Quase deixei meu celular escapar das minhas mãos. Como isso era possível? Será que estava de frente com um caso de canibalismo, ou apenas uma tentativa de ocultar cadáveres?
— Os corpos que estão com você estão falando partes doutor?
— A primcipio nenhum.
— Acha que podemos ter mais corpos?
— Acho não, tenho certeza. A fibra de carne encontrada, parecia estar ali a um tempo, cerca de duas ou três semanas, mas Flávia vai dizer um tempo exato.
— A quantas horas descobriu isso?
— Não fazem nem dez minutos, assim que encontrei chamei Flávia e ela levou para seu laboratório para um teste de DNA humano.
— Mande-me uma foto da vítima, vou tentar descobrir quem é.
— Não quero ser estraga prazer, mas já fiz isso. Nossa é o jornalista trinta e cinco anos de idade, homen de estatura média, um metro e sessenta para ser mais exato, caucasiano. Foi a última vitima.
— Perfeito doutor, me ligue assim que Flávia tiver um relatório. E quanto as outras vítimas?
— Pode deixar detetive, acabei de pedir acesso ao S.I.B para buscar o DNA da amostra que encontrei, devem me habilitar em uma ou duas horas. E quanto as outras duas vitaminas não encontrei nada do que a primeira autópsia nos revelou.
— Excelente. Pessa também acesso a central de pessoas desaparecidas, pode ser que tenha algum alerta.
— Pode deixar detetive, farei o possível.
— Obrigado doutor - agradeço em seguida desligando o celular.
Voltei para dentro da delegacia e cheguei a tempo de ouvir Renan comentando que poderia haver mais corpos, os quais não foram abandonados na fábrica.
— Você acha isso delegado?- disparei entrando pala porta do escritório.
— Detetive! Desistiu de ver a cena do crime?- pergunta Vicente com empatia.
— Mudei de ideia, vou aguardar o retorno de meu médico legista e da minha cientista Florence.- falo me sentando na cadeira e colocando o tornozelo direito sobre o joelho esquerdo demostrando que estava com o caso sobre controle.— quantos açougues existe na cidade?
— Um.- respondem Renan e Vicente ao mesmo tempo.
— Acha que nosso assassino é um açougueiro?- pergunta Vicente.
— Tenho minhas dúvidas quanto a isso, mas não custa nada averiguar. Meu médico encontrou uma espécie de carne moída no cabelo da terceira vítima, e minha cientista florence está fazendo testes para saber se tratasse de carne humana.
— Que estranho, o médico legista do IML disse que não falta nenhum parte dos corpos.- comenta Renan.
— Segundo o médico legista do S.I.B também. Suspeitamos de que a mais vítimas. Isso se a carne moída for humana.
Renan leva as mãos a cabeça e puxa um chumaço de cabelo.
— Isso é uma catástrofe. A moral da polícia civil do estado já não é das melhores e agora mais essa.
— Se lamentar pelo sangue derramado a essas alturas não colocará o assassino na cadeia delegado. Sei que não é das melhores fases da PC de Goiás.
— Qualé detetive, estamos no fundo do poço.- reclama Renan.
— A culpa não é sua delegado, muito menos da sua delegacia, em dois anos muitos recursos da polícia civil foram cortados pelo estado, quer culpar alguém, culpe a gestão de segurança pública do estado, e não aos seus agentes e a si mesmo.- fala Vicente.
— O que você propõe detetive?- pergunta Renan se recompondo.
— Proponho que temos que trabalhar juntos, esquecer as divergências, unir forças entre as polícias civil e militar e o S.I.B para colocar na cadeia quem está por trás desses assassinatos, não medir esforços para que isso aconteça.- falo dando ânimo aos meus colegas.
Minhas palavras pereceram ter surtido efeito, Renan me dirigiu um olhar seguido de um breve aceno com a cabeça, Vicente começa a vascular em uma pasta e em seguida me entrega uma folha.
— Tenho dois policiais que estão em campo detetive.
— A é! Quando iria me contar?
— Não iria, até o momento não tinha o porquê contar, detetive.
— E porque mudou de ideia delegado?- pergunto pegando a folha.
— Pelo fato de que a alguns dias atrás, fomos almoçar em um restaurante, o único da cidade, para nós foi servido uma carne estranha, a qual não consegui comer, mas um de meus colegas comeu e acabou tendo que ser levado para o hospital, lá o médico disse que não passava de uma intoxicação alimentar.
— E como era essa suposta carne?- perguntei espantado.
— Não faço ideia, não comi, era difícil de cortar e meu agente disse que parecia estar mastigando um balão de ar murcho e o gosto era levemente adocicado.
Olhei espantado para Vicente assim como Renan.
— Típico relato de algumas pessoas que já comeu carne humana, e onde fica esse restaurante?
