...ANA LAURA (Analu)...
No final, deu tudo certo. O evento foi perfeito, e eu passei a maior parte do tempo do lado de fora, olhando o Gael e a Larissa.
Me sentei no chão para colocar o Gael dentro da piscina de bolinhas, pois ele estava encantado com as bolas vermelhas.
- Achei vocês - o Benjamim falou, e eu sorri. Ele se sentou ao meu lado - Não me deixe sozinho, a sua avó queria saber de coisas demais - ele falou horrorizado e começou a brincar com o Gael.
- Desculpa te colocar nesta situação - falei brincando com o Gael.
- Na verdade, estou surpreso. Por que vocês fazem isso? Essas pessoas da comunidade não têm as condições necessárias para comprar os brinquedos da Toytoy's...
- Exatamente por isso. Veja a expressão dessas crianças, e a dos pais também. Isso não tem preço. E de que adianta trabalhar tanto para fazer tantos brinquedos, se nem todas as crianças podem brincar...?
- Isso é muito bonito, sabia? Nem todas as pessoas se prestam a fazer algo assim, sem câmeras, sem motivação além de ajudar...
- Minha mãe sempre dizia que o que a mão direita faz de coração, nem a mão esquerda precisa saber...
- Ninguém sabe o que você fez pelo Gael? - ele perguntou.
- Não por mim. Eu fiz de coração, e faria quantas vezes fosse necessário, o que fosse necessário - falei sendo bem sincera o amor que eu sinto pelo Gael eu seria capaz de da minha vida por ele.
- Você gosta muito dele, né? - ele perguntou. E seria tão mais simples se eu só gostasse do Gael, mas a verdade é que esse homem na minha frente mexe demais comigo...
- Eu amo o Gael - falei, vendo o Gael passar a bolinha de uma mão para a outra.
- Papai - ouvimos a Larissa vir chorando e se jogou nos braços dele, e fiquei confusa.
- O que aconteceu? - o Benjamim perguntou, abraçando-a.
- A vovó Sandra está aqui. Ela queria me levar, mas a tia Alice não deixou - ela falou aos prantos, e queria fazer algo para ajudar.
- Ela não vai te levar para lugar nenhum - ele falou. Me aproximei dos dois, eu não queria ver a minha menininha daquele jeitinho.
- Ninguém vai tirar você do seu papai, meu amorzinho. Ninguém vai te machucar - falei, tocando suas costas e acariciando. - Quer ir embora? - Perguntei a ela.
- Sim, titia. Eu estou com medo dela me levar - ela falou, com os olhos cheios de lágrimas.
- Ninguém vai te levar, escutar a titia, ninguém vai te tirar do seu pai. Eu também não deixo - falei e beijei sua cabecinha. - Vamos, Benjamim. Se ela não está bem, é melhor irmos embora - falei, me levantando e pegando o Gael.
- Eu vou de ônibus, você não tem que fazer um discurso...
- Meu pai faz. Só tenho que avisar, não vou ficar bem sabendo que ela está assim - falei, e ele assentiu e se levantou.
Fomos até onde meus pais estavam, e Alice estava no colo do meu pai. Pela cara dele, parecia que ia matar alguém. Alguma coisa aconteceu.
- O que aconteceu? - perguntei assim que encostei na mesa.
- Uma mulher tentou pegar a Lala, mas eu não deixei. Ela tentou me bater, mas o tio Léo não deixou. Ela machucou meu braço - Alice falou, mostrando o braço.
- Estou aqui tão louca que se está melhor cruzasse o meu caminho eu acabava com ela - minha mãe falou.
- E essa cobra, onde está? - perguntei para meu tio.
- Eu a tirei daqui. Onde já se viu machucar criancinhas? Olha a Larissa, ela está em choque - meu tio falou, ao ver a Lala agarrada no pescoço do pai.
- Já vamos. Ela está muito nervosa - falei para eles.
- Viu, pode deixar a Ally - minha mãe se levantou e abraçou o Benjamim - Foi um prazer te conhecer e desculpa qualquer coisa - ela falou, dando um beijo na Larissa - Não precisa ter medo, minha linda. Não vamos deixar ninguém fazer nada com você - ela falou, fazendo carinho na Larissa.
- Tchau, dona Taylor. E eu quem peço desculpas, mas é melhor irmos para casa - o Benjamim falou para minha mãe - E foi um prazer conhecer todos vocês. E Alice, muito obrigado, você foi muito corajosa - ele falou, e minha irmã sorriu.
- Não foi nada, Benben. Só defendi minha sobrinha. Mas esse negócio de ser tia não é fácil, viu? - ela falou, nos fazendo rir - E você, Gael. Estou muito chateada por você não vir para o meu colo. Eu sou sua titia - ela falou revoltada, e o Gael deu a bolinha vermelha para ela com um sorriso.
