Filho, que bom ver você, estava com saudades do meu menino.
Abraço a minha mãe e sinto todo o seu amor.
Sou arrastado por dona Fernanda pela casa, na sala encontro a minha irmã Virgínia e o meu sobrinho Samuel e Sabrina, os gêmeos dela.
Miguel! Maninho, quanto tempo, saudades de você, meu chato, é bom revê-lo.
Por Deus, gente, não faz tanto tempo que nos vimos, parece que não me veem há anos, quando há poucas horas falei com vocês.
Filho, não imagino como estou feliz com o seu retorno, mais ainda por saber que vai assumir o seu lugar no hospital.
O sorriso estampado no rosto da minha mãe não tem preço. Passei o dia com a minha família, conversei sobre o hospital, perguntei como estão as coisas por lá.
No momento, quem administra é meu pai, porém é herança da minha mãe, meu avô após a sua morte deixou em testamento que a empresa da família fosse administrada pelo seu primeiro neto, no caso eu.
O dia foi agradável, estar ali com os meus familiares fez-me ver o quanto senti falta desses momentos, conversas, brincadeiras, lembranças de quando era criança.
Depois do jantar, fiquei mais um tempo. Às oito horas da noite, despedi-me de todos e dirigi-me para meu apartamento. Amanhã começaria uma nova etapa na minha vida, tenho que acordar cedo para ir ao hospital e ficar a par de como funciona.
Bom dia! Em que posso ajudar? - pergunta a recepcionista, olhando para mim.
Acordei cedo, fiz a minha corrida matinal para aliviar a tensão que me espera nessa nova jornada. Fiquei até tarde na casa dos meus pais ontem e não vi o meu pai, soube que teve um imprevisto no hospital. Pela cara que dona Fernanda Navarro fez, não parecia surpresa com a falta do marido na reunião familiar.
Bom dia! Sou Miguel Navarro. Apresento-me à mulher diante de mim e, ao escutar meu sobrenome, abre um sorriso enorme.
Seja bem-vindo, senhor Navarro. A doutora Virgínia pediu que fosse ao consultório dela, deseja falar com o senhor!
Caminho pelos corredores do hospital, espero o elevador. As portas de metal se abrem, entro e aperto o andar. No fundo do elevador, vejo uma linda morena, seu olhar parece distante, o perfume invade minhas narinas, me causando um estado hipnótico. Não consigo parar de olhar para ela, no momento que vejo o seu rosto, tudo ao meu redor para, tamanha a beleza dessa mulher. O elevador para de funcionar, seguro na barra de ferro pelo impacto da parada repentina e aperto o botão de emergência.
Mais que merda! Calma moça, logo virão resolver o problema - falo, olhando para a mulher à minha frente. Os seus olhos estão arregalados, a sua respiração pesada, seu rosto antes corado, agora pálido. Olho para suas mãos, ela está segurando com força o metal. Aproximo-me dela e tento distraí-la para não piorar seu estado, sento no chão e a trago para o meu colo.
Calma moça, logo vamos sair daqui.
Não gosto de ficar presa, tira-me daqui - escuto sua voz fraca, seu corpo tremendo. Vejo puxar o ar com dificuldade, pego a sua mão gelada, seu jeito frágil me encanta.
Calma, não está sozinha, estamos juntos aqui, olhe para mim. falo olhando para seus olhos, se concentrar na minha voz. Ajudo-a a controlar a sua respiração, ficamos um tempo nos encarando abraçados e sentimos outro solavanco. O elevador volta a funcionar, sorrio para ela e a aperto mais nos meus braços. Como se tivesse saído de um transe, ela sai dos meus braços no instante em que a porta de metal se abre. A mulher olha para mim e sai correndo, meio atordoada. Fico parado a olhar a mulher sumir sem deixar rastro.
Filho, como está? Soube há pouco que ficou preso no elevador.
Depois do ocorrido no elevador, uma equipe bloqueou o acesso ao elevador para manutenção.
Virgínia trouxe-me para a sala dela, queria conversar comigo antes que fosse ao encontro do nosso pai, mas com o ocorrido, não tivemos tempo.
Passo o restante do dia me atualizando e conhecendo o hospital, percebi que o meu pai não estava nada feliz comigo ali.
Passaram duas semanas desde que comecei a trabalhar no hospital, não parei de pensar na mulher que vi no elevador.
Miguel, amigo! Fico feliz em te ver, há anos que não o vejo.
Escuto Victor Santana, um amigo de infância.
O Encontrei-o ao sair da sala da minha irmã Virgínia, ele estava de saída e convidou-me para conhecer um clube famoso.
Amigo, fique à vontade, aqui tem mulheres lindas e gostosas, prontas para lhe fazer esquecer o dia estressante.
Dou uma olhada no lugar, vejo várias mesas, um palco no centro do salão, várias mulheres pelo local com roupas que mostram os seus corpos perfeitos, um grande bar, ao fundo mais mesas, essas são reservadas com grandes sofás. Sigo Victor, que se senta numa mesa reservada e chama uma mulher para nos atender. Você chamou-me para conhecer um clube de sexo! Nada contra, só não frequento lugares assim.
Deixa de besteira, Dr. Navarro, aproveite a noite, ficará surpreso quando ver o que esse lugar oferece.
Suspiro resignado, estou aqui mesmo, conversamos sobre nossos trabalhos, Victor pede uma garrafa de whisky, a garota que trouxe a bebida senta no colo dele.
Vamos, Miguel, aproveite a noite, meu amigo, se quiser algo mais privado aqui tem quarto, pode escolher uma garota e ir para área privada, aqui tem de tudo, amigo.
Obrigado, ficarei apenas na bebida - digo, olhando diretamente para o bar. De onde estou, vejo uma cabeleira morena. Saio da mesa e ando até o bar, a cada passo que dou, sinto a minha respiração acelerada. Chego perto da mulher. Boa noite! Falo parado atrás dela, ela vira-se e perco a fala. A morena do elevador está bem à minha frente, reconheço os seus olhos marcados pela maquiagem forte, um batom vermelho desenhando os seus lábios, ela está vestida com um vestido vinho curto colado ao corpo.
Você? Pergunto, fitando seus olhos azuis, uma combinação fatal.
Boa noite?
Escuto sua voz, mas não consigo parar de olhar para sua boca.
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Atualizado até capítulo 56
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