Cabeças Separadas

— Partiremos daqui. - disse fazendo com que que o motorista estacionasse a viatura ao lado da estrada.

Desembarcamos no início de uma estrada de terra que serpenteava por entre uma floresta repleta de árvores altas e vegetação espeça por toda sua extensão.

Nossa caminhada levaria cerca de quinze minutos até a fazenda, a vegetação serviria como um bom esconderijo caso encontrarmos alguém vindo na direção oposta.

— Faremos duas filas indiana, ocuparemos os dois lados da estrada, eu e mais um policial iremos a frente do pelotão, se avistarmos atitude suspeita a nossa frente o sinal será coruja branca voltando para o ninho - falo se postando a frente do pelotão.

Thiago apanha um pedaço de papel do bolso do colete.— Eu vou com o detetive a frente. William, Emerson e Santos. Vocês deram o primeiro, segundo e terceiro homem. Se um carro por exemplo se aproximar vocês ficaram responsável pela abordagem, os outros pela contenção do horizonte e pela retaguarda. Intendo?- pergunta Thiago.

Todos respondem um sim e as duas fileiras se formam.

Os policiais tomam suas posições, eu e Thiago assumimos nosso lugar a frente o pelotão, um em cada lado da estrada. E assim começamos a andar cautelosamente a beira da estrada, em silêncio e prestando a atenção em cada som de um passarinho que assobiava a barulho de motor e som vindos da mata

Estava indo tudo bem até que um dos policiais da equipe nos avisa sobre uma interferência a qual foi detectada em nossos rádios. Mais precisamente foram nossos rádios que interceptaram essa interferência.

O policial não soube explicar o que realmente a transmissão queria dizer, mas nela havia duas palavras que foi melhor ouvida. A primeira era verme, a segunda era soltem.

O que mais me chamou a minha atenção foi que nossos rádios nao captaram mais nada além disso.

Thiago foi mais rápido que eu quando levei o rádio a uma certa distância do rosto para falar.

— Detetive, não Fassa isso. Assim como nossos rádios interceptaram o deles também podem interceptar a nossa frequência.

— Tem razão Thiago.- falei virando me para trás e erguendo meu braço direito para forçar a parada do pelotão.— Atenção. Não usem os rádios, aja o que houver. Terminei virando me de frente e abrindo a mão ainda com o braço estendido.

Voltamos a andar.

— O que essas palavras se significam?- questiona Thiago.

— Essa pergunta foi para mim?- retruquei.

— Não. Perguntei a minha sogra. Claro que fiz a pergunta pra você.- debocha Thiago.

— Sei lá. Não faço ideia. Vou dizer duas palavras e você me diz o que vem primeiro a sua memória.- falei em quanto caminhamos lado a lado.— A primeira e Verme.

— Parasitas.- responde Thiago.— Manda a outra.

— Soltem.

— A primeira coisa sobre essa palavra... Essa é difícil - pensa Thiago antes de responder. — Talvez libertação ou deixar livre.

— Não! Não faz sentido.- falo em reprovação.

— Senhor. Permissão para falar?- pergunta um policial atrás de nós.

— Tem. Só não fale bobeira.- orientei.

— No meu aspecto literal para essas duas palavras. Verme significa polícia ou policiais. E soltem, na reunião vimos que há casinhas de cachorro no local.

— E isso detetive!- dispara Thiago.— Como não pensamos nisso antes!

— Eu sei lá. Mas agora faz mais sentido. Como será que nos descobriram?

—Cometemos algum deslize.- sugere Thiago.

— Provavelmente. Onde, não sabemos.- retruquei com desdém.

— Atenção pessoal. Cuidado redobrado apartir de agora. Eles sabem que estamos aqui.

Assim que terminei de dizer ouvimos um tiro. O som não veio de muito longe. O pelotão desapareceu na beira da estrada entre a vegetação. Até aquele momento não sabíamos se o disparo foi em nossa direção ou foi efetuado por algum dos nossos.

