Ayla: Hüseyin sai do escrito em silêncio, o seu olhar está frio, como quando chegou aqui, ele não fala nada e não se senta para jantar. Hüseyin sobe as escadas e desce poucos minutos depois, deixando a mansão em silêncio.
Sabe aonde ele está indo Can?
Can: Não Ayla, mas pelo que conheço o Hüseyin algo aconteceu.
Ayla: Vai me dar as respostas que preciso?
Can: Ayla, não me faça quebrar uma promessa e perder um amigo!
Ayla se levanta e pega a bolsa dela.
Ayla: Não tenho hora para voltar, podem jantar.
Can: Aonde vai?
Ayla: Atrás de respostas. Não posso ficar aqui de braços cruzados tentando ajudar alguém, que não faço ideia do que passou.
Sigo até o motorista que levou a Samia daqui e peço que me leve ao mesmo local. Ela está numa mansão não muito longe da onde moro. A minha entrada é liberada e sou acompanhada até a sala.
Samia: Querida se veio se desculpar, não precisa, ficou no passado e não guardo rancor.
Ayla: Minha nossa como você me irrita falando!
Samia: O que foi que disse?
Ayla: Uma vez na vida faça algo bom pelo Hüseyin e me ajude a ajudá-lo.
Samia: Hüseiyn é um homem feito, frio, não precisa de mim e nem de ninguém!
Ayla: Por Deus, só abre a boca para falar merdä?
Samia: Se veio até a minha casa para me agredir verbalmente é melhor se retirar.
Ayla: Quero saber toda história do Hüseyin para poder ajudá-lo.
Samia: Ninguém pode ajudar o Hüseyin, acredite, depois que estava bem, tentei, mas ele não aceitava nada, se quer um afeto!
Ayla: Hüseyin me ajudou hoje, ele não sabia como me abraçar, como pode alguém não saber abraçar?
Samia: Ele... Ele te abraçou?
Ayla: Ele nunca te abraçou?
Samia: Hüseiyn não aceita ser tocado querida.
Ayla: O que fez com ele Samia?
Samia: Sente-se, a história é longa.
Ayla: Me sento ao lado da Samia, agoniada.
Samia: Me casei por um acordo de família, pensei que poderia encontrar o amor e ser feliz, mas o Mustafá era um homem sombrio, frio e machista. Ele raramente estava em casa, então tomei a decisão de dar um herdeiro a ele. Parei de tomar o remédio e engravidei com dois meses tentando. Inocente, pensei que isso o faria amolecer e ser mais presente. Mas, isso o deixou furioso, ele não queria filhos e como nunca falei sobre isso com ele, aliás não falava sobre nada fiquei muito mal. Com seis meses de gestação descobri o que o Mustafá tinha pütas de luxos em todos os países que ia e isso me deixou a beira da loucura. Cobrei ele atenção, amor e o que ele me deu foi um tratamento ainda mais frio. Pedi o divórcio assim que o Hüseiyn nasceu, era para ser uma chantagem, uma tentativa de fazê-lo mudar de ideia, mas ele assinou o divórcio e me deixou. Deixou a casa em meu nome, uma quantia exorbitante de dinheiro na minha conta e nunca mais voltou. Todos os meses ele depositava mais dinheiro e era tudo que tinha dele. Tive depressão pós-parto e abandonei o Hüseyin na porta da Igreja em silêncio. Fui exilada por todos, para a minha família, era motivo de desgraça e não estava conseguindo lidar com a rejeição deles. O meu pai descobriu quando o Hüseyin estava com seis anos o que tinha feito e para evitar um escandalo, ele o pegou no orfanato e abafou o caso usando dinheiro e a sua influência. Tudo piorou, quando o meu pai me internou e não suportei ver todas as cicatrizes que o Hüseiyn ganhou no orfanato, ele era espancado e a culpa me fez entrar uma depressão profunda. Aos seis anos o Hüseyin não falava, não aceitava carinho e não interagia. Ele ficou ainda mais parecido com o pai, era frio e o meu pai o chamava de maldito bastardo. O Hüseyin tentou me ajudar aos sete anos indo atrás do Mustafá, o meu pai não era só cruel com ele, era comigo também, ele me dopava quando tinha crises a ponto de não consegui verbalizar nada. Quando Hüseyin tinha dez anos tive a minha pior crise, o meu pai sabia que não estava bem e levou o Hüseyin para me visitar e obrigá-lo a ver o que causou.
Assim que vi o Hüseyin, gritei com ele, mandei que o tirasse de perto de mim e disse que o odiava. O meu pai o obrigou a ficar me olhando e me desesperei. Estava sem medicação, e em surto, então tentei me matar na frente dele, o culpando por toda minha ruina. Disse coisas horríveis para ele e me joguei da varanda do segundo andar. Me machuquei, mas não foi nada sério. Um ano depois disso sai da clínica, estava bem melhor, mas aquela altura Hüseyin já estava com 11 anos e ninguém mais podia se aproximar dele. O meu pai morreu pouco tempo depois, não sei dizer se foi bom ou ruim, mas não consegui ter qualquer relação com o Hüseyin, só via o Mustafá nele. Soube pelos empregados que meu pai o torturou psicologicamente diariamente, o fez acreditar que não era digno de nada de bom e o privou de tudo que pode. Ele estudou em casa, não teve brinquedos e se quer uma sobremesa podia provar. O deixei livre, dei a ele tudo que o dinheiro poderia comprar, achei que isso iria consertar as coisas. Ouvi a sua voz poucas vezes Ayla.
Ayla: Não consigo segurar as lágrimas. Tenho vontade de gritar, estou sufocada com tudo que o Hüseiyn passou e viveu!
Não vou te falar nada nesse momento, estou sufocada Samia. Não consigo acreditar em tudo que o Hüseiyn viveu, mas agora entendo o jeito dele. Vi as cicatrizes dele e cruel não define o que fizeram com ele.
Samia: Não tem um só dia que não deseje voltar no tempo. Quando estava pior via o Mustafá nele, mas deveria ter visto ele, deveria tê-lo amado e protegido. Não fui capaz Ayla.
Ayla: Estou sem palavras Samia, entendo estar doente, mas ele era só uma criança e não teve ninguém por ele.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Marlene
Nossa que triste como pode ter gente assim😒😒
2024-12-24
0
daddi
triste e dolorida essa parte. chorei muito
2024-12-11
0
Marlene
Essa mulher não deve ser chamada de mãe
2024-12-24
0