Olho para o Brady que me encara com um sorriso sacana de lado
— Por que ta me olhando com essa cara?— Pergunto, fechando a cara
— Ih, qual é? — Ele reclama, mas o ignoro.
Dou as costas para as duas que permanecem abraçadas e atravesso a sala em poucos passos até alcançar uma garrafa de uísque na cozinha.
Mas que diabos estava acontecendo comigo?
Se continuar nesse modo sentimental, irei acabar como o meu irmão.
Usando um avental ridículo, cozinhando para uma mulher enquanto espero ela chegar do serviço. E quando menos esperar estarei casado, com um carro de oito lugares, morando numa casa com quintal e um balanço na árvore.
Pego o copo no armário e derramo o líquido, viro tudo de uma vez na boca, sentindo queimar a garganta, mas não me dou por vencido, encho outro, disposto a esquecer aquela sensação estranha que se instala no meu peito.
Adoro a minha vida, meu carro de apenas dois lugares e minhas noites de solidão. Não troco isso por nada, nem pela loira de sorriso fácil e olhar sedutor que me encara de longe.
Olho por cima do ombro, quando Brady entra na cozinha.
— Por que pediu que eu viesse? Não vejo nada que exija minha presença aqui!
Falo, vendo ele mexer algo na panela que cheirava incrivelmente bem.
— Você não é obrigado a ficar. — Ele reclama e sinto a chateação na sua voz. Ele sempre usa aquele tom de voz quando está incomodado. O homem, com quase dois metros de altura tem um coração estranhamente emotivo. O que muitas vezes me irrita.
Tomo o último gole deixando o copo sobre a ilha e me viro para observa-lo.
As costas relaxadas deixa claro o quanto gosta de estar ali.
— Cadê a mamãe? — pergunto.
Brady olha no relógio ao meu lado e me encara
— Não vai demorar, marquei com vocês primeiro porque Honey queria falar com a ceci.
— E eu? onde entro nessa história? Qual o motivo de estar aqui?
Desvio o olhar para a minha cunhada sentada no sofá, conversando com a ceci.
Brady desliga o fogo.
Tira o avental e finalmente consigo ve-lo como igual. Não é que não goste do estilo de vida que ele escolheu, mas nunca me vi nesse papel.
Não procuro amor e sim momentos.
Ele se vira e vem na minha direção, encostando na ilha ao meu lado.
— Te chamei porque sabia que a Cecí iria precisar de você aqui.
— Cecí? — Solto uma gargalhada— precisando de mim? Tá enganado meu irmão!
Nego, ainda rindo.
— Não pense que não notei que vocês chegaram de mãos dadas, e o modo como olha para ela.
— Não há nada errado com o modo que olho para ela, a não ser quando quero esganá-la. Aí você pode ficar preocupado.
— Não é disso que estou falando, quero dizer que você tem um carinho especial pela ceci, já conversamos sobre isso, e não tente me enganar. Só não quer dar o braço a torcer.
— Já falei e repito, o único sentimento que tenho pela loira é o puro prazer de atormenta-la.
— Cuidado que isso pode virar outra coisa!
— Assassinato? Ela bem que me ameaçou....
Ele balança a cabeça.
— Por mais que não queira admitir, você gosta dela. Deveria dar uma chance, quem sabe não rola alguma coisa legal?
Ah não... esse assunto de novo não.
— Por escolha, tenho uma vida que não quero e nem pretendo trocar. Porque vocês não acreditam que sou feliz sem essa frescura de romantismo?
— Uma vida cruel sem amor. Vazia!
— Vazia para você! — Respiro fundo. Ele revira os olhos e cruza os braços e os pés na altura do tornozelo. — Não adianta dramatizar. Tenho idade suficiente para saber o que quero.— Esfrego os meus olhos. — Além do mais, tenho todos os motivos do mundo para ficar bem afastado daquela loira diabólica que só sabe torrar o meu juízo. Sabe o que ela fez essa madrugada?
— A história do absorvente? — Brady Murmura, o rosto sério assume uma expressão engraçada.
— Claro que é a história do absorvente! Revirei Chicago atrás de um troço que tem uma variedade de modelos e marcas. Você sabe o que é um coletor vaginal?
— Sim, ao contrário dos absorventes externos ou internos, esse coleta o fluxo ao invés de absorver.
Respiro com calma.
— Claro que você saber. — Sussurro— deixa quieto, esqueci ser perito em mulheres. — Provoco, quando ele levanta uma sobrancelha
— E você é experiente em leva-las para cama e sair de fininho antes do nascer do sol.
— E pretendo continuar assim até morrer, jamais uma mulher será capaz de mudar isso. — Rosno
Nem termino de falar e Ceci entra na cozinha com aquele nariz arrebitado, abre a porta do armário e pega um copo.
— Onde tem agua gelada, Brady?— Pergunta, evitando contato visual comigo.
— Na geladeira! — Respondo o óbvio.
— Mudou de nome, cunhado? — rosna entre dentes.
As bochechas corando de ódio.
É isso, ódio, o único sentimento que habita entre nós.
Estreito os olhos quando o cheiro de morango adocicado invade o cômodo.
Não sei se é da própria fruta ou da própria praga na minha frente tomando água com a porta da geladeira aberta.
Observo seu pescoço inclinado para trás enquanto o líquido escorre pela sua garganta. Aquilo me deixa com tanta sede que preciso limpar o cantinho dos lábios.
A campainha toca.
— Nem uma mulher, sei! Espero que um dia não se arrependa e tenha que admirar de longe o que tinha tão perto. — Brady provoca nos deixando a sós para atender a porta.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Marcinha
amei que as duas está bem ❤️❤️
2024-03-08
6
Dora Silva
fiquei feliz ☺️ com as duas se perdoando a amizade delas é muito linda 👏🏼
2023-12-17
4
Elizabeth Fernandes
Eduard precisa só uma noite com ela aí baby já era ❤️❤️❤️
2023-08-16
5