...Benjamin ...
O Gael dormiu muito bem. Tenho que agradecer muito ao anjo da guarda dele.
Acordei e arrumei o Gael com uma roupinha que a Helena deu de presente. Ele estava lindo e sorridente, brincando com o mordedor.
— Papai, por que o meu irmãozinho está acordado? — a Larissa perguntou, se sentando.
— Papai vai trabalhar. Como a vovó viajou com a tia Mariana e tio Manoel, você e o seu irmão vão ter que vir comigo. Mas têm que se comportar e ficar com as outras crianças. — falei para ela, que sorriu.
— Vai ter outras crianças? — Ela perguntou e eu fiz que sim. — Vamos logo, papai! — Ela falou e fui dar um banho nela, arrumei as duas mamadeiras e dei para os dois. Fui me vestir.
Não gosto muito dessas festas de gente rica, com um monte de gente metida se sentindo melhores que os outros por terem dinheiro.
Me arrumei com um terno que me mandaram e tive que passar gel no cabelo. Depois de pronto, arrumei a bolsa com as duas mamadeiras, fraldas e saí com os dois nos braços. A Toytoy's não é tão longe, são apenas oito quadras da minha casa até lá.
A Larissa estava muito empolgada. Não é sempre que consigo levá-los para passear. Assim que entramos na Toytoy's, a minha menina parecia encantada, mas, para ser sincero, eu também estava. Nunca vi um lugar como este, parece que estamos no mundo dos brinquedos, tudo é mágico.
Fui até onde seria o evento, Helena já estava lá com os netos. Ela me mostrou que eles têm muitos cuidadores e nos deixou. O Gael estava dormindo, então ficou de boa com as tias. Tinha uma menininha brincando e ela veio assim que viu a Larissa.
— Oi — ela falou, se aproximando da Larissa. — Você quer brincar? — Ela perguntou e a Larissa foi com ela sem nem pensar duas vezes.
— Vamos, Benjamin. Aqui eles cuidam direitinho — Ela falou e conferi os dois. O Gael estava dormindo em um cercadinho e a Larissa estava brincando em um circuito para chegar na piscina de bolinhas. A outra menininha estava ajudando ela. Achei ela meio parecida com a Ana Laura, mas deve ser coisa da minha cabeça.
Fui até a cozinha e a dona Silvania já tinha chegado. Já estavam arrumando as coisas e estava uma correria. Depois de um tempo lá, arrumando tudo, um senhor veio falar com nossa equipe.
— Bom dia — quando o senhor entrou, Silvania até mudou o comportamento rapidamente.
— Bom dia, senhor Garcia — ela falou sorridente.
— Bom dia a todos. Eu gostaria de fazer um pedido. A festa do dia das crianças é, sem dúvida, a festa mais importante para nós da Toytoy's. Vamos receber hoje dois orfanatos e as crianças são a nossa prioridade. O dia é delas. Além dos órfãos, foram convidados os filhos dos funcionários e os próprios funcionários. Peço que tratem todos com muito respeito. Aqui, somos como uma família, então o que eles pedirem e precisarem, podem servir à vontade...
— Já sabemos, senhor Garcia. Não se preocupe com nada, tudo ocorrerá perfeitamente.
— Espero que tenhamos lembrado da questão das castanhas, amendoim...
— Sim, senhor, e os morangos? E o camarão? Já deixei tudo muito separado para ter este cuidado, para nada se tocar — Silvania falou.
— Então era só isso. Muito obrigado a todos. Espero que tudo saia bem. Qualquer coisa, vocês podem me procurar — o senhor falou e saiu.
— Então, tenham muito cuidado com isso. O senhor Garcia é extremamente alérgico a nozes oleaginosas, então cuidado para não usarem as mesmas colheres. E a filhinha dele é extremamente alérgica a camarão, então, por favor, não misturem as colheres — Silvania falou, nos dando as orientações. — Benjamin, você vai ajudar a Helena a organizar as coisas...— Ela começou a passar as tarefas.
O evento começou e fiquei na cozinha a maior parte do tempo. Já estava louco para sair e conferir se meus bebês estavam bem.
— Benjamin — Silvania me chamou.
— Vamos começar a servir as crianças. Você pode ir levar. — Fiquei aliviado porque ia poder ver meus filhos.
— As crianças estavam arrumadas em uma mesa. Comecei a arrumar junto com Helena para servir uma por uma. Elas estavam super empolgadas. Já estava acabando quando notei que a Larissa não estava. Fui falar com a cuidadora que deixei ela e o Gael.
— Onde estão meus filhos? Um bebê...
— Ele acordou enjoadinho, mas a mãe pegou ele e a Lala saiu com a Ally para ver a mãe. Devem estar com ela — ela falou e eu paralisei naquele momento.
Como assim com a mãe? Que mulher é essa que levou meus filhos? E que pessoas irresponsáveis são essas que deixaram alguém levar meus bebês assim? Comecei a procurar com o olhar os dois e não vi nada. Saí da parte onde estava e ia perguntar se alguém saiu com eles quando ouvi uma vozinha.
— "Papai!" — Quando me virei, a minha filha correu até mim e ela estava com a menina de mais cedo. Fiquei imóvel ao ver que era a "mãe" que levou meus filhos.
Ela estava linda e o Gael estava bem à vontade no colo dela. Ela olhava para mim, e parecia mais surpresa que eu.
— Papai, essa é a minha amiga — Larissa falou, chamando minha atenção.
— Oi, tio. Vamos brincar?
— Estátua, mocinha. Vocês não comeram ainda — Ana Laura falou com a menina, que deve ser filha dela.
— Papai, essa é a tia Analu. Ela é linda, né? Ela é amiga da vovó Lindinha — Larissa falou.
