Duas semanas havia se passado, sai do hospital na sexta feira. No dia seguinte escalei Flávia e Marcos para irem comigo até a fábrica de roupas abandonada pela segunda vez.
Durante a primeira vez em que estive lá, estive sozinho, então poderia ter deixado passar alguma coisa. Marcos com seus métodos de perícia em cenas de crimes, e Flávia, portando um aparato de alta tecnologia para encontrar sangue e impressões digitais.
Partimos durante as primeiras horas do sábado com destino a Belo Horizonte, tivemos que viajar de classe econômica. A agência não permitiu que reabriremos o caso, então apartir de agora seria por nossa conta, poderíamos investigar por um tempo logo e acabarmos sem resposta ou durante a investigação sermos descobertos e com certeza seríamos punidos severamente, podendo perder nossos empregos se isso acontecesse.
Assim que colocamos os pés em Belo Horizonte liguei para Renan, esperava que nos ajudasse ao menos no suporte tático, nos fornecendo carros descaracterizados e uma forcinha na camuflagem.
Para nossa surpresa Renan já estava em Liliance, e em questão de minutos consegui um helicóptero da polícia civil do estado. Um Robson JB-22. Não era das melhores aeronaves mas nós permitiria esse deslocamento em uma hora e meia.
Como Flávia e Marcos pertenciam a minha equipe, foram afastados junto a mim, o que não achei justo.
Renan sabia disso, e mesmo assim pediu que eu fosse até a cidade. Durante nossa conversa por mensagem, Renan parecia estar eufórico, especialmente quando raramente me enviava mensagem por áudio. Em alguns deles noite que ao fundo era possível ouvir sons de sirene, em outros era nítido o som de rádio transmissores.
no saguão do aeroporto mostrei minhas credenciais e acionei alguns terrenos de responsabilidade que nos permitia entrar na érea de embarque do aeroporto. Ouve tempo para um café e um lanche em uma das lanchonetes do aeroporto antes que um policial da polícia federal viesse até nos para nós guiar ao portam 9-B. O policial nos deixou no portão. Descemos dois lances de escadas e adentramos na área de estacionamento de aeronaves do aeroporto, na doca um, nos aguardava o helicóptero, me apresentei a piloto e embarcamos.
Uma hora depois estávamos pousando em um campo de futebol em um bairro de Liliance, lá nos aguardava três viaturas da polícia civil. Reconheci Renan assim que desembarquei do helicóptero. Fomos ao encontro de Renan que me aguardava do lado de fora do campo com um semblante abatido.
— Temos que conversar detetive Eric - fala Renan assim que me juntei a ele.
— Sou todo ouvidos delegado!- disparei levando a mão para um aperto.
— Aqui não detetive, vamos até minha delegacia. Vejo que não vei sozinho.
— Não. Depois que tive a quela cruze durante minha última investigação, eu Flávia e Marcos fomos afastados.
— Pensei que ainda estava na ativa. A agência disse que mandariam um investigador, acreditei que fosse você.- comenta Renan.
— Talvez outro. Eu estou aqui de penetra, assim como você, acredito que a investigação não vai ter um fim Tam sedo.
— Você está certo detetive, o caso foi reaberto hoje pela manhã.
— Como é que é?!!- exclamei com ar de surpresa. E era mesmo.
No dia anterior eu mesmo pedi para que o caso forre reaberto, o que o comando geral não me deu esperança alguma disso acontecer.
— Pedi para o caso ser reaberto depois que encontramos um outro corpo.- Renan fez uma pausa e depois baixou a cabeça em cinzal de frustração. Mas assim que voltou a me olhar, percebi que não se tratava de frustração e sim de uma tentativa de esconder as lágrimas que rolavam pelo seu rosto.
— Vamos até minha delegacia, lá poderemos ter uma conversa mais reservada e calma. - prossegue Renan.