— fica no centro, três quadras da delegacia.- responde Vicente.
— Bom esperaremos a resposta de minha cientista florence e amanhã pela manhã farei uma visita a esse restaurante.- falo.
— Eles servem café e da manhã, o bom seria logo pela manhã, terá menos cliente e menos funcionários, se precisar agir.
— Boa ideia Renan.- rebato.
— E vai precisar de um disfarce, ninguém pode saber que é um agente.
— Não se preocupe com isso Vicente. Já tenho um.
— E quel é?- pergunta Renan.
— Um jornalista da CNN foi encontrado morto na cidade nas mesmas circunstâncias dos assassinatos, usarei um disfarce de jornalista para não levantar suspeitas.- disse procurando meu celular que voltará a tocar.
— Detetive Chiuto!- era Marcos, ou era o que eu pensava até ouvir a voz de Flávia do outro lado.
— Detetive, aqui e Flávia, tenho más notícias, quanto a evidência que Marcos encontrou...
— Já sei, é carne humana.- falo interrompendo Flávia.
— Exatamente. Mas há um ponto crucial, na carne havia traços de cinquenta e um aminoácidos derivados de uma proteína sendo divididos em dois grupos "A" e "B".
Pensei um pouco. Qual proteína contém cinquenta e um aminoácidos e que são divididos em dois grupos? Pensei mais um pouco e me veio a memória minha sobrinha de dezenove anos, ela faz uso de insulina e a insulina e dividida em dois grupos de aminoácidos, sendo que o grupo "A" possuí vinte e um, enquanto o grupo "B" possuí trinta. Trinta mais vinte e um, igual a cinquenta e um. Era insulina, a vítima fazia uso de insulina diariamente.
— Detetive, você ainda está aí? Detetive!- quando me dei conta, Flávia estava gritando em meu ouvido pelo telefone.
— Sim Flávia, ainda estou aqui.- falei calmamente colocando a ponta do dedo indicador no ouvido — Essa descoberta significa que a vítima fazia uso de insulina não é!
— Sim. E graças a isso consegui identificar de qual parte do corpo.
— Do abdômen?
— Isso. E não faz muito tempo como Marcos pensa, seria de uma ou duas semanas atrás, também, impregnado na proteína da carne encontrei diversos compostos, como uma mistura de hidróxidos de ferro hidratados e óxidos, e também: Fe3O4 - Fe2O3. H2O - Fe(OH)2 - Fe(OH)3.
Não era bom em química mas aquelas fórmulas significava uma coisa...
— Ferrugem.- falei de sopetão.
— Ferrugem impregnada provavelmente na máquina usada para triturar a carne.
— Consegue mais alguma coisa mediante essas informações?- perguntei.
— Quem sabe daqui a algum tempo, quando a população da cidade estiver viciada em carne humana.
— Não me serve, muito tempo.- rebato.
— Se essa carne humana está sendo consumida como sendo carne bovina ou suína, creio que em torno de dois a três anos.
— Isso se mais gente for abatida para isso acontecer - falei calmamente.
— Isso vai depender de você meu caro detetive - fala Flávia.
— De qualquer forma, obrigado pelo seu trabalho árduo, e diga ao doutor Marcos que continue examinando os corpos.
— Nassas alturas já deve ter terminado- diz Flávia .— Estou aguardando o relatório da última vítima. E obrigado.- termina Flávia desligando o celular subitamente.
— Senhores!- Renan e Vicente me encaram com atenção — Nunca em meus anos de vida uma mulher desligou o celular na minha cara, mas como tudo tem sua primeira vez...- falei jogando o celular sobre uma pilha de pastas e voltando a me sentar — A carne é mesmo humana. Pelo DNA mandado a capital a agência irá indemtificar quem é nosso presunto.- termino sendo interrompido novamente pelo toque do celular.
— Detetive Eric.- falo assim que atendi o celular.
— Detetive. Tenho uma boa e uma má notícia.- era Marcos, com uma voz ofegante e desesperada.
— Antes que me pergunte, quero a má notícia - falei colocando o celular sobre a mesa e o colocando no viva voz.
— O M.C.I.S está em contato com o S.I.B, querem a jurisdição do caso.- Renan e Vicente se olhan e depois me encara.
— Tá doutor. Explicar essa situação me deixaria mais tranquilo para tomar uma atitude.- falei.
— Não precisa, a agência já resolveu.
— Então a explicação doutor. - falei cordialmente.
— veja bem detetive, o DNA que enviei a Brasília é de um militar da aeronáutica, pertencia a base aérea de Anápolis, agora a força aérea convocou o M.C.I.S para assumir o caso - disse Marcos.
— E a notícia boa?- perguntei.
