Klarice acordou no dia seguinte, com muita fome e sem lembrar de como chegou a sua cama. Levantou-se, foi ao banheiro e tomou um banho, deixando a água morna cair sobre a sua cabeça e restaurar sua disposição. Escovou os dentes, enrolada na toalha e se vestiu.
Chegando na cozinha, ligou a cafeteira e consultou a geladeira, abrindo a boca de espanto, ao ver tanta comida. Olhou as embalagens e mesmo sem saber de onde vieram, agradeceu, escolheu algumas e aqueceu no microondas.
— Hunmmm, que delícia! Nada como um bom café e comida boa, para começar um dia feliz.
Sendo seu grande dia, ela resolveu descansar bastante, para estar bem a noite e atender bem seus clientes. Seriam horas em pé e se não descansasse, não aguentaria. Pelo menos não precisaria se preocupar em fazer comida.
Sentou-se em frente ao computador e abriu sua conta de investimentos. Seu saldo era bom, mas ainda faltava uma boa quantia para quitar a dívida da empresa. Pesquisou também os dados da empresa e percebeu que a produção havia caído e enviou um e-mail para o gerente geral:
" Caro gerente Maxwell,
Verifiquei que a produção caiu, estou trabalhando em prol de pagar as dívidas, mas se o faturamento cair, os responsáveis serão demitidos.
Avise os funcionários de que darei um bônus a todos, se trabalharem com afinco e superarem as vendas do ano passado.
Grata,
Klarice Jonathan . "
Eles só veriam no dia seguinte, mas entenderiam que não dava para desistir antes do prazo. Desligou o computador e subiu para o terraço, deitou em seu sofá almofadado, pegando sol. O dia estava ameno e uma brisa suave chegava nela. Ela começou a pensar sobre a empresa e em tudo o que aconteceu.
Seu pai foi atacado de forma implacável. Ele devia ter aborrecido alguém importante, que se vingou. Comprou seus clientes, que cancelaram seus pedidos e todo o estoque ficou no depósito, estocado. Quando os sócios souberam, venderam suas ações e elas baixaram muito seu valor.
Jonathan pediu empréstimos e não conseguiu pagar e essas dívidas foram compradas e era justamente essa dívida, que ela tinha que quitar. Quando foi acionada pelo advogado, foi inteirada da situação da empresa e precisou assumir. Tinha excelentes contatos e o material que a empresa produzia, atendia aos hotéis da região, que foram os que a boicotaram, então, ela buscou clientes de fora.
Conseguiu vender o estoque e firmar parcerias com contratos de um ano, isso estabeleceria a empresa e pagaria aos funcionários. Sobrou a dívida e dali a alguns dias, quitaria-a e se livraria daquele peso.
Lembrou por quê se afastou de seu pai, quando atingiu a maioridade. Ele era um homem desrespeitoso e a humilhava constantemente por ter nascido mulher. Sua mãe faleceu quando ela tinha 14 anos, de câncer e ela precisou suportar o mau humor do pai, sozinha. Era um homem imoral e sem caráter, levando mulheres para casa, que a tratavam como empregada.
— Ei, flor do dia, vim ver como você está? — perguntou Norma, entrando pela escada da loja.
— Oi, amiga. Estou descansando, obrigada pela comida, fez a diferença.
— Que comida? — perguntou, sentando-se em uma poltrona.
— Que estranho — sentou-se — eu vim para casa e estacionei, mas não lembro de mais nada, acordei na minha cama e encontrei comida na geladeira.
— Será que você é sonâmbula? Vai ver você estava tão cansada que fez as coisas sem perceber.
— Não sei, mas tem muita comida, quer almoçar comigo? É de restaurante caro.
— Comida requentada de restaurante, é comigo mesma.
*
Marconi acordou ansioso, queria saber como Klari estava, mas não podia dar mancada. No dia anterior, quando saíram, Romão foi fazer uma cópia da chave e voltou colocando a chave dela por dentro da porta, saindo e trancando-a novamente. Agora, ele tinha uma cópia da chave da casa dela, o que era uma grande tentação.
Não podia dar mancada e achou melhor desestressar. Foi para sua academia particular e começou com uma corrida, depois foi para a bicicleta e por fim para a piscina. Sua cobertura tinha 600 metros quadrados e uma piscina especial para a prática de natação, com 15 metros de comprimento por dois de largura. Era um espaço muito bom para quem quisesse manter a forma.
Depois do almoço, seu barbeiro veio aparar seu cabelo e barba e ele sentiu-se limpo e elegante. Mais tarde, vestiu o terno que mandou fazer sob medida, azul com blusa preta, calçou sapatos Phil, pretos, com diamantes incrustados nas pontas. Estava elegante e sentiu-se irresistível.
Ainda sem convite, chegou com Romão, apresentou-se na recepção e depois de identificado, reclamou que não recebeu o convite e a curadora, também agente de Klarice, foi chamada. Informada sobre a reclamação, ela sorriu e cumprimentou Marconi, depois de o apreciar de cima a baixo, se demorando um pouco não sapato.
— É um prazer tê-lo aqui, senhor Gregorius. Vamos entrar? Lhe mostrarei pessoalmente nossa exposição.
— Obrigado, me chame Marconi.
— Meu nome é Carmem. Posso? — perguntou, se referindo a passar o braço pelo dele, que concordou.
— Pode me explicar a falta do convite? Não gosto de ter que esperar na porta.
— Nossos convites são especiais e entregues em mãos, eu mesma verifico se todos foram entregues e essa vernissage foi muito aguardada, seus convites são disputadíssimos, e tenho certeza de que todos foram entregues.
— Então, alguém recebeu e com certeza, utilizará para entrar.
— O que quer que eu faça?
— Apenas me mostre quem são, eu mesmo tratarei deles, sem escândalos para seu evento.
— Você é um verdadeiro cavalheiro e muito elegante, devo dizer.
Ele notou que a mulher estava flertando abertamente com ele. Reparou que apesar de muito magra, era muito elegante e não dava para precisar sua idade, devia ter entre 30 e 40 anos. Sua voz era sedosa, suave e mostrava total controle sobre o que queria falar. Só que não lhe interessava, queria mesmo, era encontrar Klari.
— Vou lhe mostrar a exposição, na sequência de evolução que a artista colocou e depois você poderá dedicar-se a apreciação mais demorada, das que mais gostou.
— Na verdade, eu gostaria de comprar todas. É possível?
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves
o ego dele tá lá em cima hein kkk acredito que a clari não vai gostar nada nada de saber que ele tem uma cópia da chave da casa dela isso vai dar ruim kkkkkkkkkkkkk ansiosa para ver o desenrolar dessa história kkkk
2025-02-21
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Elis Alves
Seu pai era um paspalho
2024-12-17
0
Maria Helena Macedo e Silva
tem gente que sai sa pobreza mas a pobreza não sai deles🤦🙄
2024-09-19
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