Conrado

Alternei os dias daquela semana entre sair com Lucca e ir atrás dos nomes da minha lista. Depois que saí da igreja, fui atrás do próximo nome: Conrado Figueiredo. Foi difícil achar ele, já que em todos os nossos encontros ele usava máscaras, porém ele tinha um detalhe em particular que me fez o reconhecer: uma tatuagem discreta no pulso esquerdo.

Tive certeza que era ele na primeira vez que o segui. Gostava de frequentar clubes noturnos e casas de prostituição com menores. Ele estava lá, envolto em uma aura de mistério, usando uma máscara como de costume.

Aproximei-me cautelosamente, observando-o de longe para confirmar sua identidade. Quando tive certeza, decidi abordá-lo. Aproximei-me dele e, em um momento oportuno, toquei gentilmente em seu pulso esquerdo.

- Conrado Figueiredo, eu presumo. - declarei, minha voz baixa e controlada.

Ele virou-se para mim, surpreso, mas logo a expressão em seu rosto se transformou em reconhecimento.

- Não usamos nossos nomes aqui, querido, esqueceu as regras? - perguntou ele, sua voz carregada de desconfiança.

- Ah sim, desculpa, tinha esquecido.

- Você é novo aqui, não me recordo de você.

- Podemos ir para outro lugar? - flertei.

- Menino de atitude. Vamos para um quarto.

- Ah, eu estava pensando em outra coisa, mais privativa.

- Você é um garoto muito levado. Está merecendo um castigo, não acha.

- Não. - respondi, o provocando.

- Vamos para a minha casa, lá você vai aprender ser mais respeitoso.

Nada era mais repulsivo para Conrado do que ser abordado e ainda por cima ser tratado de igual para igual. Ele tinha a necessidade de estar no comando, era ele quem abordava, era ele quem autorizava que falassem com ele. Eu sabia que se eu fosse atrevido o suficiente ele iria querer mostrar o meu lugar e seria a oportunidade perfeita para ficarmos em um local isolado como a casa dele.

Ele fez sinal para mim seguir ele. Eu sabia que saindo da boate com ele, os seguranças dele iriam me revistar e talvez me algemar, fazia parte do modus operandi dele. Assim que me aproximei do carro dele, fui abordado por dois seguranças. Eles me empurraram sobre o capô do carro e fizeram uma revista minuciosa.

- Está limpo. - disse um dos guardas.

Conrado abriu a porta do lado do passageiro e me empurrou para dentro. Deu a volta e assumiu a posição atrás do volante.

- Eles vão participar também?

- Você é muito atrevido mesmo né garoto? Não, eles não vão. Para onde vamos não tem nada além de nós dois e instrumentos para te disciplinar.

Chegamos no local e antes de sair do carro, ele colocou uma coleira de couro em mim. Entramos. Ele se sentou em uma poltrona e me mandou ficar de joelhos.

- Quantos anos você tem?

- Vinte e três. - Ele me deu um tapa no rosto.

- Resposta errada. A resposta correta é: Tenho vinte e três anos, senhor. Você não tem experiência com esse universo não é mesmo?

- Não, senhor.

- Ao menos aprende rápido. Tire a roupa e a máscara. Só eu uso máscara.

Tirei minha camiseta, revelando as inúmeras cicatrizes que eu tinha, vi um lampejo de memória cruzando seu olhar.

- A máscara.

Tirei a máscara com um movimento planejado.

- Sentiu saudades, Fábio?

Um sorriso cruzou meus lábios.

- Então se lembra de mim.

- Claro que me lembro de você, fiquei bem chateado quando o Torres monopolizou você. - disse ele se aproximando e tocando meu rosto. - Imagino que queira um acerto de contas comigo. Bom, você já sabe quem eu sou, não tem para quê eu manter o ar de mistério com a máscara, não é mesmo? - disse ele retirando a máscara.

Ele se sentou e fez sinal para que eu me ajoelhasse na frente dele. Me ajoelhei.

- Estou intrigado. Está seguindo meus comandos, mas tem algo me incomodando. O que planejou para mim? - fiquei em silêncio. - Quando eu soube que o Renato tinha sido assassinado e logo depois o Adalberto, mexi uns pauzinhos e descobri que o Antenor estava desaparecido, eu sei que foi com ele a tua iniciação, por assim dizer, imaginei que de alguma forma você não tinha morrido. Agora me abordar no clube foi bem ousado. O que você fez com o Antenor?

Olhei para ele pela primeira vez. Um sorriso mortal cruzando meu rosto.

- Enterrei ele.

- Entendo. Bom querido, mas tua vingança acaba aqui. Logo meus seguranças vão chegar e...

- Não vão.

- O que disse.

- Que teus seguranças não vão vir. Deveriam cuidar melhor dos veículos.

