Ayla: Fico ajoelhada no túmulo do Mustafá, lágrimas rolam pelo meu rosto e me sinto angustiada. O meu peito dói, é tanta saudade que sinto que não vou suportar. São tantas mudanças, tantas coisas acontecendo, estou lutando para não sucumbir. Me sinto tão cansada.
Hüseyin: Vejo a Ayla ajoelhada, ela está chorando no túmulo do Mustafá. Me irrita estar aqui, ando de um lado para o outro nervoso. Não quero ir ao túmulo do Mustafá. Espero a Ayla perto do carro tentando ficar calmo, não quero magoar ela. Ayla caminha de cabeça baixa na direção do carro, abraçada ao próprio corpo depois de uma hora.
Ayla...
Ayla: Escuto a voz do Hüseyin, ele está parado, escorado no carro com as mãos no bolso. Praticamente corro até ele e o abraço, ele leva um tempo para passar os braços em volta do meu corpo. Hüseiyn faz de um modo frio e abraço ele ainda mais apertado. Só queria um pouco de conforto.
Hüseyin: Ayla me abraça, fico sem saber o que fazer. Dou uns tapas sem força nas costas dela.
Não sei o que fazer Ayla.
Ayla: Me abraça Hüseyin... por favor…
Hüseyin: As palavras da Ayla saem como uma súplica entre soluços, ela passa as mãos pelo meu pescoço e abraço ela pela cintura.
O que quer que faça para se acalmar Ayla?
Ayla: Hüseyin fala preocupado, não consigo falar nada. Me afasto depois de um tempo secando minhas lágrimas, um pouco mais calma.
A sua mãe, ela foi embora?
Hüseyin: Já foi, desculpa Ayla.
Ayla: Não teve culpa. Fiquei nervosa Hüseyin, sei que estão tentando resolver os problemas de vocês, mas não quero ela na mansão.
Hüseyin: A entrada dela está proibida.
Ayla: Ela destruiu minha horta. Não é a horta em si, mas o significado dela. Gostava tanto daquele lugar.
Hüseyin: Sinto muito, podemos reconstruir tudo. Eu te ajudo.
Falo sem pensar, a tristeza nos olhos da Ayla me doem na alma.
Ayla: Faria isso?
Hüseyin: Acho que sim, não entendo nada de horta, mas posso te ajudar!
Ayla: Nada vai substituir a hora que foi destruída, mas penso um pouco e talvez fazer essa horta com o Hüseyin seja uma oportunidade de melhorar a nossa convivência.
Quero ajuda.
Hüseyin: Está mais calma?
Ayla: Hüseyin me olha com atenção, acredito que por ter ameacado pular da varanda, ele ficou assustado comigo.
Um pouco, podemos tomar sorvete?
Hüseyin: Sorvete?
Ayla: Não falo nada, mas era uma coisa que fazia com Mustafá quando estava chateada. Ele topava tudo para me ver feliz e aproveitava para fazê-lo tomar sorvete comigo.
Gosto de sorvete.
Hüseyin: Vamos a sorveteira, mas vou te esperar no carro.
Ayla me olha triste e vejo lágrimas se formando no canto dos seus olhos.
Ayla: Melhor ir para casa.
Hüseyin: Eu vou à sorveteira com você!
Falo contrariado, sem entender o que estou fazendo.
Ayla: Obrigada.
Entro no carro com o Hüseyin, ele mantém distância e fica em silêncio. Fico olhando pela janela pensado em tudo que aconteceu desde a viagem do Mustafá. Me recomponho como dá antes de descer do carro. Sigo direto para o banheiro, lavo o rosto e saio desconfiada. Hüseyin não pede nada, enquanto eu monto um sorvete grande para mim.
Hüseyin: Gosta mesmo de sorvete?
Ayla: Você não?
Hüseyin: Nunca tomei sorvete.
Ayla: Nunca?
Pergunto totalmente surpresa.
