesmo lugar.
— Menos? Joguem fora essa carne crua, ela é de porco- diz Flávia voltando para a caixa térmica.
— Já testou todas as outros pacientes?- pergunta Marcos olhando para dentro da caixa.
— Já sim. Esse era a última amostra, como deu negativo para carne humana, creio que não precisaremos mais dela. - completa Flávia batendo na lateral da caixa com o nó do dedo indicador.
— Podemos descartar o supermercado.- falei indo para a caixa.
— Espera aí detetive - me detém Marcos no meio do caminho.
— Há alguma objeção doutor?
— Na verdade a sim. Essa carne não é humana, isso significa que um humano pode consumir tranquilamente. Não é senhorita Flávia?
Flávia franze os lábios e concorda com um aceno de cabeça.
— Está me dizendo que pretende fazer alguma coisa com ela?- perguntei.
— Estou vendo que também há um pouco de carne para churrasco. Sou gaúcho, podemos fazer um churrasco essa noite, sabe... Apenas para não desperdiçar.
A ideia de Marcos não era ruim, afinal, tinha experimentando um churrasco em uma de minhas visitas a capital gaúcha alguns anos atrás.
— Não posso ir contra as tradições do Brasil meu caro amigo, e já que não viraremos canibais ao come-la, vai enfrente.- falei mostrando a caixa a Marcos.
Enquanto Marcos saia do laboratório carregando a caixa térmica com ele, voltei minha atenção para Flávia que agora separava uma pequena porção de carne moída da qual eu havia trazido.
— Teremos sorte se conseguirmos recuperar o DNA dessa carna.- reclama Flávia levando o que tinha separado ao espectrômetro de massa.
— Não vai levar ao microscópio primeiro?- perguntei.
— De que adianta, as fibras dessa carne já foram demolidas pelo cozimento, seria uma perca de tempo - responde Flávia colocando seu cabelo sobre o ombro.
— E quanto tempo demorará para obter um resultado?
— Entre uma e duas horas. O espectrômetro não é capaz de reconstruir o DNA então dependente das propriedades que ele encontrar farei isso manualmente no computador, por isso demorará um pouco mais.- explica Flávia indo até o computador.
Fiquei parado em silêncio observando Flávia abrir e fechar várias abas de acesso do computador.
— Quer uma foto?- pergunta Flávia sem desviar a atenção do que estava fazendo.
— Foto de que?- retruquei.
— Da minha bunda. Mesmo que tenhamos sido escalados para trabalhar juntos nessa investigação, nada ultrapassará os limites de trabalho.
— Não estava olhando para sua bunda, nem mesmo estou vendo por de baixo desse jaleco branco.
— Pode não estar vendo, mas está imaginando.- diz fazendo uma breve pausa - Vocês homens são todos iguais.
— Tá bom. Vou deixar você trabalhar, me chamar quando chegar em um resultado será sensato.- falo dando as costas e saindo do laboratório.
Para onde iria durante esse tempo? Para o necrotério saber o que Marcos tava fazendo? Talvez fosse melhor procurar Renan e Vicente para uma conversa sobre como poderíamos proceguir com a operação dependendo do resultado que Flávia encontra-se.
Depois que sai do laboratório me dirigi a recepção do IML e lá encontrei então Vicente conversando com um homem de jaleco branco, imaginei que fosse um médico legista. Me aproximei para um comprimento com Vicente, antes que pudesse Vicente me puxa para um lugar reservado da recepção.
— Que foi Vicente? - perguntei assim que saímos de perto de algumas passos. O médico nos acompanha.
— Precisava falar com você. Este é o doutor Bruno, chefe do IML. Doutor este e Eric Chiuto, o detetive a frente da investigação - nós apresenta Vicente.
— Prazer doutor - falo apertando sua mão.
— O prazer é todo meu detetive. Ouvi falar do senhor. Primeiramente detetive, gostaria de saber em que pé está sua investigação.- me questiona Bruno.
— No momento está nos dois, mas estamos em uma corda bamba, temo que nossas amostras não nos levem até o assassino.
— Suas amostras detetive tera um papel fundamental nessa investigação.
— O senhor sabe de algo doutor?- suspeitei assim que Bruno e Vicente se entre olham.
