Mollie observou o estado da jovem e explicou:
— Dei essa tarefa a você, para que pudesse ficar um pouco ao ar livre. Sei o quanto gosta de sol e da natureza. Descanse e depois entre para almoçar, limpe a cozinha e antes do sol baixar, recolha tudo.
— Obrigada, Mollie. — agradeceu Emily, sentindo que, realmente, Mollie gostava dela.
Os pensamentos de Emily estavam desencontrados, não fazia a mínima ideia do por quê estava passando por tudo aquilo, mas jurou a si mesma, que fugiria dali. Arrumaria algum meio de fugir, mas para isso, precisava manter Mollie do seu lado e o patrão tranquilo e quando menos esperassem, partiria.
Obedeceu ao que a governanta mandou e no final do dia, foi recolher os tapetes, pois já ia escurecer. Estava entretida, quando foi agarrada e taparam sua boca. Esperneou e tentou socar quem a segurava, mas logo foi contida pelos dois homens grandes e fortes.
Vendaram-na e amarraram seus tornozelos e pulsos. Sentiu que chegaram a algun lugar e ali comecou a tortura: socos, chutes e tapas. Quando pensou que iria desmaiar, eles pararam e logo depois saíram, deixando-a ali. Não voltaram e ela não fazia ideia de onde estava.
Mollie saiu da casa, depois que deu pela falta de Emily e foi atrás dela. Encontrou os seguranças daquela área e perguntou:
— Olá, rapazes, viram a serva andando por aí?
— Não, senhora, viemos dos portões e não vimos ninguém. — Tinham ordem de não deixar Mollie saber e por isso ficaram quietos.
— Então, saiam daqui, andem. Eu vou continuar procurando aquela ingrata.
Os dois trocaram olhares de entendimento e seguiram andando, para que Mollie não descobrisse que eles haviam pego Emily. Seguiram conversando tranquilamente e quando chegaram ao prédio do comando, trocaram a guarda e não contaram sobre a jovem. Deixariam para transportá-la de madrugada.
Mollie não encontrou Emily e voltou para casa. Recolheu os tapetes e colocou de volta no lugar.
— Onde se meteu aquela menina? — murmurou, mas alguém escutou.
— Viu no que dá, dar regalias a quem não merece?
— E você acha que merece, Judite?
— Seria bom, de vez em quando, ser aliviada um pouco, da carga de trabalho.
— E ficaria sem o salário, por que ela, não ganha nada…
Judite não entendeu o que a governanta queria dizer, franziu a testa, mas resolveu não perguntar mais nada. Vai que ficava sem salário, também. Então, ajudou a colocar os tapetes no lugar e se foi. Já havia terminado seu expediente.
Mollie resolveu esperar Emily voltar, pois se ela tentou fugir, logo a trariam de volta.
Emily não demorou a perder os sentidos, havia conseguido tirar o pano que enfiaram em sua boca, esfregando na parede, mas o esforço foi tanto, que ela sucumbiu. Os homens não voltaram e ela precisou enfrentar a friagem da madrugada e quando enfim amanheceu, ela estava ardendo em febre.
Mollie acordou e desceu para organizar o serviço, procurou por Emily e não a encontrou, então, quando todos iniciaram seus serviços, ligou para o patrão:
— " O que é agora, Mollie? "
— Ela sumiu, patrão.
Orlando ficou estático, franziu a sobrancelha por um tempo e desligou o celular, sem responder,mas Mollie sabia como ele era e não ligou. Ele ligou logo em seguida, para o segurança a quem deu a ordem:
— O que fez com ela, Imbecil? — Assim que o outro atendeu, ele não deu chance dele falar e foi perguntando.
— " Desculpe, patrão, mas Mollie estava próxima, perguntando por ela e deixamos ela lá, para pegar depois."
— Isso não é desculpa para serviço mal feito, seus estrumes, vão resgatá-la agora e se ela não estiver bem, serão demitidos.
Orlando largou tudo e saiu, ligou para seu piloto no caminho e partiu para casa. Ela tinha passado uma noite cansativa, levou uma surra e foi abandonada em um lugar precário, onde a temperatura baixa muito durante a noite.
— Com certeza, ela não está bem e eu mato aqueles desgraçados, quando os encontrar.
O piloto e os dois guarda-costas que sempre andavam com ele, estranharam a fala dele ponto nunca haviam visto o patrão tão preocupado com uma mulher, fugia completamente ao padrão de seu comportamento.
Na casa, os dois seguranças correram, vestidos à paisana, pois estavam na folga e correram, sem ligar por serem vistos e acontece, que Mollie os viu e entendeu que Orlando devia ter ordenado aos homens para encontrá-la e foi atrás. Logo eu estava próxima dele e ouviu o que conversavam:
— Por quê você não acordou, capeta?
— E você, pato, por quê não me acordou?
— Arhhh, tamo ferrado… torsa para que ela esteja bem.
Chegaram a cabana e perceberam que a jovem estava desfalecida. Desamarraram-na e tiraram sua venda e nesse instante, Mollie chegou e não suportou a visão, tapou a boca, aberta pela surpresa e chorou.
Saiu do caminho para que eles levassem o corpo frágil para a casa, sem acreditar que ela havia passado por tudo aquilo por ordem do patrão.
Mollie cuidou dela, limpando seu corpo, até o médico chegar.
— Ela tem pneumonia e seu corpo está muito ferido e debilitado. Vou lhe dar uma injeção e deixar a medicação. São antibióticos e devem ser ministrados no horário certo. Também passarei analgésicos, para as dores no corpo e uma pomada para os hematomas. O que essa menina passou é um crime, sugiro que dêem parte à polícia. Com licença.
O médico saiu, deixando os medicamentos que sempre tinha consigo e sequer se despediu, horrorizado com a situação. Encontrou sinais de atividade sexual violenta, mas não pareciam fazer parte da surra e não falou nada, aqueles milionários pagavam seu sustento e não meteria o bedelho, em assunto que não lhe dizem respeito.
Mollie também não falou nada, sabia o que aconteceu com ela e também quem havia feito. Seus olhos ficaram vermelhos e encheram d'água, pensando no menino tão bonitinho que ela criou e que agora parece um monstro.
— Minha menina, sei que você não fez nada para merecer isso e que seus pais, mesmo que mereçam sofrer, não estão sendo atingidos como você, por toda essa situação lamentável.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Mônica
Vc como médico tem o dever de fazer a denúncia.
2025-01-21
1
Maria Helena Macedo e Silva
espero que ela não seja acometida com a sindrome de Estocolmo e quando conseguir sair das garras dele o presenteie com a sua ausência e indiferença.
2024-09-18
1
Maria Helena Macedo e Silva
se fosse alguém de sua família agiria assim? provavelmente não, por isso aja com o outro como queres que ajas contigo.
2024-09-18
1