O que eu encontrei me deixou horrorizado, embora já esperasse por algo naquele sentido. Eu não podia mais adiar. Precisava agir. Cuidadosamente arrumei as coisas no quarto e sai da casa. Fiquei vigiando o quarto que o Lucca estava ocupando no hospital. Renato e Mariana estavam com ele. Pensei em como seria para o Lucca, que apesar de tudo, Renato era o pai dele e ele amava o pai. Decidi que iria esperar ele se recuperar, porém iria ficar de olho.
Mais de duas semanas se passaram e aparentemente Renato estava sendo um bom pai e Lucca estava bem. Eu não podia mais demorar. Porém eu estava enfrentando um dilema terrível, pois escutei Renato chorando na capela do hospital, pedindo perdão e prometendo que seria um bom pai para Lucca, que não iria machucar ele fisicamente ou psicologicamente.
Enquanto observava a situação se desenrolar no hospital, uma mistura de raiva e angústia tomava conta de mim. Era perturbador ver Renato expressando remorso e prometendo mudança, especialmente depois de tudo que eu testemunhei. Por um momento, meu instinto de vingança gritava para agir imediatamente, mas uma parte de mim também reconhecia a complexidade da situação.
Por mais que odiasse Renato pelo que ele fez, não podia negar a possibilidade de mudança genuína. Era difícil reconciliar a imagem do homem quebrado na capela com o monstro que eu conhecia, mas sabia que as pessoas podiam mudar, mesmo que fosse uma jornada longa e árdua.
Eu sabia que não podia deixar que o sofrimento de Renato me abalasse. Afinal, suas ações passadas eram imperdoáveis, e nada poderia apagar o mal que ele havia causado. No entanto, a imagem de Lucca, ainda uma criança inocente e vulnerável, me impedia de agir impulsivamente.
Decidi que precisava de mais tempo para observar a situação de perto, avaliar se as promessas de Renato eram genuínas ou apenas uma fachada temporária. A segurança e o bem-estar de Lucca continuavam sendo minha prioridade máxima, e eu não poderia permitir que ele sofresse novamente nas mãos de seu pai ou de qualquer pessoa que fosse.
À medida que os dias se passavam, mantive uma vigilância discreta sobre Renato e Lucca, observando qualquer sinal de comportamento suspeito ou recidiva por parte do meu irmão. Embora Renato parecesse estar fazendo um esforço genuíno para mudar, eu sabia que o ciclo de abuso poderia ser difícil de quebrar.
Enquanto isso, busquei informações sobre os outros nomes da minha lista, mantendo-me alerta e preparado para agir quando chegasse o momento certo. Ainda não estava pronto para confrontar Renato.
Esbarrei com Lucca na rua e apesar dele tentar esconder eu vi o medo e a angústia em seu olhar. Por mais que agora não estivesse acontecendo nada, eu entendia o que a sensação do medo do que poderia acontecer fazia com a gente, ainda mais sendo uma criança. Era isso, eu ia dar um basta nisso. E seria naquele dia, ou melhor, noite.
Passei o resto do dia observando o Renato no hospital. Sempre solicito e acolhedor com os pacientes, se bem me lembro quando ele assumia o papel de médico, ele era excepcional, gentil e atencioso. Porém eu sabia o monstro que era. Monstro não, pessoa ruim e desprezivel que ele era, detesto essa mania de tirar a humanidade de pessoas cruéis, como se o ser humano só fosse capaz de coisas boas, e quando fazia coisas ruins não era ele, não era da natureza dele. Mas era ele, sempre foi. Lembrei do quanto eu admirava e amava ele, mesmo quando ele me tratava como saco de pancadas, mesmo depois do que ele fez comigo, eu continuei o amando, afinal ele era meu irmão e eu me culpei, acreditei que merecia ter passado por aquilo.
Furei dois pneus do carro do Renato pouco antes dele sair do plantão. Quando ele apareceu, casualmente me aproximei e perguntei:
- Precisa de ajuda?
Renato, com um toque de humor, respondeu:
- Só se tiver outro step.
Então, quando ele me reconheceu, o espanto tomou conta de seu rosto.
- Fábio? - ele disse, surpreso.
- Oi.
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Atualizado até capítulo 115
Comments
Kelly Ramos
Abusadores são sempre pessoas gentis , generosas e é nessa bondade que esconde a verdadeira face do mal.
2025-03-18
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Kelly Ramos
Fabio com a foice da morte kkk
2025-03-18
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Jhay_Focas
Não, é a morte que veio te buscar
2025-02-21
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