Dou um passo para dentro e chamo, decidido ser a última vez.
Das três cabines a última é a única que está com a porta fechada, de lá vem um sussurro bem baixinho, quase inaudível.
Com pegadas leves, ando até parar em frente a porta.
— Pode me ignorar o quanto quiser, mas não vasculhei a cidade inteira em busca dessas coisas em vão.
Ela não me responde, tiro alguns pacotes de absorventes da sacola e passo pelo pequeno vão entre a madeira e o chão. Recebendo um murmúrio bem irritado.
— Desculpa a demora, eu estava meio... ocupado.— bem ocupado, para falar a verdade, mas ela não precisa saber — E, além disso, isso aí não é nada fácil de comprar. Ainda estou-me perguntando como as mulheres conseguem diferenciar e escolher um dentro de tantos outros. Poderia ter dado uma missão menos impossível. Talvez roubar um banco, infringir alguma lei ou cuidar de uma criança.
— Não seja insensível, Eduard! — Aquela voz tinha o poder de tirar qualquer um do sério, principalmente eu.
— Insensível, eu? Jamais! — Ri, com o exagero presente nas minhas palavras.– Pode dizer o que está fazendo aqui a essa hora? — Pergunto, olhando no Rolex no meio pulso.
— Não é da sua conta!– Responde afrontosa.
— Pois bem, se você não quer me contar então vou adivinhar. O seu harém masculino te deixou na mão de novo, e como sempre, você teve que fazer o trabalho sozinha, acertei?
— Não!
Engulo em seco, porque nem eu que passei a conhece-lá melhor nesse último mês, acreditava naquilo. Ao certo o bosta por quem ela é perdidamente apaixonada deixou alguma coisa para ela fazer. Will é o nome dele. Um cafajeste da pior espécie, conhecia bem seu tipo pois me olhava no espelho, mas eu não era tão manipulador ao ponto de abusar da boa vontade de uma pessoa tão doce e inocente, as vezes, quanto a Cecí. E aquilo me dava nos nervos. Me deixava completamente irritado e furioso.
A primeira vez que o vi, ele estava engolindo uma moça qualquer em uma boate enquanto a loira o observava com uma expressão nada contente no rosto. Foi naquele dia que quis mata-la pela primeira vez. Fora uma vez que a praga derrubou café no meu terno ou a vez que nos esbarramos no elevador. A mini granada quase derrubou o edifício, tudo porque ela não queria dividir o mesmo ambiente que a recepcionista, que não parava de me secar, mas que eu já havia levado para cama e não estava nem um pouco a fim de repetir o cardápio.
— Alguém fez merda e sobrou para você? A única mulher nessa empresa e nenhum dos seus machos teve a decência de ficar para ajudar?
— Eu que pedi por isso quando os obriguei a me tratar por igual, lembra? Hoo...claro que não? porque não somos amigos e você não me conhece.
Ri baixinho, encostando na parede. Não, Ceci, eu não a conheço. Apenas sei que adora sorvete napolitano derretido, que particularmente acho nojento pra caramba deixar aquilo fora da geladeira para comer os três sabores misturados. É incompreensível para mim.
Também tinha um péssimo hábito de influencer meio mundo para assistir um filme, mas dormia nos dez primeiros minutos.
Não sabe cozinhar, mas adora ajudar nos preparativos.
As suas bochechas ficam rosadas toda a vez que alguém foca muita atenção em cima dela. E tem a marquinha no queixo, um pequeno vão que adoro encarar quando ela não está olhando.
Tenho um orgulho danado da amizade dela com a Honey, sua melhor amiga, e o amor que sente pelo pequeno Liam...
Haa... E pensa em uma baixinha inteligente... Uma rata nas redes... com um computador na mão ela descobre até a senha do presidente dos Estados Unidos. Ela é incrível e eu sou prova disso. Presenciei ela hacker as contas de um juiz corrupto que estava ajudando um ser desprezível, que nem vale a pena mencionar, e tudo em mesmo de vinte e quatro horas, na verdade durou apenas alguns minutos.
— Bom, já que não somos amigos e eu não te conheço suficiente para saber o que se passa nessa cabecinha, você não vai se importar de me sentar aqui e esperar até o meu horário.
— Como? — pergunta, incrédula — Vai se sentar nesse chão com inúmeras bactérias e sujar o seu terno perfeito e caro?
Encaro o meu terno, que nessa altura já estava sujo, amarrotado e fedendo.
— Não só vou, como já estou sentado.— Estico os braços e alcanço um pedaço de folha de papel e a estendo no chão. Deslizando em seguida até sentar.
.— Não vai me contar mesmo por que está aqui a essa hora? — Pergunto novamente, lembrando do chocolate no pequeno embrulho.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Glaucia Consoli Consoli
não vi foto da Ceci e essa amizade vai dá amor
2023-11-08
12
Olivia Costa Rossi
Que amizade doceeeeee
2023-07-29
5
Camila Lopes
engraçado é cafajeste mais é onesto kkkkkk
2023-07-13
0