Ajuda inesperada e morte

Retornei para o galpão, levando uma marmita e uma garrafa com água. Antenor estava faminto. Me certifiquei de que ele não poderia escapar e fui embora. Não dormi bem naquela noite, os horrores que enfrentei estavam vivos na minha cabeça. Peguei o carro e comecei rodar a cidade, tomei alguns comprimidos que pareciam não fazer efeito, então aumentei a dose, o que foi um erro e acabei cochilando enquanto dirigia e bati o carro. Não foi grande coisa, mas cortei a testa.

Esperei amanhecer e fui para o galpão. Cheguei lá completamente desorientado.

- O que aconteceu com você?

- Não toque em mim. - minha língua estava dormente e eu estava destruído. Comecei jogar o que eu via pela frente no chão. Antenor viu a chance de escapar, eu saquei a arma. - Se der mais um passo eu atiro.

O que não era verdade, eu nem mesmo estava enxergando direito.

- Eu não vou fugir, abaixa essa arma e deixa eu olhar esse corte.

Me desequilibrei e cai, mas continuei segurando a arma. Ele se aproximou de mim e tocou na minha testa.

- Vou fazer um curativo e você vai ir para um hospital. O que você tomou? Está no teu bolso?

Ele pegou o frasco no meu bolso.

- Quantos você tomou? Você precisa vomitar.

- Por que liga?

- Não ligo, mas se você morrer aqui, provavelmente eu morra tentando sair daqui, então não faz diferença.

Consegui ir até o banheiro e vomitei, realmente me senti um pouco melhor.

- Você podia ter morrido.

- Não pense que isso muda alguma coisa para você. Eu ainda vou te matar.

- Você precisa ir para um hospital, a batida foi feia. Você pode ter concussão.

- Vou ficar bem. Só preciso dormir.

- Nem pensar. Me interrogue.

- O quê?

- Você não pode dormir agora, é perigoso. Me conta o que você planejou para mim?

- Boa tentativa. Mas não vai rolar.

Eu não estava em condições de fazer nada. Só consegui ir até no carro pegar um par de algemas e voltar.

- Se algema ali.

Me certifiquei de que ele estava bem preso e mantendo uma distância segura, me sentei no chão e deixei o remédio fazer efeito. Quando acordei, o sol já estava alto. Antenor me observava.

- Você vai acabar se viciando nesses remédios. Ainda mais você que já teve um passado com drogas. - disse ele, enquanto eu tomava mais alguns comprimidos, só para me manter alerta e dava para perceber que ele estava sendo cauteloso na forma de falar.

- Dispenso a preocupação. Eu tomo eles há cinco anos. Não vou viciar. - fui até ele e o soltei. - Vamos terminar logo com isso, não aguento mais olhar para você.

- Fábio, me escuta. Você é um rapaz novo, é inteligente, bonito... Vai viver a tua vida, refaz ela, vai fazer uma faculdade. Não manche tuas mãos com sangue.

- De novo esse papo. E para tua informação eu tenho faculdade, duas na verdade. E eu estou refazendo a minha vida, mas para dar certo, eu preciso limpar o mundo o máximo que eu conseguir de pessoas como você, meu irmão, meus pais, o coronel Torres, o pastor, o soldado, o empresário e todos aqueles outros. Fique de joelhos.

- Fábio, eu posso ser útil para você. Pelo que vejo você leva uma vida agitada, eu posso ser teu médico particular.

- Não preciso, eu já tenho um, aliás dois. Então a vaga está ocupada.

- Fábio, por favor, não atira.

- Eu não vou atirar.

- Obriga...

- Já desperdicei muita munição com você. Morrer com um tiro seria bom demais para você. Eu quero que você sinta o que eu senti. O que você sentiu enquanto me abusava? Quer saber não precisa responder, eu sei. Sabe o que eu senti? Em breve vai saber. Levanta, vamos.

Saímos do galpão.

- Abra o porta malas e pegue a pá.

- Fábio...

- vai. - gritei.

Caminhamos cerca de vinte minutos mata adentro. A tensão era quase palpável, envolvendo-nos em um silêncio carregado de antecipação. Minha mente estava tomada por uma determinação sombria, uma necessidade implacável de fazer justiça pelas mãos.

- Faça uma vala. - ordenei, minha voz baixa e fria, ecoando pela mata. O olhar de Antenor se fixou em mim, uma mistura de desespero e incredulidade refletida em seus olhos.

Ele hesitou por um momento, como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo, mas a urgência em minha voz era inegável. Com um suspiro resignado, ele começou a cavar, cada golpe da pá ecoando como um batimento cardíaco acelerado.

Enquanto ele trabalhava, eu observava em silêncio, minha mente mergulhada em um turbilhão de pensamentos sombrios. Cada vez que a pá afundava na terra, eu sentia uma onda de satisfação sombria se espalhar dentro de mim, alimentando minha determinação implacável.

