Duas Semanas Depois

As duas semanas que se procederam foram lentas, ao menos para mim. Não sabia como havia ido parar em um hospital. Quando acordei meu corpo inteiro doía como se tivesse levado vários socos e pontapés, porém sabia que não tinha. A única coisa de que me lembro era de estar fazendo um procedimento de primeiros socorros em uma mulher loira.

Lembrava de tudo, menos de como tinha chegado no hospital, sabia que estava conduzindo uma investigação de múltiplos assassinatos no estado de Minas Gerais e que tínhamos descoberto um abatedouro humano em uma propriedade rural.

Quando acordei Flávia estava ao meu lado lendo um livro. Olhei para ela sentada na cadeira e tentei me colocar sentado. Flávia percebeu e me impediu de me mover, seu sorriso ao me ver despertar era amigável e repleto de alegria. Até então não sabia quanto tempo estava no hospital.

— O que está fazendo aqui Flávia? Não deveria estar em seu laboratório?- perguntei fazendo uma cara de dor.

— Deveria. Mas prefiro estar lhe fazendo companhia. Além disso tudo acabou.- prossegue Flávia se debruçada sobre mim para afofar meu travesseiro, quase esfregando seus seios em meu rosto.

— Como tudo acabou! O que aconteceu e a quanto tempo estou aqui?.

— Qual pergunta quer que eu responda primeiro?

— Qualquer uma. - digo impaciente.

— Já leu este livro?- pergunta Flávia mostrando me a capa do livro.

— A Passiente Silenciosa! Onde está querendo chegar?

— A lugar nenhum.- balbuciou Flávia deixando o livro de lado.— Só tentando mudar de assunto, da pra ver que não gosta de leitura.

— Está bem. Começaremos do início.- falo calmamente.

Flávia arregala os olhos para prestar atenção em mim.

— fomos até uma fazenda. Lá encontramos um abatedouro humano.

— Sim.- começa Flávia massageando a nuca.

— Depois. Eu, Renan e Marcos embalamos e etiquetamos as cabeças humanas e as colocamos no carro do IML, conversamos brevemente com um policial da CP e depois fomos para o galpão, uma mulher estava seminua e ainda viva, eu estava fazendo uma reanimação e quando me cansei Renan me empurrou para o lado, acho que devo der batido com a cabeça. Depois disso lembro de pouca coisa.- termino chacoalhando a cabeça para desembaralhar meus pensamentos.

— Quanto a isso não saberei dizer. Pois não estava presente. Depois que desmaiou, pelo que Marcos falou, achava que você tivesse tido uma hipoglicemia.

— Não tenho diabetes. - descordei.

— Não. Você não tem. Quando chegou ao hospital os médicos do exército fizeram alguns exames e descobriram uma doença, ela é rara mas porém não requer tratamento e não trás riscos a vida. E chamada de Sincope Vasovagal.

— Impossível. - comentei.

— É possível sim! Marcos me disse que você estava tão obcecado por salvar a vida da quela mulher que atingiu seu maior nível de extres. Sua pressão arterial baixou e acabou desmaiando.

— Quando disse que foram os médicos do exército que fizeram esses exames...

— Sim. Você está em um hospital do exército.

— Em Belo Horizonte?

— Não, você está em Brasília. Chegou ontem pela manhã em um avião da FAB.

— Foi excluído da investigação?- perguntei em tom de ordem.

— Hipoteticamente não. Na verdade está afastado das funções da agência. A investigação que estava conduzindo foi dada como encerrada a três dias atrás.

— Como assim Hipoteticamente!

— A agência mandou um detetive substituto para fazer seu trabalho.

— Que beleza. Fui descartado.

— Então, quer uma boa e ao mesmo tempo má notícia?

— Não tem como uma notícia ser má e boa ao mesmo tempo. Ou tem?

— Então um dia depois, mais duzentos corpos foram encontrados nas proximidades da fazenda que invadiram, todos constavam como desaparecidos, o caso foi dado como concluído. A boa notícia é que a agência não aceitou que o detetive substituto arquivase o caso.

— Então assim que voltar ainda estarei com a jurisdição?

— Pelo menos foi o que o chefe falou.

— mas pera aí. Com que provas o caso foi concluído? Não tínhamos descoberto nem mesmo quem era exatamente esse grupo. Quem está por trás disso.

— Concordo plenamente contigo, o fato é que os atiradores aéreos abateram quarenta inimigos, todos no local no momento da operação foram mortos, isso levou a agência ao encerramento do caso.