Eu fiquei olhando para a Ana Laura com o Gael. Ele nem se jogou para mim como ele faz toda vez que me vê. Ele estava ali, como se a conhecesse e já deve gostar dela. Mas como não gostar dela? Ela é maravilhosa.
Espera, será que ela é o anjo da guarda do meu filho? Não, isso seria muita coincidência.
— Oi, Ana Laura. Eu estava louco por não saber onde eles estavam...
— Desculpa, é que o Gael estava chorando e eu não consigo ficar parada sem fazer nada, ouvindo o chorinho do Gael. Não é, meu amor? Eu estou enjoado com um monte de gente estranha — ela falou e era tão estranho ver esse lado dela, tão carinhosa, tão maternal. E era tão natural o jeitinho que ela falava com ele, que me deixou chocado.
— Benjamin, se não fosse para trabalhar, seria melhor não ter vindo. E espero que esses não sejam seus filhos — Silvania falou, sendo grossa como sempre.
— Olá, Silvania. O senhor Benjamin está me ajudando — Ana Laura falou e Silvania perdeu a cor. Nunca vi Silvania assim.
— Não, senhora. Eu não sabia. É que você sabe como esse evento é corrido...
— Mas não é por isso que devemos tratar as pessoas dessa maneira. Você sabe que a Toytoy's não tolera esse tipo de comportamento — Ana Laura falou firme, com uma autoridade que fez Silvania dar um passo para trás.
— Desculpa, isso não vai se repetir, senhora. Posso levar o garçom? — Ela perguntou educadamente.
— Ainda não. Eu preciso da ajuda dele. E acho bom isso não se repetir, ou terei que tomar medidas cabíveis — Ana Laura falou e pegou a bandeja de mim. Ela saiu.
Ficamos esperando ela sumir da vista.
— Muito obrigado, ela está procurando qualquer desculpa para me demitir — comecei a tentar falar para ela.
— Meu amor, leva a Lala com você e vai pedir para darem alguma coisa para vocês comerem — a Analu falou para a menina, que concordou e pegou na mão da Lala e a levou.
Ficamos ali nos olhando por um tempo, chamei meu filho para vir para o meu colo, mas ele ignorou completamente a minha existência. Mas até que entendo, ele quer ficar com a Ana Laura.
— Então você é o pai do meu Gael? — ela falou, cheirando a cabecinha do bebê em seu colo.
— Sim, e você é o anjo da guarda dele? — perguntei a ela.
— Nós somos amigos, né Gael? — ela falou e ele riu.
— Ele não é de ir com estranhos...
— Eu não sou estranha, nós já somos bem íntimos, né Gael? Diga ao papai — ela falou, brincando com ele.
— Eu não tenho palavras para agradecer o que você fez pelo Gael, mas eu vou dar um jeito de te pagar...
— Já disse, é a vovó linda. O que eu fiz foi de coração, eu não aceito de maneira nenhuma, sério Benjamim. O que é feito de coração não esperamos nada em troca...
— Se for por pena...
— Claro que não, Benjamim. Eu fiz pelo Gael, eu gosto de verdade do seu filho, e outra, eu nem sabia que ele era seu filho — ela falou. Sei que é verdade. — Segura o seu filho para eu poder ir ao banheiro vai Gael com o papai, dois minutos, a tia precisa ir no banheiro — ela falou para o bebê e me entregou ele, que veio mas ficou procurando ela. — Dois minutos é rapidinho, meu amor — ela falou e saiu rapidinho, e ele ficou procurando por ela.
- Você tem bom gosto filhão, a Ana Laura é linda né - falei para o bebê e ele sorriu, mas continuou olhando para a porta.
Como essa mulher conseguiu ser assim maravilhosa?
- Aaa - Gael começou a balbuciar as palavras.
- Ela já vem, meu amor. Você também gosta dela né? - perguntei para o meu bebezinho.
- Aaaa - ele falou batendo as mãos.
- É, não tem como não gostar dela, você está certíssimo - falei abraçando ele.
- Aaaaaaa - ele começou a se ajeitar, tentando sair do meu colo.
- Meu amor - Ana Laura falou, pegando ele do meu colo, já que ele praticamente se jogou para o colo dela.
- A vovó linda falou que ele gostava de você, mas não imaginei que ele era assim louco por você - falei, sem acreditar. Gael nunca foi um bebê de ir para o braço de qualquer um, na verdade, ele nunca se jogou para sair dos meus braços.
- Eu também sou louquinha por ele, né Gael? Você é o bebê mais lindo do mundo - ela falou, beijando o Gael.
- Eu tenho que voltar ao trabalho - falei, lembrando que se não voltasse logo, a Silvania ia me demitir. - Você entrega ele para as cuidadoras? - perguntei.
- Por que? Você não confia o seu filho comigo? - ela perguntou, com ele de lado e com uma cara séria.
Fiquei surpreso, achei que ela não ia querer ficar com um bebê para cima e para baixo, ainda mais um que não é nada dela.
- Eu confio, eu só achei que você tivesse que trabalhar...
- Eu estou trabalhando, mas se eu deixar ele com elas, ele vai ficar chorando. Eu não vou conseguir fazer nada, prefiro ele comigo, onde sei que está seguro - ela falava, e eu não acredito no que estava ouvindo.
- Por que você está fazendo isso? - perguntei a ela.
- Porque sim - ela falou, e eu revirei os olhos.
- Tenho que ir - falei e beijei a cabeça do Gael.
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^^^Continua...^^^
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Atualizado até capítulo 109
Comments
Lucia Carneiro
Que lindo autora, tá de parabéns pelo seu romance!
2023-11-30
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