Ana Laura (Analu)
Descemos do carro e a Ally saiu correndo com a Lalá por um corredor ao lado da casa. O Gael começou a se jogar para mim e o Benjamim parecia não gostar muito, mas não ia deixar o Gael chorar.
— Posso pegar? — Perguntei a ele para ele não achar que estou querendo roubar o filho dele.
— Claro, ele está quase caindo. Nunca vi tanto amor — ele falou e eu já estava com o Gael todo sorridente, acho que ninguém me queria mais do que ele. E o Benjamim estava com ciúmes claramente.
— Ai, papai, só vejo minha tia doida um pouquinho. Quero aproveitar — falei, brincando com a mãozinha dele — Não querendo ser chata, mas para onde as duas foram? — Perguntei a ele tentando ver as duas.
— Para minha casa — ele falou e eu não entendi, estávamos em frente à casa que eu sempre deixo ele — Aqui é onde a vovó linda mora. Vem, vamos ver elas - ele me convidou e travei o carro, colocando a chave na minha bolsa.
O corredor não era tão longo e no final tinha um pequeno pátio com uma lavanderia e varal. Era tudo bem simples, tinha duas portas com duas janelas no fundo. Uma moça saiu de uma das portas.
— Boa tarde — ela falou e me olhou da cabeça aos pés.
— Boa tarde... — responde e ela olhou para o Benjamim.
— Eu sou a Sair, será que eu posso levar a minha afilhada? — ela perguntou sorridente.
E não sei porque não gostei muito do jeito que ela falava com o Ben, mas eu precisava parar como isso afinal eu nunca fui ciumenta.
— Eu vou brincar com a minha amiga, tia Mari, outro dia eu vou — a Ally falou.
— Então, está certo. Manoel, Manoel! — ela começou a gritar.
— Já tô indo — ele saiu e olhou para mim, eu já o conhecia da lanchonete — Você não vai levar o Gael, não? O Benjamim é esforçado, ele trabalha. Por favor, não leve as crianças dele... — ele começou a falar desesperado. Como se eu fosse sequestrar o meu bebê.
— Manoel, ela não é do conselho tutelar, não. Ela é...— ele olhou para mim como se não soubesse o que responder.
— Uma amiga — falei e estendi a mão livre para ele que entrelaçou nossos dedos — Nós já nos vimos no quiosque da vovó linda — falei e ele sorriu.
— Sim, eu lembro de você. Mas você não vai tentar tirar os meus sobrinhos do pai, não né...
— Não, vai por mim. Na minha casa já tem pessoas demais — falei sorrindo.
— Só somos sete, Analu. A Lalá pode dormir comigo — a Ally falou abraçando a Larissa.
— E a Alice? — Perguntei.
— Dá para nós três, é só colocar uma beliche — ela falou e eu comecei a rir.
— Eu não vou sem o meu papai e o Gael — Lala falou com os olhos arregalados.
— Aí, Lalá, assim fica difícil, mas a cama da Analu é grande igual ao do papai e da mamãe...
— Ally, meu amor, vai brincar antes que eu desista e te leve para casa — falei ao ver o rumo da conversa.
— Temos que ir, se o vovô procurar por favor você avisa que saímos —a moça falou e os dois saíram parecendo um foguete.
— Eles são assim, meio doidinhos. A vovó e o senhor José não têm muro entre as casas, então todos saímos pelo mesmo corredor — ele falou e abriu a porta da casa dele.
Ele deu espaço para que eu pudesse entrar. A casa dele era um quitinete, não tinha muita coisa e era úmido. Tinha uma cama de casal no canto, uma pequena cozinha, que se resumia em um microondas e um fogão de duas bocas e um pequeno armário de duas portas e uma fruteira, tinha uma televisão e poucos brinquedos, mas estava tudo limpinho e bem organizado, por mais humilde que fosse era tudo muito limpo até os brinquedos era muito bem arrumados em um cantinho como o chão não tinha cerâmica ele tinha um tape infantil, e que mostrava a preocupação dele com o bem está das crianças.
— Bem-vinda à nossa humilde residência é simples, mas é limpinha — ele falou e acho que não consegui disfarçar a minha cara de surpresa, por ele morar em um lugar tão pequeno com duas crianças. — Mas não se preocupe, o mordomo e as criadas vão chegar daqui a pouco. O que foi? A menina rica está chocada que nem todo mundo vive em uma mansão como ela? — ele falou e pareceu chateado.
Mas eu não entendi o porquê da atitude repentina dele.
— Por que você está atirando pedras em mim dessa maneira? Eu não falei nada — disse com raiva, mas em um tom baixo para não assustar o Gael. Olhei para a Lala e a Ally, que brincavam tranquilamente em cima da cama sem prestar atenção na nossa conversa — E outra, eu não me importo com essas coisas. Eu tenho dinheiro sim, mas isso não define e nunca definiu o caráter de ninguém. E sabe de uma? Eu vou esperar lá na calçada já notei que não sou bem-vinda aqui — falei e saí.
