Bianca Vasquez

Vamos, meninas! Quero ver o suor escorrendo. Botem esses corpos para suar mais duas séries de 30 agachamentos. Grita Luliz, o personal trainer.

— Duas horas morrendo para treinar na academia. São treinos puxados para mantermos a disposição e um corpo perfeito.

— Ai, meu Deus! Estou acabada. Luliz vai acabar comigo. Se continuar pegando pesado assim, minhas pernas estão bambas. Fala Mara, deitando ao meu lado no tatame.

— Pois é, ainda dizem que é fácil ser puta de luxo. Responde Mercia, jogando-se ao meu lado.

— Puta de luxo! São tantos nomes que nos dão sem nem saber o que se passa por trás desse luxo todo.

— Fecho os olhos para descansar meu corpo. Lembranças da noite de ontem invadem minha mente: o jantar, a forma como Miguel me trata, o jeito que fala. Tentando maquiar o momento, fazendo com que pareça diferente, como se não passássemos de duas pessoas em um encontro casual sem compromisso.

Desde o dia em que o conheci, minha vida virou de cabeça para baixo. Tudo que construí está rachando; os sentimentos que guardei no fundo do peito estão querendo submergir: a esperança, a fé nas pessoas.

Não posso me iludir. Miguel busca apenas meu corpo para lhe satisfazer, nada mais, falo mentalmente.

— Levanto para sair da academia, as meninas me seguem, falando de coisas que acontecem aqui, mas não presto atenção, minha cabeça está uma bagunça.

— Sabem quem estar aqui no clube desde cedo? Pergunta Mercia.

— Não! Responde Mara.

— O açougueiro, ele está aqui, chegou bem cedo. Mercia responde, se benzendo.

— Meu Deus, quem é a vítima da vez? Pergunta Mara, também fazendo o sinal da cruz.

— O açougueiro é um médico que temos aqui. Ele é chamado quando alguma de nós está grávida ou foi muito machucada por algum cliente sádico.

— Um arrepio percorre todo o meu corpo só de lembrar dele, um homem sem alma ou qualquer tipo de sentimento.

Já no quarto, tomo banho para tirar o suor, aproveitando um tempo debaixo do chuveiro, sentindo a água cair. Depois do banho, saio do banheiro enrolada em uma toalha, mas paro na porta ao ver quem está sentado na minha cama!

— Olá, minha menina!

— Sinto meu corpo tremer. Ele está aqui, o médico açougueiro, sentado na minha cama. Minhas pernas parecem pesar toneladas. Não consigo dar um passo, mas sua voz fria ordena que eu me aproxime dele.

— O que foi? Por que não me obedece? Venha aqui, tire essa toalha, deixe-me desfrutar da bela visão do seu corpo. Ele ordena, me encarando com frieza.

— Forço minhas pernas a andar até ele. Paro diante dele, deixo a toalha cair aos meus pés, revelando meu corpo nu.

— Soube que tem um admirador que não quer que outro homem te toque. Está pagando bem caro para que você seja só dele, mas o que o idiota não sabe é que, para mim, você sempre estará disponível, não é, amor? Pergunta, segurando meu maxilar para olhar nos meus olhos.

— Sim, meu senhor. Respondo, num fio de voz.

Tento desconectar minha mente do momento, mas cada toque, a força que usa para me obrigar a fazer sempre o que quer, não permitem. A dor é minha única amiga; nela, encontro alívio para tantos tormentos.

— Por que está longe? Ele pergunta, apertando meu seio. A dor é horrível; lágrimas teimam em descer pelo meu rosto, mas seguro o grito de dor, não deixando que ele veja o quanto me dói. Seguro o quanto posso para não gritar, mas num único movimento, ele me destrói, levando-me a gritar e chorar, sem poder fazer nada. A dor se espalha pelo meu corpo, dando a ele, o que tanto queria. Meu desespero, os gritos agonizantes rasgam minha garganta, deixando-me sem voz. A cada investida dele, o sangue escorre pela minha barriga, se misturando com o esperma dele, sendo espalhado pela minha intimidade.

— Minha menina, você nunca me desaponta, sempre me surpreende. O médico fala, saindo de cima de mim e indo se limpar no banheiro.

Incapaz de me mexer, fico imóvel na cama, esperando que ele volte e termine, como sempre faz. Ele gosta da dor, de provocar o sofrimento. Isso desperta nele um prazer surreal.

Desde que o conheci, sou sua escrava sexual, para que realize seus desejos sádicos. Como médico, conhece o corpo humano, sabe onde pode cortar para ver o sangue jorrar sem muitos danos ao corpo. Ele é um homem na casa dos sessenta, mas bem cuidado: pele morena, cabelos grisalhos cortados estilo militar, olhos verdes, elegante. O que muitos não sabem é que, por trás dessa beleza toda, ele esconde um monstro capaz de fazer você pedir para morrer. Porém, esse é seu hobby: um sádico dos mais perversos que já conheci. Cada vez que o encontro, sinto minha alma fugir do corpo; sou obrigada a satisfazê-lo de todas as formas. Seus atos sexuais se resumem à tortura; enquanto possui meu corpo, queimando, marcando com seu sangue junto ao meu, misturando-se com seu esperma.

— Vejo que está me esperando... Venha, pequena, deixe-me cuidar de você. Que belo trabalho fiz, hein! Veja, já estou duro de novo. Mas infelizmente, não poderei ficar mais tempo; tenho que ir para o hospital. Hoje será a apresentação formal do novo presidente do hospital. Infelizmente, por conta disso, não poderá ir ao hospital nas datas marcadas. Será por pouco tempo; logo o idiota do novo diretor vai cair fora, e tudo voltará ao normal. Mas, por enquanto, venha aqui para eu cuidar de você, ou nos encontramos no nosso cantinho.

— Meu Deus, Bianca! Escuto Mara falar ao ver meu estado.

— Não falo nada, apenas fecho os olhos, tento dormir para que meu corpo descanse.

Um dia se passou. Fiquei trancada no quarto, Mara foi trabalhar e eu fui liberada. Mara contou que Jonas disse que estava doente e ficaria fora de serviço por um tempo. Soube que Miguel mandou me chamar, porém foi informado que estou doente e mandaram outra.

Sinto um aperto no peito ao pensar em Miguel com outra mulher. Deixa de ser besta, Bia! Ele é livre, pode sair com quem quiser. Grita minha consciência.

— Bom dia! Falo, parando na frente da recepção.

— Bom dia, senhorita Vasquez. Responde a recepcionista.

— A diretora está lhe esperando. Avise-me.

— Balanço a cabeça, concordando, e ando até a porta, abrindo-a. Caminho até a diretora, uma senhora de meia-idade, de cabelos brancos bem cuidados, sempre elegante.

— Bom dia, senhorita Vasquez! Sente-se. Mandei chamá-la para falar do comportamento da sua irmã, a menina Luiza. Brigou com uma colega de classe e enfrentou o professor. Como sabe, nossa instituição não tolera esse tipo de comportamento, mas como conheço você e seus pais, tenho passado por cima de muita coisa. Entretanto, não poderei fazer isso por muito tempo. Aconselho que converse com ela e a faça se comportar, ou será expulsa do internato.

— Droga, Luiza! O que está acontecendo com você? Pergunto, andando para seu quarto.

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