Bastou três dias para Emily entender sua nova realidade, era como a gata borralheira, naquele lugar. Uma escrava dos tempos modernos, só não conhecia seu algoz, no que dava graças a Deus. Percebeu que quanto mais rápido limpasse tudo, mais cedo podia ir dormir e se esmerou mais.
Governata Mollie
A governanta apresentou os outros funcionários, mas só ela e o motorista, Igor, a tratavam bem. Com uma semana que estava ali, seus cabelos ficaram secos, as unhas quebraram e a pele ressecou.
Começou a aproveitar o tempo que sobrava à noite para andar discretamente pela casa e conhecer todos os cômodos.
A governanta colocava uma lista dos afazeres de todos, em um quadro na cozinha, e rapidamente, ela cumpria com seus afazeres. Foi em uma dessas vezes, que subiu até o terceiro andar para olhar ao redor da casa, que percebeu que os outros funcionários, principalmente a cozinheira, estavam com maldade com ela.
Ao descer, sorrateiramente, para não ser pega andando onde não foi enviada, ouviu uma conversa na cozinha:
— Aquela idiota nem percebeu que as panelas estão sujas demais, nem deve saber cozinhar. — dizia a cozinheira.
— Pois é, nem percebeu que as comidas não queimam assim, para deixar o fundo das panelas tão pretos.
Na verdade, Emily percebeu, mas não ia criticar a cozinheira, já que a comida parecia tão boa. Esperou que elas saíssem e aproveitando que as panelas estavam quentes, lavou-as rapidamente, e foi logo dormir, pois daria uma outra lição a elas no dia seguinte.
A governanta Mollie, também estava observando, na verdade já havia notado a artimanha da cozinheira e da arrumadeira, mas, hoje, percebeu a presença de Emily, assistindo a maldades das duas e quis ver qual a reação que ela teria e não se surpreendeu, pois notou que Emy, como gostava de chamá-la, tinha um coração bom e era uma jovem humilde.
No dia seguinte, Emily acordou com as galinhas e correu para a cozinha, abriu a geladeira e tirou todos os ingredientes que precisaria para o café da manhã. Eram ao todo oito funcionários com ela e preparou uma mesa farta.
Preparou bolos, torradas, ovos e bacon e colocou todos os frios que tinham na geladeira, sobre a mesa. Fez café, ferveu o leite e fez suco.
— Mas que invasão é essa na minha cozinha?
— Bom dia, senhora Gertie, a senhora trabalha tanto, que resolvi lhe preparar o café, assim pode descansar e parar de queimar a comida.
Da cozinheira quase bateu no chão tal a surpresa que teve, mas sua expressão não era boa e já estava se preparando para brigar com Emily, quando a governanta entrou.
— Mas que café da manhã maravilhoso, pela cara de Gertie, foi Emy que preparou e ainda deixou a louça toda limpa. Isso foi bem providencial.
— Bom dia, senhora Mollie. Por quê foi providencial?
— O patrão chegou essa madrugada e vai gostar muito deste café. Agora, Emy, corra e vá se arrumar, deixei um vestido sobre sua cama.
A Emily ficou tão chocada com a ordem, que paralisou no lugar, sem coragem de sair e ter que enfrentar seu novo destino.
Mole percebeu e foi até ela e puxou-a pelo braço a levando em direção ao anexo para que ela se trocasse.
— Você está suada e fedendo a cozinha, tome um bom banho, lave os cabelos, depile-se, lixe as unhas e esteja pronta para quando ele descer.
— Mas não tenho nada disso!
— Já coloquei tudo o que precisa, no banheiro e no quarto. Não me decepcione, querida,sei que você é a única que pode amolecer aquele coração.
— Do que a senhora está falando?
— Outra hora eu conto a história, mas você vai saber um pouco ao conhecê-lo. Ande, querida, vá se arrumar.
Emily entrou no banheiro e viu as coisas sobre a pia ponto como foi criada de forma simples, sabia tudo o que precisava saber para cuidar de uma casa e de si mesma sozinha. Sua mãe lhe ensinou o que uma dona de casa precisava saber para governar uma casa e aos poucos, ela foi aprendendo a cuidar do próprio cabelo, das suas unhas e da depilação, com a senhora Navarro.
Se ajeitou o mais rápido que pude e tomando um bom banho, lavou bem os cabelos com os novos shampoos perfumados e finalmente saiu do banheiro de roupão, indo para o quarto.
No quarto, havia um vestido sobre a cama, não era chique, nem muito caro, mas era novo e combinava bem com ela. Tinha um corte reto e era de uma cor só, verde. Tinha um cinto do mesmo tecido com uma fivela de madeira no centro, que marcava sua cintura, sapatos scarpin de salto baixo, nudes e ela amou.
Emily chegou no quarto, quando ela havia acabado de se arrumar e ajudou a secar os cabelos. Depois de bem escovados, ela se afastou e olhou a jovem:
— Perfeita, esta bonita e discreta. Agora só depende de você.
— Não sei porque, mas obrigada, senhora.
— Vamos. Ele já acordou e daqui a pouco já vai descer. Já mandei arrumar a mesa do café para ele na sala de jantar e você irá até lá eles ficará de pé ao lado da mesa. Obedeça ao que ele mandar e fique calada.
As duas saíram e chegaram à sala de jantar, no mesmo instante que ele. Ela olhou para ele e não acreditou em quem era e ele olhou para ela, franzindo a testa em desagrado, fitando-a dos pés a cabeça.
— Lando! — sussurrou ela.
— Mas por quê ela está vestida assim? Eu disse que ela é só uma serva desta casa, não tem que ter regalia alguma, vá colocar o uniforme imediatamente.
Emily ficou chocada com aquelas palavras. Aquele não era o mesmo homem com quem ela fez amor pela primeira vez na vida. Não era o namorado doce e respeitoso, mas era um algoz frio e rude. Ela se retirou correndo e foi para o seu quarto, se jogou na cama, chorando.
A cozinheira, se acabava de rir, junto com as outras e estavam à espera do que mais aquela cinderela iria sofrer na mão do patrão. Ele era duro, grosso e cruel e todas as mulheres que passaram pela cama dele sofreram.
Casa de Orlado
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Maria Ines Santos Ferreira
credo não investigou ela nem é filha do seu inimigo
2024-09-07
2
Fatima Vieira
q isso!
2024-09-07
0
Anatalice Rodrigues
VIXE /Smirk/
2024-06-06
0