Aceitei o convite e fomos em viaturas separadas. Renan achou melhor assim. Eu e minha equipe fomos em uma viatura separada da de Renan, no meio do caminho nos dividimos, mãe entendi o motivo, certamente Renan me explicaria quando chegarmos até a delegacia.
Para minha surpresa chegamos primeiro, o motorista estacionou a viatura em frente a delegacia e nos pediu para que aguardaremos na sala do delegado. Após o motorista nos deixar, tentei diversas vezes contatar Renan, mas por algum motivo a voz eletrônica de seu celular dizia que estava fora de área ou desligado, a única solução era aguardar o delegado em sua sala pacientemente. Antas de entrar na sala aproveitando a máquina de café pelo caminho, comprei três copos de café extra grande, cerca de quinhentos ML de café, a princípio os três copos eram para meu próprio consumo, mas contrabedeei dois para Marcos e Flávia.
Nos a acomodamos na grande sala, Flávia sentou em uma ponta de um sofá de couro e passou a ler um livro que encontrou na estante. Marcos sentou em outra ponta e começou a digitar freneticamente em seu celular. Quanto a mim acendi meu Cachimbo e revisei algumas anotações em minha caderneta. Nos três estávamos mergulhados em um silêncio total, até que Flávia se aproximou de mim e pediu meu cachimbo emprestado.
— Por que não compra um para você?- perguntei jogando o cano do cachimbo de um canto a outros da boca.
— Porque iria comprar se tenho o seu.
— Fica esperto detetive. - se manifesta Marcos. — Da qui a pouco Flávia prefira outra coisa.
— E que coisas seria essa?- perguntei sem desviar a atenção de Flávia.
— Seu cartão de crédito.
— Ela pode pedir. Não conseguirá gastar mais de que cem reais.- falo soltando um sorriso maroto.— Mas se pedir outra coisa poderá usar sem se preocupar com o fim.- completo apertando meus testículos.
— Prefiro seu cartão se for o caso. Agora me empresta?- pergunta Flávia apontando para o cachimbo.
— Vai nessa. Só não babe muito.- falei levando o cachimbo até sua boca.
Flávia voltou para seu lugar no sofá para ler seu livro.
— Porque Renan não veio no mesmo comboio.- comenta Marcos.
— Isso está me cheirando problema - comentei.
— Que tipo de problema?- pergunta Flávia.
— Renan me disse que um outro corpo foi encontrado e que a investigação foi reaberta hoje pela manhã.
— E o que nos temos a ver com isso? Não podemos fazer nada para ajudar. Estamos afastados, lembra?- fala Flávia soltando uma nuvem de fumaça.
— O procedimento será simples. Esperaremos Renan voltar pra sabermos de quem é o corpo encontrado, então investigaremos por de baixo dos panos.
— E se formos descobertos?- me pergunta Flávia sem rodeios.
— Se formos descobertos, derem adeus aos seus distintivo. Mas creio que a agência não está interessada em nós manter fora do trabalho.
— E esta interessada em que exatamente?- me interrompe Marcos.
— Pelo que percebi a agência quer chegar ao ponto de partida, encontrar quem está por trás disso. O encerramento do caso foi uma forma da agência ganhar tempo.
— Então o porquê de nós afastarem?- questiona me Flávia.
— O S.I.B é muito imprevisível, e confesso que nem eu mesmo sei.
— Será que fomos usados como uma espécie de isca. Ou algo do tipo?
— Acho isso improvável. - começo — De qualquer forma, saberemos assim que Renan chegar aqui.
Voltamos a ficar em silêncio até quando ouço o escrivão conversar com alguém na sala de recepção.
O escrivão pedia que alguém espere e ali mesmo na recepção da delegacia até que Renan chegasse, pois o delegado tinha saído em uma ocorrência a poucas horas e ainda não havia retornado.
Ouvi um homem replicar com voz exigente que aguardaria o delegado em sua sala, pois era um investigador do S.I.B.
