Capítulo 2

...Ana Laura (Analu)...

— Bom dia, meu amor. Você está babando no notebook — Acordei sentindo um beijo no topo da minha cabeça e ouvindo a voz do meu pai.

Meu corpo inteiro está doendo, e o sono ainda me dominava.

— Só mais um minuto — pedi ainda com os olhos fechados, estou muito cansada ainda.

— Filha, vai para a cama. Hoje você vai trabalhar? — ele perguntou.

— Você sabe como meu chefe é exigente e não posso faltar, muito menos me atrasar — Falei levantando meu rosto e abri meus olhos com dificuldade. Mesmo trabalhando na Toytoy's ( empresa do meu pai), não gosto de ser vista como a filha do chefe, e o senhor Edy o chefe  do meu departamento faz questão de me ter lá como uma estagiária qualquer, mesmo eu trabalhando bem mais — Eu não acredito que dormi de novo desse jeito...

— Se você quiser eu falo com o seu chefe para...

— Não, papai — Falei bocejando — Eu não quero nada de mão beijada. Não é porque sou uma Garcia que vou ter privilégios — falei limpando o rosto, mas estou com muita sono.

— Amo que você seja assim, mas a empresa é sua e das suas irmãs. Mas você é a minha primogênita. Fora que você ama tudo aquilo desde pequena, e filha eu sei que você está cansada — ele falou segurando meu braço.

— Eu amo muito aquela empresa, mas eu amo a área de desenvolvimento de brinquedos. Então, estava pensando em fazer um curso no próximo mês...

Meu pai me interrompeu ele sempre se preocupa por eu sempre me cobrar muito e sempre fazer muitos cursos.

— Tudo bem, lembre que sábado é a festa de Dia das Crianças. E como andam os produtos da linha para bebês? — ele perguntou. Não é o trabalho que mais gostei de fazer, bebês não dá para explorar 100% da minha criatividade, mas estou fazendo o possível.

— Está tudo caminhando perfeitamente para o sábado. Mas mudando de assunto, a mamãe falou com o senhor? Eu tentei falar com ela e não consegui — falei arrumando meus livros que estavam espalhados na mesa de jantar.

— Eu falei antes de dormir, mas o que foi? Só servia à sua mãe? — ele perguntou puxando a cadeira para sentar.

— Sim, papai, só servia à mamãe. Era sobre assuntos femininos — falei e ele me olhou por um tempo. — Mas não se preocupe, depois eu tento falar com ela. Se duvidar, ela já está em um avião. Ela disse que se conseguisse um voo mais cedo, ela trocaria — falei salvando meu TCC que comecei a desenvolver.

— E sobre o que é? — ele perguntou curioso, mas ao mesmo tempo com um tom de medo na voz. — Menstruação, namorado, sexo...

Revirei os olhos quando ele começou a dar alternativas do que eu queria falar com minha mãe.

— Papai, o assunto é com a mamãe, e não se preocupe, não é nada para se preocupar. Era só um desabafo mesmo...

— E eu não sirvo? — ele perguntou de boca aberta.

— Não, é capaz de todos saberem antes de eu sair de casa — falei.

Antes que ele pudesse reclamar, a Ariel desceu correndo as escadas, com a cara fechada claramente chateada.

— Papai, deste jeito não dá, fala com a sua filha, por favor — ela chegou fazendo drama.

— Bom dia, papai. Dormiu bem? Dormiu, Ariel? — meu pai falou, me fazendo rir.

— Paizinho, por favor, a Aurora está no banheiro há mais de meia hora. Você sabe quanta água ela já gastou? E eu preciso me arrumar para a escola — Ariel falou com todo o dengo do mundo.

— Usa o meu banheiro, meu amor — O meu pai falou.

— E o meio ambiente, paizinho? Um banho de 30 minutos é um absurdo. Ela está gastando mais 243 litros de água. E sabe quanto custa no bolso um banho desse? É uns 30 reais na conta de água. Com esse dinheiro, uma família se alimenta durante sete dias em vários países na linha da miséria. Neste exato momento, uma criança está com sede porque a sua filhinha está acabando com a água do mundo — ela falou com um senhor drama digno de novela das nove. Errada ela não está, mas o drama dela reina.

— Eu vou falar com a sua irmã —  meu pai falou, e ela sorriu. — Analu, você ajuda o papai com as suas irmãs — ele pediu.