— A boa e que fomos salvos pelo gongo, o serviço de investigação militar aceitou dividir a investigação, mediante a descoberta que fizemos, concordaram que já estamos fazendo progresso no caso.- com o que Marcos disse, fiquei lisonjeado, na realidade foi Marcos e Flávia que fizeram esse excelente progresso para a minha salvação, ao contrário disso quem iria virar carne moída mediante aos militares seria eu.
— Tenho uma boa notícia a você também doutor.
— Estou ansioso pra ouvir detetive.
— Flávia desligou o celular na minha cara, não deu tempo de falar. Preparem-se para mais um teste de DNA, amanhã pela manhã iremos fazer compras, os policiais iram até um açougue e eu irei até um restaurante da cidade. Coletaremos amostras de carne e levarei a vocês, se confirmar voltaremos com equipes de buscas.
— Pode deixar detetive, estaremos preparados.- afirma Marcos.
Depois, combinamos para o dia seguinte, Renan como era da capital, ficaria fora dos planos, Vicente, como morava na cidade e fazia suas compras semanais mercado onde ficava o açougue não levantaria suspeitas, eu iria para o restaurante, se alguém perguntasse de onde eu era ou quem era, apenas diria que estava cobrindo os assassinatos e vinha da capital paulista. Antes de seguir para minha cama improvisada na sala de audiência da delegacia, lembrei a Vicente que não deveria comprar nada de salgados que contém carne, isso porque lembrei de ter visto uma foto de Vicente com uma garotinha que suspeitei ser sua filha, e geralmente as crianças gostam de coxinhas, rissoles ou pastéis, não queria arriscar que uma criança fissese parte de um costume extinto da humanidade a séculos atrás, mas ainda não sabia como alguém mantinha esse orendo costume.
No dia seguinte, acordei por volta das cinco horas da manhã. Sabia que provavelmente iria ficar boa parte do dia sem comer, então peguei um salgadinho de batatas Chips na máquina de lanches da delegacia e aceitei um café preto sem açúcar que o escrivão de plantão me ofereceu.
Em seguida fui ao estacionamento nos fundos da delegacia fumar meu cachimbo e colocar minhas ideias e planos para o novo dia que se iniciava. Vi quando Vicente entrou no estacionamento com sua GM S10 movida a diesel, ano 1995, uma relíquia em pleno ano de 2030.
— É uma beleza não é.- se gaba Vicente mostrando a caminhonete.
— Claro - concordo. — Mas não acha e um pouco ultrapassada?
— Só porque você anda em um carro movido a energia, não quer dizer que carros movidos a petróleo sejam ultrapassados.
— Não ando em um carro elétrico, meu carro é uma Ecosport exelenc, ano dois mil e vinte e cinco, movida a gasolina.- explico dando a volta na caminhonete.— Além do mais. Não quis dizer que seu automóvel está ultrapassado, só acho que é um tanto quanto antiga.
E realmente era. Fábricada no pólo industrial da Amazônia a exatamente trinta e cinco anos atrás.
— Há coisas mais antigas do que um carro detetive.
— E qual seria essa coisa?- pergunto percebendo que Vicente se referia a meu cachimbo.
— E interessante ver que alguém faz uso disso em pleno século vinte e um.
— Não faço uso disso.- falo mostrando o cachimbo fumegante.— Não para me destacar ou chamar a atenção, esse é um costume de meus ancestrais, na Europa e frança e a te mesmo na América do Norte as pessoas usavam o cachimbo como meio de concentração para ler ou fazer algo que demandasse muita concentração, assim os detetives adotaram essa prática.
— E o que isso tem a ver com seis ancestrais? Vai dizer que um deles inventou o cachimbo.
— Talvez, não sei precisar, mas meu avô pessoalmente foi investigador durante a segunda guerra mundial, o que foi um fracasso para os italianos se aliando aos alemães. Quanto a meu pai mudou- se para os Estados Unidos no final da guerra e se tornou detetive durante a guerra do golfo, e então chegou minha vez. Comecei minha carreira no FBI e agora estou no Brasil. Desde meu avô, adotamos o mesmo método de concentração.- terminei mostrando o cachimbo a Vicente.
Ouvimos o som de motor e logo o portão do estacionamento se abre permitindo a entrada de um jipe quatro por quatro.
Era Renan, o delegado da polícia civil, ele desembarca apressadamente e se junta a nós.
— Detetive! Delegado Vicente. Recebi uma ligação dos bombeiros ainda a pouco.
— E o que eles disseram? Resgataram um gatinho em uma árvore?- perguntei a Vicente.
— Nada disso. Bom... Uma equipe de policiais encontrou por volta de meia noite de hoje um corpo em avançado estado de composição no parque da Pampulha em Belo Horizonte.
— Será que tem ligação com nosso assunto?- quis saber Vicente.
