Miguel Navarro

Bianca é linda de qualquer jeito, mas quando se arruma sabe como realçar sua beleza.

Uma menina que foi forçada a se tornar mulher, conhecer a maldade do ser humano, lutar para sobreviver no meio de tanta maldade e hipocrisia.

Sorrio admirando tanta beleza, seu jeito de mulher fatal com um toque de pureza.

"Você está linda", falo me aproximando dela.

"Obrigado, você também não está nada mal", responde sorrindo.

"Para onde vamos?", ouso perguntar.

Dirijo concentrado na estrada. Percebi que Bianca está nervosa, seus olhos focam na paisagem fora do carro.

"É o aniversário de uma das acionistas do hospital", respondo sem olhá-la.

"Hum", Bianca olha para mim, vejo nos seus olhos o quanto está nervosa, imagino o quanto deve ser difícil para ela, o medo de encontrar homens que frequentavam o clube.

"Se quiser podemos voltar", falo para ela.

"Não precisa... estou nervosa e tudo é novo para mim."

"Ouso suspirar, pego sua mão, sinto ela suada e gelada.

Sinto vontade de abraçar, dizer que estou aqui, que ela não está sozinha, e que, dependendo de mim, irei protegê-la e cuidar dela sempre.

Entro no condomínio, dirijo pelas ruas que conheço desde criança.

Paro na frente da casa, desligo o carro, saio, dou a volta, abro a porta do veículo para Bianca, que olha admirando a arquitetura da casa.

Pego sua mão, entramos na casa, sorrio, caminhando de mãos dadas pelo salão, vejo que tem muita gente, entre ela pessoas do conselho do hospital, sorrio me aproximando da mulher que me encara com um sorriso enorme no rosto.

"Boa noite mãe! Parabéns", falo abraçando ela.

"Que bom que veio, filho, obrigado", mamãe agradece, olha para o meu lado direito, focando seus olhos verdes na pessoa do meu lado.

"Não vai me apresentar sua acompanhante?", questiona.

"Claro", respondo, trazendo Bianca para frente. "Mãe, essa é a Bianca", apresento.

"E Bianca, essa é minha mãe Fernanda Navarro", falo apontando para a mulher elegante na nossa frente.

Bianca está branca como papel, surpresa por tê-la trazido ao aniversário da minha mãe. Não respondi quando pergunto para onde íamos para não deixa-la mais nervosa. Porém, não acho que tenha mudado algo. Notei que Bianca mal olhava para as pessoas quando passávamos por elas, sua respiração pesada, seu corpo tenso.

Para o alívio de Bianca, minha mãe gostou dela, pois, ao invés de apenas cumprimentá-la , mãe puxou ela para um abraço, coisa que ela não faz com todo mundo, tanto dona Fernanda quanto Virgínia são muito desconfiadas com pessoas que não conhecem.

"Prazer, querida, seja bem-vinda", mãe fala abraçando Bianca.

"Obrigado, senhora", Bianca agradece, surpresa pelo carinho da minha mãe.

Virgínia se junta a nós, seus olhos focam na Bianca todo momento.

Mamãe nos leva para uma mesa reservada para a família, puxo a cadeira para Bianca sentar.

Mãe nos deixa só para receber um casal que chegou.

"Por que não disse que era para o aniversário da sua mãe ?", pergunta minha morena.

"Não quis te deixar nervosa", falo me defendendo.

"Não é como se te apresentasse a sua sogra, é só um evento, relaxe, beba algo para tirar essa tensão do seu corpo."

Ta parecendo um robô sem expressão, só no automático, digo olha só nos seus olhos. Mas logo me arrependo, Bianca tem motivos para toda sua tensão.

"Hei, desculpa, só relaxa, estou aqui, nada vai acontecer", falo, apertando sua mão em conforto.

As horas passam rápido entre bebidas e conversas, Bianca relaxou, mas não deixando de transparecer sua insegurança.

Bianca falou que queria ir ao banheiro. Levantei junto com ela e seguimos na direção que levava ao banheiro social.

Fiquei esperando ela no corredor.

"O que deu em você, Miguel? Trazer uma garota de programa para o aniversário da tia Fernanda". Victor questiona?

"Cala boca, porra", falo, empurrando contra a parede. Vejo seus olhos surpresos pela minha atitude.

"Olha como fala, se abrir a boca pra falar merda, quebro tua cara. Não devo satisfação do que faço e minha acompanhante não faz isso, ela saiu do clube", falo com raiva.

"Fiquei sabendo que teve mudanças lá, mas que continua funcionando e algumas garotas saíram. Mesmo assim, não muda o fato de que ela se prostitui por dinheiro. Ao trazê-la aqui, está desrespeitando sua família", diz.

Trinco os dentes de raiva, não permito que a humilhe assim.

"Cala boca, porra, Bianca é tão digna quanto qualquer mulher que está aqui, não se atreva a falar nada pra ninguém", ameaço.

Solto Vitor, que arruma a roupa e sai bufando, tento controlar a raiva.

Deixo o corredor em busca de ar, sento no banco de madeira, olho para o jardim iluminado, as palavras de Victor não saem da minha cabeça. Se ele soubesse o porquê dela estar naquele lugar, não a desmerecia assim.

Nunca me senti assim, irracional, sempre fui centrado, não gosto de meias palavras, aprendi a não criar ilusões, pois de uma hora para outra as coisas mudam. Desde que bati meus olhos na Bianca, seu jeito me encantou, sua fragilidade despertou em mim um sentimento desconhecido. Quando a encontrei no clube, perdi a cabeça, deixei-me levar pelo desejo e encanto dela. Mas ao ouvir sua história, saber de suas dores, me vi destinado a protegê-la, salvá-la daquele lugar. No passado, falhei, não consegui salvar aquela que tinha meu coração e minha alma. Sinto meu peito apertado, saudades, lembranças do seu rosto surgem na minha mente.

"Por que está aqui!", ouço a voz da minha mãe, olho para trás e vejo ela parada me olhando.

"Vim tomar um ar", respondo, vendo-a se aproximar e sentar do meu lado no banco.

"Parece ser uma boa garota", ousa falar se referindo a Bianca.

"Ela é", respondo.

"Estou feliz ao ver que está se abrindo para o amor, filho", minha mãe diz.

"Não estou me abrindo para nada, mãe, o que está acontecendo entre eu e Bianca não tem nada a ver com sentimentos. Gosto da companhia dela, nos damos bem, nada mais", falo virando para encará-la.

"Se está dizendo, só quero que seja feliz, seja com a Bianca ou qualquer outra. Mas meu coração de mãe diz que aquela garota é especial. Vi como a olhava, com admiração, cuidado e proteção. Só vi agir assim com duas garotas, uma é a Virgínia. Já se passaram dois anos, filho, está na hora de seguir, de se libertar desse sentimento que te aprisiona", escuto minha mãe falar, tentando absorver suas palavras, mas a dor e o vazio que tenho no peito não me deixa.

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