Bianca Vasquez

— Oi, Bia! Tudo bem? pergunta Mara.

— Sim, por que não estaria? respondo com meio sorriso.

— Você está estranha desde a noite passada, está distante, calada, triste. Aconteceu alguma coisa?

O cliente te machucou? pergunta preocupada.

— Não, amiga, ele não me machucou. Contei minha história diante de suas acusações cruéis.

Alguém disse meu nome para o Miguel, então, em meio à pressão, despejei tudo.

Na verdade, estou cansada, dói muito lembrar tudo que vivi e parece que estou revivendo tudo mais uma vez.

— Sinto muito, queria poder dizer que vai ficar tudo bem, mas não há essa opção. Tudo que posso fazer é dizer que estou aqui para o que precisar. fala a ruiva, me abraçando.

Encaro meu reflexo no espelho, meu rosto molhado pela água misturada com lágrimas.

Meu pai falava que eu era muito parecida com a minha mãe... puxo na memória imagens dela sorrindo, o jeito carinhoso como tratava todos, sinto tanto sua falta, mamãe. falo soluçando a dor, a saudade, o vazio deixado por eles. Se estivesse aqui, nada disso estaria acontecendo.

Por que está todo mundo aqui? pergunto me aproximando do Luli?

— Não sei, bicha, mas uma coisa tenho certeza: esse monte de bofe de preto com cara de mafiosos não é coisa boa. Luli fala.

Olhar para aqueles homens espalhados pelo salão, apenas a presença deles deixou o lugar frio e sombrio.

Fomos pegos de surpresa ao ver Douglas sendo arrastado por dois homens até o meio do salão, colocado de joelhos no chão. Muitas de nós pararam até de respirar ao ver outro homem forte, vestido de preto elegante, o terno sob medida, cada passo que ele dava mostrava sua soberania, ninguém ousou olhar diretamente para ele, ainda perdidos na cena que se desenrolava na nossa frente. Ouvimos Douglas, pedindo perdão, jurando que não faria de novo, mas não obteve resposta, apenas um olhar que fez meu corpo tremer de medo, assim como os demais no salão.

— Meu caro Douglas, achou mesmo que conseguiria me roubar e não descobriria!

A voz do homem parecia um trovão rasgando o céu, deixando rastro de medo e destruição.

— Senhoritas, perdoe-me pela falta de educação, mas serei breve.

Me chamo Dominic Laerte. Este homem ousou me roubar, porém ele sabe quem sou e mesmo assim o fez.

Para provar que sou um homem benevolente, se uma interceder por ele, pouparei sua vida, caso contrário, serei rápido. Então, senhoritas, quem de vocês deseja ajudar a salvar este homem? — Pergunta Dominic olhando para nós.

O olhar de águia sobre nós dá medo até de respirar perto dele, ninguém se mexeu ou respondeu à sua pergunta, até Mara se pronunciar e deixar todos de queixo no chão.

— Eu. Mara levanta a mão, chamando a atenção de todos, principalmente do homem.

Mara! chamo baixo.

— Você deseja interceder por este homem? ele pergunta, encarando Mara dos pés à cabeça.

— Não. Eu quero matá-lo. Mara fala, deixando todos surpresos.

Até mesmo o mafioso ficou surpreso pela atitude dela.

— O que deseja, querida!

— Quero eu mesmo tirar a vida dele. Mara responde, dando um passo à frente, olhando nos olhos dele.

Meu coração bate acelerado, medo e surpresa pela coragem dela, mas no fundo eu sei o que se passa na cabeça dela, sei o motivo de tanto ódio por Douglas.

— Se é assim, aproxime-se! O homem a chama.

— Mara anda até ele, fica de frente para ele, ambos se olhando.

Dominic tira uma arma da cintura, mostra para Mara, que observa tudo com atenção, assim como os demais.

Já pegou numa arma! Ele pergunta, Mara faz que não com a cabeça.

O sorriso que Dominic dá olhando para ela é assustador, pois o homem não demonstra emoções, nada, é inexpansível, sem nenhum tipo de expressão, apenas neutro.

Assustada com a coragem de Mara, vejo o momento em que ele se posiciona atrás de Mara, bota a arma na mão dela, mostra como manusear, segura a cintura dela, deixando-a livre para atirar, sem piscar. Mara atira contra Douglas sem parar, até o último tiro, mesmo assim ela continua apertando o gatilho, lágrimas escorrem por sua face.

Mara vira, entrega a arma ao homem, que, hipnotizado por ela, pega sem emitir som algum.

Vejo minha amiga ir até o corpo de Douglas, se abaixa, fala algo no ouvido do morto, se vira e volta ao meu lado. Abraço ela, dando apoio e carinho, assim como fazemos uma com a outra.

Onde estão nos levando? pergunto, abraçada à minha amiga, dentro de um carro com dois homens na frente e o senhor sombrio do lado.

Calado desde que entramos no carro, ele não falou nada. O carro para, descemos, pego na mão da Mara, ainda em choque.

Vá, serpente vai lhe acompanhar. Ouso a voz fria do homem, olho para ele, curiosa para onde ele está me levando.

— Vamos, Mara! falo, puxando-a comigo.

— Ela fica. Dominic fala, parando ao lado da minha amiga.

— Vá, ela ficará comigo, depois vocês se falam. Dominic manda.

Com medo e preocupada com minha amiga, mas não tenho saída, sigo o armário de preto em direção ao elevador.

QUEM MORA AQUI? pergunto, parando ao lado do segurança.

Ele não responde, abre a porta, faz sinal para que entre.

Sinto meu coração bater acelerado a cada passo que dou. Por que estou aqui? Qual será o intuito de me trazer para esse lugar?

— Olá, Bianca!

Respiro tão rápido, me viro para ter a visão do homem que agita meus sonhos, que desperta tantas emoções apenas com um olhar. Miguel! minha voz sai num sussurro.

— Oi.

Deus, corro para seus braços, aliviada por não ser outra pessoa, desabo nos seus braços, sendo aparada, confortada pela sua presença.

Fico agarrada a Miguel como se ele fosse meu bote salva-vidas, meu porto seguro, algo que só senti nos braços dos meus pais.

Mais calma, Miguel senta comigo no sofá, que nem percebi estar ali. O medo me deixou paralisada, temendo o pior a cada passo que dei, até ouvir sua voz.

Mesmo tendo presenciado seu descontrole, Miguel cuidou de mim, permitiu que descarregasse diante dele meu passado. Esperei por seu descaso que agisse como se nada do que ouvi fosse importante.

Talvez não seja mesmo, mas ele não me tocou, nem mesmo quando me insinuei, deixando minhas dores para trás, usando minha máscara de mulher forte e sedutora. Ele cuidou, me deu banho, deixou que tivesse meu momento, que desabasse como nunca antes. Diante de um desconhecido, ali na sua frente, existia uma mulher lutando contra todos seus medos e demônios para seguir em frente.

"Vai ficar tudo bem", Miguel fala, afagando meus cabelos.

Estou cansada, minhas emoções me levando ao limite, fecho os olhos, me entregando à escuridão e cansaço emocional.

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