Benjamim (Bemben)
Ana Laura pegou o Gael e começou a andar em direção à saída, e fui atrás dela com a bolsa do Gael. Quando saímos da quadra, tinha um corredor com alguns bancos, e ela sentou, ajeitando o Gael com cuidado.
- Me perdoa, eu não sei onde estava com a cabeça, para achar que eles não iam se comportar - ela falou cheirando o Gael.
Ela cheirava e abraçava o Gael como se isso desce força para ela.
- Não precisa ficar assim, eu achei até divertido essa animação deles. Minha família se resume nos meus filhos e na vovó Linda - falei forçando um meio sorriso.
- Estou morta de vergonha - ela falou de cabeça baixa.
- Você fica ainda mais bonita assim - era para ficar só no meu pensamento, mas quando vi ela olhando para mim, vi que tinha falado em voz alta. - Mas não precisa ficar assim, já entendi que sua avó quer muito bisnetos, como se filhos não dessem trabalho...
- Obrigada mesmo por tudo, e principalmente por não ter saído correndo - ela falou e eu ri.
- Você relaxa um pouquinho e me fala além da sua avó, eu tenho que me esconder de mais alguém? - perguntei. Ela sorriu.
- Não é só ela que é assim. Agora deixa eu ir trocar uma certa fralda - ela falou, se levantando. Fui com ela para ver se ela ia precisar de ajuda. E outra, eu não queria ficar sozinho.
Ela entrou no banheiro, que estava todo limpinho, mas não tinha trocador. Então ajeitei a pia para que ela pudesse colocar o bebê.
- Quer que eu troque ele? - Perguntei a ela.
- Não precisa, eu sei trocar fraldas - ela falou, colocando ele com cuidado na pia. Fiquei observando enquanto ela conversava tranquilamente com ele, tirando a roupinha. Ele ficava hipnotizado, olhando para ela e dando umas risadinhas gostosas que nos faziam rir. Ela não demorou muito e ele já estava arrumadinho, mas ele continuou enfiando a mãozinha atrás dos seios dela. Mesmo a Ana Laura não parecendo ligar muito, estou com vergonha. Vai que ela pense que eu ensinei ele a fazer isso.
- Gael, não pode fazer isso - falei e ele riu da minha cara, deitando a cabecinha entre o pescoço da Ana Laura, mas ainda não tirou a mão de dentro do vestido dela. - Desculpa, juro que não ensinei essas coisas para ele...
- Tudo bem, ele faz isso desde o dia que nos conhecemos, né meu amorzinho? A tia já explicou para ele que não pode fazer isso sem as garotas deixarem e tem que ser um cavalheiro, né meu amor? Tem que respeitar as garotas - ela falou e eu sorri com jeitinho que ela falava com ele. Ele parecia muito concentrado com os seios dela.
- Ele nunca fez isso...
- Nem com a mãe dele? - ela perguntou. A verdade é que eu não sei, só conheci o Gael quando a Bia já tinha morrido.
- Não sei, é uma longa história, mas eu só estou neste universo paternal há 7 meses...
- Mas a mãe dele morreu há 7 meses, não foi isso? - ela perguntou.
- Isso, depois eu te conto a história completa de como me tornei pai...
- Ah, Gael, seu pai vai explicar para sua tia o mistério da vida das aves e das abelhas, uma coisa que você só vai fazer quando tiver uns 30 anos, viu - ela falou para o bebê, e eu ri.
- Até parece, hoje em dia as adolescentes de 13, 14 anos já sabem muito bem o que é isso - falei, e ela apertou o bebê enquanto guardava as coisas.
- De jeito nenhum, Benjamin, meu bebê não vai fazer isso. Ele vai ser padre, o padre mais lindo do mundo - ela falou, beijando a cabecinha do Gael.
- Não se iluda, Mulher-Maravilha - falei rindo.
Mas não vou mentir que acho bonitinho o jeito que ela cuida dele e está preocupada com o futuro.