Só então percebi que em um dos lados da sala onde estávamos havia uma porta. Corri até ela e rezei para que estivesse destrancada e realmente estava, do outro lado estava uma sala que parecia ser de reunião, chamei Flávia e Marcos que me seguiram. Assim que fechei a porta cautelosamente a porta da sala do delegado se abriu.
Corri até a outra porta de saída e verifiquei que a quela dava para o corredor, saímos por ela e fomos para a recuperação, certificando de que não havia mais ninguém da agência de inteligência em nosso caminho.
Assim que entramos na recepção, Renan estava pela porta do outro lado.
— O que vocês estão fazendo fora de meu escritório!- pergunta Renan.
— Dois detetives da agência estão aqui.- falamos nos quatro ao mesmo tempo. Eu. Flávia. Marcos e a moça atrás do balcão.
Renan passou por nós como uma flecha e entrou de sopetão em seu escritório.
Ficamos na recepção e depois de algum tempo a recepcionista nos diz para irmos ao auditório da delegacia, ela nos acompanhou até a porta. Sentamos na primeira fileira de cadeira em frente ao palco. Imaginava que Renan teria nos mandado para o auditório para não termos um encontro desagradável com os dois detetives em sua sala. Mas estava tão enganado que se fosse um jogo de boliche, certamente teria feito um Strike na pista ao lado.
Momentos depois a porta do auditório se abre e Renan desce as escadas acompanhado dos mesmos homens que estávamos tentando evitar.
— Que bom que sua equipe se juntou a nós detetive Eric - fala um dos homens.
— O prazer é todo meu.- comecei tentando manter a calma.— O que traz?
— Explicaremos assim que possível detetive Chiuto.- falou o outro homem passando por mim e subindo no palco.
Flávia e Marcos se a fundaram na cadeira.
— Peço que me perdoe pela inconveniência de me intrometer na investigação mesmo estando afastado- falo tentando fazer uma reação reversa.
— Você estava afastado a cinco minutos atrás - começa o homem mais corpulento.— Aliás. Me chamo Jailson, este é meu auxiliar, Paulo.- completa Jailson estendendo a mão indicado o outro homem.
— Quem me habilitou no caso?- perguntei segurando firme a mão de Paulo.
— Comando geral da polícia militar, eles querem que você seja um detetive de ligação. Não só o senhor mas toda sua equipe.
— Porque razão?- perguntei olhando de relance para Flávia que já se prestava ao meu lado.
— Perdão pala intromissão detetives. - se manifesta Renan.— Lembra que falei sobre o corpo que encontramos essa madrugada.
— Lembro. Conversamos sobre isso quando pousamos o helicóptero.
— Então...- Renan fica pensativo por alguns segundos.
— Vocês vão dizer o que realmente está acontecendo. Ou precisarei descobrir sozinho.
— O corpo era do delegado Vicente.- fala Renan.
Flávia leva uma das mãos a boca. Marcos passa de um tom de pele claro para um amarelo pálido e seus olhos se arregalaram. Quanto a mim não saberei descrever minha reação, provavelmente arqueei uma ou as duas não sei dizer.
— Como isso aconteceu?- pergunta Marcos.
— Permita fazermos um resumo bastante sucinto do caso detetive Eric, fiquem a vontade enquanto fazemos - fala Paulo indicando a fileira de cadeiras e em seguida subindo por uma escada lateral com acesso ao palco para se juntar a seu colega.
Não podia acreditar que Vicente foi encontrado morto. Me restava agora, saber de todos os detalhes e estudar o que fazer. Meus pensamentos foram jogados de lado quando o retroprojetor foi ligado e segundos depois a foto do corpo de Vicente estirado de brusos sobre uma messa de autópsia foi retratada. Senti a cabeça de Flávia bater em meu ombro.
Ela havia desmaiado. Mas pelo menos dessa vez não vomitou ou teve um chilique. Retrai o descanso de braço de minha cadeira e a coloquei deitada com a cabeça sobre minhas pernas.
