CONTINUAÇÃO
Marconi se aborreceu por ela o julgar sem terminar de ouvir a história. Pediu a seu contador e ao advogado, que se retirassem e a ela, que dispensasse o advogado Noberth.
— Tudo bem, mas vou gravar nossa conversa. O senhor pode me esperar lá no lobby, por favor, Dr. Norberth.
— Ok, mas não esqueça que ainda temos um compromisso.
Ela acenou, consentindo com a cabeça e ele se retirou. Então pediu que Marconi continuasse.
— Eu nunca contei a ninguém, mas tinha acabado de completar 18 anos e fui preso, por seis meses. A prisão faz muita coisa com um jovem nessa idade e quando saí, descobri que Armand me deixou suas ações, a casa e um fundo reserva para a faculdade, mas até isso seu pai tentou me tirar. Bloqueou meus dividendos até que eu fizesse 21 anos e nesse tempo, como ex presidiário, com a carteira suja, não consegui emprego.
— E você conseguiu vencer e ser um CEO importante, um homem muito rico, mas só pensou em se vingar. Me desculpe se não tenho peninha de você. Não justifica o que você me fez passar.
— O que você entende de tudo que passei, para me julgar assim? Bem que achei que você era igual a ele, foi mimada a vida toda, sempre teve as coisas sem precisar trabalhar, por isso não compreende.
— Se eu fosse igual a ele, não seria quem sou. Você acha que só você sofreu com meu pai? Quantos anos passou com ele? Eu fiquei até os dezoito, então, acho que passei por mais que você, mas nunca pensei em me vingar, apenas dei no pé quando pude.
Ele olhou para ela analisando o que ela contou, e se perguntou o que o pai dela podia ter feito com ela, para ela falar assim.
— Bem, por quê você não quer me vender suas ações?
— Não posso deixar que um homem imaturo, querendo se vingar, tente ser o CEO da empresa que ele quis destruir. Não tem nexo, não é mesmo? Agora que já decidimos, eu já vou.
— Simples assim? Não vai me contar o que sei pai fez com você?
Ela olhou séria para ele, não estava a fim de ter uma conversa de melhores amigas.
— Na verdade não, só tem uma coisa que falta. — ela enfiou a mão na bolsa e pegou o cartão black e colocou sobre a mesa — isso é seu.
Ele olhou para o cartão e engoliu em seco, agora percebeu que Romão tinha razão, ela entendeu como pagamento e não foi nada disso, ou foi?
— Klari, Klari — foi rápido a alcançar, antes que saísse da sala — eu não quis pagar pelo que aconteceu, só não sabia como lidar com o fato de ter sido sua primeira vez.
Terminou de falar de forma bem suave, expirando o ar que prendeu, por sentir medo de a perder.
Ele fez ela se lembrar do tempo que se resguardou par ter sua primeira vez e que seu desgosto naquela noite, foi o fato dele se aproveitar de seu pilequinho e ela se entregar sem reservas, mas não sentindo toda a cama de emoções que desejava sentir em sua primeira vez.
— Eu lutei para ter uma conduta moral digna. Me guardei para o homem que fosse digno de me receber e para isso eu estava sendo digna para ele. Mas desde que você entrou na minha vida, meu castelo desmoronou, como se fosse de areia.
— Foi o que senti, quando vi o sangue nos lençóis. Percebi que fui egoísta, pensei só na satisfação dos meus desejos e não considerei os seus. Por isso dei esse cartão para Antônia lhe entregar, não era um pagamento, era para te ajudar, já que você aceitou me acompanhar porque precisava.
Klarice sabia como homens ricos como ele, tinham as mulheres que queriam e depois as despachavam com "presentes". Mas ela não era mais uma, mas foi mais uma pra ele.
— Eu não merecia ser tratada como mais uma. Você nunca vai entender, porque trata as mulheres como objetos: usou, descartou. Mas me envolveu e agora tenho que carregar isso por toda a minha vida.
— Mas você não precisa carregar a nossa primeira vez, como um peso e eu quero ter uma vida inteira com você.
— Do que você está falando, Gregorius?
— Estou falando de sairmos pra namorar, nos conhecermos melhor, noivarmos e casarmos.
Ela balançou a cabeça, não em negativa, mas achando ele um sem noção. Como algo que começou tão errado, podia dar certo? Mas não tinha tempo para pensar nisso agora, tinha marcado, com antecedência, uma reunião com os funcionários da empresa e Norberth estava esperando.
— Acho que você não está pensando muito bem, agora. Preciso ir, pois tenho outro compromisso. Adeus senhor Gregorius.
Ela saiu sem dar tempo dele a segurar de novo e depois de encontrar com Norberth. Chegaram na empresa e foram para um dos galpões, onde todos os funcionários estavam reunidos e ficaram sobre o primeiro patamar de escadas de ferro, de frente para o grande grupo.
Haviam colocado uma caixa de som, com um microfone, um pulpito e ela utilizou para falar.
— As dívidas estão quitadas e a empresa não está mais no vermelho.
Todos aplaudiram, fazendo festa com a notícia.
— Tem mais, mesmo o CEO Marconi Gregorius tendo 35% das ações, eu tenho 48 % e dividirei a renda de 33% das ações, para todos vocês, igualmente.
Houve nova comemoração, todos aplaudiam, se abraçavam e de cima Klarice podia ver todos e observou dois homens com cara amarrada, olhando tudo e tecendo comentários, que apesar dela não escutar, pareciam jocosos.
Até que um deles, assim que o barulho diminuiu, perguntou, deixando clara a sua intenção de causar confusão:
— Mas quem será o CEO? A senhora é que não é, pois nunca se interessou por nada da empresa e que eu saiba, só sabe pintar quadros e está de caso com o inimigo. Vai ver até, foi por causa disso que conseguiu quitar a dívida.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Elis Alves
Tem sempre um machinho escroto pra diminuir uma mulher fodástica
2024-12-18
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Maria Helena Macedo e Silva
como é herdeira e tem posse dos 48% das ações pode colocar os 17% no chinelo desbancando os oportunistas e os mandando pra rua...
2024-09-19
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Maria Helena Macedo e Silva
se ela tem 48% e o Marconi 35% esses dois desgostosos devem ter os 17% restantes da s ações como sócios minoritários.🤔 vão ser o calcanhar de Aquiles🤦
2024-09-19
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