Klarice acordou, mas não abriu os olhos, sentia-se cansada e com a cabeça pesada. Lembrou que a vernissage foi um sucesso, mas na hora de vir embora, sentiu-se estranha. Abriu os olhos e as lembranças chegaram rápidas e lhe deram um tapa na cara.
Sentou-se rápido demais e caiu pra trás, ficou com medo de olhar para o lado e em volta.
— Ai, meu Deus, que vergonha …
Esticou o braço para checar se havia alguém ao seu lado. Estava só, suspirou aliviada e sentou-se devagar, dessa vez.
— Ele já foi ou será que foi um sonho? Só pode ser, eu não teria coragem de fazer tudo aquilo
Foi ao banheiro, aliviou-se, tomou um banho decente para limpar toda a imagem que insistia em permanecer em sua mente, como se isso fosse possível. Terminou seu banho e secou-se ainda no banheiro e surpreendeu-se ao encontrar no cesto de roupas sujas, uma sunga e um par de meias, molhados.
— Óh, não foi sonho, ele esteve aqui e eu… eu … — cobriu o rosto com as mãos — eu fiz aquilo com ele, ai que vergonha —, preciso esquecer aquela cena, não é certo pensar nisso.
Ela saiu para a cozinha, levando o cesto de roupa suja Colocou tudo na máquina de lavar, ligou e foi para a cozinha preparar o seu desjejum.
Enquanto comia, lembrou e analisou o que aconteceu no dia anterior: Gregorius contou sobre ela ter sido drogada e pelos sintomas, devia ser a droga do estupro. Pegou seu celular, ligaria para ele e confirmaria a procedência de sua afirmação, podia ter sido ele mesmo.
Foi em direção a sala, sentou-se e abriu o celular. Verificou as notificações e viu um vídeo enviado por Romão. Abriu a imagem e o vídeo mostrava Clive despejando algo em sua taça com água.
— Aquele…! O que ele pretendia fazer comigo? Se Gregorius não me trouxesse, será que Clive se aproveitaria de mim? Lembro-me de ter ouvido Greg se esquivar de mim, dizendo que eu me arrependeria. Mesmo assim, me deu prazer sem se aproveitar.
Subiu para o terraço, cheia de sentimentos conflitantes e foi pintar. Dali a quatro dias, pagaria sua dívida e se livraria daquele homem no seu pé. Só devia ser por isso que ele está sempre por perto. Deve estar vigiando meus negócios, para ver se faturaria o suficiente para pagá-lo, pensava.
— Não, não é possível, ele não sabe que sou eu, a herdeira.
Pegou uma tela, preparou e separou a paleta de cores, misturando e pensando, hora no que aconteceu nos últimos dias e nas dúvidas que tinha quanto ao seu comportamento, hora na ajuda dele e no pedido de perdão. Foi pincelando a tela, sem prestar atenção e acabou refletindo suas dúvidas na pintura.
Quando ela parou, o que viu foi impressionante. Era uma mistura de cores e no centro, em cor escura, a silhueta de uma pessoa, que se estendia e misturava com as cores, mesclando com tudo. Ficou impressionante, expressando muito bem o que estava pensando e sentindo.
— Ai, esse homem está me deixando uma bagunça!
*
Marconi chegou no escritório pensando em Klari:
" Será que ela acordou bem? Será que vai acreditar que eu não me aproveitei dela? Queria estar lá agora, ajudar com o café da manhã e contar o que aconteceu. "
— Senhor, eles já chegaram.
— Mande entrar.
Os dois entraram e cumprimentaram o patrão, envergonhados.
— Bom dia, patrão, me perdoe pelo meu erro, pensei que o senhor não usaria o convite e seria um desperdício ir para o lixo.
— Não tente justificar seu erro. Você roubou algo que não lhe pertencia, por uma suposição. Pois bem, está demitida.
— Por favor, senhor, me rebaixe, mas não me demita.
Marconi fez um gesto e Romão a retirou dali, recolheu seu cartão de entrada e enviou-a para o RH.
— Agora nós, Denis. Por quê?
— Eu recebi o convite de Melissa. Estamos saindo e contei a ela que gosto muito das pinturas da Klari Jonhs. Então ela me disse que tinha um convite, que chegou para o senhor, mas que o senhor tinha recusado, então fomos.
— Por que você não pensou em me perguntar se podia usar meu convite, ao invés de se passar por mim?
— Desculpe, Marc, não foi por querer.
— Você não tem direito de me chamar por um apelido e não quero pessoas sem caráter, trabalhando para mim, então, você também está demitido e só não fiz isso ontem, para não envergonhar o evento.
— Não foi nada demais, tanta gente faz isso…
— Você pensa que é só pegar o convite de alguém e pronto? Isso é crime. Vá embora, antes que eu de parte de você a polícia.
Ele saiu e Romão entrou, com a testa franzida, preocupado.
— O que é, agora, Romão?
— E o senhor Clive, fará algo com ele?
— Esse, terá um tratamento especial. Verifique como andam as finanças dele, vamos lhe dar um susto.
— Sim, senhor.
— Mais uma coisa, descobriu alguma coisa da herdeira do Jonathan? E a fábrica, como está?
— Não descobri nada sobre a herdeira, mas a fábrica está se recuperando. Parece que a herdeira injetou ânimo nos funcionários.
— Essa mulher parece ter a mesma garra que o pai e deve ser ruim igual ele. Não vou poupá-la, cobrarei até o último centavo, com juros e correções. Não importa se o pai morreu, a filha vai pagar no lugar dele.
— E quanto a senhorita Klari, qual o próximo passo?
Marconi olhou para seu assistente, querendo saber qual o interesse dele nesse assunto. Seu ciúme começou a corroê-lo por dentro e a raiva aflorou:
— Não interessa o que vou fazer com ela, só que você não deve pensar nela, de forma alguma. Agora, vá fazer o que mandei.
Romão saiu sério, mas assim que fechou a porta, deu uma risada, seu chefe estava apaixonado.
Marconi pegou o celular e ligou para Klari, mas precisou insistir e ela só atendeu na terceira ligação.
— " O que você quer, não bastou a interação de ontem? "
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Elis Alves
Seria estuprada uma segunda fez né? 🙄
2024-12-17
0
Elis Alves
Então ela sabe quem ele é?? 🤔🤡
2024-12-17
0
Elis Alves
Não, sua tola.
Ele fez isso só pra montar uma experiência, é para o TCC dele 🙄🙄🙄
2024-12-17
1