- Estou falando sério, vou educá-lo direitinho para ser um homem bom e, principalmente, para respeitar as pessoas e não sair sendo um cafajeste, mulherengo...
- Sim, senhora. Minha mãe sempre falava que homem que não respeita mulher não é homem...
- Ela está certíssima. Agora, já que estamos no banheiro feminino, melhor sairmos, né? - ela falou, e eu nem sabia que estávamos no banheiro feminino.
Saímos do banheiro, e o Gael estava super confortável no colo dela, com a mão no seio como se fosse natural e ele realmente precisasse daquilo.
- Vamos lá, tem muita coisa para resolver ainda. Eu não ligo para essas brincadeiras, mas, se você quiser, eu vou embora - falei para ela.
- Não, eu não quero. Mas se você ver que não dá, eu levo vocês em casa. A minha família às vezes é meio invasiva - ela falou, parada olhando para mim. Ajeitei uma mecha do cabelo que estava no rosto dela.
- Tranquila, mas você ficou chateada se pedir uma selfie com a sua mãe? - perguntei. Eu sou muito fã da Taylor, mas não quero que a Ana Laura fique chateada.
Ela demorou um pouco para responder, e nessa hora acho que entendi por que ela não faz amigos na universidade.
- Desculpa, errei feio, né? É que ela é a Taylor Moreira Garcia - falei, e não sei por que ela mudou a cara e riu.
- Não conta para nenhum dos seus amigos, por favor...
- Você tem vergonha de ser filha da maior engenheira da atualidade, a sua mãe é um ícone...
- Não, eu não tenho vergonha dos meus pais, pelo contrário, tenho muito orgulho. Mas estou cansada das pessoas só se aproximarem de mim para chegar perto deles... - ela falou encostando na porta.
- Só um minuto, como você sabe que não me aproximei de você por causa disso? - perguntei a ela.
- Porque você não se aproximou de mim - ela falou, e eu não entendi nada.
- Tá, então estou sonhando que estou na sua frente e esse no seu colo não é o meu filho?...
- Engraçadinho, você nunca se aproximou de mim. Pelo contrário, meio que te persigo, mas juro que não é de propósito. E outra, você é legal, mas minha mãe é uma pessoa normal, ela veste a calça uma perna por vez como qualquer pessoa - ela falou, e eu sorri. - Vamos, que se não isso não sai hoje - ela falou, e entramos na quadra. Tinha tantas pessoas que eu não sabia se eram todos parentes delas ou da comunidade.
Mas, em questão de minutos, a Ana Laura assumiu uma nova postura, e mesmo com um bebê no colo, tenho certeza de que o mundo tem medo dela. Ela é uma mulher com instinto de liderança. Em dois segundos, ela começou a arrumar tudo.
- Vamos lá, se for ficar parado, pode voltar para casa, ainda dá tempo - ela começou falando, e vi a mãe dela colocando a mão na boca para não mostrar que estava rindo. - Então, o que vocês estão esperando...
- E você vai fazer o quê? - um rapaz falou, e vi a Ariel mandá-lo calar a boca.
- Você quer mesmo que eu responda ou vai fazer o que mandei? - ela perguntou, e eu só me virei e fui com os tios dela levar as coisas para a cozinha.
Assim que chegamos à cozinha, outro homem muito parecido com o tio Téo da Analu se aproximou de mim.
- Você deve ser o Benjamim. Minha sobrinha já me disse que eu sou o segurança particular dela. Se você pensar em machucar a minha sobrinha, esteja ciente de que eu não hesitarei em quebrar sua coluna, mesmo que eu mesmo precise encaixar os ossos de volta no lugar - ele falou, me encostando na parede. - Entendeu? Minha sobrinha não é como as garotas com quem você costuma ficar, entendeu? - ele falou e eu já estava com medo, já que o tio dela era alto e forte e, se ele quisesse, poderia facilmente me machucar. - ENTENDEU? - ele gritou no meu ouvido.
- Sim, senhor. Eu não vou machucar a sua sobrinha. - falei com a voz trêmula.