- Ousado.

- Prefiro eficaz. - respondi, mantendo a calma mesmo diante da crescente tensão no ar.

Conrado me encarou com uma mistura de surpresa e desconfiança, seus olhos estreitados enquanto tentava avaliar a veracidade das minhas palavras.

- Você fez alguma coisa com meus seguranças? - ele perguntou, sua voz carregada de desconfiança.

- Digamos que eles estão temporariamente ocupados. - respondi enigmaticamente, aproveitando-me da situação para manter Conrado em suspense.

Ele franziu a testa, claramente incomodado com a incerteza da situação. Ele se levantou abruptamente, sua expressão contorcida pela raiva e pelo medo, avançando na minha direção.

Mas antes que ele pudesse chegar perto o suficiente, eu agi. Com um movimento rápido, eu me levantei e o atingi com um golpe preciso no queixo, fazendo-o cair no chão.

- Eu tenho todo o direito, Conrado, ou melhor Dom. Era assim que você me mandava te chamar. Lembra? - declarei, minha voz ecoando pelo ambiente.

Ele me encarou com ódio e impotência, seus olhos cheios de raiva e desespero. Eu sabia que tinha o poder sobre ele agora, que ele estava nas minhas mãos.

- O que você vai fazer comigo? - perguntou ele, sua voz trêmula de medo.

Eu sorri, um sorriso frio e cruel, enquanto me. preparava para dar a Conrado Figueiredo o que ele merecia.

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Comments

S.Kalks

S.Kalks

muita atitude, nem te conto o material que ele quer te mostrar /Chuckle//Chuckle//Chuckle//Chuckle//Bye-Bye//Bye-Bye/

2025-02-13

0

S.Kalks

S.Kalks

/Shame//Shame//Shame//Shame/ acho que quem vai ser disciplinado, vai ser vc! kkkkkkk

2025-02-13

0

Brennda Germany's

Brennda Germany's

veremos o que vc tem preparado para esse, supere as minhas expectativas, Fábio!

2025-02-13

0

Ver todos
Capítulos
1 ...
2 Renascimento
3 Nova chance
4 Vida nova
5 Londres
6 Retorno
7 Lista
8 Mudança de planos
9 Mindinho
10 Tiramisu
11 Ajuda inesperada e morte
12 Futebol
13 Listas e desenhos
14 Reencontro
15 Traumas
16 Retribuindo escolhas
17 Culpa
18 Acerto
19 Pedacinho do céu
20 Conrado
21 Sr. Dom
22 Assombro
23 Realidade ou loucura?
24 Primeiro contato bem sucedido
25 Consulta
26 Bomba
27 Uma escolha de morte
28 Desilusão
29 Amargor
30 Surpresa
31 Ponte
32 Pausa
33 Descuido
34 Espera
35 Verdade ou consequência
36 Dor
37 Codificado
38 Justiça
39 Punição
40 Vazio
41 Um refúgio em meio ao caos
42 Talvez haja esperança
43 Aconchego e solidão
44 Atormentado
45 Decisões
46 Sem volta
47 Encontro fatal
48 Confrontos
49 Dor e cura
50 Trégua
51 Marcas e tatuagens
52 Estranha normalidade
53 Segredos
54 Risos
55 Eis a questão...
56 Caminhando sobre cacos
57 Simplicidade
58 Aproximação
59 Zona de desconforto
60 Fúria
61 Cinzas e pó
62 Cumplicidade e cuidado
63 Pendências familiares
64 Tempestade monstruosa
65 Mercado
66 Nostalgia e intensidade
67 Despertar
68 Prisão e liberdade
69 I'm the torment!
70 Devaneios
71 Jogos
72 Escolhas macabras
73 Menos que pedaços...
74 Estranha sensação
75 Entre a recuperação e recuperar a ação
76 Inquietação
77 Isso não vai terminar bem...
78 Caos
79 Outra saída
80 Talvez...
81 Chamada
82 Simples e direto
83 Vendedor de horrores
84 Preparativos
85 Implacável
86 Justiça sangramenta
87 Penumbra
88 Insaciável
89 Convicção
90 Invisível
91 Incansável
92 Ciclo sem fim
93 Xadrez
94 O último nome
95 O juíz
96 O tiro
97 Sangue e frio
98 Amanhecer
99 Retornando ao caos
100 Feridas
101 Despedida
102 Acerto final
103 Encerrando um capítulo...
104 A carta
105 Seguindo em frente
106 Respiro
107 Bahamas
108 Tragédia
109 Luto e dor
110 Buscando um recomeço... mais uma vez
111 Beatrice
112 Uma mesma dor
113 Sobreviventes
114 Felicidade, enfim!
115 Agradecimento
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