— Eu tenho escolha? — perguntei rindo e pegando minhas coisas.

—  Quem foi que queria muito ter irmãs mesmo... — meu pai começou a me passar na cara, mas logo o interrompi.

— Eu pedi duas, não quatro — falei subindo a escada.

Fui direto para o meu quarto, nossa casa grande e o meu é o último quarto do corredor, e assim que eu entrei já fui colo colocando o meu material na escrivaninha e olhei para minha cama.

— É, eu também queria muito ficar com você, mas o problema não é você, o problema sou eu — falei para a minha cama, passando a mão no meu edredom fofinho, e saí do quarto. Antes de chegar no quarto das menores, ouvi o meu pai falando com a Aurora.

— Aurora, por favor, sai desse banheiro. Sua irmã precisa tomar banho também...

Entrei antes de ouvir o resto. Aqui em casa, toda manhã é muito agitada. Afinal, somos seis mulheres na mesma casa. Tenho até dó do papai, às vezes é muito hormônio feminino junto.

Entrei no quarto das minhas irmãs mais novas, o quarto delas como todos da casa deixa muito claro as suas personalidades a Alice ama explora e estudar insetos já a ali a unicórnio e tudo que for rosa assim que entre constatei que Alice e a Ally ainda estavam dormindo e com certeza elas dão muito fofinha dormindo. Fui primeiro na Alice e beijei sua bochecha.

— Bom dia, minha exploradora. Hoje é um belo dia para explorar o mundo — falei, e ela abriu os lindos olhos azuis, e sorriu para mim.

— Bom dia, Analu. Me diz que hoje é sexta, por favor — ela pediu, e eu sorri.

— Também queria muito que fosse, mas hoje é quinta — falei, e ela sentou na cama coçando os olhos.

— A mamãe chega amanhã, né? — ela perguntou.

Eu já me acostumei com o trabalho da mamãe; afinal, ela trabalha nesta empresa há 15 anos, e ela precisa ir para o Japão. E eu amo Tóquio, sempre que ela pode levar a família vamos todos, mas essa é a primeira vez que a mamãe vai sem a Ally, por ela ser a mais nova e ter sido uma gestação muito complicada a mamãe tinha muita dificuldade de deixá-la.

E fora que ela diz que o papai não conseguiria lidar com as cinco, mas a empresa e o trabalho, mesmo eu sendo muito mais velha que as minhas irmãs, a minha mãe não quer me dá tanta responsabilidade, afinal eu ainda não tenho os meus filhos.

—  Sim, amanhã. Agora já para o banho, se não vamos nos atrasar — falei, e ela saiu correndo.

Fui para a outra cama e tirei o cabelo do rosto da Ally.

— Meu amorzinho, já está na hora de ir para a escolinha — falei, mexendo no seu cabelo.

— Eu não vou hoje, estou doente — ela falou de olho fechado.

— Doente? Mas doente de quê? — Perguntei a ela.

— De saudade, eu quero a mamãe — ela disse com voz de choro, e a peguei no colo fazendo carinho.

— A mamãe já está voltando para casa. Ela chega amanhã — falei, abraçando e a tirando da cama.

— Faltam muitas horas ainda — ela falou manhosa.

— Mas se você for para a escola, passa mais rápido. Vai brincar muito com seus amigos, e eu prometo que à tarde levo você e a Alice para o parquinho. Vai ser divertido...

— Não é divertido desde que a mamãe viajou — ela falou triste.

— Se a mamãe escutasse isso, estaria chorando. Ela faz tudo por nós cinco, ou melhor, seis. — falei lembrando do nosso pai.

Eu pensei o que falar para acalma a minha irmãzinha a Ally só tem quatro anos eu tinha dezenove anos quando a mamãe engravidou dela, então eu sempre ajudei a minha mãe em tudo e tenho um carinho muito grande.

— Que pena. Eu vou tomar sorvete de chocolate com calda de chocolate e cheio de M&M, apenas com a Alice —  falei, para ver se com uma pequena chantagem ela melhorada o humor.

— Com muitos M&M? — ela perguntou.

— Com bastante — falei, e ela parou um pouco para pensar e logo abriu um lindo sorriso.

— Alice bonitona, sai logo para eu tomar banho também — ela falou, e não tive como não rir.

