Miguel Navarro

Eu olho para o copo vazio em minha mão, lembrando da conversa que tive com Bianca, tão jovem e que já passou por tanta coisa.

Dois malditos anos que ela se foi, as lembranças daquele dia estão vivas na minha mente.

— Cara, você está horrível. Dominic fala sentado ao meu lado.

— Não me diga. respondo levando o copo à boca.

— O que aconteceu? Se me lembro bem, a última vez que te vi na fossa foi quando descobriu a doença da Cecília?

— Fecho os olhos com força, para afastar essas lembranças.

Não estou na fossa, só preciso esquecer os problemas. respondo sério.

— Ok, então, qual o problema que te trouxe para um bar no meio da noite? Dominic pergunta.

— Respiro, viro a bebida de uma vez para ter coragem de falar.

A Bianca saiu do apartamento que aluguei pra ela, pior, ela disse que estava apaixonada por mim. Desabafo sentindo um misto de emoções, uma guerra dentro da minha cabeça, um conflito entre o passado e o presente.

— Esse é o motivo de estar aqui enchendo a cara! Dominic debocha.

— Sim. respondo.

Não tenho intenção de ter nenhum tipo de relacionamento, sempre fui claro com ela.

Bianca sabia que não podia haver sentimentos entre nós, que o que tínhamos era apenas desejo, tesão, química, nada mais.

Ela confundiu as coisas, errei em ter levado ela para festa de aniversário da minha mãe, não sei onde estava com a cabeça quando tive essa merda de ideia.

O pior é que tanto minha mãe quanto a Virgínia gostaram da Bianca. Falo sem olhar para o meu amigo.

— Entendo, se você deixou claro para Bianca que não existiria sentimentos envolvidos, por que está aqui com essa cara? Não me diga que está comemorando que ela saiu da sua vida, porque se essa é sua cara de felicidade, meu amigo precisa melhorar, tá péssimo.

— Não fode, Dominic, sabe bem que não estou bem.

Me sinto mal, não queria que acabasse, não suporto a ideia de não vê-la chegar em casa e não a encontrar.

Mas que porra, falo nervoso, não posso dar a ela o que quer, não tem lugar para ela no meu coração.

— Será! Se te conheço bem, esse mau humor não é porque , não pode dar o que Bianca quer Bianca quer, mas sim, por não aceitar que está apaixonado por outra mulher que não seja a Cecília.

— Levanto da banqueta rápido, não dou tempo para Dominic reagir, agarro ele pelo colarinho da camisa. Chega, caralho, não é porque somos amigos que vai falar merda, só amei e amo uma única mulher e ela está morta. Grito na cara dele para que entenda. Não me faça esquecer que somos amigos e quebre sua cara aqui. Falo com raiva.

— Faça isso, se assim aliviará sua dor eu deixo, se isso fizer você acreditar que não sente nada pela Bianca, que tudo que fez por ela foi por pena.

Vamos Miguel, reaja, me soque, descarregue essa merda. Você não é mais o mesmo desde que conheceu Bianca, frequentou um clube de sexo, pagou para transar com uma puta.

Pagou para que ela fosse só sua, destruiu o clube em que ela trabalhava, depois de descobrir que ela foi abusada e entregue como pagamento de dívida e obrigada a se prostituir para proteger a irmã.

Está aí sofrendo porque ela foi embora por não aceitar ser seu segredo, por querer um relacionamento, por confessar que se apaixonou por você. O que mais quer que eu diga, Miguel?

Seja homem, aceite que também gosta da Bianca, que tudo que fez por ela foi porque está apaixonado. Aceite, meu amigo, que você está vivo, que merece ser feliz.

— Solto meu amigo, cambaleando para trás, devido ao efeito de suas palavras. Passo a mão bagunçando meu cabelo, lembro de tudo que aconteceu desde o dia que a vi dentro do elevador até o dia que a encontrei no clube, a raiva de saber que ela estava com outro. Não posso aceitar que ela se vá, Bianca é minha, ela trouxe luz à minha vida, me tirou da escuridão que vivia desde a morte da Cecília.

Você está certo, sou covarde demais para assumir que me apaixonei por Bianca quando a vi. Não consigo imaginar minha vida sem ela. Essa semana sem ela foi um inferno, Bianca é como um calmante, me viciei nela, no cheiro, no calor do seu corpo, em tudo nela. Desabafo, me sentindo um merda.

Dominic me encara, vejo ele sorrir de lado, esse filho da puta está achando graça da minha confissão.

— E mesmo um bundão, pelo menos assumiu que gosta da morena. Ouso falar rindo.

Parado em frente ao trabalho dela, observo ela chegar, de uniforme azul composto por uma blusa branca, um blazer azul e uma saia da mesma cor que o blazer. Linda como sempre.

Sinto o celular vibrar no bolso da calça, pego para atender. Oi, mana. Atendo minha irmã.

— Oi, mana, Miguel, onde você estar, temos uma emergência, preciso de você agora, venha para o hospital agora. Ouso falar nervosa.

Ligo o carro e deixo o local onde vigiava minha morena.

— O que aconteceu? Pergunto entrando na sala da minha irmã.

— Recebi uma mensagem me avisando que estão tramando tirar você da presidência do hospital. Virginia fala.

— Acalme-se. Falo sentando junto com ela no sofá.

— Me acalmar! Miguel, esses malditos velhos querem você fora do hospital, para perder mandar e desmandar como antes. E o pior, sabe quem é o cabeça da trama?

— Sim, eu sei. Respondo convicto da sua pergunta.

— Nosso pai, Miguel... ele quer tirar você do comando do hospital para que...

— Para ele continuar como presidente. Completo sua frase.

— Mais que merda, como pode, ele é seu pai, deveria te apoiar, ajudar a colocar essas pessoas no devido lugar delas.

— Calma, Virginia, tenho tudo sob controle, deixe que eles façam o que planejam, assim saberemos quem é quem.

Quanto ao nosso pai, sabemos que nunca aceitou que eu fosse o presidente do grupo Navarro. Não estou surpreso quanto a isso, mas também não deixarei que saia ileso dessa armação. Farei com que pague o preço por sua escolha. Sinto pela nossa mãe, ela não merecia um marido como ele.

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