Benjamin
Entrei na sala e ela já estava cheia. Me sentei no canto, o André foi para a outra turma e o Fernando ainda não entrou na sala, deve estar namorando, ele sempre aproveita os tempos disponíveis para namorar um pouco.
Faltavam menos de dois minutos para o horário da aula quando Carlos me viu e veio até mim, o que era uma novidade muito grande já que ele nunca falou comigo antes.
— Oi Benjamim — ele falou, se sentando na cadeira em minha frente. — Coloca a mochila do seu lado — ela pediu não entendi, mas fiz o que ele pediu.
— Oi Carlos — falei e ele sorriu.
— Que bom que você não foi para a outra sala — ele falou, puxando assunto. Foi nesse momento que olhei para a porta e meu coração acelerou.
E lá estava ela, a mulher mais linda que eu já conheci, a Ana Laura entrou e parecia cena de filme em câmera lenta. Ela estava ainda mais linda que ontem e notei que muitos alunos olharam para ela. Mas como não olhar se a mulher é um avião? Ela veio em minha direção, não, eu devo estar louco.
Notei que todos a acompanharam com o olhar. Ela tirou a bolsa da cadeira ao meu lado e se virou.
— Oi — ela falou para mim e depois para o Carlos devolvendo a sacola.
— Oi — falei com um sorriso no rosto eu sei que estou acabado e nitidamente casado e muitos me olham com dó, mas a Ana Laura não.
— Nossa, vocês falam muito. Estou quase mandando vocês calarem a boca — Carlos falou depois de longos minutos de silêncio.
A Ana Laura revirou os olhos cortando o nosso contato visual.
— Carlos, por favor, não comece — disse ela.
— Está certo, e Benjamin, ela finge assim, mas sei que ela me ama — ele falou para mim e a Ana Laura abriu a boca fingindo está chocada.
— Quem te contou essa mentira? Eu te suporto, você está mais para o meu irmão insuportável que eu tenho que aturar — ela falou. Não consegui não sorrir, adorava ver os dois conversando. Eles realmente falam como dois irmãos.
Fernando se aproximou, espantado ao ver com quem eu estava sentado, e perguntou:
— Posso sentar aqui?
— Pode — falamos os três juntos e ele se sentou.
— Achei uma palhaçada essa ideia da professora Fernanda — Fernando falou, mas parecia mais preocupado em olhar para o rosto angelical da Ana Laura.
Sinceramente, amei a ideia da professora Fernanda, assim posso vê-la uma vez por semana.
— Boa noite — a professora Fernanda falou, entrando na sala. — Está ficando lindo — ela falou sorrindo. — Vamos fazer grupos de quatro, com no mínimo um aluno de administração, de preferência dois de ADM e dois de engenharia.
— Nós quatro? — Carlos perguntou.
— Sim — falei junto com a Ana Laura.
A professora Fernanda explicou todo o trabalho e como seria o processo. Parecia legal, mas a melhor parte era poder ficar perto da Ana Laura. Me trazia uma paz, algo que eu não sentia há muito tempo, mas ao mesmo tempo fazia meu coração acelerar. É tão estranho estar aqui com ela, de um universo tão diferente do meu. Essa história do menino pobre com a moça rica nunca dá certo.
Eu sei perfeitamente que a nossa história nunca daria certo, mas é tão bom ter ela por perto.
— Segunda vocês têm compromisso? — Fernando perguntou tocando em mim para volta para a realidade.
— Sim — eu falei junto com a Ana Laura.
— E amanhã eu queria adiantar o trabalho antes — Fernando falou.
— Eu não posso, vou trabalhar — falamos os dois juntos novamente, e Carlos começou a rir.
— Domingo? — Fernando perguntou.
— Eu não posso — Carlos falou, mas pela cara da Ana Laura, ela ia dizer o mesmo.
— O trabalho é para daqui a 15 dias. O próximo sábado eu posso, mas tem que ser na minha casa... — Ana Laura começou a falar mais logo foi interrompida pelo Carlos.
— Na sua casa, Ana Laura? Você não costuma levar ninguém para casa — Carlos comentou.
— É mais fácil do que arranjar uma babá — ela falou.
E será que ela tem uma filha? Eu acho que sim, pois a cadeirinha no carro dela era das princesas e as toalhas na mala também.
O engraçado é que a Ana Laura parece uma motoqueira do tipo nada maternal, mas o pouco que eu já vi dela ela é bem fofa.
— Verdade. Olha, já fiz um grupo para trocarmos ideias — Carlos falou, mostrando o grupo no aplicativo de mensagens no celular.
— Eu acredito que possa também — falei.
— Então está tudo certo — Fernando falou, pegando a mochila. — Já vou, preciso sair da seca — ele falou se levantando e arrumou a mochila
— Você não estava namorando? — Perguntei sem entender nada.
— E estou. Eu vou sair, mas é com ela mesmo, por causa das provas e do trabalho a gente mal tem tempo de namorar vou aproveitar o meu final de semana — ele falou, e segurei para não rir da cara que ele fazia.
— Então eu também já vou atrás da Dani. Foi um prazer revê-lo, Benjamim — Carlos falou, arrumou as coisas e beijou a testa da Ana Laura e falou algo no ouvido antes de sair, eu comecei arrumar as minhas coisas e a Ana Laura arrumou as coisas dela.