- É brincadeira. - ele falou rindo. - Minha sobrinha sabe se virar muito bem sozinha. E aproveitem a vida, vocês são jovens. Ela é uma só, mas não escuta a minha mãe, pelo amor de Deus, filho. É coisa séria. - ele falou e eu estava sem entender nada, ele me deixou confuso.
- Léo, deixa o rapaz em paz. A Analu já disse que eles são apenas amigos. - uma senhora morena bonita falou.
- Meu amor, a Alice falou que ele é pai do bebê dela. E desde quando a sua sobrinha ama bebês alheios desta maneira? Porque a minha sobrinha não queria nem desenvolver brinquedos para bebês. - ele falou para a, eu acho que, esposa, será que é verdade? Ela sempre tratou meus filhos muito bem.
- Aí, amor, só deixa o rapaz em paz. - ela falou e olhou para mim. - E a família é assim meio doida, mas somos muito unidos e a Analu é a primeira em tudo. Primeira filha, primeira sobrinha, primeira neta. Então, todos têm um carinho especial por ela. Mas melhor voltarmos ao trabalho. Nem me apresentei, sou a Natália, mas pode me chamar de tia Naty. - ela falou sorrindo.
- Hum, prazer em conhecê-la. - falei e ela me abraçou. Essa família ama abraços.
- Se é para enrolar, era melhor ter ficado em casa. - o Téo falou rindo e todos voltamos para pegar as caixas.
Quando voltei, vi que a avó e o avô delas estavam sentados no canto com as crianças menores. A Analu estava do outro lado arrumando a mesa com o Gael no colo, e não sei como ela conseguia fazer as coisas segurando o Gael e fazendo tudo ao mesmo tempo.
- Benjamim, é você né? - o rapaz que a Analu quase engoliu falou.
- Sim. - falei, e ele sorriu.
- O senhor Garcia pediu para te chamar. Tem os brinquedos para arrumar lá fora. - ele falou, e fui com ele.
Quando vi o senhor Garcia, lembrei de ontem. Ele é o dono da Toytoy's, e estava bem diferente de ontem, sem terno, estava bem casual. Vi que tinha que montar a cama elástica, armar a piscina de bolinhas e tinha outros brinquedos.
- Boa sorte. - o rapaz falou antes de ir para a caixa da piscina.
Me aproximei do senhor e ele estava me analisando.
- Então, você é o amigo da minha filhinha. - ele falou, pegando as peças para encaixar e falou muito sério. - Você também era o garçom ontem, né? - ele perguntou, e já vi onde isso ia parar.
- Sou sim, sou os dois. - falei, pegando as peças para montar a cama elástica.
- Você cursa o que na universidade? - ele perguntou.
- Engenharia mecatrônica. - respondi, e ele parou um pouco.
- Você tem dois filhos. É pai solteiro? Onde você conheceu a mãe deles? Você realmente a conhece, ou só soube que tinha filhos quando ela morreu? - ele começou a fazer várias perguntas, e não tive tempo de pensar direito.
- Eu não sou nenhum mulherengo ou algo do tipo, senhor. Sim, sou pai solteiro, mas não fui pai da maneira convencional. É uma longa história que posso te contar outro dia...
- Não, se você quer andar com a minha filhinha, você sabe que a Analu só tem 22 aninhos. É uma menina inocente, pura. - ele falou, e sinto que estou em um campo minado.
- Senhor, eu posso não ter dinheiro, não ter um grande sobrenome, não ter nem uma casa própria, mas nunca desrespeitaria ninguém, muito menos a Ana Laura, que é como um anjo na minha vida. E sim, tenho dois filhos, os quais eu não planejei, mas, assim como tudo na minha vida, lutei muito e luto muito para dar uma vida digna a eles. E sei que o senhor não quer que a sua filhinha ande com um pobretão que, se morrer, não tem nem onde ser enterrado. Eu sei que não sou bom o suficiente para sua filha...
