Mortes Futuras

Onde está Eric?- pergunta Flávia quando Marcos entra em seu laboratório.

— Não faço ideia Flávia. Apenas me entregou sua arma hoje pela manhã. Achei que tinha lhe dito para onde ia.

— A mim não me disse nada. E quanto a você?

— Também não disse, apenas pediu para que eu guardasse bem sua arma. Você tem noção do que aquele maluco vai aprontar?

— Não faço ideia, mas se me dissesse com certeza teria o impedido.

— E o que faremos agora?- pergunta Marcos.

— Vou ligar pra ele e ver onde ele está, enquanto você trate de achar um meio de encontrá-lo.- fala Flávia discando o número de Eric no celular e levando ao aparelho ao ouvido.

— Sua ligação está sendo direcionada para a caixa de mensagem, após o cinzal deixe sua mensagem.- isso foi o que Flávia ouviu da voz eletrônica.

— Caixa postal. Vou tentar por WhatsApp.- fala Flávia levando novamente o celular a orelha.— Ninguém atende, agora comecei a ficar procuranda. Vou reservar o número.- termina Flávia indo até o computador

— Qual é Flávia. Eric deve ser inteligente o bastante para saber que você irá rastrea-lo pelo celular. - comenta Marcos.

— Não piore as coisas doutor.- diz Flávia sem desviar o olhar.

— Porque você acha que Eric não quer que o encontremos, acha que isso tem a ver com a investigação?

— Se conheço bem meu chefe, poderei dizer com convicção de que ele não abandona uma investigação dessa forma. Algo aconteceu para precisar fazer isso.- dispara Marcos.

— E que tipo de coisa?- questiona Flávia enfiando as mãos no bolso.

— Eric descobriu algo.- fala Marcos sem rodeios.

— E não quer que saibamos.- comenta Flávia.

— Provavelmente.- afirma Marcos.— Além do mais não somos detetives, não sabemos como essas coisas funcionam.

— Marcos. Quer fazer o favor de ficar em silêncio por um minuto. Preciso me concentrar aqui.

— Foi mal. Desculpa se eu a incomodo.

Com o silêncio do laboratório Flávia conseguiu fazer uma busca detalhada em meu celular no celular. Já mais imaginei que estariam vasculhando meu celular, e ainda mais o celular do próprio chefe. Mas era por uma boa causa. Isso na cabeça de Flávia.

Quando Flávia chegou ao último canal de GPS de meu celular, o endereço estava como três ruas a cima do instituto médico legal, o horário marcava as oito e quarenta da manhã do mesmo dia, mais ou menos o mesmo horário em que deixei Marcos, o ponto cinza no mapa indicava que tinha usado o celular pala última vez nas dependências do instituto médico legal. Flávia também Tentou rastrear mais a fundo mas, o sinal de localização desaparecia a medida que eu me distanciava da torre de cobertura em que usei o sinal pela última vez. Marcos estava certo, eu foi esperto o bastante para desligar o celular. Sabia que eu iria ser rastreado.

Tinha uma última carta na manga. Na esperança de quando fosse rastreado ainda estivesse dentro de uma área de cobertura consideravelmente forte. Iria trocar de celular o que não demorou muito pra acontecer.

— O Último cinal de GPS de Eric foi ainda dentro de Belo Horizonte.- fala Flávia. — Poderia rastrea-lo com uma ferramenta chamada de S.S.R. um sistema desenvolvido pelo FBI. Essa ferramenta permite rastrear qualquer aparelho celular ou até mesmo automóvel que contasse com um GPS embutido em um raio de cem quilômetros.- observa Flávia.

Flávia continua tentando o rastreio digitando freneticamente no computador.

— Vinculei meu servidor com a torre de transmissão Alfa e espelhei o cinzal para as outras torres de dados móveis. Assim em qualquer lugar que ele use o celular poderei localizá-lo. Agora é torcer para a transmissão via wh-if de toda a cidade estar funcionando assim como a dos dados móveis.

Flávia estava tão aflita que a sincronização pareceu ter demorado uma eternidade.

Tudo pronto. Era só dar enter para iniciar a busca. Foi quando Marcos lançou seu celular para Flávia.