Ajudei ela a tomar banho e depois a arrumei com o uniforme. Fiz um gatinho no cabelo, colocando dois laços, e ajudei a Alice a pentear o cabelo e fiz um rabo de cavalo, colocando uma tiara.

— Pronto, as duas já estão bonitonas. Vão lá tomar café com o papai, que eu vou me arrumar — coloquei uma calça jeans, uma camisa de frases branca ("não é não") e coloquei uma jaqueta jeans e um saltinho básico.

Quando coloquei o pé na escada, pude ouvir vozes. Eu adoro essa agitação. Meu pai já tinha feito o café da manhã e Ariel estava dando um belo discurso ou melhor uma palestra sobre a importância de não desperdiçar água.

— O chuveiro não estava ligado, Ariel. Eu estava me arrumando, você sabe quanto tempo eu preciso para passar meus cremes e fazer minha maquiagem. É um processo... — Aurora indicou a se explicar.

Revirei meus olhos mentalmente. Sempre amei o fato delas serem tão diferentes em algumas coisas, e acho que gêmeos são sempre assim, mas amo minhas irmãs. Cada uma tem sua personalidade bem definida desde pequenas.

— Papai, eu não quero cereal — Ally falou.

— Mas tem muitas coisas! Tem pão com requeijão que você ama e as frutinhas... — papai começou a falar com ela.

—  Não, eu quero algo saudável — ela pensou por um momento. — Que tal pizza? — ela disse e papai revirou os olhos.

— Tudo bem, à noite o papai compra pizza, mas agora coma as frutinhas — ele disse cortando as frutinhas e dando na boca dela, meus pais tratam a Ally com uma bebezinha.

Meu pai é um ótimo pai, nem se compara ao homem que conheci há 16 anos atrás. Sim eu conheci meu pai quando eu tinha 7 anos e minha mãe e a minha mãe biológica faleceu e tive que morar com meu pai que nem gostava de mim na época, mas depois ele mudou muito e se casou com a minha mãe que é uma mulher fantástica. Mesmo que mamãe só vá às vezes para Tóquio, o lugar dela vazio ainda é estranho. Ela é muito mais do que minha mãe.

— Analu — Aurora falou, pegando em meu braço. — Eu estava falando com você — ela disse e eu estava tão distraída pensando na mamãe que nem ouvi.

— Desculpa, eu não estava prestando atenção — falei olhando para ela.

— Você pode nos levar antes de ir para a universidade ou hoje você vai de moto...

— Não, eu levo. Papai ainda não devolveu a chave da minha moto — falei olhando para o meu pai. — Afinal, minha moto é um transporte prático...

— E perigoso... — meu pai me interrompeu ele odeia que eu ande de moto e muito mais que eu pratique motocross.

— Nós já conversamos, papai. A moto é minha, eu comprei com meu dinheiro. Eu amo motos, do mesmo jeito que você gosta do seu iate... — peguei.

— Mas filha, moto é um transporte perigoso e se acontecer alguma coisa com você...

— Papai, só pelo fato de eu estar viva, pode acontecer alguma coisa — falei frustrada.

Eu deixei a moto para trocar o pneu na oficina do filho do seu José e o Pablo acabou trazendo a moto aqui para casa e deu as chaves justamente para o meu pai. Mas nada que a minha mãe não resolva.

— Eu tenho uma reunião agora, tenho que ir. Obrigada, Analu, por tudo — ele falou dando um beijo em cada uma.

— Tchau papai — falamos as cinco juntas e depois rimos pela confusão.

— Acho melhor nós cinco irmos logo — falei e comecei a arrumar as coisas. O lado bom da minha mãe ser um gênio é que ninguém precisa limpar nada. — Melhor amigo limpeza na cozinha e sala de jantar — falei para o aparelho na parede. Os pequenos robôs começaram a fazer o trabalho.

As meninas foram pegar suas coisas e eu subi para escovar os dentes e pegar minha bolsa. Quando desci, saímos correndo. Coloquei Ally na cadeirinha e fomos cantando músicas. Primeiro deixei Aurora e Ariel no colégio de Elite onde elas estudam, o mesmo onde estudei no ensino médio. Depois, levei Alice e Ally para o mesmo colégio onde estudei junto com Carlinhos. Meus pais podem ser ricos, mas não nos fazem conviver com os ricos metidos, exceto no ensino médio. Minha mãe quis me colocar na melhor escola e foi lá que aprendi a não confiar nas pessoas.

