Lembro de quando eu tinha onze anos e em um único dia tive que atender catorze homens desprezíveis. Foi a primeira vez que atendi tantos, mas não a última. Aliás, os números só aumentavam, tendo dias que eu só podia parar quando desmaiava de exaustão.
Eu descobri o nome de um por um, suas ocupações, família, pontos fracos, tudo e planejei para cada um, um final apropriado. Antenor tinha sido o primeiro que me abusou e o que eu senti com ele: a falta de ar, o desespero, eu retribui o enterrando vivo, na cova que ele mesmo abriu.
Agora, deitado na cama, vejo todos os nomes. Conrado Figueiredo, adorava usar máscaras e chicotes. Otávio Cunha, um velho depravado que adorava me humilhar, mas já está morto, infelizmente. Frederico Pacheco, médico e a lista continuava. Eu precisava focar no meu objetivo e seguir com meus planos.
Estava seguindo um dos nomes da minha lista, quando meu celular tocou. Era Mariana.
- Oi. - respondi.
- Me ajuda, é o Lucca, ele não está bem e eu não sei mais o que fazer.
- Já chegou aí.
Nem me preocupei em perguntar se o Renato estava lá, apenas acelerei o carro e em menos de cinco minutos estava tocando a campainha da casa deles. Mariana abriu e vi em seu rosto a expressão de uma mãe desesperada.
- Onde ele está?
- No quarto.
Ela me levou até o quarto dele, o peguei nos braços e saímos.
- Eu não sabia para quem ligar. O Renato não está atendendo. Me desculpa, só consegui pensar em você.
- Não se desculpe. Merda. - tinha ocorrido um acidente e a pista estava interditada.
Antes que algum carro fechasse a traseira do meu, dei a ré, fiz um retorno proibido e peguei outro caminho até o hospital mais próximo, que infelizmente era onde Renato trabalhava. Chegando lá, peguei Lucca no colo e corri para dentro da casa médica. Logo vieram alguns enfermeiros com uma maca. Mariana acompanhou eles e eu aproveitei para sair de lá.
Quando cheguei no apartamento, recebi uma mensagem da Mariana.
📳Mariana: Quando fui te agradecer, não te encontrei mais. Muito, muito obrigada. Salvou mais uma vez a vida do meu filho.
📱Eu: Desculpa, precisava resolver umas coisas aqui no apartamento. Infiltração. Como o Lucca está?✔️✔️
📳 Mariana: Desculpa ter te dado trabalho.
📳 Mariana: Ele está melhor. A febre já abaixou. Não entendo o que pode ter acontecido. Ele estava bem.
📱Eu: Não tem o que se desculpar, estava de bobeira mesmo. Fico feliz por ter ajudado.
📱Eu: Nenhum outro sintoma clínico? ✔️✔️
📱Eu: Logo ele melhora.✔️✔️
📳 Mariana: Nenhum. Apenas a febre.
📳 Mariana: Obrigada, mais uma vez.
📱Eu: Manda notícias sobre ele. ✔️✔️
📳 Mariana: Ok. E obrigada.
Com cuidado, invadi a casa do Renato. Eu tinha uma suspeita sobre a causa da febre do Lucca e precisava ter certeza. Entrei na residência e fui até o quarto do Lucca. Não sabia ao certo o que procurar, mas não demorou muito e achei o que eu precisava, ao menos poderia me dar alguma pista.
Encontrei o caderno de desenho do Lucca e comecei folhear os desenhos dele, porém não tinha nada de mais. Desenhos da rua, da casa, da mãe, deles reunidos, um desenho meu de quando salvei ele do acidente, ele tinha me desenhado com uma capa de super herói, mais um desenho meu no dia do jogo, e outros desenhos, porém percebi que estava faltando uma folha. Talvez não fosse nada, mas talvez fosse a que eu estava procurando.
Revirei o lixo, os cadernos, o guarda roupa e nada. Mexi na cama e a folha que faltava caiu.
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Atualizado até capítulo 115
Comments
Kelly Ramos
Isso é tão desprezível, e quando atentamos que na vida real isso acontece, nojo 🤢 a morte é pouco para os abusadores.
2025-03-18
0
Jhay_Focas
Ah, eu demorei um pouco para entender, mas quando entendi...
2025-02-21
0
Vicki Hungria
Será que o pai dele faz a mesma que ele fazia com o Fábio??🤔🤨
2025-02-13
0