Ayla: Sabe Hüseyin, a sua presença é uma tortura.
Vou ao banheiro outra vez só para fugir do Hüseyin. Fico uns instantes na cabine, sentada no vazo, apenas respirando e descansando a mente. A falta do Mustafá somado a presença repugnante do Hüseyin tem sido muito doloroso. Saio do banheiro e encontro a Cármen que sorri amigavelmente na minha direção.
Cármen: Está formada querida?
Ayla: Sim, me formei a pouco em gastronomia.
Cármen: Gostei muito de você Ayla, é uma menina doce e agradável. Esse é o meu cartão, podemos marcar um dia para tomar um chá.
Ayla: Seria um prazer senhora Cármen.
Cármen: Acabo de comentar com o meu marido, o Hüseyin é como o pai, controlador e frio. Gostei de saber que se formou e trabalha, não deixe ele te moldar querida. Esses homens turcos, são machistas e tendem a controlar as suas esposas. Já vi casos horripilantes.
Ayla: Obrigada pelo conselho senhora Carmen, espero vê-la em breve.
Me despeço da Carmen e sigo até o Hüseyin, ele me encara com um olhar sombrio. Reviro os olhos, eu mereço!
Hüseyin: Pensei que ia ficar a noite toda no banheiro.
Ayla: Sabe que não seria nada mal, pelo menos assim não teria que ficar olhando para a sua cara desagradável!
Hüseyin: Vai sair do restaurante que trabalha amanhã!
Ayla: Não irei sair, não pode interferir nas minhas decisões pessoais Hüseyin.
Hüseyin: Me despeço dos associados e sigo segurando firme a mão da Ayla para fora do evento até o carro.
Estou te avisando que irá sair do restaurante e pedindo a sua opinião.
Ayla: Não manda em mim Hüseyin!
Hüseyin: Mas, querida esposa, controlo tudo que o dinheiro pode comprar! Vai pedir demissão ou irei fechar o restaurante amanhã mesmo e todos aqueles funcionários estarão na rua.
Ayla: Não pode estar falando sério!
Hüseyin: Não brinco Ayla.
Ayla: Hüseyin não pode ser tão cruel. Aquele restaurante é o meu trabalho, estudei muito para conquistar o meu cargo.
Hüseyin: Não precisa trabalhar Ayla!
Ayla: Mas, ainda sim, quero trabalhar!
Hüseyin: Não vou ficar discutindo com você. A decisão é sua, se não sair do restaurante, amanhã mesmo irei fechá-lo!
Ayla: Se fizer isso, irei fazer o que tanto me acusa, vou procurar a esquina mais barata da cidade e me tornar uma prostituta. Vou deixar que todos saibam e quero ver fechar a esquina!
Hüseyin: Não me desafie Ayla! Não tem noção do que sou capaz.
Ayla: Pego para descobrir!
Hüseyin: Chegamos a mansão, pego a Ayla pelo braço e guio ela até o nosso quarto. Ela grita e esperneia, mas não a solto. Jogo ela na cama e encaro ela bem sério.
De hoje em diante, não sai desse quarto, fará todas as refeições aqui, entendeu?
Ayla: Me levanto e tento correr até a porta e o Hüseyin me impede.
Hüseyin: Se continuar vou te acorrentar na cama!
Ayla: Corro até a varanda, abro o meu vestido e sento no parapeito, com uma perna de cada lado.
Hüseyin: Sai daí!
Ayla: Não se aproxima ou pulo daqui!
Hüseyin: Ayla, isso não é brincadeira. Saia já daí!
Ayla: Vai me deixar trabalhar e não serei uma prisioneira, é isso ou terá o meu sangue nas suas mãos!
Hüseyin: AYLAAAAAA!
Ayla: Hüseyin grita comigo e me desequilibro, ele pega a minha mão num movimento rápido e seguro a mão dele com as minhas duas mãos. Mal o enxergo ele com lágrimas descendo pelo meu rosto, estou tão cansada que sinceramente só queria que ele me soltasse.
Hüseyin: Ayla, pelo amor de Deus, segura a minha mão!
Ayla solta a minha mão e seguro a dela mais firme, a sua mão começa a escorregar e continuo tentando desesperadamente subir ela.
Ayla: Me deixa Hüseyin, não aguento mais. Por favor, me deixa!
Elivania: Vou até à área da piscina e grito desesperada vendo a Ayla pendurada na varanda. O Hüseyin segura a mão dela e entro em casa gritando por ajuda.
Hüseyin: Me ajuda Ayla, não vou conseguir te segurar assim por muito tempo. Eu prometo que terá liberdade para trabalhar e fazer o que quiser...
Can entra no quarto e me ajuda a puxar a Ayla, ela abraça ele chorando a ponto de soluçar. Me sento no chão tentando normalizar a minha respiração. Saio do quarto sem rumo certo, caminho por horas sufocado. Sinto algo molhar o meu rosto e noto que estou chorando. Memórias dolorosas invadem a minha mente.
Na mansão...
Ayla: Desculpa Can, estou melhor.
Can: Me afastei, porque preciso ir atrás do Hüseyin, ele precisa de mim agora Ayla. A Elivania vai ficar com você.
Ayla: Porque disse que precisa ir atrás dele?
As expressões apavoradas do Hüseyin invadem minha mente.
Can: Ele não teve uma infância fácil Ayla, imagino que o que aconteceu aqui possa ter sido um gatilho doloroso.
Ayla: Pode ir, estou bem.
Can sai e me sinto ainda pior. Me desesperei quando o Hüseyin disse que seria uma prisioneira, sei que ele seria capaz de me prender nesse quarto.
Elivania: Porque fez isso Ayla?
Ayla: Desespero, medo, dor...
Elivania: Ayla, nem imagino como tudo está sendo demais para você, mas não faz mais isso.
Ayla: Elivania me abraça e me acalmo. Tomo banho e visto algo quentinho. Tomo um chá e fico na sala esperando o Can.
Can: Procuro o Hüseyin por horas e nada. Volto a mansão para saber se ele voltou.
Ayla: Encontrou ele Can?
Can: Não, nem sinal dele Ayla.
Ayla: Liga para polícia Can.
Can: Não, é melhor esperar.
Ayla se aninha ao meu peito e fica quietinha esperando comigo na sala. O dia amanhece sem qualquer notícia do Hüseyin.
Ayla: Tudo está saindo do controle, jamais imaginei que faria algo assim. Hüseyin tem tornado os meus dias um inferno, mas não a ponto de desejar mal a ele. Estou esgotada emocionalmente e tentando lidar com a dor da partida do Mustafá. Não tenho palavras para descrever a profundidade do meu desespero, quando achei que ficaria trancada no quarto. Me arrependo de ter sentado naquele maldito parapeito, mas não posso mudar o que fiz. Hüseyin sumiu, sem segurança e sem motorista, não sei pelo que passou e nem o que está acontecendo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 60
Comments
Isa Abreu
Tô gom tanta raiva desse homem! Quê nem consigo comentar.
2025-03-28
0
Maria Campos
Agora vamos ver se ele aprende a tratar os outros.
2025-02-07
1
엘리 케이로스
ESSE CARA E UM IMBECIL ,TO COM UM /Puke/RANÇO DESSE CANALHA
2024-12-31
1