- Mas que absurdo! Em nenhum momento eu quis te julgar por não ter dinheiro, isso é o de menos. Mas não ouse machucar a minha menina. E se você desrespeitar a minha menininha, eu não vou nem te ameaçar. Eu não sou de ameaças, sou de fazer. E não costumo usar as minhas influências, mas pelas minhas filhas eu sou capaz de tudo. - ele falou, e tinha sangue nos olhos.
- Papaizinho! - a Ally gritou e veio correndo.
- Oi, minha bonequinha. O que foi? - ele falou, se abaixando na altura dela, tão carinhoso que nem parecia o mesmo rapaz.
- Vai demorar muito, papai ? Lala, eu e o Gael queremos muito brincar no pula-pula. - ela falou, com uma voz tão dengosa, mais dengosa que o normal.
- Quando eu terminar, minha bonequinha, eu chamo você e a Lala. Agora, vá ficar com a vovó para o papai terminar mais rápido. - ele falou e beijou a bochecha dela.
- Tá bom, papaizinho bonitão. - ela falou sorrindo e saiu correndo.
- Vai ficar olhando ou vai me ajudar? E eu quero saber todos os detalhes de como você se tornou pai, já que é uma história longa...
- Aí papai, deixa o Ben em paz - a Analu falou se aproximando - Engenheirinho, você pode ficar com o Gael por dois minutos? Eu preciso colocar o arco e ele não vai para ninguém - ela falou e peguei o Gael.
- Eu disse a você, a vovó linda sofre porque ele não fica com qualquer um - falei e o Gael reclamou, pedindo o colo dela.
- Ah, meu amorzinho, fica com o Papai só um pouquinho, eu vou e volto - ela falou, explicando para ele, e ele começou a chorar. Eu o balancei tentando acalmar ele - Meu amor, eu sei que você me ama, eu te amo também, mas tem várias crianças que estão esperando por essa festinha. Por favor, não chore. Se você chorar, eu não consigo deixar você - ela falou e ele ficou se jogando para ela, que o pegou - Desisto, eu não vou deixá-lo chorando. Você era a minha última esperança - ela falou, abraçando-o, e ele parou de chorar.
- Ah, Ana Laura, me dê ele aqui - o pai dela falou, pegando-o no colo - Vamos ter uma conversinha. A sua eu ainda não sei o que ela é sua, mas eu sei que ela é minha filha. Ela só precisa resolver uma coisinha, é rápido, não precisa chorar. Ela não vai te deixar - ele falou, e o Gael parou de chorar para olhar para ele.
- Vai lá - falei para ela ao ver que o Gael estava muito entretido com o senhor Garcia.
- Olha, você tem que aprender a socializar, isso ajuda bastante. E você já tem essa pinta toda, é lindão, deixa qualquer um querendo te morder, então use o seu charme - ele continuava falando para o bebê, enquanto eu começava a montar as coisas, ouvindo a conversa deles.
- Aaaaaeeea! - o Gael tentava falar alguma coisa.
- Isso mesmo, mas olha, presta atenção, não pode ficar chorando assim. Ninguém está te batendo, não está com dor, então não pode chorar sem motivo...
- Eeeeasttff. - ele balbuciava alguma coisa.
- Sabe, a sua tia Alice era assim, só queria a mamãe. Mas olha aqui, de homem para homem, ela não vai te deixar. - eu não sei se estava mais besta pelo fato de ele falar com ele como se estivesse falando com outro adulto, ou pelo fato do meu filho estar ali, prestando atenção e sem chorar, como se estivesse entendendo tudo.
©©©©©©©©©©©©©
Continua...
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Atualizado até capítulo 109
Comments
'Jéssica
tô amando 💕
2023-11-20
2
Leticia Fraga
eu vou para fisioterapia, mas quando chegar em casa vou fazer o capítulo de procura-se uma mãe e em seguida vou tentar fazer mais uns
2023-11-08
1
Clair Adriana
Nossa autora a história está maravilhosa. Por favor mais capítulos de preferência uns 10 rs. bjs e obrigado
2023-11-07
0