" Serei sua sombra, Klari."
Marconi acreditava em seu poder de conquista e entusiasmado, se arrumou com perfeição para atacar e conquistar. Qual a mulher que não gostaria de um homem bem vestido, tratado e perfumado. Sua aura de poder e riqueza, era proposital, para dominar as mulheres e por sua experiência, nenhuma resistiu, até o momento.
Ele esperou receber um convite, perguntou ao Romão, mas ele também não o recebeu, mas confirmou com o ateliê e o nome do empresário estava na lista.
Nos dias anteriores ao vernissage, Klarice trabalhou muito, até emagreceu, para cumprir o prazo de entrega das obras. Tinha que terminar os quadros com tempo de secagem e de serem transportados e pendurados nos locais destinados à galeria de arte.
Ela estava cansada, mas ainda pintou um painel de três metros de comprimento por dois de largura,para colocar na divisória que sua agente colocaria no centro do salão. Todos os quadros, com suas pinturas abstratas, contavam uma história. Era a vida de Klarice e suas emoções em cada fase vivida.
O painel ainda não estava seco, quando foi transportado,por isso precisou de muito cuidado, para que ninguém tocasse ou esbarrasse em algo. Ela acompanhou tudo de perto e quando a galeria ficou pronta, todos que viram, ficaram emocionados, alguns, até choraram.
— Você se superou nessa mostra, não ficará com nenhum? — comentou a agente, Carmem.
— Não, fotografei toda a coleção e isso me basta.
— Pode imprimir e emoldurar, depois.
— É uma ideia. Mas, agora, tudo que eu quero é descansar, ou não vou conseguir estar aqui amanhã.
— Você merece, e esse painel, ficou incrível. Vamos conseguir o valor que precisa, fique certa.
Klarice sorriu, embora não fosse ficar com um centavo arrecadado com a venda, ficaria feliz em manter a empresa e os funcionários. Deixou a galeria e seguiu para casa em seu utilitário. Não percebeu Marconi sentado em um carro diplomata, observando-a. Sentado no banco de trás, comentou com Romão, que estava ao volante.
— Ela parece ter emagrecido, está muito magra.
— Sim, artistas inspirados, não largam sua obra até terminar e esquecem de comer.
— Siga-a, vamos ver se vai para casa, vou enviar-lhe uma refeição.
Klarice não foi direto para casa,passou no escritório de Antonia, que lhe pediu que fosse vê-la. Entrou e recebeu um sorriso e uma pergunta:
— Como você está?
— Bem, ele me encontrou e levou um enorme buquê de rosas, ajoelhou e pediu desculpas.
— Que romântico, e você, perdoou.
— Dei-lhe um passa fora e ele sumiu.
— Se bem conheço esses empresários ricos, ele não desistiu.
— Não quero pensar nisso agora, estou exausta. Vim da galeria, acabamos de arrumar a exposição.
— Deve estar incrível, amanhã estarei lá.
— Mas por quê me chamou?
Antonia pegou o cartão black que Marconi deixou com ela e estendeu a Klari, que pegou sem entender.
— Tem um milhão, foi o Sr. Gregorius que pediu para te entregar, como compensação.
— Aquele imbecil, me transformou em uma prostituta, mas tudo bem, Antônia, eu devolvo a ele na hora certa.
Antonia sorriu imaginando a cena e a surpresa que o outro teria.
— Vai nessa menina, você é das minhas. Vê se come, emagreceu muito, novamente.
Klarice abraçou Antonia, pois a tinha como uma prima querida e se foi. Guardou o cartão na bolsa e sua expressão facial, quando saiu, era de raiva e não passou despercebida por Marconi.
— Ela parece estar com raiva…
— Sim, senhor.
— Será que é por causa do cartão?
— Que cartão?
— O black, dei para a empresária entregar a ela, como compensação.
Romão bateu na testa, impressionado com a falta de tato do patrão.
— Se foi isso, é claro que ela está com raiva, o senhor sugeriu que ela é uma prostituta. Ela não me parece esse tipo de garota, senhor.
Marconi se sentiu um sem noção, não lhe ocorreu que ela pudesse se sentir usada, era apenas um presente. Costumava fazer isso com as mulheres com quem dormia e elas adoravam. Mas Klari era diferente, não só não era mais uma, como não era uma interesseira. Notava-se pela exposição de seu trabalho.
Ela entrou em seu carro, chingando Marconi por tudo que era nome ofensivo que lembrava, até que se acalmou e ligou o carro, seguindo para sua casa. Precisava descansar, ou não aguentaria ficar de pé. Ao chegar, estacionou o carro no estacionamento em frente da loja, do outro lado da calçada.
Marconi, parado a uma certa distância, já tinha ligado para um restaurante e pedido uma refeição, ficou esperando ela descer do carro e ir para casa,mas o tempo passou e ela não desceu.
— Por quê ela não desce?
— Vai ver desmaiou de cansaço. — sugeriu Romão.
— Vou até lá…
Marconi desceu do carro e foi até onde ela havia estacionado. Olhou pela janela e Romão estava certo, ela apagou. Ele bateu na janela e ela não despertou, então, tentou abrir a porta, ela abriu e klari quase caiu, mas ele a segurou, pegou-a no colo e chamou Romão para fechar o carro e procurar a chave da casa dela.
— Vamos, deve ser a porta ao lado da floricultura.
Romão correu e experimentou as chaves do chaveiro e conseguiu abrir. Marconi a levou escada acima e colocou-a deitada no sofá. Chamou-a e tocou seu ombro, balançando um pouco, para acordá-la.
— Klari, Klari, acorde, você está em casa, acorde.
Ela gemeu e se mexeu, mas não acordou. Ele percorreu a casa, encontrou o quarto e a pegou novamente, pousando-a na cama. Tirou suas sapatilhas, admirando seus pés pequenos, com o formato dos dedos em escadinha, perfeitos e com unhas quadradas, pintadas de cor de rosa.
Lembrou daqueles pés em uma sandália dourada, linda e desejou tê-la de novo. Controlou-se e a cobriu, vendo ela se virar de lado e se ajeitar, abraçando o travesseiro. Quis ser o travesseiro, mas foi embora. O restaurante entregou a comida e Romão tomou a liberdade de guardá-la na geladeira.
— Pronto, vamos embora, ela não precisa saber que estivemos aqui.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Dalcira Oliveira Gomes Gomes
O problema dos homens é achar que todas as mulheres são iguais.
2025-03-02
2
Elis Alves
Claro que gostavam. Estavam transando consciente e queriam dinheiro por isso, nada contra, elas estão certas em pedir compensação por um traste que não sabe nem se a mulher era virgem ou não
2024-12-17
1
Maria Helena Macedo e Silva
pra tudo tem uma primeira vez...
2024-09-19
2