O céu estava escurecendo, coberto de nuvens que variavam em tons diversos de azul, cinza e nuances douradas dos raios do sol que se punha. Klari conseguiu esboçar três pinturas e parou, quando já era meia-noite. O ateliê era fechado, com portas extensas de vidro, uma de frente para a visão do parque e a outra para a estufa.
Havia um espaço entre as duas atrás e era onde ficava seu jogo de sofá e poltronas de bambu, assim como a mesa e uma churrasqueira. Amava reunir poucos amigos e fazer um churrasco. Vendo o tempo fechado, cobriu tudo com a lona e prendeu as pontas. Só então desceu, tomou um banho, comeu e dormiu.
*
Flores, flores, flores.
— Um belo buquê de flores. Isso é o que eu preciso. — falou Marconi, para si mesmo.
Três dias se passaram e os funcionários da Bem Estar Empreendimentos Ltda, estavam intrigados com a distração do patrão. O grande presidente da empresa, chegava tarde e saia cedo, era notável a sua desatenção.
Neste dia, em especial, Romão encontrou o endereço da artista e de seu ateliê, o que lhe custou um patrocínio ao estúdio, mas também a garantia de um convite. Marconi não perdeu tempo e saiu, parou em uma floricultura e pegou o caminho até o endereço que lhe deu Romão.
O dia estava ensolarado, porém fresco. Percebeu que o endereço que tinha, era pegado ao parque nacional e estacionou do outro lado da calçada, em frente ao número escrito no endereço. Avistou uma jovem sorridente, em um vestido florido esvoaçante, subindo pela rua.
Sua simpatia alegrava as pessoas que cumprimentava por onde passava.
— É ela e é tão linda e especial.
Seu rosto é delicado e seus cachos avermelhados, ornam sua cabeça, concedendo-lhe força, apesar da delicadeza. Pensou ele e atravessou a rua, para esperar a bela mulher chegar. Quando ela se deparou com ele, parou a dois metros de distância e perguntou:
— O que faz aqui, Senhor Gregorius, que eu saiba não fiquei lhe devendo nada.
— Eu é quem lhe devo um milhão de pedidos de desculpas.
Ele se ajoelhou em um joelho só e estendeu para ela, o grande buquê de rosas que trouxe e pediu:
— Me perdoe por tudo, por favor.
As pessoas que viam a cena, paravam para filmar ou tirar fotos e admiravam o tamanho do buquê, enorme.
— Você é idiota ou o quê? Não percebeu que sou dona de uma floricultura? Levanta daí, vão pensar que está me pedindo em casamento. — falou ela, aborrecida.
Ele se levantou e olhou para a floricultura e depois voltou a olhar para ela.
— Não sabia da floricultura e o casamento é o terceiro passo. Estamos na prévia, embora tenhamos atropelado um pouco as etapas.
— O quê, você fez um planejamento para tudo isso?
— O nome certo é: planejando a conquista.
— Você é louco?
Ela admirou a franqueza dele, que não teve o mínimo pudor em confessar que planejou a conquista. Ela não conseguiu resistir e riu abertamente, pegou o imenso buquê e levou para a floricultura entregando a Norma, sua gerente.
— Separe e distribua em vasos, levarei alguns lá para cima e enfeitarei meu apartamento e o ateliê. Não vou desperdiçar flores tão bonitas por causa desse…tolo.
Marconi seguiu atrás dela e quando foi chamado de tolo, replicou:
— Tolo não, apaixonado.
— Tá bom, homem apaixonado, agora saiam daqui, tenho muito que fazer. — disse Norma, sorrindo.
Os dois saíram da loja e viram que os observadores, tinham ido embora. Ele se afastou, olhando para a frente da loja e viu a placa com o nome : Floricultura Klarice.
— Seu nome é klarice?
— Vá embora, Gregorius. Você não tinha nada que vir aqui.
A rua começou a ficar mais movimentada, por ser hora do almoço e os aromas da comida dos pequenos restaurantes que têm nas redondezas, se misturavam no ar. Ele se aproximou e convidou:
— Está na hora do almoço, vamos a um restaurante aqui perto, precisamos conversar.
Ela fitou-o nos olhos, intrigada. Se perguntava se ele entendia o que ela sentia pelo que haviam feito. Mas era provável que não, para os homens, sexo era algo corriqueiro, até para algumas mulheres, também, mas para ela, era diferente.
— Você não compreende mesmo, não é? Eu preciso trabalhar, vá embora.
Ela não deu tempo dele questionar, virou-se rapidamente e entrou na floricultura, passou por Norma e pediu para fechar o alçapão, depois que ela passasse. Subiu a escada de caracol e passou, entrando em sua casa, fechou o alçapão e ouviu o barulho da tranca.
Aproveitou o sentimento de fúria que sentia e foi para seu ateliê, onde já tinha uma tela preparada. Misturou na tela, horizontalmente, camadas de faixas com as cores: vermelho, amarelo, azul escuto e preto. Quando terminou suas pinceladas fortes, viu que havia pintado um nascer da lua de sangue, nascendo sobre o mar azul-escuro, com um céu azul turqueza. A lua parecia estar com raiva e seu reflexo no mar, era uma mistura de luz e sangue.
Não compreendia aquele sentimento de raiva contida dentro de si, pois já tinha chorado pelo que aquele empresário safado fez a ela, mas a atitude dele, dificultou a ela, culpá-lo pelo que aconteceu.
— Aquele idiota não me deixou nem culpá-lo pelo meu descontrole. Por que eu tinha que ceder a ele?
Pegou outra tela, preparou e nessa, ela pintou uma janela, onde do outro lado podia-se ver o dia cinzento e a chuva caindo e escorrendo pela vidraça. Isso exige mais concentração, para pintar corretamente os pingos d'água escorrendo. Era necessário uma técnica de iluminação e levou o resto do dia pintando.
Só se deu conta que o dia se foi, quando sentiu seu estômago roncando e encerrou por ali. Desceu para seu apartamento, entrou e comeu biscoitos amanteigados, tapeando a fome enquanto preparava o jantar.
Ouviu o som do alçapão abrindo e a voz de Norma, chamando:
— Klari!
— Oi, estou aqui.
— Aqui estão as flores, mas quero saber tudo sobre aquele pecado de homem.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Elis Alves
Só pq ele trouxe flores e disse que queria conquistá-la. Deveria ter ido a polícia denunciar ele, isso sim. Isso não foi um ato de amor, mas um crime
2024-12-17
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Maria Helena Macedo e Silva
ambos deslizaram, pois depende de ambos permitirem, apesar dele a ter embriagado mas parece que se ela tivesse desmaiado ele não usaria seu corpo🤔
2024-09-19
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Maria Helena Macedo e Silva
quando se tem amiga que estar em qualquer situação e momento ajudando a segurar o dessabores e as glórias. faz tudo valer a pena.
2024-09-19
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