— Você está bem? — ela me perguntou depois de um tempo em silêncio.
— Agora estou — falei, pegando minha mochila.
— Que bom. Vai para casa? — ela perguntou.
— Com certeza, meu sextou é na minha cama dormindo — falei, e ela riu.
— Sei bem como é, estou de moto, mas se quiser uma carona. — ela falou, e eu fiquei surpreso.
— Olha, não precisa ter pena de mim...
— Eu só queria ser legal. Afinal, moramos no mesmo lugar...
—Até parece que você mora na Vila Lene — falei, cruzando os braços.
— O que eu ganho mentindo para você? — ela perguntou, parecendo com raiva.
— Desculpa, não queria dizer isso. Você não parece ser mentirosa. — É só que não estou acostumado com pessoas querendo ser gentis comigo... Queria ter completado, mas não fiz.
— Ok, só não repita — ela falou, e sorri com esse jeito dela.
— Mas não vai ser ruim para você? _ Perguntei.
— É caminho, vou para casa. Você também não vai me atrapalhar em nada — ela falou, e para ser sincero, eu queria passar mais um tempo com ela.
— Então eu aceito — falei, e fomos andando para ir ao estacionamento.
— Você faz Engenharia Mecatrônica ou Mecânica, assim como o Carlinhos? — ela perguntou enquanto andávamos.
— Mecatrônica. Ainda quero muito construir ferramentas para transformar o mundo. Estou trabalhando em um mecanismo que auxilia no tratamento de crianças com câncer. Desculpa, acabei me empolgando — falei ao notar que estava falando demais.
— Não, eu adoro ouvir essas coisas. Como seria, estilo um robô ou seria mais um maquinário individual? — ela perguntou, parecendo realmente interessada.
— Eu não conseguia entendê-la e como ela pode se interessar por essas coisas assim.
— Minha primeira ideia era um robô, mas o valor dele seria muito caro...
— Então, eles trabalhariam filtrando o perfil das crianças tratadas de uma forma mais divertida...
Foi fácil conversar com ela, já que fazia muito tempo que não falava dos meus projetos e por alguns minutos pude apenas falar sobre meus objetivos
A conversa fluia tranquilamente até chegamos na moto dela.
— Vamos? — ela perguntou e eu assenti.
A moto dela era muito alta e muito bonita eu sinceramente não entendo nada de moto, mas está era muito bonita assim como o carro dela o que aparentemente me faz pensar que ela é podre de rica.
Subi na moto e tentei de todas as formas não tocá-la, mas não foi possível quando ela começou pilotar eu notei que ela é meio louca, ela parecia que estava voando de tanto que ela andava rápido eu só conseguia pensar que eu ia morrer, com cada manobra e passando por cada espaço que eu não sei como nós ainda estávamos inteiros.
Com certeza o nosso anjo da guarda estava nos ajudando que só Deus, para nós dois estávamos bem, mas ela tem um controle tão grande com a moto.
Quando ela finalmente parou a moto na porta da casa da dona Lindalva eu acabei vomitando.
— Desculpa mesmo, da próxima eu ando mais devagar. — ela falou preocupada descendo da moto.
Espera aí, próxima. Eu nem acreditei no que ouvi, vai ter uma próxima vez. Eu sorri só de ouvir estas palavras.
— Certo, muito obrigado. Mas tenha cuidado, eu sei que você sabe o que está fazendo, mas não é seguro correr assim — falei realmente preocupado com ela correndo por aí deste jeito.
— Olha, até hoje eu nunca caí, e olha que eu pratico motocross, sendo que estou um tempinho sem tempo de correr ou participar de corridas desde que voltei do meu intercâmbio, bom eu pratique no Canadá, mas desde que voltei só tô correndo quando venho da faculdade.
— Você é louca — falei, e ela começou a rir, e que sorriso bonito, mesmo ela sendo assim louquinha ela é muito linda e tem uns traços angelicais.
— Sou louca por adrenalina. Tenho que ir, amanhã eu acordo cedo. Dia das crianças e Natal é uma loucura. Até sexta — ela falou, colocando o capacete e voltando a subi na moto.
— Muito obrigado pela carona. — falei, e ela sorriu mais uma vez e ligou a moto.
Fiquei olhando para ela, mas não demorou muito para ela sumir do meu campo de visão.
Fui até a casa da vovó Linda e a Larissa abriu a porta correndo.
— Papai — ela gritou, e a peguei no colo.
— Filho, você chegou mais cedo — disse a vovó Linda enquanto segurava o Gael no colo, que estava brincando com o moderador.
— Vim de carona — falei para ela que sorriu, e fui me aproximando do meu menino enquanto a Larissa me abraçava no meu colo. — Você está bem, meu amorzinho? — perguntei a ele que sorriu todo fofinho.
— Ele está bem — disse a vovó Lindalva.
— Que bom, e você, filhota? — perguntei a Larissa.
— Estou bem, papai. Vamos brincar um pouquinho? — ela pediu. Decidi aproveitar esse tempo extra e brincar um pouco com ela.
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Continua...
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Atualizado até capítulo 109
Comments
Debora Galvao
Autora tem fotos dos personagens
2023-11-24
1
Clair Adriana
Autora por favor se puder atualize mais uns 10 capítulos
2023-11-03
0
ynara santos
eu estou amando a história
2023-11-01
2