— Atenção equipes em solo.- fala um dos atiradores pelo rádio.— Vários homens fortemente armados na sede da fazenda.

Após isso, um dos helicóptero passou a cima de nós com uma velocidade que nunca tinha visto. Parecia um super tucano da força aérea. Logo outros vários disparos foram ouvidos, mas permanecemos onde estávamos até que os disparos parassem.

A sequência de disparos levou alguns minutos para cesar, mas saímos de nosso esconderijo apenas quando ouvimos um piloto reportar o que havia acontecido.

— Atenção tropas em solo. Aqui é o piloto do HA-11A Super Lynx Augusta. Informo que doze alvos foram abatidos pelos meus atiradores. Câmbio desligo.

O helicóptero continuou voando em círculo sobre nós, hora planando e horas voando em alta velocidade sobre a floresta.

Involuntariamente todos os integrantes do pelotão deixaram seu esconderijo apontando seus fuziz FN SCAR-H 7,62 milímetros.

Continuamos nossa excursão, agora no escuro, não sabíamos o que nos aguardava. Mais criminosos armados até os dentes?

Assim que avistamos a sede da fazenda permanecemos escondidos deitados ou atrás de árvores. Esperamos que mais alguém se aventurase fora do galpão, o que seria óbvia a ideia de sair de onde estavam escondidos seria uma má ideia, ainda mais com um helicóptero voando sobre suas cabeças. Ficamos ali por cerca de cinco minutos. A beira da floresta que circundava uma lavoura era visível os corpos pintados de vermelho, armas de grosso calibre como fuzil AR-15- e AK-A- 65. Eles estavam bem armados, mas não foram palhos para dois atiradores de elite em um helicóptero, isso indicava que eram amadores, sem treinamento algum. Depois desses cinco minutos de espera, dei ordem para ganharmos território pela lavoura, agachados e de armas em punho preparados para disparar em qualquer coisa que se moves em nosso campo de visão chegamos em uma areia gramada em frente a uma casa em frente al galpão. Apontei para três homens ao meu lado direito, e depois indiquei me com o dedo indicador e então apontei para a casa. Dois dos três polícias correram e se posicionaram um em cada lado da porta enquanto o outro arrebentou a porta com um chute.

Depois apontei para Thiago, e indiquei o galpão ao fundo da propriedade.

Ele foi com o resto do pelotão. Nesse momento avistei a segunda equipe vindo do sul por entre algumas árvores.

Thiago e o resto pelotão cercaram o galpão e se preparam para entrar. Confesso que apartir desse momento não vi como se procedia os métodos de invasão do galpão, eu entrei na casa onde os três polícias já se encontravam revirando cada centímetro da casa.

— Tudo limpo? - perguntei ao primeiro policial que encontrei na casa.

— Ninguém foi localizado, mas encontramos em um dos quartos uma grande quantidade de drogas e munições. Ao que parece ser de uma metralhadora calibre ponto cinquenta.

Invadi o quarto onde outro policial espalhava sobre uma a cama de casal alguns pinos de cocaína e as munições.

— Encontrou algo mais? - perguntei.

— Além das drogas e munições, encontrei este revólver calibre trinta e oito sobre a prateleira do guarda roupas.

— Municiado?- questiono pedindo a arma.

— Sem munições nem na arma nem em qualquer outro lugar.

— Detetive, temos um problema aqui. O senhor precisa ver isso. — chama um policial fora do quarto.

Sai do quarto perguntando onde quem me chamava, quando o policial gritou outra vez dizendo que estava na cozinha.

Nesse momento percebi que tudo iria piorar. Para o problema ser na cozinha, só queria dizer uma coisa.

Avancei pelo corredor, passei pela sala de estar e adentrei na cozinha. O policial olhava paralisado para dentro de um Friezer.

Me aproximei cautelosamente tendo a impressão que o policial iria desmaiar, estava branco como cera e com os olhos esbugalhados.