— Sim e não. Ainda não tenho certeza. Veja bem Detetive, estava comentando com Vicente sobre um caso que tivemos no ano de dois mil e vinte e um, no estado do Rio de Janeiro. Um grupo de cinquenta pessoas, esse grupo foi classificado como sendo um grupo terrorista e até o devido momento, achávamos que como todos foram presos o grupo teria sido extinto, ao que parece alguém saiu em pude.
— O que esse grupo tem a ver com a minha investigação doutor? Seja mais explícito.
— Durante um ano a polícia civil e federal bateram cabeça para capturar essas pessoas, só foi possível graças a um pequeno deslize de um dos integrantes, uma impressão digital foi encontrada em uma das vítimas da quele ano. A polícia chegou até Diego Eduardo, um serial kiler de vinte anos de idade que confessou as mortes de cem pessoas no estado do Rio de Janeiro, apartir de Diego, a polícia chegou a outros integrantes do grupo que foram sendo capturados, e mais corpos foram encontrados, a maioria deles praticamente foram desossados, no estado carioca a cidade de Barra Mansa foi o alvo, vários locais da cidade estavam vendendo carne humana por carne de animal comum.
— Espera aí... Como sabe sobre isso doutor? E onde entra o S.I.B nos crimes dessa época?- perguntei ficando preocupado. Se alguma coisa do que Bruno me relatou fizer sentido estávamos em sérios apuros.
— Como sei detetive! Sei por que eu estava lá. Fiz a autópsia dos corpos, ou o que sobrou deles, na época, foram mais de cinquenta vítima, mais da metade dos corpos nunca foram encontrados. Quanto ao C.I.B, na época ainda não existia, mas para prevenir crimes de tráfico de drogas e armas inclusive assassinatos a agência foi criado no mesmo ano voltada para esses propósitos.- explica Bruno.
— Como era o nome desse suposto grupo doutor?- perguntei apanhando minha caderneta.
Renan junta-se a nós e se pronuncia.
— DL- diz Renan antes mesmo de se juntar a nós.
— Bom dia pra você também Renan. Só eu que percebi ou todo mundo está esquisito? E DL. que desgraça é essa?- questiono fazendo uma careta.
— Direito de Liberdade - continua Renan.— Um resumo bem sucinto detetive. Esse grupo, o DL atua no sul, sudoeste e centro oeste do Brasil, dês de mil novecentos e noventa e nove, só não conseguiu expandir seu território graças.- Renan faz uma pausa em quanto cosava o pescoço— Nunca achei que diria isso. Mas foi graças ao PCF que o DL não consegue ganhar mais território, o PCF é o maior rival do DL. Esse grupo é totalmente contra ao que o grupo rival quer implantar.
— E que jossa e PCF? Um formato de arquivo?
— Em bora tenha uma sigla parecida o nome é totalmente diferente - rê começa Renan.- PCF significa Primeiro Comando Federal eles atuam em todos os estados do Brasil, chefiando principalmente a entrada de drogas e armas em território brasileiro, dês do início do ano de dois mil . Sem contar que ocorreram guerras nacionais e internacionais envolvendo os dois grupos.
— Vocês acham que esse grupo que... "Aparentemente".- falo dando ênfase com um sinal de aspas.— estava extinto, deixou uma célula e que agora ela acordou!
— Não achamos. Temos certeza.- fala Renan mostrando me a tela de seu celular.
No aparelho pude assistir um vídeo de trinta segundos em que um homem mascarado de corpo osudo mais alto do que o normal cortava pedaços de carne de um corpo e os colocava sobre uma mesa de madeira, o ambiente ao seu redor era precário, havia corpos ainda intactos amontoados em um canto, e de relance reparei também que havia ossos e vísceras de corpos espalhados por todo o chão.
Quem gravou o vídeo queria que todos soubessem o procedimento.
— Meu baralho sem o valete!- falei ao final do vídeo - Que merda é essa?
— Parece uma cena de um filme detetive. Mas acredite, nem mesmo Hollywood ou qualquer agência de cinema conseguiria produzir um desses.
— Como isso chegou a suas mãos? E quando foi gravado?- questiono tentando encontrar uma sequência de pontos.
— Ainda não sabemos. O YouTube apenas enviou uma nota anexada ao vídeo ao departamento de polícia civil brasileira, antes de ser deletado da plataforma, dizendo que o vídeo foi postado durante a madrugada de hoje. O vídeo foi excluído das redes sociais a alguns minutos.
