Ayla: Está me deixando aflita Can. Em palavras bonitas, o Hüseyin não é a minha pessoa favorita. Mas, é uma pessoa e poxa, a dor e o medo que vi nos olhos dele me deixaram preocupada.
Can: Ah Ayla, queria poder te contar todo inferno que o Hüseiyn atravessou desde que nasceu, mas não posso. O Hüseyin não perdoa traição, prometi que jamais abriria o passado dele. Somos amigos de infância, pode ver que ainda sim e limitado a abertura que ele me dá.
Ayla: Me diz uma coisa, Samia foi uma boa mãe?
Can: Ayla!
Ayla: Estou perguntando sobre a Samia.
Can: Não foi e não vou responder mais nada. Melhor não tocar nesse assunto com o Hüseyin. Já percebeu que ele perde o controle e quando se trata da Samia isso acontece com muita facilidade.
Ayla: Não nego que sonhei com ele bem longe daqui, morando de preferência na Turquia, mas agora estou preocupada. O último pedido do Mustafá é que nesse período de um ano cuidássemos um do outro. Como vou fazer isso se não sei com o que estou lidando?
Can: Ayla você é muito insistente, mas a resposta é a mesma!
Ayla: Você tem todas as respostas que preciso e se nega a me ajudar. Muito cruel da sua parte.
Passo pelo Can chateada, não custava ele me contar. Samia desce às escadas com creme e uma máscara na cara, ela está com uma camisola e um robe branco de cetim. A mulher está mais a vontade do que eu.
Samia: Querida peça chá para mim.
Ayla: Vá até à cozinha e peça você mesmo!
Samia: Minha nossa, custa receber bem uma visita!
Ayla: A cara enojada que essa mulher me olha me deixa irritada. Sigo até o escritório disposta a obrigar o Hüseiyn a colocar essa mulher para correr e assim que abro a porta, fico sem reação por uns instantes. O escritório tem isolamento acústico, não dava para imaginar que se passava aqui. Fecho a porta para Samia não entrar e tranco. Me aproximo do Hüseyin com medo.
Hüseyin...
Hüseyin: Escuto a voz da Ayla distante, é como se despertasse de um transe. Ela se aproxima sem me olhar, imagino que é pelo sangue escorrendo do meu antebraço. Tiro a minha camisa e enrolo no antebraço.
Ayla: Não existe mais um escritório, está tudo quebrado, tem vidros para todos os lados. Hüseyin estava encolhido num canto, abraçado ao próprio corpo igual uma criança assustada. Viro o meu rosto assim que vejo sangue pingando no antebraço dele. Deve ter se cortado quebrando tudo. Os seus punhos estão feridos e posso ver gostas de suor na sua testa. Ele tampa o antebraço com a camisa e encaro os seus olhos marejados. Uma cena muito triste.
Precisa de pontos?
Hüseyin: Ayla parece preocupada, não sei o que ela quer aqui.
Não, melhor sair.
Ayla: Me deixa te ajudar Hüseyin.
Hüseyin: Quer me ajudar depois de tudo que te fiz?
Ayla: Faria com qualquer um que precisa-se da minha ajuda. Você formou uma opinião sobre mim e não quis me conhecer, mas sou assim Hüseyin. Não viro as costas para ninguém!
Hüseyin: Sai daqui Ayla!
Ayla: Me deixe te abraçar?
Hüseyin: Não me toca!
Ayla: Hüseyin fala sério, me afasto com o coração na mão, ele está tão vulnerável, queria muito poder dar um abraço nele. Fico assustada com ele pegando uma pequena faca de caça na gaveta da mesa e um isqueiro. Continuo sem entender o porquê. Ele esquenta a lamina da faca até ficar vermelha e tento impedi-lo quando entendo o que vai fazer, mas é tarde demais. Ele coloca a faca quente no antebraço, observo a sua expressão de dor e os meus olhos se enchem de água. Can disse que ele era cruel com ele mesmo, mas agora pude constatar. A ferida precisava de pontos, mas ele cauterizou sozinho. O cheiro de carne queimada me incomoda e fico enjoada. Por uns instantes não consigo abrir a boca, apenas me esforço para não chorar. Encaro o sangue que escorreu no antebraço dele e fico tonta. Me viro, o Hüseyin se aproxima rápido e me sustenta. Me sento no sofá, o Hüseyin limpa o braço com a camisa e veste ela. Ele tenta se afastar, mas puxo ele para os meus braços e o abraço apertado. Ele é o homem mais cruel que já conheci, mas agora é só um menino assustado que precisa de colo.
Hüseyin: Tento me afastar e a Ayla me abraça ainda mais apertado. É muito estranho essa sensação, não permiti que ninguém que abraçasse e agora tem uma pequena mulher me sufocado. Respiro fundo e fecho os olhos um instante, uma sensação boa e ruim toma conta de mim e afasto a Ayla.
Ayla: Me deixe entrar Hüseyin, podemos ser amigos e ter um bom ano juntos.
Hüseyin: Não tenho nada dentro de mim Ayla, o que vê é uma apenas uma casca vazia. Não há nada de bom dentro de mim.
Ayla segura a minha mão e leva ao meu peito.
Ayla: Sente? Tem calor, mais do que isso tem um coração batendo rápido e forte aqui.
Hüseyin tira a minha mão do peito dele, ele se levanta e se afasta de mim.
Hüseyin: Não tente me salvar Ayla ou irei arrastá-la ao meu inferno particular.
Ayla: Hüseyin se vira de costas e posso ver as cicatrizes do seu corpo, não são piores que tem na sua alma. A sua voz soa pesada, ele parece viver num inferno particular.
Irei ao seu inferno particular de bom grado se houver a chance de te trazer lá.
Hüseyin: Encaro a Ayla sem saber o que falar.
Ayla: O que são essas cicatrizes?
Hüseyin: Apenas marcas de um passado distante que não importa mais.
Ayla: Porque não abre Hüseyin.
Hüseyin: Ayla não percebe que não terá nada de mim? Não vou me sentar com você e conversar sobre o meu passado.
Ayla: Tudo bem, se não quer falar vou respeitar. E se não quiser me socorrer enquanto cuido de você, precisa de um banho, porque vou cuidar dessa queimadura e está sujo de sangue.
Hüseyin tenta falar algo, mas não deixo. Seguro a mão dele e o gui para fora do escritório. A mãe dele nos encara curiosa, noto ela olhar o antebraço dele, mas ela não fala uma palavra.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Euridice Neta
Cada um com seu inferno particular, mais que bom que as vezes anjos nos cercam com sua bondade, empatia e carinho...
2025-03-17
1
Luciana Cavalcante
coitado agora entendo esse jeito dele de ser cruel so recebeu isso da mae e sentiu falta do pai
2025-01-14
1
Maria Aparecida Nascimento
O Huseyin sofreu maltrata de sua mãe Samia
2024-11-27
1