Olhei vagarosamente para o interior do Friezer e quase que quem desmaiou fui eu. Dentro da geladeira várias cabeças humana decepada estavam congeladas. Sim. Como se congela uma carne de frango ou qualquer outra carne que compramos em um supermercado.

Fechei e abri os olhos para ter certeza de que o que estava vendo não se tratava de uma ilusão de ótica, quando abrir os olhos, as cabeças continuavam lá, do mesmo jeito.

Enquanto meu companheiro permaneça imóvel como uma estátua, parecia que ali também se encontrava a cabeça de uma medusa. O puchero pelo braço até a sala de estar e assim que o coloquei sentado no sofá, ele começou a suar e logo um jato de vômito foi lançado para o chão, o que me fez dar um salto para trás.

Depois dessa cena o policial se reabilitou rápido. A distância evitando o chão coberto do que parecia ser batata frita e suco de uva, perguntei qual era seu nome.

— Eduardo.- ele respondeu.

— Bom Eduardo, está se sentindo melhor?

— Me desculpa detetive, essa é a primeira vez que vejo esse tipo de coisa.- fala Eduardo arfando.

— Compreendo.- peguei uma cadeira e coloquei de frente com a porta por onde entramos. — Comsegue encontrar forças para manusear sua arma?- perguntei indicando a cadeira.

O policial apenas indicou que sim com a cabeça.

— Venha. Sente-se aqui, fique de vigia, se alguém entrar por essa porta sem ser um dos nossos, atira para matar.- falo apontando para a porta.

Voltei a visitar cada cômoda da casa, outro policial me chama até a lavanderia, um cubículo que calculei ter entre dois metros quadrados, um tanque de mármore e uma máquina de lavar roupa e algumas prateleiras com produtos de limpeza era o que tinha. Algo chamou a atenção do policial, dentro da máquina de roupas tinha algumas peças de roupas sujas de sangue.

— Pegue um par de luvas, verifique se não há rasgos de objetos cortantes ou perfurantes. Depois disso as embale e deixaremos tudo pronto para evacuarmos o local. - falei entregando as luvas ao policial.— Vou ver como está a outra equipe - terminei voltando para a sala.

Eduardo tinha aptidão física bastante elevada, até mesmo melhor que a minha, então ainda no batalhão o deixei encarregado de trasportar uma mochila comtendo em seu interior equipamentos como: equipamentos de comunicação. Munições extra e embalagens para provas. Peguei a mochila e a levei para o policial na lavanderia.

— Aqui está. Os sacos de provas estão na mochila, também deve haver uma ou duas canetas esferográfica, use para rotular as provas. Sabe como fazer?- perguntei com um breve aceno com a cabeça.

O policial me respondeu da mesma forma.

Depois me dirigi para a saída, na porta dei de cara com Thiago.

— Há! Estava indo ao seu encontro.- falei saindo porta fora, com Thiago a minhas costas.— O que encontraram?

— Não faria isso se fosse você.- fala Thiago soltando em minha frente.

— O que pesa que esta fazendo? - perguntei asperamente.

— Sei que é normal pra você, talvez esteja até acostumado, mas metade de minha equipe desmaiou ou vomitou o que comeram na páscoa do ano passado, quando viram o que tem lá dentro.- explica Renan apontando para o galpão com o polegar por cima do ombro.

— Se quer ver uma coisa macabra, de uma olhada no freezer dentro da casa.- indiquei com o dedo indicador

Algumas da quelas cabeças ainda estavam com os olhos esbugalhados, as cores dos olhos assumiram um branco pálido, se Marcos estivesse ali, certeza que poderia relatar mil motivos para uma pessoa não fechar os olhos depois da cabeça ser separada do corpo.