— Qual a probabilidade disso ser uma zebra do tamanho de uma girafa?

— De onde tirou essa?

— Das minhas faculdades mentais.

— Espero que seja. Também suspeito que seja uma das piores coisas que a agência já tenha feito. Você sabe de alguma coisa?

— O que sei é que quando sair daqui vou interrogar pessoalmente a mulher.

— Desculpa. Não vai ser possível.

— Não me diga que ela não resistiu.

Flávia faz que sim com um aceno de cabeça.— Veio a óbito no hospital regional de Belo Horizonte, os médicos tentaram uma reanimação. Mas Marcos me deu isso ontem quando vei lhe ver, disse que você saberia dizer do que se trata.- Flávia me entrega a foto de uma tatuagem. A foto mostrava uma tatuagem de uma freira segurando um fuzil AM-115 nas mãos em posição de combate. Ao redor da tatuagem um rosário a cada sete bolinhas do rosário uma granada e no lugar do crucifixo se encontrava uma cabra, as gradas as quais identifiquei sendo FGK-90/MEC. Uma granada altamente poderosa que foram utilizadas durante a primeira guerra mundial, foram desenvolvidas pela união soviética nesse período.

— De onde Marcos tirou isso?

— Essa tatuagem, Marcos disse que cobria toda a parte das costas da moça.

Quando Flávia falou quase entrei em desespero. Me agitei na cama não ligando para as dores que me afligiam, esmurrei a cama com socos com tanta violência que a estrutura fazia um barulho de ferro.

— Calma! Calma rapaz. Quer ter outro desmaio e ficar aqui por mais cinco dias.- Flávia me contem me segurando pelos braços.

— Que droga Flávia. Quase salvei a vida de uma criminosa. Antes de pensar em salvar sua vida, deveria ter dado um tiro nela. Desgraçada!- falo dando um último soco no colchão.

— Você não sabia, lembra do nosso lema. "Dedicamos nossa vida e alma a nação brasileira, esse e nosso trabalho. Essa é nossa missão, morrer em combate pela nação esse é nosso prazer!" Você estava tentando salvar uma vida, apenas isso. Agora me explica o que essa tatuagem significa

— Essa tatuagem é uma tatuagem de gangues. A mais perigosa e sangrenta gangue de Nova York. Os York.

— E o que tem a ver uma gangue americana com o Brasil?

— Simples Flávia. Essa gangue é a primeira a ser multiplicada em outro lugares do globo. Como: Brasil. Rússia. China e na Europa. Os homens recrutados pela gangue em outros países fazem o controle do tráfico, as mulheres por outro lado são encarregadas de trasporte de armas e drogas, essa mulher deveria ser uma delas. Ligue pra Marcos, peça para vir aqui o mais rápido possível.- termino devolvendo a foto a Flávia.

— Essa gangue usa essa tatuagem como uma marca registrada, mas não me explicou o significado dela.

— seu significado e Tão simples quanto uma abelha nasce para produzir o mel. A freira tem uma aliança única com Deus, e pelo contexto, as freiras são ferramentas dele para proteger a religião, a gangue adotou esse princípio, quem tem essa tatuagem jura a gangue, defender os dois lados da moeda da gangue. De um lado temos a cabeça, representada pela face de uma esfinge, no contexto da gangue representa as cadeias da hierarquia, enquanto do outro temos as grandas, no contexto da gangue, s grandas representa a forma de contexto. Os integrantes juram ter respeito por seus superiores e defender o objetivo da gangue.

— E qual é o objetivo?- pergunta Flávia.

— Ninguém sabe. O FBI e a CIA sabem pouca coisa sobre essa gangue.

— O que você acha? Acha que temos integrantes dassa gangue no Brasil?

— Não acho.- falo.— Tenho certeza, a alguns anos atrás ajudei a agência a deter um traficante de drogas em território brasileiro, ele era integrante dessa gangue.

— Mas não é apenas mulheres que fazem o trasporte? Como você mesmo disse.

— Aquele caso foi um caso a parte. A escolha não sobre cai apenas em mulheres. Embora seja preferível, normalmente a escolha se dá aos integrantes, aos quais são fluentes em determinado idioma. Meu alvo no aeroporto de Guarulhos era um cidadão Canadense, mas falava português fluente. Acreditam que fazendo essas escolhas, será mais fácil uma camuflagem entre os nativos do país e para se familiarizar com a cultura.