— Flávia - diz Marcos jogando o celular em sua direção.— Eric quer falar com você. Parece ser importante.

— Graças a Deus - fala Flávia apanhando o aparelho no ar com apenas uma mão.— Eric. Onde você está? Porque abandonou a investigação dessa forma?

— Em primeiro lugar não abandonei.- digo.— Em seguido, faça-me o favor de parar de me rastrear.

— O que quer que eu faça. Você sumiu, estava tentando lhe encontrar.- diz Flávia com preocupação.

— Já encontrou! A goro preciso que seja cautelosa, não só você mas todos. Inclusive você. Diga a Marcos ter escolta armada vinte e quatro horas ou fique no IML e não saia de lá até eu voltar. O mesmo vale para você.

— Como assim. O que descobriu? E porque está ligando de um número restrito?

— Explicarei melhor quando voltar, agora preste atenção. Peguei papel e caneta.

Flávia procura uma caneta sobre a mesa e apanha também uma agenda — Que quer que eu anote?

— Passe esse endereço para Renan. Rua Francisco Donato 445. Bairro Jardim Felicidade. Pessa para ele averiguar o endereço e se precisar prender quem estiver no endereço terá minha permissão.- termino desligando o celular na cara de Flávia, o que não foi muito conveniente.

Flávia entrega o celular de volta a Marcos e rasga a folha da agenda e entreguei a Marcos.

— Porque diabos Eric quer que eu vá para esse endereço?- pergunta Marcos.

— Ele não quer que eu vá. Quer que Renan vá.

— Mais essa. Eric dando ordens a distância. Esse é nova.- fala Marcos.

— Entregue isso a Renan e diga que se ele precisar prender quem estiver no endereço tem a permissão de eric.- fala Flávia.

— Mais que isso, esse endereço é macabro. Jardim Felicidade e uma das periferias mais perigosas de Belo Horizonte. O último polícial que entrou lá foi encontrado sem os olhos, e olha que entrou na periferia por engano.- fala Marcos.

— Vi isso no Instagram, foi um assassinato macabro mesmo.- comenta Flávia.

Renan parecia estar desesperado. Talvez pela minha ausência em frente as investigações. Confesso que até mesmo eu estava mais perdido, e ao mesmo tempo preocupado. O que eu estava fazendo poderia acabar em nada ou dar mais panao pra a manga.

Passei o resto do dia matutando o que poderia ser feito de minha parte. E cheguei a conclusão que conhecia Flávia e Marcos tão bem em tão pouco tempo de trabalho que me dei conta de que o melhor a se fazer era esperar um momento oportuno chegaria. Fosse lá o que eu fosse e tivesse que fazer, eles saberiam que não conseguiria ir muito longe sozinho, o meu momento de trabalhar chegaria.

Agora restava esperar o que Flávia e Marcos iriam fazer.

Flávia e Marcos não tinham acesso a escolta então tomei a liberdade de providenciar mesmo a distância uma sala na hala norte do instituto médico legal. Ainda não tinha notado como o instituto médico de Belo Horizonte era enorme. Na ala Sul se encontrava as salas de autópsia e minha sala. Enquanto na ala norte se encontrava o administrativo, e foi em uma dessas salas que pedi para um quarteto de segurança montar para Marcos e Flávia um lugar para descansar. Aquilo parecia loucura, a sala não havia janelas, mas foi a melhor que consegui e a escolhi estrategicamente para evitar problemas.

A quela noite Renan bateu a porta da sala por volta das onze horas da noite, Flávia e Marcos foram obrigados por mim a portar uma arma por onde forem. Marcos estava estendendo um lençol sobre um sofá no canto da sala, e Flávia já estava deitada dentro de um saco de dormir. Que sei lá por qual motivo alguém tinha deixado vários em um armário em minha sala. O qual mais tarde Marcos me disse que não eram sacos de dormir mas sim um saco de cadáver. Fiquei com receio por Flávia e aída sabendo por Marcos que Flávia tinha medo de cadáver. Marcos também me disse que os que são usados nos cadáveres são incinerados após o uso. Isso me deixou mais calmo.

Quando Renan bateu na porta Marcos imediatamente sacou sua arma e Flávia se levantou de um salto com sua pistola já em posição de disparo.