Passei por Thiago e quando dei de frente para o galpão vi Renan saindo do galpão com ar de preocupação, assim que me viu aguardou que eu chegasse em frente a entrada. Entrei no galpão, assim que pus os pés no lado de dentro a cena que vi era realmente macabra, chegava a ser multiplicado por mil em relação as cabeças no congelador. Vi corpos nus espalhados por todos os lados, de homens e mulheres, sobre as mesmas circunstâncias que vi no vídeo, alguns membros separados de seus corpos estavam sobre mesas de madeira, máquinas de corte e várias máquinas para moer e processar a carne dos corpos. Estavam sujas de sangue ainda fresco o mesmo Sangue fresco pingava das mesas e corpos e escória pelo chão até uma vala que era conectada a um ralo no canto do galpão, aquilo era um abatedouro humano.

Reparei também que todos os corpos estavam sem as cabeças. Andando para o fundo do galpão, tomando cuidado onde pisava e não prestando atenção nos mínimos detalhes, encontrei um corpo jogado no chão totalmente nú e de abdômen para cima, este, reconheci de imediato, era o corpo do delegado Schneider, ainda estava com a cabeça, mas seu pescoço estava parcialmente cortado, tinham começado o serviço mas algo fez com que o abandonassem, quanto a vida do delegado já havia se esvaindo, em seu tórax uma perfuração de bala, não era um médico legista mas podia afirmar que o tiro não foi a queima roupa, pois não chegou a transfixar o corpo, mas foi a causa de sua fatídica morte, o corpo já estava frio e rígido, indicando que sucumbiu a morte a algumas horas atrás. De baixo de uma mesa jazia outro corpo, estendido no chão, sem a cabeça e membros, este vestia uma roupa preta, em seu peito esquerdo, refletia um emblema da polícia civil e na manga direita da camisa um emblema do DHPP.

Toda a equipe do delegado Schneider Chineider foi recebida provavelmente a tiros e acabaram sendo trazidos para o interior do galpão, certamente para serem processados para virarem carne moída. Infelizmente não chegamos a tempo de evitar suas mortes, pelo menos não virariam carne moída.

Voltei para fora do galpão.

As mesmas viaturas que nos trouxeram estavam espalhadas por toda a cede, policiais vasculharam cada centímetro quadrado da fazenda em busca de mais corpos e o canil já se encontrava em meio a mata a procura de mais criminosos e possível corpos enterrados no chão da mata. Reparei que não havia nenhuma viatura do Instituto médico legista. Procurei meu celular para ligar para Marcar, quando vi por entre as árvores a beira da estrada por onde ou e minha equipe viemos, algumas viaturas do IML.

Assim que o primeiro carro do comboio estava se aproximando reconheço Marcos dirigindo.

— Trouxeram a frota inteira do IML doutor?- pergunto quando Marcos desembarca.

— Seus homens detetive. Espero que não tenham feito tempestade em um corpo d'água. Disseram que há mais de cinquenta corpos!- rebate Marcos abrindo a porta do baú da viatura.

— Não fizemos contagem, mas é nessa base. Porque Flávia não veio junto?- questiono.

— Flávia tem medo de cadáver detetive .- responde me Marcos com um sorriso fechado.

Abrir minha boca para falar mas decidi que seria melhor deixar Flávia fora dessa. Guiei Marcos até a casa, por entre alguns corpos estirados no gramado.

— Não vamos iniciar por esses, detetive?- pergunta Marcos indicando os corpos no gramado.

— Esses deixaremos por último.- falei continuando minha caminhada.— Comece por este doutor - indiquei Eduardo sentado na cadeira de frente para a porta.

— Este está vivo, não podemos fazer nada. E sua aparência está saudável.- comenta Marcos.

— Deviam ter visto a vinte ou trinta minutos atrás, administre uma aspirina ou algo que o fasa não ter enjôo, se quiser cuidar disso agradeço.- termino continuando para a cozinha.

Marcos bufa e solta a maleta ao seu lado e olha para Eduardo.

— O que está sentindo?- ouvi Marcos perguntar com voz zangada.

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