Klarice foi para o endereço que Antônia lhe passou e encontrou o advogado cinquentão, esperando-a.
Marconi não conseguiu encontrá-la, viu o carro dela parado, ainda no estacionamento e resolveu esperar, uma hora ela teria que voltar. Não se arrependia de ter permanecido no escritório, pois deu uns bons socos na cara do pervertido.
Klarice imaginou que ele fosse ficar esperando no carro dela. Então, depois de terminar sua reunião com o novo advogado, foi para sua casa de táxi. Norma estava esperando, ansiosa e assim que ela entrou na loja, logo perguntou:
— Menina, estava preocupada. Como foi, ele a encontrou?
— São tantas coisas, Norma. Suba comigo e vou lhe contar.
Norma deixou as duas auxiliares cuidando da loja e subiu com Clarice pela escada interna Clarice levou-a para a cozinha e preparou uma refeição rápida para elas. Havia passado a hora do almoço e estava faminta:
— Conseguiu almoçar, Norma?
— Não, estava muito ansiosa, preocupada com você.
— Farei dois bifes, então.
Ela terminou o almoço e as duas comeram, caladas, depois pegou um pote de doce de leite, botou um bocado em duas tigelas e um pedaço de queijo branco. Deu uma para Norma e pegando a outra, foram para a sala, para conversarem comendo a sobremesa.
— Pronto, agora me conte que correria foi esta?
— Clive, meu amigo e advogado, fez uma pegadinha comigo ontem.
Klarice contou a amiga, tudo que viveu no dia anterior, inclusive a ação de Marconi para ajudá-la e sua vergonha. Depois contou como ela pegou os documentos com Clive e o dispensou, com a presença de Marconi, que a seguiu até o escritório.
— Não o impedi, achei que a presença dele, impediria Clive de me atacar de alguma forma. Mas depois, eu peguei um táxi e fui para outro escritório, onde contratei um advogado excelente. Assim que ele botou os olhos nos papéis, constatou várias coisas indevidas.
— Nossa, tanta coisa acontecendo com você! Será que Clive estava querendo te roubar, ou foi só incompetência mesmo?
— As duas coisas, ele fez um documento, usando a procuração que lhe dei, para transferir metade das minhas ações para ele, sorte foi que ele ainda não tinha registrado o documento. Também pretendia se unir a outros acionistas para pegar a direção da empresa.
— Uau! E se dizia seu amigo, quantas vezes nós jantamos juntos, aqui mesmo nessa sala e ele parecia tão atencioso com você. Estou passada.
— Pra você ver, quando eu iria imaginar que ele tinha pretensões escusas a meu respeito?
— E quanto ao Marconi? Ele tem se saído bem em cuidar de você.
— E com isso você pretende me dizer o quê?
— Que você poderia dar uma oportunidade para ele, pelo menos para ouvi-lo.
Klarice não queria pensar em Marconi, no momento, pois se lembraria de tudo que passou intimamente com ele. Ela precisava focar no embate que teriam na sexta-feira, disto dependerá a sua vida futura e a da empresa. Tentou explicar para a Norma:
— Não quero ter contato com ele até a reunião em que pagarei a dívida de meu pai, na sexta-feira. Não quero que ele saiba que está movendo céus e terras contra mim, agora que meu pai morreu.
— Senti um cheiro de vingança no ar.
— Não posso negar que estou com raiva dele, porque foi ele que provocou a falência de meu pai. Clive havia descoberto tudo e não me contou nada, fiquei sabendo através do advogado, hoje.
Norma não sabia o que dizer para a amiga, toda aquela situação demonstrava que Marconi tinha algo muito sério contra o pai de Clarice ou que ele era um empresário frio e calculista, que passava por cima de outros empresários, sem se preocupar em quem estava pisando, para obter o que queria.
— Sempre soube que você é uma mulher muito forte, mas realmente, não sei o que te move.
— O que me move é o senso de justiça, mesmo meu pai merecendo tudo o que foi feito contra ele, pelo mau caráter que era, os funcionários e a empresa não merecem sofrer.
— Você não consegue perdoar seu pai, por quê?
Klarice olhou para a amiga e seus olhos ficaram vermelhos, não gostava de lembrar e sequer comentar, o que seu pai fez com ela. Ele não abusou dela sexualmente, como alguns pais fazem, mas a explorou para conseguir fechar suas parcerias, inclusive a vendeu em um leilão, enquanto a levava pela mão , com um vestido transparente, pelo salão de festas particular. Mas ela descobriu e chamou a polícia.
Lembrou da vergonha que passou, quando a polícia chegou e ao invés de prendê-lo e aos homens que estavam participando, eles sorriram e receberam a propina grande, que todos deram, para que eles se calassem. Foi neste dia que ela fugiu.
— Desculpe, mas não é algo que queira ressuscitar. O importante é que consegui me livrar dele, pelo menos, até agora.
— Desculpa, não quis ser invasiva, sei que você não gosta de tocar neste assunto. Não está mais aqui quem falou, Que tal darmos uma volta no próximo final de semana, depois que você tiver resolvido tudo?
— Acho ótimo, podemos dar um passeio na praia ou ir ao cinema.
— Ar livre ou esconderijo secreto, eis a questão.
— Por quê esconderijo secreto?
— Porque estaremos confinadas, no escuro e ninguém poderá nos ver.
Klarice deu gargalhada. Sabia que podia contar com sua amiga para a entreter. Queria esquecer de tudo que aconteceu nos últimos dias e voltar a sua vida normal, de antes de seu pai se suicidar. Gostava de sua vida simples, mas apesar de ter uma vida estável, teve que lutar para conquistá-la e isso lhe dava prazer.
Agora, no meio de seu paraíso particular, surgiu uma serpente e ela não queria só o fruto de seu trabalho, queria mordê-la também.
— Espero que minha vida volte ao normal, depois que tudo isso passar. — disse para a amiga.
— Vai conseguir esquecer o bonitão das flores?
Neste momento, a campainha tocou.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Elis Alves
No meu vocabulário isso seria no mínimo uma tentativa de estupro, um crime dopar alguém pra se aproveitar dela, mas...
2024-12-18
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Elis Alves
Menina, eu se fosse vc, vendia a empresa salvaguardando todos os funcionários e iria embora daí. Jesus, muito azar pra uma moça só. Se livrou de ser vendida, mas foi estuprada pelo inimigo do pai e por causa desse genitor de 💩 e quase foi envolvida pelo advogado ladrão, coitada.
2024-12-18
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Elis Alves
E vc ainda chama essa porcaria de brincalhão? Pq um cara que faz uma "pegadinha" é um cara brincalhão né? Ele é um estelionatário, aproveitador, abusador e possivelmente um estuprador. E talvez não vá parar por aí
2024-12-18
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