Hüseyin: Tinha vontade quando criança, mas não merecia. Depois não quis mais!
Ayla: Engulo seco o não merecia.
Experimenta.
Hüseyin: Não!
Ayla: Porque não merecia?
Hüseyin: Era apenas um bastardo Ayla, fui o motivo da Samia adoecer e tive a punição que mereci!
Ayla: Porque acha que foi o motivo dela adoecer?
Hüseyin: O Mustafá a deixou porque teve um filho, esse filho desgraçou a vida dela e levou o nome da família para lama. Ela não suportou a vergonha.
Ayla: Era só um bebê, não teve culpa de nada!
Hüseyin: Toma o seu sorvete Ayla!
Ayla: Já estou satisfeita. Podemos ir?
Perco a vontade de tomar o sorvete. Só de imaginar uma criança sendo punida por nascer, me dá indigestão e mal estar.
Hüseyin: Pago a conta e seguimos para o carro, Ayla me olha de canto, odeio esse olhar de pena. Evito olhar para ela e seguimos até a mansão. Recebem a Ayla na porta, ela é realmente muito querida aqui. Sigo até o escritório e está tudo limpo.
Elivania: Posso entrar senhor Hüseyin?
Hüseyin: O que quer Elivania?
Elivania: Me desculpar por mais cedo. A forma que falei com o senhor.
Hüseyin: Repita e nem mesmo a Ayla irá ganhantir o seu emprego!
Elivania: Sim, senhor. Limpei o escritório e encontrei isso no fundo falso da escrivaninha quebrada.
Encontrei um envelope de uma investigação feita anos atrás da Ayla. Não revelo que abri, mas entrego ao Hüseyin para que ele leia e entenda a história dela.
Hüseyin: O que é?
Elivania: Não sei dizer, licença.
Hüseyin: Abro o envelope e tem uma investigação feita pelo Mustafá. É sobre a Ayla e o conteúdo me deixa sem reação por instantes infinitos. Ayla foi enviada como uma prostituta de luxo ao Mustafa, para saldar uma dívida de drogas da mãe aos 16 anos. Leio atentamente sem acreditar. Ela foi abandonada pelo pai aos 10 anos e veio morar com a mãe no Brasil. A mãe é uma viciada e era ela quem cuidava da Sanem e da casa. Dentro envelope tem um contrato assinado pela Ayla e pelo Mustafá. No contrato o Mustafá pede que a Ayla estude, faça alguns curso e em troca ele iria internar a mãe dela. Recebo uma mensagem do meu investigador, abro o meu e-mail e posso ver que a história bate. Depois disso, a Ayla estudou, fez os curso e quase não saiu da mansão nesse período de quatro anos. Acesso as imagens das câmeras de segurança da mansão e o que vejo faz o meu peito doer. O Mustafá é a Ayla tinham uma relação de pai e filha, uma que ele nunca tentou comigo. Ele ensinou a Ayla a jogar jogos de tabuleiro, a dançar e a se comportar em público. Os dois eram unidos e realmente pareciam pai e filha. O meu investigador disse que a Ayla nunca teve namorado ou saiu com alguém. Agora entendo porque ela parecia não ter experiência com o beijo e porque ficou tão magoada. Foi o primeiro beijo dela. Não sei o que pensar, tenho ainda mais raiva do Mustafá. Procurei ele aos sete anos de idade, estava ferido e fui expulso da mansão por seguranças. Estava desesperado, a Samia precisava de ajuda, mas ninguém me ouviu. Tudo piorou depois disso.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Elizabeth
É eu imaginei isso, ele tinha raiva da Ayla por achar ser amante de seu pai, agora ele o pensamento de que o pai dele foi um pai para ela.. como nunca foi para ele! Mais ela não tem culpa espero qie ele entenda !
2025-02-22
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Marlene
Não entendi porque o mustafa não cuidou do filho dele
2024-12-24
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joelma sousa
N disse q já tá apaixonado /Chuckle//Chuckle/
2025-01-26
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