Que legal, Bia, é lindo aqui! Mara diz andando pela casa.
— Depois da festa da mãe do Miguel, ele viajou e não deu mais notícias. Também não liguei ou mandei mensagem, e há dois dias saí pra andar pelo bairro vi um anúncio numa clínica de estética que precisava de recepcionista. Fiz um currículo e deixei na recepção, então me ligaram, fiz a entrevista e consegui o emprego.
Feliz da vida, liguei pra contar a Mara, que gritou de alegria.
Decidi sair do apartamento do Miguel, não havia necessidade de continuar lá.
Tinha que andar com as minhas próprias pernas. Não podia ficar à mercê da boa vontade do Miguel, era hora de dar um fim ao que supostamente tínhamos, ou seja, nada.
Sou grata a ele por me salvar de uma vida de prostituição, mas ali com ele continuei sendo só mais uma.
Depois de ouvir a conversa dele com a mãe no jardim, soube que, por mais que quisesse, não passaria de uma aventura para o Miguel.
Cometi o erro de me apaixonar por ele, também pudera, vivia em um mundo onde meu corpo só servia para ser usado.
Precisei fechar na minha mente a adolescente sonhadora, para virar uma mulher que sabia satisfazer um homem na cama, era apenas isso que fazia, não sentia prazer, tesão, nada.
Mas com Miguel, conheci o prazer sem dor, sem ser forçada, seus toques não me enojavam, pelo contrário, deixavam-me quente, febril por mais dele, me viciei nos seus beijos e cuidados, tornando-me dependente dele de todas as formas.
Miguel não me prometeu nada, mas me deu tudo.
Me deu a minha liberdade de volta, me ensinou a sonhar novamente, desejar um futuro, ter tudo que me foi tirado.
Meu tio está desaparecido, o advogado está tentando reaver o que meus pais deixaram, enfim, muita coisa foi perdida. A casa foi vendida.
Lembro bem o dia que ele foi no clube me obrigar a assinar o papel que o autorizava a vender o imóvel.
"O que faz aqui?" perguntei ao entrar no quarto e ver o monstro que diz ser meu tio deitado na minha cama.
"Olá, princesa," ouso falar levantando da cama e vindo ao meu encontro, sinto pavor só de vê-lo.
Não fale assim comigo ou terei que lembrar quem manda em você, ameaça puxando meu cabelo e fazendo-me olhar para ele.
— O que quer? Pergunto, engolindo o bolo que sufoca minha garganta ao sentir seu hálito nojento no meu rosto.
— Quero que assine esses papéis. Meu tio joga a pasta com papéis dentro no meu rosto.
— Pego, abro a pasta e vejo dois documentos, a escritura da casa dos meus pais, a minha casa!
Ele vai vender a casa dos meus pais.
— Não vou permitir que venda essa casa, é minha. Falo com raiva .
— Ele me joga na cama numa velocidade sobrenatural, sinto seu peso em cima de mim.
— Olha aqui, você vai assinar essa merda ou vou pegar sua irmãzinha e fazer com ela o que quiser. Usa sua ameaça.
— Ele sai de cima de mim, me entrega os papéis, pego a caneta com a mão tremulas , o peito sangrando por ter que fazer isso.
— É muito aconchegante aqui, Bia, eu amei, tem lugar para mais uma. Mara fala.
— Sou tirada das lembranças dolorosas por minha amiga. Claro que tem, sabe que pode contar comigo para tudo. Digo.
— O apartamento é pequeno, tem dois quartos não muito grandes o suficiente para caber uma cama e um guarda-roupa, um banheiro, a sala e a cozinha são estilo americana juntas.
Amei o lugar, é acima de tudo e meu.
Mara ficou comigo até a noite, depois foi embora. O Dominic ligou para ela e logo minha amiga se foi.
Fiz o jantar, depois de comer assisti a uma série, nem vi que horas que dormi. Acordei cedo para me organizar para meu primeiro dia de trabalho.
Cheguei cedo na clínica. Claudia, a uma das recepcionista, me ajudou a entender como funciona tudo. O dia foi bem agitado, mal tive tempo de comer, mas amei trabalhar aqui.
No fim do expediente, deixei tudo organizado para amanhã. A ansiedade e o nervosismo quase me dominaram. O medo de estar fazendo algo errado ou de não conseguir fazer aquilo que se espera de um bom profissional, educação e respeito pelos clientes. No entanto, estou tentando.
Cheguei em casa, tomei banho, fiz uma sopa, jantei e estudei até tarde. Olhei no relógio do celular, marcava onze e meia. Organizei meus materiais para a próxima aula, deixei tudo organizado e fui me deitar, amanhã teria mais um dia de trabalho.
Uma semana de trabalho, sorria como o coringa, de tão feliz pelos elogios dos clientes e profissionais que aqui trabalham.
Estava terminando de arrumar minhas coisas para sair quando Vânia e Luciana me convidaram para ir a um barzinho próximo da clínica, onde sempre se reúnem depois do trabalho para beber e conversar.
— Vamos, Bianca, depois te deixo na sua casa. chama Luciana, insistindo para que vá ao bar com elas.
— Obrigado, meninas, mais hoje não vai dar, quem sabe na próxima. Respondo.
Vânia insistiu um pouco mais até que desistiram, não estava no clima para bar ou festa, ainda mais com pessoas que conheço pouco.
Cheguei em casa, tomei banho, arrumei meu quarto ouvindo Bon Jovi no YouTube pelo celular, me sentia bem que por alguns tempos esqueci do Miguel.
Como um imã, ouço a campainha tocar e sinto frio percorrer todo meu corpo. Penso em não abrir, fingir que não tem ninguém, mas não adianta, dá para ouvir o som lá fora.
Respiro várias vezes em busca de acalmar meu coração. Como um imã do outro lado da porta, vejo o rosto do Miguel encarando a porta impaciente, conheço pelas vincos na sua testa.
Abro a porta, fico de frente para o homem que domina meus pensamentos.
— Oi! Falo olhando pra ele ,seu cheiro e presença invadem todo ambiente.
— Oi! responde me encarando com aqueles olhos verdes, como uma floresta, tamanha sua beleza e mistério.
— O que faz aqui? Pergunto.
— Não vai me convidar para entrar? ele pergunta
— Dou um passo para o lado, dando passagem para Miguel entrar, fecho a porta assim que ele entra e viro, ficamos de frente um para o outro.
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Atualizado até capítulo 56
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