Eu estava muito chateada. Eu odeio quando me julgam pelo dinheiro que eu tenho. Eu vim com o Gael e me sentei na calçada, na sombra na frente da casa da dona Linda.
— Olha, meu amor, não aprenda isso com o seu pai. Escuta a tia, dinheiro não molda o caráter de ninguém — falei e ele tentou ficar em pé no meu colo, e ajudei ele a ficar em pé.
— Aaeeaaee — ele falava alguma coisa animado.
— É, você concorda? Eu tô amando te ver assim, meu amor, tão feliz — falei para ele e ele sorriu e sorri também.
O Gael é tão lindo e não tinha como não se derreter com ele, e mesmo chateada com o pai, eu não conseguia deixa de sorrir para está carinha fofa.
— Ana Laura — ouvi a voz do Benjamim — Entra, por favor...
— Eu estou bem aqui, não se preocupe. — falei sem nem olhar para ele.
— Esta rua é perigosa... — ele falou e olhei para o lado e mais para frente podíamos ver crianças brincarem.
Estava tudo tão tranquilo e eu conheço este bairro ele tem está fama, mas raramente ouvíamos falar se assalto ou de qualquer coisa.
— Boa tarde, Ana Laura? — Uma das funcionárias da empresa falou com a testa franzida.
— Boa tarde, Acácia — falei e ela sorriu.
— A festa estava linda, como todo ano você nos surpreende. Mas não sabia que você tinha filho, por isso que no ano passado você não participou da festa do Natal e nem te vimos no começo do ano. Seu pai disse que você tinha ido estudar em Toronto... — ela se aproximou e tentou pegar o Gael, que começou a chorar.
— Ele estranha as pessoas — o Benjamim falou pegando ele enquanto me levantava.
— Desculpa eu não queria assustar, ele é tão lindo — ela falou tentando fazer graça para o Gael.
— É sim, Acácia. Mas eu vou entrar com ele, está ficando tarde, e não é bom para ele ficar no relento.
— Certo, mando um beijo para o seu pai. Estou pensando em fazer um bolinho para ele — Acácia é a maior fofoqueira da fábrica e desde que ela entrou ela não me desce, ela dá em cima do meu pai na maior cara de pau. Minha mãe não a suporta.
— Não se preocupe, a minha mãe já dá tudo que ele precisa. Não é à toa que eles têm 5 filhas e estão casados há mais de uma década, e muito bem casados — falei, puxando o Benjamim para entrarmos.
— Nossa menina eu só estou falando em da um bolinho e não...
— Tenho que ir, até segunda — fale puxando o Benjamim.
Ele fechou o portão e paramos na metade do corredor.
— Por favor, me diz que ela não é sua vizinha — falei encostada na parede.
— Nunca nem vi — ele falou. — Quem é?
— É uma colega do trabalho que dá em cima do meu pai. Odeio pessoas sem noção. O meu pai é casado e muito bem casado com a minha mãe. Não precisa de rabo de saia nenhum - falei, cruzando os braços. - Mas eu ainda estou com raiva de você - falei séria.
— Desculpa, tá bom? Eu falei sem pensar. Não quis ofender você de maneira alguma. É que odeio que tenham pena de mim. Sempre lutei muito para não precisar de ninguém, mas ultimamente...
- Eu sei que você trabalha, e não tenho pena de você. E você acha que eu sou uma riquinha mimada...
- Não, eu dei que você não é...
- Não é o que pareceu. E acho que já está ficando tarde. Eu tenho que ir para casa. Estou cansada e acredito que você também - falei para ele que parecia triste.
- Não se você for chateada. Eu errei, mas reconheço o erro e não vai se repetir...
- Vem, meu amor - falei pegando o Gael - Espero mesmo que não se repita. Agora você deixou as duas sozinhas e se elas tocarem fogo na casa? - perguntei, lembrando das meninas.
- Duas meninas boazinhas iam fazer isso? - ele perguntou.
- Eu conheço o meu anjinho, e se ela não tem o que fazer, ela arranja - falei, andando até a casa dele, e as duas estavam pulando na cama.
- Ally Moreira Garcia, você sabe que não pode pular na cama - falei para ela.
- "Sujo" - ela falou, sentando-se. - A Lala disse que o pai dela não briga - a Ally falou, e olhei para o Benjamim, que realmente não estava dando muita importância.
- Elas só estão brincando - ele falou.
- Você sabe que se elas caírem desta cama pendendo do ângulo, elas podem quebrar um braço, uma perna. Podem ficar tetraplégicas e podem morrer - falei, e só aí notei que estava falando igualzinho a minha mãe.
- Elas estão inteiras, e outra, quem disse que você nunca fez isso? - ele perguntou.
- Você não conhece a minha mãe - falei, e ele me olhou assustado.
- Ela sabe que você anda de moto daquele jeito? - ele me perguntou.
- Saber, ela sabe, mas nunca viu. Ela diz que o que os olhos não veem, o coração não sente - falei, e ele sorriu.