— Acho muito improvável- começo.— Belo Horizonte está a uma distância razoável da qui, para levar um corpo até lá demandaria estratégia e dinheiro, além de ter um deslocamento perigoso, arriscando ser parado pela polícia rodoviária federal. Falaram algo mais sobre o corpo?- perguntei.
— Não, não tinham ido ao local.
— Retorne a ligação, mandarei meu médico legista ao local. Diga para não tocarem no corpo.
Renan volta para seu carro mechendo no telefone. Eu e vinte permanecemos ali até que Renan retornou para junto de nós com ar de alívio.
— E aí Renan, tem maiores informações?- pergunta Vicente.
— Tenho. Tenho sim, na verdade o corpo é de uma mulher, trinta anos no máximo, pulou de uma passarela.
Assim que Renan falou meu celular tocou.
— Prossiga doutor - falei levando o aparelho ao ouvido.
— Detetive, estamos em uma cena de um crime na capital.
— Um segundo- falei interrompendo e levando o celular ao peito.— Não foi um suicídio, e sim um assassino - falei para Renan que coça a nuca.— Continue doutor.
— Quando chegamos achamos que teria sido um suicídio mas, ao examinarmos o corpo havia uma marca de sapatos na roupa na parte de trás, indicando que foi empurrada do alto da passarela. Alguém fez com que ela caise.
— Este tem ligação com os assassinatos de Liliance?- perguntei
— Ainda não sabemos, o cadáver será levado para o IML para mais exames, ligaremos se descobrirmos alguma coisa.
— Está bem doutor, estarei no aguardo.- falei desligando o celular.
— Então não foi um suicídio. As coisas por a qui estão ficando complicadas- fala Vicente entrando na delegacia.
Acompanhamos Vicente e voltamos a nós reunir em sua sala.
— Esqueceremos este caso da capital, ao menos por enquanto. - começo me sentando em uma das cadeiras.— Vamos nos concentrar em obter provas de onde essa carne humana está sendo vendida ou processada.
— Vamos recapitular o plano - começa Renan. — você.- aponta para Vicente.— As compras no supermercado deveram ser focados no açougue, certamente não terá carne com osso ou gordura. Então, a linha de embutidos e carnes manipuladas no estabelecimento deveram ser compradas.
— Renan estará lhe esperando na rua de atrás do mercado com caixas térmicas para armazenamento.- comentei.— Após isso deveram se deslocar para a capital, após terminar minha parte do plano encontrarei vocês lá.- falei me levantando.
Já eram seis horas da manhã quando Renan aproveitando o pouco movimento de moradores nas ruas saiu com uma viatura da polícia civil, procurando um lugar estratégico para aguardar quando Vicente ligase e disese que estava pronto.
Eu, fiz um rápido reconhecimento em torno do restaurante, estudei também a saída de serviço do restaurante. Se alguém suspeitasse de mim, certamente tentaria sair pela saída de serviço atrás do restaurante mas, era apenas um estudo, estando sozinho não tinha como saber se alguém sairia por ela.
Depois de umas três voltas no quarteirão deixei a vam no outro lado da rua em um estacionamento atrás do restaurante, meu disfarce tinha que ser comunicativo e simples, mas sem erros de fala, teria que convencer primeiramente a mim mesmo que era um jornalista.
— Renan. Peguei tudo o que era preciso. Estou saindo do mercado agora - fala Vicente ao celular com Renan.
A compra de Vicente foi grande, tomou a liberdade de comprar tudo o que continha carne. Além de carne moída crua, Vicente trouxe pastéis, coxinhas, bolinho de carne, uma infinidade de salgados contendo carne vermelha.
Meu disfarce quase foi comprometido, por alguns instantes pensei que tinha fracassado e logo fui recuperando minha confiança e descobrindo que quanto mais tempo ficasse ali mais risco correria, afinal o assassino podia ser qualquer um, dês do proprietário do estacionamento até um dos funcionários.
Fiz um segundo pedido para viagem. Apenas carne moída, não sei se levantei suspeitas mas de qualquer forma o pedido chegou até mim, me possibilitando pagar minha conta e sair dali o quanto antes.
Depois de alguns quilômetros andando pela rodovia pude comer alguma coisa decentemente mas, optei por uma xícara de café com leite e uma fatia de bolo de chocolate em um posto de gasolina a vários quilômetros de Liliance.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
A. A. Roncali
Curto demais esse assunto. Espionagem, agências de inteligência, ação... Gostei muito da sua história, o enredo. Curiosamente comecei a escrever uma trama com esse mesmo assunto. Espero que seja tão boa quanto. Se não for pedir demais, dá uma olhadinha lá. Vai ser ótimo pegar dicas, contigo.
2024-06-03
1
Faadhilah Fauziyyah
Amo esse autor! 🥰
2024-04-21
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