— Flávia. Marcos, vocês estão aí?- perguntou Renan batendo outra vez na porta.

Marcos guarda a arma na cintura e vai até a porta. A abre de uma só vez se jogando para o lado, o mesmo faz Renan do outro lado ao ver Flávia com a arma apontando para ele.

— Você está doida garota.- grita Renan.

— Fique tranquilo Renan, já sei que é você. Pode entrar. - Fala Flávia descansando a arma na mesa de centro.

— Quer me matar do coração? Achei que vocês não portavam armas.- completa Renan entrando e fechado a porta com o calcanhar.

— Pensou errado. O que faz aqui a essa hora da noite?- pergunta Flávia.

— Vim ver como vocês estão. E pelo visto já se a com chegaram.- fala Renan andando pela sala parando ao ver a cama de Flávia estendida no chão.— Acredito que está é a cama de Marcos.- completa Renan.

— A minha é o sofá.- fala Marcos apertando as costelas.

— Que tipo de cavalheiro é você doutor? Deixar que uma dama passe a noite dormindo no chão, e dentro de um envolto de defunto.- crítica Renan.

— Tentei expliquei a ela, mas ela insistiu.- confessa Marcos.

— Isso aqui é um saco para cadáver? Seu sem consideração.- fala Flávia chutando o saco plástico para longe.

— E você.- começa renan.— Nunca foi acampar não é. Não sabe a diferença de um saco de dormir para um desse?

— Suspeitei pela falta de camadas térmicas.- fala Flávia.

— Mas não a nada que temer, antes de você, ninguém esteve dentro dele, pelo menos não morto.- observa Renan.

— Ainda não respondeu minha pergunta delegado?- pergunta Flávia recolhendo a arma e verificando o carregador.

— Lamento dizer. Passarei aqui a noite toda aqui.

— Porque não fica em sua sala na delegacia? Tenho total certeza que seria mais confortável que esse muquifo.- fala Flávia olhando as paredes.

— Não é por mim. É por vocês dois.

— Obrigada pela preocupação mas não precisamos de proteção.- assim que Flávia falou Renan joga sobre a mesa duas folhas. Nelas a cara de Flávia e a de Marcos. As caras estampadas em uma foto preta e branca muito mal empresas.

— Que porcaria de fotos são essas? - questiona Flávia se debruçando sobre a mesa para analisalas.

— Encontrei isso na casa onde Eric me mandou. Quero estar errando em dizer, mas Eric Chiuto livrou vocês dois de serem mortos. E encontrei isso também.

Renan coloca sobre as duas primeiras fotos mais quarto fotos, uma sobre a outra. Na primeira era retratado o rosto de Vicente com um X vermelho sobre seu rosto, na segunda Renan, na terceira eu e na última o doutor Marcos.

— Estavam encomendando nossa morte. - observa Renan tanboreando os dedos sobre a mesa.

— Uma coisa que não entendi.- começa marcos.— você, Vicente e Eric até tudo bem estarem na lista, mas porque eu é Flávia entramos nessa?

— O senhor doutor. Foi bem ousado em descobrir que um maldito pedaço de carne moída estava em um dos corpos encontrados na fábrica.- fala Renan para Marcos.— Você mocinha, usou toda sua estucia e conhecimento em ciências Florence para descobrir que a carne era humana. Acho que vocês dois deixaram alguém com uma ponta de raiva.

— Tem algum outro motivo para que mandem nos matar?- pergunta Flávia.

Creio que Flávia descobriu que perguntas fora de ocasião podem ser uma corda para o enforcamento.

— Na verdade tem sim Flávia. Quem está tentando extinguir com a equipe sabe que foi você quem deu a ideia para Eric comprar uma tonelada de carne no comércio de Liliance.- fala Renan mostrando os dentes.

— Isso não é engraçado renan.- retruca Flávia.— Precisamos avisar Eric sobre isso.- termina Flávia pegando seu celular.

— Não precisa. Ele já sabe. Pelo menos acredito que saiba.

— Como é!...- gesticula Flávia.

— Você mesmo disse que Eric me mandou para o endereço por algum motivo, e está aí o motivo.- aponta Renan para as fotos.

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