— Venham comigo. Inclusive o senhor doutor Bruno. Sei de um certo alguém que pode descobrir - falei voltando para o corredor do IML rumo ao laboratório de Flávia.— A propósito. Alguém sabe me dizer porque o YouTube já não rastreou o vídeo?- perguntei enquanto andava.
— O YouTube se recusou a reestrear.- rebateu Renan.
— Consigo um mandado em cinco minutos.- disse olhando para o relógio.
— Não vai adiantar, para rastrear a origem o YouTube precisa violar ou hackear qualquer conta em uso dentro da plataforma. Isso seria arranjar confusão com Youtubers grandes e famoso, e não são um ou dois, são milhares deles. Será difícil que um juiz acate o pedido.- diz Renan andando a passos largos para me acompanhar pelo corredor.
— Pessoas matamtam seus semelhante e divulgando em uma rede mundial e a plataforma preocupada com a integridade de seus usuários! Isso que é amor ao próximo - falo entrando no laboratório.— Flávia...! - gritei o mais alto que pode
Flávia estava de costas para a entrada manuseando alguns tubos de ensaio. Com meu grito Flávia faz alguns deles viajarem pelos os ares.
— Vai se ferrar Eric. Quer me mandar dessa pra melhor?- fala Flávia espantada e ofegante.
— Dessa pra melhor ou pra pior. Ninguém sabe.- falei jogando o celular para Flávia. Que ela o pega.
— Você tem sorte desses tubos serem de plastico e estarem vazios. Se não a próxima autópsia seria a sua- fala entredentes.
— Isso foi uma ameaça?- perguntei colocando os braços para trás e dando um passo a frente para me colocando em sua frente.
— Entenda como quiser.- sugere Flávia olhando pra o celular.— O que significa isso?- pergunta olhando pra o celular.
— Nesse celular tem um vídeo. Quero que descubra de onde veio.- disse apontando para o celular.
— Que vídeo?- questiona Flávia.
— O que está nesse aparelho.- rebato.
— Não fasso ideia de qual vídeo é e muito menos sei a senha dessa coisa. O respectivo proprietário pode fazer a senha?- pergunta Flávia.
Renan faz a senha e devolve o aparelho a Flávia.
Ao começar a assistir o vídeo Flávia faz uma cara de nojo e da primeira vez quase vomita, devia ter adivinhado que Flávia não conseguiria assistir ao vídeo inteiro. No decimo segundo, Flávia devolve o aparelho e quase desmaia, mas ao se recuperar, Flávia corre para o banheiro tapando a boca para evitar um acidente em meio a seu laboratório. Flávia deve ter vomitado o que havia comido no natal passado.
— Você está bem Flávia?- perguntei cordialmente assim que voltou do banheiro.
— Porque me mostrou isso? A pessoa certa para isso seria o doutor Marcos ou você Bruno - reclama Flávia levando uma das mãos ao abdômen.
— Não. Você é a pessoa mais certa, quero que você rastreie a origem dessa merda a quanto antes - falei em tom de ordem.
— O que quer que eu descubra?
— Sei lá Flávia- encolhi os ombros.— A câmera que fez o vídeo. Quando foi. E se puder descobrir a localização será uma boa.- falei.
— Não. Não, isso é praticamente impossível - fala Flávia.
— Praticamente impossível. Isso para mim não é um totalmente impossível.- falei com tom autoridade.
— Qual é Eric. Só para ressaltar, apenas para rastrear a conta que postou esse vídeo imundo, preciso hackear metade dos sistemas de cada plataforma da internet, e hackear é crime, não sei se sabe, e se eu precisar ver esse vídeo novamente vou vomitar o que eu comi no jantar de ação de graças do ano retrasado - fala Flávia indicando com o polegar por cima do ombro.
— Nesse caso a ceia do natal passado já foi. Nesse caso, falta duas para a ação de graças. Você consegue!- falo segurando Flávia pelos ombros, depois voltando para fora do laboratório.
— Você não vai fazer isso comigo Eric. Isso não é coisa que se fasa com uma cientista florence - ouço Flávia reclamar.
— Já fiz. Você tem uma hora e meia no máximo.- gritei do corredor.
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Atualizado até capítulo 41
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