- Nicolas, é definitivo. Este é seu neto mesmo. Olha essa carinha safada - meu tio Téo falou sorrindo, mas a cara do meu pai com a palavra "neto" não foi a das melhores.
- Verdade, Téo. Ele fez a mesma cara lisa que o Nick quando quer pedir perdão - minha mãe falou, rindo - Meu amor, não seja safado como seu avô, ouviu?
- Taylor - meu pai a repreendeu.
- Ai, amor, olha essa carinha safada - minha mãe falou, e meu pai sorriu.
- As pessoas não nos entendem, Gael. Ser bonito e charmoso assim não é para qualquer um - meu pai falou, e o Gael deu uma gargalhada gostosa.
- E você ainda concorda - falei com o bebê, que sorriu.
- Já vão? - dona Marta falou, se aproximando.
- Sim - respondi.
- Nicolas, seu neto é a sua cara....
- Estávamos falando disso agora, dona Marta - o tio Léo falou - O Gael vai dar trabalho...
- Ben, vamos embora antes que sobre para você também - falei, e o Ben sorriu.
- Já? Eu nem pude dar uns beijinhos neste bebê lindo - a Marta falou, tentando pegá-lo. O Gael praticamente enfiou a cabeça entre os meus seios - Ele tem quantos meses? - ela perguntou.
- 8 meses - falei, me ajeitando antes que mostrasse meu sutiã.
- É a fase pior do bebê...
- Não fala isso. À noite ele está acordando mais, mas ele está todo atrasado. Ainda não engatinha - o Benjamim começou a falar com a Marta.
- Cada criança tem o seu tempo. Olha a Ariel e a Aurora, a Ariel com sete meses já engatinhava pela casa toda, a Aurora só foi fazer isso depois dos 10 meses. E estão bem. Cada bebê tem o seu tempo. Não se preocupe - minha mãe falou, aproveitando para dar um beijinho no Gael.
- Tchau - falei, antes que não conseguíssemos sair.
Ajeitamos os dois no carro, e o Gael chorou um pouco, mas ficou na cadeirinha. No meio do caminho, os dois acabaram adormecendo, mas o Benjamim estava distante.
Não sabia se deveria falar alguma coisa ou só continuar dirigindo. Abaixei o som para não acordar os bebês. Afinal de contas, a Lalá vai fazer três anos, é praticamente um bebê.
- Desculpa pelo braço da sua irmã. Sua família nos abraçou, principalmente os meus filhos, e isso aconteceu...
- Não foi culpa sua, foi daquela senhora - falei, apertando o volante com raiva.
- Ela é a avó deles, mas é uma mulher horrível. Ela queria a guarda do Gael. Eu tenho a guarda provisória dos dois, mas ela alega que não tenho condições de cuidar de um bebê.
- Não podem tirar um filho do pai. Não podem tirar o Gael dele. Só de pensar nisso, meu corpo todo dói.
- Esse é o problema, Analu, eu não sou o pai deles. Quando ele falou isso, eu não entendi mais nada e estacionei o carro em um estacionamento de fast food.
- Por favor, me explica essa história toda. Como você não é o pai deles, Benjamim? - falei tirando o cinto para me virar para ele.
- Podemos conversar na minha casa? - ele perguntou.
- Você solta a bomba e depois quer que eu espere pacientemente. Essa senhora poderia ter machucado a Larissa e ela é praticamente um bebê. Se o meu tio não estivesse por perto, então por favor, me fala. Se não quiser me contar tudo, eu vou entender. Não sou nada sua, estou literalmente invadindo a sua vida. Mas agora que começou, termina - falei me sentando de pernas cruzadas, virada para ele, com as costas encostadas na porta do carro.
- Eu vou te contar tudo, mas você acha que dá para conversar em um carro no estacionamento de uma lanchonete com dois bebês sentados no banco de trás e dormindo?
- Nós só vamos conversar e eles estão dormindo. Mas, se você realmente acha necessário, podemos ir para sua casa - falei e ia me ajeitar quando ele tirou o cinto de segurança e sentou do mesmo jeito que eu estou sentada.
- Quando a minha mãe morreu, eu fiquei responsável pela minha irmã mais nova, a Bianca. Eu já tinha 18 anos e ela ia completar 15 anos. Foram tempos muito difíceis e, por sorte, a dona Lindalva nos acolheu. Só que a minha irmã começou a andar com pessoas erradas e namorar o Jonathan, filho da Sandra. Só que eu era totalmente contra o relacionamento. Ela só tinha 16 anos e ele tinha 24 anos e cinco filhos aos quais ele não dava a menor atenção. Além disso, ele já tinha sido preso quatro vezes. Por mais que eu conversasse com a Bianca, não adiantava muita coisa. Ela falava que amava ele e que eu não podia me meter na vida dela. Não demorou muito para ela ficar grávida. Ela ia fazer 17 anos e estava assustada. O idiota disse que não ia assumir a criança. Eu não podia abandonar a minha irmã, mas ela foi atrás dele e, no fim, ele a levou, mesmo eu pedindo. Eu ia dar um jeito de cuidar das duas, mas não foi a escolha dela... - ele falava e estava tão triste que sentia a culpa no tom de voz. Peguei na mão dele.
