Ela pisca com olhar inocente e abre um meio sorriso encarando o teto, disfarçando as primeiras gotas de lágrimas que fugiram de seus olhos
E porra... preciso fincar os pés no maldito azulejo para não me levantar. Eu queria abraçá-la. Era tão difícil ver a pequena assim, baixando a guarda e se abrindo comigo, que meu único desejo era permanecer naquele banheiro pelo resto do dia.
— Ela vai voltar, Chaveirinho.— sussurro e ela revira os olhos, cruzando os braços— sei o que estou dizendo! Só faz um mês que ela sofreu o atentado daquele crápula. Um mês que ela praticamente nasceu de novo e...
Esfrego a nuca, nervoso.
Que merda!
Não queria tocar naquele assunto.
Ceci pagou um preço muito alto pela escolha que fez no passado. Honey confiou a própria vida e a do seu filho a ela. E não foi nada fácil sair da UTI e descobrir que a melhor amiga estava por trás de informar todos seus passos ao avô. Minha cunhadinha é uma mulher forte, querida por todos, principalmente pelo meu irmão Brady, que desde o primeiro dia que a viu, ficou apaixonado. E sou grato por isso. Brady voltou a vida por causa dela e do pequeno Liam. Mas ela sofreu muito e depois de descobrir que a Cecí e o meu irmão sabiam sobre as armações de seu avô, Honey se afastou. Culpou Cecí de ter ficado calada e não ter denunciado que seu avô estava mais perto do que imaginava, e ainda por cima, Cecí a pessoa que mais confiava no mundo sabia de tudo e não contou.
— Eu sei pode falar... que ela descobriu que a melhor amiga, que sou eu, a traiu pelas costas. Contando tudo que ela fazia para o avô, que até então, todos achavam que era o maior vilão da história, mas que no fim, só estava tentando ajudar. Mas que droga! Eu sei que errei ficando calada. Mas custava a Honey me ouvir? Ele só queria o bem dela e eu também. Nunca tive a intenção de magoa-la...
— A questão não é a intenção e sim que você a magoou, ela confiou em você.
— Eu sei! — se exalta e se apressa em justificar — Eu juro, tudo que eu fiz não foi só por dinheiro! Honey precisava de um lar e eu da maldita grana para terminar a faculdade. Nossa amizade começou bem antes do avô dela me propor o acordo. Não fiz por mal...eu só precisava cuidar dela e manter o avô informado dos seus passos. O que não foi difícil. Honey sempre foi uma pessoa exemplar, dona de uma personalidade forte e o seu jeito de sempre procurar fazer o correto nunca a deixou pisar na bola. Eu a amo e sou apaixonada pelo Liam, foi assim desde quando aquela coisinha ainda era uma sementinha.
Com dificuldade, me levanto do chão gelado e me encosto novamente na parede. Prendendo minhas mãos no bolso da calça. Meus dedos estavam coçando para tocar as maçãs avermelhadas do seu rosto. O pingo de gente dentro daquele macacão Jens surrado parecia ainda menor ao se encolher. Os olhos tristes vagando entre meus pés e suas mãos cruzadas em frente o corpo.
—Eu mereço o desprezo dela, mereço que nem olhe nos meus olhos.
— Não é assim, meu irmão também está sofrendo com a distância da honey, mas ele entendeu que ela precisa de um tempo... minha mãe está cuidando dela e do Liam, vai ver que em poucos dias ela volta para empresa, para o meu irmão e para o apartamento. Tenho certeza disso, não precisa se torturar. Você já pediu perdão, já tentou falar com ela, agora é só esperar, vai ver que ela vai enchegar a pessoa maravilhosa que você, que tudo que fez foi só para o bem deles, pequena.
Sem ter controle das minhas pernas e mãos, dou um passo a frente, ficando exatamente à sua frente, tão perto que consigo sentir o cheiro de morango, que de algum modo, sempre estava impregnado nela.
Ela me encara
Porra! Sinto o meu coração errar uma batida com aquele olhar.
