Pedacinho do céu

Quando acordei, tinham várias chamadas no meu celular da Mariana e muitas mensagens. Já deviam ter encontrado o corpo. Eu não devia ter tomado os remédios, agora eu não sabia direito o que estava acontecendo. Tentei ligar para Mariana, mas deu caixa postal. Tentei no Whatsapp, mas ninguém atendeu.

Deixei uma mensagem de voz para ela. "Oi, Mariana. Desculpa por não ter atendido antes, tive uns problemas com remédios e acabei dormindo mais do que devia. Alguma notícia sobre o teu esposo? Como está o Lucca?" Minha voz saiu trêmula, tentando parecer convincente enquanto esperava pela resposta dela.

📳Mariana: Encontraram o corpo.

📳Mariana: Foi horrível.

📳Mariana: Estamos aguardando a liberação do IML.

📳Mariana: Lucca está assustado. Renato mandou um áudio para ele antes de ser morto.

📳Mariana: Problemas com remédio? Você está bem?

📳Mariana: Preciso ir. Se quiser e puder passar dar um apoio ao Lucca, será bem vindo.

📱 Eu: Sinto muito, meus sentimentos a vocês. Irei ver se consigo ir. Diga ao Lucca que ele pode contar comigo para o que precisar. ✔️✔️

📱Eu: E você também. ✔️✔️

Tomei um banho e troquei de roupa. Fui no restaurante do meu conhecido da máfia, comi um pouco e saí para a caçada. Porém antes, fui espreitar o velório do Renato. Minha mãe estava inconsolável, meu pai se fazendo de forte, mas estava acabado e o pobre Lucca perdido em um mar de confusão, sem saber ao certo o que sentir. Raul estava lá, então ele teria que ficar para outro dia.

O próximo nome da minha lista era o pastor Adalberto. Dirigi até a igreja onde ele pregava, mantendo-me atento a cada detalhe ao meu redor. Estacionei o carro a uma certa distância, não querendo chamar muita atenção. Antes de sair, verifiquei se estava com a arma escondida de forma segura e garantindo que não deixaria rastros.

Ao me aproximar da igreja, observei o movimento ao redor, tentando identificar a melhor oportunidade para agir. O pastor Adalberto poderia estar dentro da igreja ou em algum lugar próximo. Decidi entrar e fingir interesse na pregação, apenas para poder me aproximar dele de forma discreta.

Ao adentrar o local sagrado, me misturei à congregação, escolhendo um lugar estratégico que me permitisse observar o pastor sem chamar muita atenção. Enquanto ele pregava, eu analisava cada movimento, cada expressão em seu rosto, tentando entender mais sobre o homem que ele era.

Assim que a cerimônia terminou e as pessoas começaram a se dispersar, eu me aproximei do pastor Adalberto com cuidado, mantendo-me alerta para qualquer sinal de perigo. Ele parecia tranquilo, cumprimentando os fiéis com um sorriso no rosto.

Quando finalmente tive a oportunidade, me aproximei dele com um sorriso falso nos lábios, escondendo minha verdadeira intenção por trás de uma máscara de cordialidade.

- Pastor Adalberto, que bela mensagem você nos trouxe hoje. - comentei, tentando soar o mais amigável possível e torcendo para que ele não me reconhecesse - Será que poderia conversar um momento em particular? Tenho algumas dúvidas que gostaria de esclarecer.

Ele me olhou com curiosidade, mas assentiu com um aceno de cabeça.

- Claro, meu filho. Podemos conversar no meu escritório. Me acompanhe, por favor. - deveria ter comido muitos garotos como eu para se lembrar de mim.

Segui o pastor Adalberto até o seu escritório. Adentramos o escritório do pastor Adalberto, um ambiente sereno e iluminado por uma suave luz que filtrava pelas cortinas. Ele se sentou em sua poltrona, convidando-me a fazer o mesmo.

- Então, meu filho, o que posso fazer por você? - perguntou ele, com um sorriso gentil nos lábios.

Respirei fundo, tentando controlar a tensão que se acumulava dentro de mim.

- Não se recorda mesmo de mim? - comecei, minha voz firme e determinada.

O sorriso no rosto do pastor desapareceu, substituído por uma expressão de surpresa e confusão.

- Do que você está falando, meu filho? Tenho muitos fiéis... - perguntou ele, sua voz um pouco trêmula.

- Não sou um fiel. O que era que você me dizia mesmo? Meu doce pedacinho do céu. Refrescou a memória? - perguntei, deixando uma ponta de sarcasmo transparecer na minha voz.

O pastor Adalberto franziu a testa, claramente desconfortável com a minha abordagem direta.

- Desculpe, eu... não estou entendendo. Você está confuso, meu filho, está com problemas com drogas?

- Não finja, pastor. Você sabe muito bem quem eu sou e o que você fez. - declarei, minha voz agora cheia de firmeza.

O semblante do pastor Adalberto mudou instantaneamente, sua expressão se tornando tensa e defensiva.

- Eu... não sei do que você está falando. Se tiver algum problema, podemos conversar com calma e resolver qualquer mal-entendido.