Depois de deixá-las, fui trabalhar. Entrei na empresa já assumindo outra postura. Não é porque sou fria ou algo do tipo, mas a maioria dos funcionários me enxerga como uma menininha, mesmo que eu praticamente trabalhe aqui desde os meus 7 anos. Afinal, tenho 23 anos e mais de 200 produtos patenteados em meu nome. Sempre gostei de fazer brinquedos com meu pai.

— Atrasada — Edy falou assim que pisei no andar. Olhei para meu relógio e não acredito que ele estava estressado por eu ter me atrasado um minuto.

— Bom dia, senhor Edy — falei indo para minha mesa.

— Espero que os produtos que você esteja desenvolvendo não atrasem nem um só minuto — ele disse, e como eu odeio esse cara. — Afinal, você só está aqui por ser filha do dono, você não é  uma ninguém — ele gritou para todo o andar. Eu aceito críticas, aceito reclamações, mas isso não.

— Não, eu não estou aqui porque sou filha do dono. Estou aqui porque sou uma grande designer de brinquedos. Afinal, desenvolvo brinquedos há 16 anos, tenho mais de 200 patentes e 90% dos meus produtos são sucesso de vendas. Então, não venha querer me diminuir por ser filha do seu chefe. Eu nunca te desrespeitei na frente de ninguém. Eu sempre cheguei aqui, fiz meu trabalho e vou continuar fazendo — falei me sentando e ligando o computador.

— Sabe, mudança de planos. Eu quero isso até hoje, até a meia-noite de hoje — ele disse e saiu. Que raiva desse cara.

Por conta disso, minha manhã foi uma correria. Fora que bebês não são a minha praia. Acho um trabalho muito chato. São sempre as mesmas coisas e não tenho como criar muito, gosto de explorar a criatividade.

À tarde, levei Alice e Ally para tomarmos sorvete. Odeio quebrar promessas, então tentei passear rapidamente e voltei para casa. Meu pai já estava ocupado, mas pela quantidade de papel, a noite seria longa.

Corri para meu quarto, tomei um banho rápido e me arrumei para ir para a universidade.

Sai do quarto indo para o quarto ao lado e bati na porta.

— Já estão prontas? — perguntei a minhas irmãs e a Ariel olhou para a porta do banheiro.

— Aurora, eu estou com pressa, adiante por favor — falei me jogando na cama da Ariel ao lado dela.

— Bem-vinda ao meu mundo — Ariel falou, se jogando para trás.

— Se eu fechar os olhos, eu durmo — falei olhando para o teto.

— Deste jeito, sua cama vai pedir divórcio — ela falou e comecei a rir.

— Ariel, qual cor você está? — a Aurora gritou.

— De que cor você está? — ela repetiu a pergunta.

— Azul — ela gritou.

— Vou trocar de roupa — revirei meus olhos. Isso resume 15 anos da minha vida.

— Então, eu já estou prontinha — Aurora pegou a bolsa e colocou algumas coisas. —Não dorme, Analu — ela falou quando meus olhos começaram a se fechar. Então, me levantei.

— Já troquei — a Ariel falou e eu não entendo quem se confunde com elas. Elas não são idênticas, só parecidas.

— Que bom, vamos antes que eu desista...

— Até parece você, nunca faria isso com a gente — a Aurora falou e a Ariel me entregou o celular para guardar.

Elas brigam, mas se eu, que sou a irmã, falar de uma delas para a outra, é como estourar uma bomba. Eu acho muito bonitinho esse relacionamento de irmãs que elas têm.

Fomos para o carro, deixei as duas e fui para a universidade. Eu sempre fico no quiosque mais afastado. Não é que eu seja antissocial nem nada do tipo, mas cansei de pessoas se aproximarem de mim por causa do meu sobrenome ou da conta bancária dos meus pais. Então, prefiro ficar com os amigos que sei que são verdadeiros: o Carlos, a Clarissa e a Daniela. Como está cedo, o Carlos e a Dani não chegaram ainda. A Clarissa é igual a um zumbi estudando; ela faz medicina, então é bem raro ela ter tempo às 16h da tarde.