- É melhor ela não ver mesmo. É Gael, a sua tia tem esta carinha de anjo, mas pilota igual um piloto de Fórmula 1...
- Fórmula 1 é de carro - falei, e o Gael começou a rir.
- Papai, a vovó lindinha já chegou. Eu quero mostrar a minha amiga - ela falou sorrindo.
- A vovó só volta segunda de noite - ele falou.
- Ah, então outro dia você traz a minha amiga tia? - ela perguntou para mim.
- Trago sim, e se você quiser, pede ao papai para me ligar que levo você para brincar lá em casa - falei e ela sorriu.
- Que legal! Agora o papai e o Gael podem ir? - ela perguntou.
- Claro que podem - falei, sorrindo, e eles voltaram a pular. Olhei de cara feia para elas, que se jogaram sentando.
- Eu sei que vocês querem brincar, mas eu estou muito cansada. Hoje o dia foi muito corrido, e ainda vou ter que resolver umas coisas para as doações do orfanato. Lembra que nós vamos levar brinquedos para quem não tem nem papai nem mamãe - falei para a Ally.
- É mesmo, Lala, bem que podia ir com o Benben e o Gael - a Ally falou.
- Eles devem querer descansar...
- Se precisar de mão de obra, eu ajudo - o Benjamim falou, e eu acabei sorrindo.
- Então, se você quiser, eu passo aqui amanhã. O evento é à tarde, mas como arrumo a festinha, eu vou pela manhã...
- Posso mandar mensagem para você e resolvemos? - ele perguntou, e sorri, afirmando que sim.
- Vamos, Ally. E foi um prazer te conhecer, meu amorzinho. Até amanhã - falei, beijando a Larissa. Depois tive que entregar o Gael ao pai. - Tchau, meu amor. Eu vou te ver amanhã. Eu sei que faltam muitas horas, mas dorme bem, tá bom? - falei, beijando o Gael. - Quando você acorda não vai demorar muito para me ver de novo.
- Tchau Gaël, tchau Benben - ela falou sorrindo e pedindo colo, e eu a peguei.
- Tchau Benjamim - falei com um sorriso no ros
- Até amanhã, Analu, e desculpa de novo...
- Já virei a página - falei sorrindo e ele me levou até meu carro, prendi Ally na cadeirinha e me despedi mais uma vez
Entrei no meu carro e fiquei olhando para os três até os meus olhos encontrarem o do Benjamim e não sei porque ele me faz sentir borboletas no estômago.
Sair com o carro lentamente ainda olhando para ele, meus pensamentos me levaram para os seus olhos a sua boca ela era tão linda.
Estava perdida nos meus pensamentos pensando no Ben e nas crianças quando notei que eu precisava ter os meus bebês seguros.
— Eu gosto do Benben, ele é seu namorado? — a Ally perguntou me trazendo para a realidade e me assustando.
— Não ele é só o meu amigo. Agora vamos passar no shopping rapidinho antes de ir para casa — informei e ela pareceu confusa.
— Por quê? — ela perguntou.
— Tenho que comprar um coisas para o Gaël e para a Larissa — falei
Ficamos em silêncio por um tempo enquanto eu pensava no que eu ia precisa comprar, mas não sei se o Benjamim ia gosta disso.
— Analu — a minha irmã me chamou quebrando o silêncio — O Gael é seu bebê?,— ela perguntou, e eu fiquei confusa com a pergunta.
— Não entendi, Ally — falei, e ela colocou a mão no rosto. Como se a pergunta fosse óbvia.
- O Gael é seu igual eu sou da mamãe? - ela perguntou.
- Por que está pergunta? - perguntei a ela.
- Porque a moça perguntou para a Lala se ela ia ver a mãe dela e apontou para você. E se você for mãe deles, eu sou a tia, né? - ela perguntou, e era muita informação para a minha cabeça. - Se você é mãe eu sou tia né assim que funciona?
Fiquei calada por um tempo ela estava certa na questão de que quando eu for mãe ela será tia, mas eu não queria pensar nisso.
— Que tal um sorvete de chocolate? — perguntei mudando de assunto. Para fugir um pouco da pressão de responder isso.
— Sim — ela falou sorrindo.
Não era tão longe, eu só queria comprar uma cadeirinha e um bebê conforto. Se vou andar com crianças, tenho que ter certeza de que estão seguros. Eu quero que os meus bebês estejam seguros.
Compramos o que fui comprar e a Ally pediu para comprar um vestido. Comprei um vestido igual para a Larissa, a pedido da Ally, que adora e considera ela como uma melhor amiga e acho tão bonitinha, ver como a amizade de criança são assim tão rápidos.
Depois do sorvete fomos para o quarto eu precisava chegar em casa para descansar.
©©©©©©©©©©©©©
Continua...
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Atualizado até capítulo 109
Comments
Suleima Baracat
amando ler, parabéns
2025-01-06
0
Fatima Alves Casu
Parabéns! Estou amando ler esta história linda!
2024-07-09
0
Lucia Carneiro
Também tô amando!❤❤❤❤
2023-11-30
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