— Já pensou que essa mulher poderia ser uma refém. - comenta Flávia.

— Sinceramente já. Mas o porquê de ela ter sido sequestrada?

— Realmente isso não faz sentido. Mais que coincidência. Ela pode ter feito a tatuagem sem saber o significado.- fala Flávia enquanto olha para a foto.

— Duvido muito. - rebati consciente de minha resposta.

— Isso também não faz sentido.- fala Flávia voltando atrás.— Normalmente quem faz tatuagem procura saber seu significado antes de fazer.

Franzi as sobrancelhas em concordância.

Ficamos em silêncio, até que Flávia quebra o silêncio com um sugestão óbvia — Renan me trouxe alguns pinos de cocaína e de metafetamina para a perícia. E se ela fez a entrega dessas drogas e acabou sendo raptada?

— É possível. Mas já que nossa testemunha está morta, acho que nunca saberemos o que ela estava fazendo lá. - completo dando de ombros.— Momentaneamente o caso está encerrado. Creio que em breve teremos que reabrir. Algo me diz que o trabalho ainda não terminou.- falo tentando me levantar e me colocar para fora da cama.

— Espera aí mocinho, se vai reabrir este caso. Primeiro terá que me convencer e convencer os seus médicos que está cem porcento recuperado.- começa Flávia me colocando deitado.— Por falar em convencer. Você tem dois exames marcados para as duas horas da tarde, se tudo correr bem sairá ainda hoje.

— Como assim se tudo correr bem? Já estou bem. Posso me mover, sentindo um pouco de dor mais posso.

— Da pra perceber, mas o fato é... A agência pediu um relatório completo de seu estado de saúde. Por isso estou aqui.

— Está aqui para monitorar minha recuperação?

— De certa forma sim.

— E quais exames precisam ser feito?

—Um é de sangue. O outro e de urina.

— Sério que terei que urinar no potinho?- protestei.

— Ou é isso ou sua aposentadoria precose.

— Sabe que não seria uma má ideia!

— Vira essa boca pra lá. Você tem muito o que fazer dentro da agência. Mas agora você terá que se concertar, focar em sua recuperação. E assim que saí daqui, ai sim, voltará para as atividade.

— Sabe qual será a primeira coisa que farei quando sair daqui?

— Não. Qual será?- pergunta Flávia mordiscando os lábios.

— A primeira coisa será encontrar Renan e o cobrir na porrada, onde estava com a cabeça para deixar encerrarem o caso! E Vicente também tem uma carga de culpa nisso.

— Isso será um castigo?- questiona Flávia cruzando os braços.

— Quê acha que devo fazer. Deixá-lo uma semana de joelhos em grãos de milho ou tampinhas de garrafa.

— Seja lá qual for.- começa Flávia dando de ombros.—Tera que me castigar a mim também.

— O que está querendo dizer?

— Quero dizer, é que se Renan e Vicente erraram de deixar que encerrasem o caso, eu também tenho culpa. Assim como Marcos também.

— há é! Tinha esquecido. Vocês também assinaram as petições para que o caso fosse dado por encerrado. Assim faltando apenas a minha assinatura.

— Então, nós quatro temos uma ponta de culpa no cartório.

— Renan e Vicente são os mais alto na linha da hierarquia. Eles respondem por vocês dois, ou seja, uma cientista florence e um médico legista. Prestes a perderem as cabeças - falo com uma ponta de ódio.

— Falando em cabeça. Quantas cabeças humana vocês encontraram?- me pergunta Flávia.

— No freezer haviam cinquenta e uma. Foi encontrada mais alguma?

— Não - começa Flávia franzindo as sobrancelhas. — Tem alguma coisa errada. Olha só. No galpão, Renan me passou esses números.- continua segurando nas mãos uma plancheta e depois andando de um lado para o outro do quarto. — Foram encontrados cinquenta e três corpos. Apenas dois com as cabeças ainda nos corpos.

— Isso indica que as cabeças eram dos corpos que ainda estavam no galpão.- comento.

— Sim. As cinquenta e uma cabeças deram DNA compatível com os cinquenta e um corpos que estavam no galpão. Agora. E quanto as cabeças dos duzentos corpos, ou restos deles, os quais foram encontrados enterrados um dia depois?

— Eles devem ter dado destino para essas cabeças. Agora, me vem a lembrança da fábrica de roupas abandonada. Qual ligação tem entre as mortes que ocorreram lá, com esse caso?

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