Miguel Navarro

Deveria provar a comida, está uma delícia. Falo apontando o prato diante dela, sem ser tocado.

— Já comi antes de vir. A mulher de frente para mim responde.

Certo, já que sou o único com fome, falo me servindo.

Não sei por que, mas me incomoda o jeito que ela age. Parece que ela está aqui obrigada! Claro que não, Miguel, você pagou para que ela estivesse aqui. Responde minha consciência.

Então, morena, me fale sobre você! Falo olhando seus olhos azuis.

— Senhor Miguel, não há nada sobre mim que deva saber, a não ser que faço programa e é para isso que estou aqui, não!

— Largo os talheres, com raiva levanto, vou até ela, empurro a cadeira que ela está sentada, seguro seu maxilar para que nossos olhos se encontrem.

Queria saber o que você faz, se perguntar algo sobre sua vida e para que a conheça melhor.

Porém, vejo que não quer isso.

Sou um homem bastante curioso, gosto de conhecer as pessoas ao meu redor.

Nunca precisei pagar para ter uma mulher na minha cama.

— Então, por que estou aqui? Ouso perguntar, encarando me sem desviar do nosso contato.

— Porque não consegui tirar você da minha mente desde que nos encontramos naquele elevador.

Não me entenda mal, mas de todos os lugares que imaginei te reencontrar, jamais imaginei que seria naquele clube. Digo tocando seus lábios com a ponta dos dedos, desenho sua boca, sentindo a textura dos lábios.

O que tanto esconde? Por que tem medo de falar sobre você?

— Não escondo nada, apenas sou profissional o bastante para manter meus clientes fora da minha vida pessoal. Responde a morena atrevida.

Sem paciência para esse jogo de gato e rato, levanto-a, coloco-a sentada na mesa, devoro sua boca. Tentei ser gentil, tratá-la como uma mulher merece, mas você não quis.

Paro de beijá-la, me afasto dela. Vejo seus lábios vermelhos, sua respiração acelerada, seu peito subindo e descendo rápido. Seu corpo corresponde a cada toque meu.

Como pode alguém despertar tantas coisas assim! Em tão pouco tempo, tiro toda a roupa dela, memorizo cada parte do seu corpo, seus sinais, uma cicatriz abaixo do seio direito. Olho para a morena buscando uma resposta, mas nada sai de sua boca, suas bochechas estão num tom rosado. Levanto-a da mesa, abraço seu corpo, sentindo-a tremer com minhas carícias, suspiros baixos.

Por várias vezes, percorro seu corpo para mim, longe de saciar o desejo que ela desperta em mim.

No começo seria e sempre profissional, mas em questão de segundos, ela se transforma como se buscasse mais daquilo que está sentindo, como se fosse a primeira vez que sentisse prazer, desfrutando de cada momento íntimo entre nós.

Me jogo na cama, cansado, suado. Ao meu lado, ela respira rápido, se recuperando de mais um orgasmo, seu corpo trêmulo ainda sob o efeito do que fizemos há pouco.

Ela fecha os olhos, cansada, aos poucos se entrega ao sono.

Pego um lençol, cubro seu corpo, afasto uma mecha dos seus cabelos do seu rosto.

Olho para seu rosto sereno dormindo.

E assim também me deixo levar pelo sono.

Acordo assustado, ouço gritos, viro de lado, vejo que é a morena se debatendo, seu rosto contorcido em dor, gritos agonizantes, pedidos para que pare. Seguro suas mãos para que não se machuque, tento acordá-la em vão, sua perna quase me acerta de tanto que ela se debate, como se estivesse lutando para se soltar de alguém.

Vamos, querida, acorde, é só um pesadelo. Falo segurando seu rosto, abraço forte seu corpo ao meu para que saiba que seja quem for o seu pesadelo, ela está segura. Aos poucos, sinto seu corpo parar de lutar, afasto-a de mim. O que vejo desperta ainda mais meu desejo de protegê-la, cuidar para que ninguém a machuque.

Acordo com o barulho do despertador, viro de lado e fico surpreso, o lado da cama está vazio. Levanto rápido, visto uma cueca e procuro a morena pelo quarto, não a encontro. Não me surpreendo ao ver que suas roupas que estavam espalhadas na sala não estão mais lá.

Volto para o quarto, sigo direto para o banheiro, entro no box, ligo o registro e sinto a água caindo pelo meu corpo. Depois de um bom banho para despertar, me arrumo para o trabalho, mais um dia de luta.

Gosto do que faço, fui criado para ser um bom médico, e um grande presidente do mior hospital do pais . assim como meu avô, que com o apoio da família, construiu um dos maiores hospitais do país. Somos pioneiros em vários tratamentos, temos qualificadas para lidar com diversas situações e também temos parcerias com grandes institutos de pesquisas para sabermos lidar com as doenças e suas causas.

O que tem me deixado preocupado é o fato de que estamos com alguns problemas na área dos atendimentos e falta de profissionalismo de alguns profissionais, algo que resolverei em breve.

Saio do meu apartamento, dirijo para o hospital. Ainda é cedo, paro para tomar café numa cafeteria próxima ao meu trabalho. Depois de tomar um bom café reforçado, logo chego ao estacionamento do hospital, paro o carro na vaga destinada aos funcionários, saio, travo o veículo e ando para o elevador, cumprimento alguns funcionários pelo caminho. Poucos sabem quem sou, os burburinhos que ouvi ao longo desses dias percebi que muita coisa precisa ser mudada.

Chego ao meu destino, ando até a grande recepção, vejo minha secretária concentrada em seu computador.

Bom dia! Falo parando em frente à sua mesa.

— Bom dia, senhor. Mônica responder.

Sigo meu caminho para minha sala, entro, me acomodo na cadeira e noto que há várias pastas em cima da minha mesa. Passei a manhã concentrado, analisando e estudando alguns projetos. Perto do horário de almoço, minha irmã ligou marcando para almoçarmos juntos no restaurante do hospital.

— Já foi atendido? Pergunta a garçonete loira sorrindo para mim.

— Não. Respondo olhando o cardápio.

— Bom, se precisar, é só chamar, meu nome é Marcela.

Minha irmã mandou mensagem avisando que teve um imprevisto e não poderá vir. Já que estou aqui, almocei sozinho mesmo, muitas pessoas me olhavam curiosas. Paguei a conta, me levantei para ir embora, caminhando pelos corredores em direção ao consultório da Virgínia, paro de andar, observando de longe meu pai conversando com dois dos médicos e acionistas do hospital. Eles conversam como se estivessem discutindo, decido me aproximar.

De repente, sinto algo bater contra o meu corpo. Algo, não alguém, de cabelos vermelhos como fogo e os olhos castanhos.

— Ai, meu Deus, desculpe, senhor! Fala a mulher nervosa.

— O que pensa que está fazendo, numa pista de corrida, para sair por aí correndo como uma louca. Falo me afastando dela, encarando seus olhos castanhos.

— Desculpe, eu não vi você. Eu estava distraída. Responde a mulher, com um leve sorriso constrangido.

— Precisa prestar mais atenção por onde anda, poderia ter se machucado. Digo sério, observando-a mais atentamente.

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