Os olhos numa mistura de expectativa e um pouco de surpresa.
Respiramos os dois juntos com os olhos presos um no outro. A Boca rosada de menina se abre lentamente, o nariz pequeninho e avermelhado tão perto que consigo enchegar as sardas espalhadas na ponta e nas laterais.
Está perto demais, chaveirinho.
Minhas mãos coçam para irem até os cabelos que estão soltos, de forma desorganizada emoldurando o rosto angelical. Cecí é a bagunça em pessoa. Um clock pink no pé, uma camiseta preta desbotada e aquele macacão que, de um mês pra cá, já conhecia o caminho de cor e salteado da empresa. Mas ela não precisa de mais nada. A inocência e toda a delicadeza que traz em seu olhar é hipnotizante e não é uma roupa ou uma maquiagem que a deixa mais bela. Ela é lindas só por ser ela mesmo.
Ela desvia o olhar, quebrando o contato visual
— Se alguém o visse neste momento diria até que está preocupado comigo.— rebate se afastando com uma tonelada de julgamento no seu tom de voz, fugindo, quebrando toda a magia de segundos atrás — Vai perder a moral entre as mulheres.
Me afasto, dando alguns passos para trás e enfiando as mãos nos bolsos.
— Nunca! Eu negaria até a morte! Só estou torcendo para que vocês duas se acertem logo, rápido, o quanto antes! Só assim não terei que comprar absorvente às três da manhã, ficar ouvindo choro de mulher com TPM e ainda ser interropindo durante uma foda. Sabe por que eu não namorei até hoje?
— porque você é um babaca insensível que só sabe usar a cabeça de baixo?
Ela ajeita a coluna para parecer mais alta e sinto uma necessidade incontrolável de provocá-la.
— Porque não suporto ficar na presença de uma mulher por mais de uma hora. — afronto, tentando, com tudo de mim, para não sorrir ao ver a expressão de horror que atravessou o seu rosto.
— A porta da frente é serventia da casa, senhor cafajeste. Desculpa ter atrapalhado sua foda de milhões, olha pelo lado bom, da próxima não fara o sacrifício de conquista-lá. É só leva-la direto para seu abatedouro.
— E quem disse que terá uma próxima? Comigo é apenas uma noite, nada mais!
Desvio o olhar da gnomo, porque ela fez uma careta que apareceu o pequeno vão no queixo que me deixava hipnotizado, eu precisava sair dali antes que o lado demoníaco daquela peste resolva me tirar do sério.
— Faça bom proveito dos absorventes, e apague meu número da sua agenda, não quero mais ser incomodado em plena madrugada para comprar esses troços.
— para sua informação nem salvo está. Tive que hackear o celular do seu irmão para encontrar a única pessoa que não dorme a noite, porque está ocupado demais usufruindo dos seus dotes de cafajestes.
— Olha que peste! — virei, e apontei para a baixinha cínica. — meu irmão vai gostar de saber disso!
— Eu.. eu estava brincando... eu... não ,não! A Honey me deu o seu número há algum tempo....
A atrevida mentiu com toda a convicção que a sua altura podia proporcionar.
Dei as costas e caminhei com passos largos para fora daquele banheiro, seguido por uma duende de jardim perigosa gritando bem no meu ouvido.
— Eduard Foster— esbravejou, parando e me fazendo frear bem no momento que alcancei a porta de saída. — Se abrir a boca para o seu irmão... eu... eu ... nunca mais olho na sua cara, não falo com você... nunca mais...penso ou lhe dirijo a palavra!
— Vamos ver se consegue — Falo ainda de costas para ela. O sorriso surgiu com a audácia do desafio. — Bom dia, chaveirinho.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Jucileide Gonçalves
Alfinetada vai, alfinetada vem e dessa forma vai surgir um grande amor.
2024-09-16
0
Dora Silva
esses dois é comédia
2024-05-03
0
Denise Gonzalez
estou adorando a história
2024-04-11
0