Estou no meio dos desenhos com alguns modelos que vamos lançar na mesa. Toda vez que eu venho mais cedo, eu vejo a senhorinha que vende as coisas no quiosque com um bebê. Mas hoje, o chorinho dele estava mais agudo e eu não estava conseguindo fazer meu trabalho porque sei que aquele chorinho é de dor. A Ally fica assim quando os dentinhos estão nascendo. Lutei com todo o meu eu para ir até lá. Normalmente, eu entro e saio da universidade sem falar com quase ninguém, só a tia Marli que trabalha na limpeza lá no bloco e os professores.

— Desculpe me intrometer, mas eu posso? — perguntei olhando para o bebê e ela ficou me analisando por um tempo. Mas estava tão sobrecarregada atendendo que ela me entregou o menino.

Eu devo estar louca, sair por aí pegando o bebê dos outros, mas ele ficou olhando para mim. Ela deixou eu entrar no quiosque, então lavei o mordedor de carinho com um gel anti-inflamatório. Só quando eu dei para ele que ele parou de chorar e então entendi melhor o que eu estava fazendo ao produzir esses produtos.

— Você gostou, anjinho? — falei limpando o rostinho dele e ele sorriu mostrando os dois dentinhos. — Então, o que você achou do produto? Está aprovado? — perguntei e ele voltou a morder. — Vou dizer que isso é um sim — falei e ele deitou a cabeça no meu ombro.

Sorri com esse gesto. Minhas irmãs sempre fizeram isso, mas não sei, esse gesto mesmo tão pequeno encheu meu coração e fez minha cabeça fervilhar de ideias. Quando notei, ele tinha colocado a mão dentro da minha blusa e estava com a mão no meu seio direito.

— Ei, rapaz, como assim? Você já vai com essa intimidade toda? Nem me levou para um jantar primeiro — falei. Ia tirar a mão dele, mas ele apertou com força o meu peito e acabei gritando de dor.

— Gael — a senhora o repreendeu e ia tirá-lo de mim, mas ele agarrou o meu pescoço.

Ele tinha muita força para um bebezinho e pelo visto tinha gostado de mim.

— Desculpa, moça, ele nunca fez isso — ela falou toda sem graça e sorri pela carinha que ele fez.

— Gael, esse não tem leite e não pode fazer isso. É feio. Primeiro, você paga pelo menos um sorvete, e tem que pedir permissão. Não pode sair por aí fazendo essas coisas. Você é um bom menino — falei e ele prestava atenção em mim. Dei um beijinho na cabeça dele.

— Vem com a vovó —  ela falou, chamando o menino que me olhou por um tempo, olhou para a senhora, mas não saiu.

— A tia tem que ir, meu anjinho — falei, entregando-o para ela.

— Este brinquedo — a senhora perguntou.

— Desculpa, nem perguntei se podia dar. É um mordedor com gel anti-inflamatório, ajuda com o nascimento dos dentinhos. O coitado está com dor, né anjinho — falei sorrindo para ele.

— Obrigada, pelo visto o Gael adorou. E ele gostou de você — ela falou, porque ele estava me chamando.

— Eu queria ficar, meu anjinho. O papo com você é ótimo, mas eu tenho um chefe muito chato. É Gael, ele é um porre, e se eu não entregar um projeto ainda hoje, eu estou ferrada. Mas eu sempre venho aqui. Adoro o café de sua vovó. Podemos conversar mais vezes, né? Não te dou meu número porque você não deve ter um celular — eu falava com ele e, pior, é que ele prestava atenção. Não resisti e dei outro beijinho.

— Obrigada e quando quiser ver o Gael, estamos aqui — a senhorinha falou e meu celular começou a tocar com o Edy me enchendo de mensagens.

— Vou indo mesmo. Foi um prazer, Gael — falei e ele riu.

Arrumei minhas coisas e fui para o meu bloco. Estava com umas ideias e precisava colocá-las no papel antes da prova.

A prova era de estatística avançada, e é uma matéria que eu tiro de letra. Depois de fazer a prova, fui para a sala 28 tentar falar com o professor Flávio. Estou em um projeto com a professora Fernanda, onde vão fazer uma junção de cursos, e me jogaram para engenharia, justo com a tia Fernanda. É só um trabalho, mas não quero ter que aturar um bando de machos escrotos. Como vi que ele estava em prova, me sentei no chão da frente da sala. Sabia que ia demorar, e como não tenho mais aula hoje, vou tentar aproveitar para desenvolver o brinquedo no papel, a parte funcional fora a aparência.

