— Ceci? Está me ouvido, querida?— Dona Íris me chama.
Levo um susto e esbarro no garfo que voa, caindo no chão levando consigo uma boa quantidade de macarrão.
— Que por... — Tampo a boca, olhando para o Liam. — Que... pudim... desculpa — Sussurro, olhando para Honey.
Olho para minha roupa suja de molho e para a cabeça do cachorro com uma mancha vermelha, ele está com uma expressão nada satisfeito, parece me odiar.
— Desculpa. Thor — Sussurro tentando limpa-lo, mas desisto quando rosna mostrando os dentes.
Suspiro frustrada e pego o talher do chão colocando em cima da mesa.
Viro para dona íris, que está com uma garrafa de vinho na mão. A vergonha toma meu rosto quando percebo todos me encarando, inclusive o dito cujo. Não gosto de atenção, não gosto que o foco de uma conversa esteja voltado para mim. Me encolho e respondo
— perdão, eu não ouvi. — a minha voz quase falha.
Consigo sentir o meu rosto esquentar.
— a minha mãe perguntou se aceita uma taça de vinho — a voz grossa e profunda soa como um despertador no meu corpo. Sinto todos os pelinhos se arrepiarem.
— Prova. Foi Eduard que me presenteou, posso garantir ser o melhor que já provou— Brady oferece.
— E se tem uma coisa que o meu filho entende bem é de vinho— Seu Henry fala
— Não mais que mulher — Charlotte completa limpando os cantinhos dos lábios, graciosamente, com o guardanapo.
— E carro, aliás cunhado, quando vai deixar eu dar uma volta no seu brinquedinho?— Tom pergunta, apoiando os cotovelos em cima da mesa.
— No dia de são nunca... ninguém toca naquele carro e sabe disso, tom.– Eduard responde.
Abaixo a cabeça e, discretamente, olho para ele. Sei que tinha mais a ser dito, mas fico feliz por não mencionar o dia que peguei o seu carro.
Foi uma experiência marcante. Não sei ao certo o que ele achou, se estava confortável ou não comigo no volante. Sei o quanto ama aquela belezinha e me deixar dirigir foi um momento de vulnerabilidade. Acredito que foi a primeira vez que deixou alguém no controle. E foi bom. Ótimo ver ele visivelmente relaxado. É assim vez ou outra.
Foi desse jeito essa manhã, no banheiro.
Pedi a sua ajuda sem saber se estava fazendo a coisa certa, mas não tive outra opção.
Honey estava sem falar comigo e não tenho muitas amizades.
Ele foi a única pessoa que veio a minha mente.
Odeio ter que admitir, mas me sentir especial quando ele não relutou e atendeu o telefone no primeiro toque. Foi carinhoso, atencioso. Ouvi quando deixou o lugar barulhento comigo ainda na linha.
Até ganhei chocolate.
Eu sei, é ilusão da minha parte acreditar que ele fez tudo aquilo por que gosta de mim. Mas por um minuto, uma fração de segundos, pensei que ele estava ali, no banheiro, porque gostava da minha companhia.
Bom, me enganei!
Encaro o loiro e desvio para olhar a dona íris que permanecia com a garrafa na mão.
— Obrigado, vou ficar só na água. — recuso, esboçando o meu melhor sorriso ao perceber que ela fixa o olhar nos meus olhos, parece querer enxergar a minha alma.
Eu, Hem!.
— Não precisa ter medo, até uma inexperiente como você consegue apreciar o sabor doce, seco, com um toque amargo que ao se misturar causa uma sensação de prazer inebriante — as palavras saltam da boca do Eduard suave com o timbre controlando, enquanto gira o líquido na taça. Por último leva nos lábios, saboreando com calma.
Lembro dessa mesma frase decorada do seu apartamento.
E não, não ia deixar barato.
— A descrição do vinho lembra você, Eduard. Tirando o lado doce. — Respondo, fixando o olhar nele, que sorri.
Os lábios mal se mexem, o que aparece é um pequeno resquícios de um sorriso.
Aff...
Ficamos assim, nos encarando, por alguns segundos que parecem horas. Uma briga silenciosa para ver quem quebra o contato visual primeiro.
Sinto as minhas bochechas esquentarem e sei que estou vermelha.
Mas não desisto, coloco as mãos em baixo do queixo e o desafio, com a sobrancelha levantada. Eduard coça a nuca, parecendo que quer falar algo, mas desiste.
Isso me irrita!
Esqueço! ele não merece o meu tempo. olho para a Honey sentada muito apreensiva do outro lado do Liam.
Suspiro, contente.
Após o telefone do Brady passei o dia inteiro com a pulga atrás da orelha. Estava curiosa e nervosa para saber o que ele queria comigo. ocorreu-me várias coisas, mas não imaginei que fosse ela a razão da ligação.
— Honey — Sussuro por trás do Liam, ela me olha e chega mais perto— por que está tão calada? — pergunto vendo ela baixar a cabeça.
— Você me conhece tão bem! — Ela sorri toda meiga, esticando a mão na minha direção. Os dedos gelados denunciavam o seu nervosismo.
Isso corta o meu coração, passei os últimos anos da minha vida dividindo tudo com ela. O apartamento, as despesas, o cuidado com o Liam, os problemas. A nossa vida nunca foi fácil, mas o que eu não sabia era que sentiria falta até da época difícil.
Se o pinguinho ficava doente, passava a noite acordada. Não importava o quanto estava cansada, a minha prioridade era estar ao lado dos dois. Quando as crises da Honey dava os primeiros sintomas, eu precisava estar preparada para ajuda-lá. As vezes demoravam dias para ela se recuperar, outras, ela simplesmente se isolava do mundo exterior. E como ela sofria de falta de sono, depois de uma crise apagava por horas e eu precisava está ao lado dela. Sentia a obrigação de socorre-la sempre que necessário. E nunca foi pelo dinheiro, e sim pelo carinho, amor e pelo significado que os dois têm na minha vida. São a minha família e não sei se estou pronta para abdicar deles.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 104
Comments
Jucileide Gonçalves
Uma amizade verdadeira é super difícil.
2024-09-16
0
Maria Izabel
Autora Vera Sales vc arrasa com estes capítulos 😍❤️ rindo muito com Ceci e Eduard kkkk 👏👏👏👏👏
2023-08-19
16
Olivia Costa Rossi
estou amando essa briga de gata e ratokkkll
2023-07-31
3