- Não há mal-entendido. Você abusou de mim quando eu era uma criança. Você e mais um monte de vermes igual a você. Lembra quando ia na minha casa para se satisfazer comigo? E se eu não atendesse tuas expectativas, lembra o que você fazia? Mandava eu me ajoelhar sobre minhas mãos e me batia, se eu me mexesse, apanhava mais. - acusei, sentindo a raiva borbulhar dentro de mim.

O pastor Adalberto balançou a cabeça, negando veementemente minhas acusações.

- Isso é absurdo! Eu nunca faria algo assim. Você deve estar confundindo as coisas.

- Eu não estou confundindo nada. Eu me lembro de cada momento, de cada toque repugnante seu. E agora chegou a hora de você pagar pelo que fez. - declarei, minha voz ecoando pelo escritório.

O pastor Adalberto se levantou abruptamente da sua cadeira, seu rosto contorcido pela raiva e pela negação.

- Você não tem provas! Não pode me acusar desse jeito sem ter nada em mãos! - exclamou ele, sua voz elevada e cheia de desespero.

Eu mantive minha postura, encarando-o com determinação.

- Eu não preciso de provas. Eu sei a verdade, e isso é o suficiente. - respondi, minha voz firme e inabalável.

Antes que o pastor Adalberto pudesse reagir, tirei a arma do meu bolso e a apontei para ele, meu dedo pressionando o gatilho com firmeza.

- Agora chegou a hora de você pagar pelos seus pecados, pastor. - declarei, minha voz ecoando pelo escritório. - Tem mais alguém aqui?

- Não, só estamos nós. Baixe essa arma rapaz.

- Tranque a porta.

Ele obedeceu.

- Me dê a tua cinta. Melhor, você mesmo usa. Pode começar.

- Começar com o quê? Você é louco.

Ordenei que ele se batesse com a cinta até sair sangue. Quando eu estava satisfeito, apenas puxei o gatilho e no instante seguinte só houve o barulho do corpo tombando. Modifiquei os registros da câmera de segurança. Com um suspiro pesado, guardei a arma e me afastei do corpo, deixando para trás mais uma vítima da minha busca por vingança. Sabia que teria que lidar com as consequências dos meus atos, mas estava disposto a enfrentar qualquer coisa para garantir que os culpados pagassem pelos seus crimes.

Saí da igreja com passos firmes, minha determinação inabalável. Ainda havia nomes na minha lista, ainda havia justiça a ser feita. E eu não descansaria até que cada um deles pagasse pelo que haviam feito.

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Comments

Maah Monteiro

Maah Monteiro

misericórdia o negócio tá tremendo

2025-03-18

1

Jaquerds

Jaquerds

tá indo rápido essa lista, continua assim cara /Cleaver//Cleaver/

2025-02-15

0

Maah Monteiro

Maah Monteiro

pastor é pior ... porque se esconde atrás de uma bíblia

2025-03-18

0

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Capítulos
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2 Renascimento
3 Nova chance
4 Vida nova
5 Londres
6 Retorno
7 Lista
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10 Tiramisu
11 Ajuda inesperada e morte
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13 Listas e desenhos
14 Reencontro
15 Traumas
16 Retribuindo escolhas
17 Culpa
18 Acerto
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35 Verdade ou consequência
36 Dor
37 Codificado
38 Justiça
39 Punição
40 Vazio
41 Um refúgio em meio ao caos
42 Talvez haja esperança
43 Aconchego e solidão
44 Atormentado
45 Decisões
46 Sem volta
47 Encontro fatal
48 Confrontos
49 Dor e cura
50 Trégua
51 Marcas e tatuagens
52 Estranha normalidade
53 Segredos
54 Risos
55 Eis a questão...
56 Caminhando sobre cacos
57 Simplicidade
58 Aproximação
59 Zona de desconforto
60 Fúria
61 Cinzas e pó
62 Cumplicidade e cuidado
63 Pendências familiares
64 Tempestade monstruosa
65 Mercado
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67 Despertar
68 Prisão e liberdade
69 I'm the torment!
70 Devaneios
71 Jogos
72 Escolhas macabras
73 Menos que pedaços...
74 Estranha sensação
75 Entre a recuperação e recuperar a ação
76 Inquietação
77 Isso não vai terminar bem...
78 Caos
79 Outra saída
80 Talvez...
81 Chamada
82 Simples e direto
83 Vendedor de horrores
84 Preparativos
85 Implacável
86 Justiça sangramenta
87 Penumbra
88 Insaciável
89 Convicção
90 Invisível
91 Incansável
92 Ciclo sem fim
93 Xadrez
94 O último nome
95 O juíz
96 O tiro
97 Sangue e frio
98 Amanhecer
99 Retornando ao caos
100 Feridas
101 Despedida
102 Acerto final
103 Encerrando um capítulo...
104 A carta
105 Seguindo em frente
106 Respiro
107 Bahamas
108 Tragédia
109 Luto e dor
110 Buscando um recomeço... mais uma vez
111 Beatrice
112 Uma mesma dor
113 Sobreviventes
114 Felicidade, enfim!
115 Agradecimento
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Atualizado até capítulo 115

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