Tive uma curta diálogo com uns idiotas e quando eu vi o Carlos, já sabia que todos eles eram da engenharia. Aí eu tive mais um motivo para ficar o mais longe possível deles.

— Por que você não respondeu às conversas no grupo hoje? — Carlos perguntou sentando ao meu lado.

— Não tive tempo. O idiota do Edy quer adiantar o trabalho e estou correndo contra o tempo. Estou tentando falar com o Flávio — falei desenhando.

— Ah, não faz isso. É uma oportunidade de fazermos o trabalho juntos. Vai, por favor — ele pediu implorando, e fazendo biquinho.

— Você sabe que eu não fico calada para ninguém...

— Vai, por favor — ele pediu.

— Ok, você está de carro? — perguntei.

— Não, vamos de aplicativo...

— Avise no grupo que estou de carro, eu levo vocês — falei me levantando. A professora dele já tinha entrado.

— Vou esperar na biblioteca — falei pós sabia que se fosse para casa não ia conseguir trabalhar. E estava pensando no Gael.

Depois de um tempinho ali, consegui terminar. Já passavam das 10 quando mandei para o Edy. Esta noite, eu preciso dormir.

Saí da biblioteca e estava chovendo muito. Encontrei Clarissa na frente do carro.

— Oi, sumida — falei. Ela estava com uma cara acabada.

— Me fala que hoje é sexta? — ela pediu.

— No Japão sim, aqui ainda não — falei e ela revirou os olhos. Abri o carro e joguei minha bolsa dentro. — Cadê o seu irmão? Eu tenho um encontro...

— Você tem um encontro, conta tudo — ela falou animada.

— Com a minha cama — falei rindo da cara dela.

— Que cara, está Clarissa? — a Dani perguntou, vindo com o Carlos correndo, já que eles não estavam na cobertura.

— Nada, vamos logo — ela falou, sentando no banco de trás.

A Dani também entrou e o Carlos sentou do meu lado. Liguei o carro. A chuva estava muito forte, atrapalhando minha visão. Quando percebi, tinha acertado um buraco e dado um banho no rapaz que estava atravessando a rua. Parei o carro imediatamente.

— O que você vai fazer, Ana Laura? — o Carlos perguntou.

— Saber se ele está bem. Eu dei um banho no rapaz...

— Você está louca, Analu — a Clarissa falou.

— Se ele estiver com raiva e tentar alguma coisa...

— Eu não vou dormir pensando nisso. É melhor eu saber se ele está bem — falei, abrindo a porta do carro e saindo.

...©©©©©©©©©©©©...

^^^Continua...^^^

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Edi Graças

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Lembra meu pai😅😅😅

2024-08-26

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1 Prólogo
2 Capítulo 1
3 Capítulo 2
4 Capítulo 3
5 Capítulo 4
6 Capítulo 5
7 Capítulo 6
8 Capítulo 7
9 Capítulo 8
10 Capítulo 9
11 Capítulo 10
12 Capítulo 11
13 Capítulo 12
14 Capítulo 13
15 Capítulo 14
16 Capítulo 15
17 Capítulo 16
18 Capítulo 17
19 Capítulo 18
20 Capítulo 19
21 Bônus do Nicolas
22 Capítulo 20
23 Capítulo 21
24 Capítulo 22
25 Capítulo 23
26 Capítulo 24
27 Capítulo 25
28 Capítulo 26
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41 Capítulo 39
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43 Capítulo 41
44 Capítulo 42
45 Capítulo 43
46 Capítulo 44
47 Capítulo 45
48 Bônus da Taylor
49 Capítulo 46
50 Bônus Nícolas
51 Capítulo 47
52 Personagens
53 Capítulo 48
54 Capítulo 49
55 Capítulo 50
56 Capítulo 51
57 Capítulo 52
58 Capítulo 53
59 Capítulo 54
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107 Capítulo 99
108 Capítulo 100
109 Epílogo
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Atualizado até capítulo 109

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Prólogo
2
Capítulo 1
3
Capítulo 2
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Capítulo 5
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Capítulo 6
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Capítulo 7
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Capítulo 8
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Capítulo 10
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