Vicente tinha a pelo morena, quase que um café com leite, reconheci por esse motivo. Os hematomas se espalhavam por toda a extensão de suas costas, quadril e pernas, seu maxilar mesmo deitado de bruços estava torto aparentemente tinha sido quebrado. Sua nunca estava ensanguentada e seu crânio estava com uma perfuração.
— Este é nosso delegado Vicente, ou era. O fato aqui é que o corpo foi encontrado por dois pescadores próximo a represa de várzea das flores. Por volta das três horas da madrugada. Acreditamos que Vicente esteja morto a mais de três semanas. Mas o corpo só foi desovado a princípio ontem a tarde.- explica Paulo.
A exatamente três semanas tinha deixado Vicente e Renan no estacionamento do IML em Belo Horizonte, depois daquele dia não o vi mais, apenas Renan me acompanhou durante a investigação. Pensando nisso levantei o braço para uma pergunta.
— Sim detetive.- fala Paulo indicando que eu continue.
— Tenho uma pergunta para Renan.- Digo apontando para Renan.
— Pois não detetive.- se expressa Renan.
— Posso estar errando. Mas a última vez que vi Vicente esteve por último com você a exatamente três semanas atrás. Você confirma?
— De certa forma estive sim Eric. Até comentei isso hoje pela manhã quando recebi a notícia.
— Vicente lhe disse para onde ia e o que iria fazer quando deixei vocês no estacionamento?
— Disse que voltaria para Liliance, disse que me daria notícias assim que chegasse.
— E ele fez isso?- pergunto.
— Fez na manhã seguinte.
— Disse onde estava?
— Disse que estava em casa, e que estava saindo para a delegacia.
— Depois disso, teve mais notícias?
Renan balança a cabeça em negativa.
— Mediante essas informações detetives, acredito que o assassinato tenha ocorrido mesmo em Liliance. Em palavras mais diretas. Temos alguém que está querendo tirar o foco da investigação.
— O que nos aconselha detetive Chiuto?- me pergunta Jailson.
— Temos que ser cautelosos. - começo respirando fundo mas com suavidade levando os dedos indicador e médico aos lábios para pensar. Senti falta do meu Cachimbo e lembrei que Flávia tinha o tomado emprestado. Procurei nos bolsos da calça jeans que Flávia usava. Ainda tinha um pouco de fumo, o acendi e levei o bico aos lábios soltando em seguida uma nuvem de fumaça. — Assim que Flávia acordar pedirei para fazer uma perícia Florence no celular de Vicente, assim poderemos ter uma lista de quem Vicente conversou nos dias que antecederam sua morte. Também pedirei para Flávia varrer a conta bancária. E o Dr. Marcos fará uma segunda autópsia. Também seria bom que a esposa fosse interrogada e tratada como suspeita até que se prove ao contrário. - termino tirando outra baforada do cachimbo.
Percebi quando Renan e os dois detetives se entre olharam.
— Pensei a mesma coisa detetive.- diz Renan levando as mãos a cintura.— Procuramos a esposa do delegado Vicente e não encontramos. - Renan olha para o relógio em seu pulso. — Por falar nisso, minha equipe está nesse momento em uma diligência na cidade vizinha onde reside os pais da Ser. Kelly para tentar sua localização.
Agora as coisas se complicaram. A única pessoa que podia nos dizer com quem Vicente andou durante as horas em que esteve em casa estava desaparecida.
— E quanto a filha do casal?- perguntei.
— Também não sabemos. Temos uma ponta de esperança de encontrá-la na casa dos avós materno. E mesmo que esteja sob custódia dos avós não poderá ser de grande ajuda, levando em consideração que a garotinha tem apenas dez anos - fala Renan.
— Não fará mal. Pedirei que uma psicóloga a acompanhe na audiência. Isso se a encontrarmos.
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Atualizado até capítulo 41
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