Quando a vala estava pronta, eu o olhei com um olhar frio e calculista.

- Deite-se. - ordenei, minha voz tão tranquila quanto a mata escura ao nosso redor.

Ele hesitou por um momento, mas a ameaça implícita em minhas palavras era suficiente para silenciar qualquer protesto. Com um suspiro resignado, ele se deitou na vala, seus olhos me encarando com uma mistura de medo e desafio.

Eu me aproximei lentamente, a terra fria e úmida sob meus pés, a sensação de poder pulsando através de minhas veias. Meus dedos cerraram-se em torno do cabo da pá, a sensação áspera da madeira enviando um arrepio de excitação pela minha espinha.

- Você não pode fazer isso! - ele gritou, sua voz tremendo de medo e desespero.

Mas eu ignorei seus protestos, deixando minha determinação guiar minhas ações. Com um movimento firme e deliberado, comecei a cobri-lo com a terra úmida, cada camada se acumulando sobre ele como uma sentença de morte silenciosa.

- Foi isso que eu senti. Quando você me violentou e eu era só uma criança eu me senti soterrado, sem conseguir respirar, morrendo lentamente e de uma forma cruel.

Seus gritos ecoavam no ar enquanto eu trabalhava, mas eu não permiti que eles me afetassem. Minha mente estava focada apenas em uma coisa: fazer justiça, custe o que custasse.

Quando finalmente terminei, uma sensação de alívio sombrio me envolveu. Eu olhei para a vala recém-criada, uma sepultura improvisada para os pecados do passado. E enquanto o silêncio caía sobre nós, eu soube que minha busca por vingança estava apenas começando.

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Comments

Vicki Hungria

Vicki Hungria

Ele tá com medo de morrer mesmo🤭🤣

2025-01-31

1

Jhay_Focas

Jhay_Focas

Foi o primeiro, agora vamos pro próximo

2025-01-31

1

Maah Monteiro

Maah Monteiro

eu simplesmente teria feito xixi na água e depois daria a água para ele

2025-02-18

1

Ver todos
Capítulos
1 ...
2 Renascimento
3 Nova chance
4 Vida nova
5 Londres
6 Retorno
7 Lista
8 Mudança de planos
9 Mindinho
10 Tiramisu
11 Ajuda inesperada e morte
12 Futebol
13 Listas e desenhos
14 Reencontro
15 Traumas
16 Retribuindo escolhas
17 Culpa
18 Acerto
19 Pedacinho do céu
20 Conrado
21 Sr. Dom
22 Assombro
23 Realidade ou loucura?
24 Primeiro contato bem sucedido
25 Consulta
26 Bomba
27 Uma escolha de morte
28 Desilusão
29 Amargor
30 Surpresa
31 Ponte
32 Pausa
33 Descuido
34 Espera
35 Verdade ou consequência
36 Dor
37 Codificado
38 Justiça
39 Punição
40 Vazio
41 Um refúgio em meio ao caos
42 Talvez haja esperança
43 Aconchego e solidão
44 Atormentado
45 Decisões
46 Sem volta
47 Encontro fatal
48 Confrontos
49 Dor e cura
50 Trégua
51 Marcas e tatuagens
52 Estranha normalidade
53 Segredos
54 Risos
55 Eis a questão...
56 Caminhando sobre cacos
57 Simplicidade
58 Aproximação
59 Zona de desconforto
60 Fúria
61 Cinzas e pó
62 Cumplicidade e cuidado
63 Pendências familiares
64 Tempestade monstruosa
65 Mercado
66 Nostalgia e intensidade
67 Despertar
68 Prisão e liberdade
69 I'm the torment!
70 Devaneios
71 Jogos
72 Escolhas macabras
73 Menos que pedaços...
74 Estranha sensação
75 Entre a recuperação e recuperar a ação
76 Inquietação
77 Isso não vai terminar bem...
78 Caos
79 Outra saída
80 Talvez...
81 Chamada
82 Simples e direto
83 Vendedor de horrores
84 Preparativos
85 Implacável
86 Justiça sangramenta
87 Penumbra
88 Insaciável
89 Convicção
90 Invisível
91 Incansável
92 Ciclo sem fim
93 Xadrez
94 O último nome
95 O juíz
96 O tiro
97 Sangue e frio
98 Amanhecer
99 Retornando ao caos
100 Feridas
101 Despedida
102 Acerto final
103 Encerrando um capítulo...
104 A carta
105 Seguindo em frente
106 Respiro
107 Bahamas
108 Tragédia
109 Luto e dor
110 Buscando um recomeço... mais uma vez
111 Beatrice
112 Uma mesma dor
113 Sobreviventes
114 Felicidade, enfim!
115 Agradecimento
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Atualizado até capítulo 115

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