Ele já estava chorando quando falou da morte da irmã, e eu não sabia o que falar. Afinal, ele tinha perdido a mãe e a irmã, então se ver sozinho no mundo e receber dois bebês de repente é muita coisa para uma só pessoa.
- Desculpa, estou chorando. É que às vezes é difícil lembrar. Eu não conto para ninguém sobre a minha vida. Muitas vezes, prefiro que achem que sou um babaca do que tenham pena de mim - ele falou olhando nos meus olhos. - Pena é um sentimento horrível.
- Benjamim, eu não tenho pena de você. Na verdade, eu te admiro mais do que já admirava. Você estava fazendo o seu melhor, está se doando para os seus filhos. E me escuta bem, nunca mais diga que você não é pai deles. Pai é quem cria com amor, e é exatamente isso que você faz. E olha, sei que estou sendo invasiva, mas eu quero te pedir uma coisa - falei com um pouco de receio da sua resposta.
- Pode pedir, Ana Laura - ele falou e me ajeitei para limpar o rosto dele, que estava coberto de lágrimas.
- Deixa eu fazer parte da vida deles. Não quero tomar o lugar de ninguém... - falei e parei de falar quando vi o seu olhar de surpresa. Estávamos muito próximos, minhas mãos ainda estavam no seu rosto e senti borboletas no meu estômago.
- Eu não separaria vocês três. Eles já perderam muito nesta vida - ele falou olhando nos meus olhos e vi sinceridade. Essa é uma das coisas que mais gosto no Benjamim. Sinto que ele é verdadeiro.
- Obrigada, sério. Não sei explicar o quanto eles são importantes. E saiba que você pode contar comigo...
- Eu acredito que a minha irmã colocou você na vida deles - ele falou e sorri. Ele se aproximou de mim. - Você é incrível, sério. Mulher maravilha - sorri. Não sei porque ele me chama assim, mas amo ouvir esse apelido. Estávamos tão próximos que podia ouvir a respiração, nossos narizes se encostaram, e quando nossos lábios estavam prestes a se tocar, escuto alguém batendo no vidro. Me afasto bruscamente.
Era um segurança e ele pediu para abaixarmos as janelas. Assim fizemos.
- Este é um lugar de família. Se vocês querem ter algo mais íntimo, tem um motel na saída da cidade...
- Desculpa, é que as crianças dormiram... - comecei para tentar diminuir a vergonha.
- Sim, nosso filhinho não está dormindo muito bem, então paramos e não queríamos acordá-los...
- Ele fica muito enjoado, mas desculpa se preferir, nós iremos para a concorrência...
- Não, mil desculpas. Podem ficar à vontade - ele falou e saiu. Eu coloquei a mão no rosto.
- Hoje eu tirei o dia para passar vergonha, só pode - falei, abaixando a cabeça no volante.
- Vamos embora? - ele perguntou.
- Não agora. Vamos comprar o lanche, e eu já estou com fome - falei e ele começou a rir.
- Não é para menos, eu não te vi comendo nada - ele falou.
- Quando estou trabalhando, esqueço de comer. Minha mãe fala que eu herdei este defeito dela, trabalho demais - falei e ele sorriu.
- Então você não é uma patricinha que recebe tudo de mão beijada - eu comecei a rir.
- Eu cheguei na vida dos meus pais no tempo das vacas magras. Meu pai quase perdeu a empresa e minha mãe está desempregada, mas eles me ensinaram que o dinheiro não compra o mais importante: o amor, o carinho. Eles são como sementes que nós plantamos e cuidamos com muito carinho para o nosso jardim ficar lindo - falei e ele sorriu.
- Realmente, a sua família não parece ser daquelas ricas esnobes, pelo contrário...
Ficamos conversando por um tempo sobre várias coisas. Até que os dois acordaram e fomos fazer um lanche. Deixei os três em casa, mas era uma nova sensação, uma sensação de vazio por não tê-los por perto, mesmo estando na minha casa lotada.
©©©©©©©©©©
Continua...
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 109
Comments
Rosangela Barbosa de Araújo Sirva
isso é bíblico, e hj em dia se não mostrarem nas redes sócias ñ dorme bem , tudo bando de hipócritas
2024-06-09
1
'Jéssica
Que amorzinhos 🥰
2023-11-20
1
Liliane
esses dois, assume logo esse sentimento.
2023-11-18
1