— Do que está com medo?
— Não estou, só não quero entrar.
— Você pode ser normal só uma vez e parar de usar frases curtas, sem sentindo que só você entenda e explicar porque está fugindo?
— Não lhe devo explicações, finja que nunca estive aqui!
— Sabia que você era insuportável, mas nunca pensei que fosse covarde.— acuso.
Ela para no lugar e se vira, me fuzilando.
— Quem você chamou de covarde?
— Você! Você é covarde. Veio até aqui e está com medo de entrar. —explico como se ela fosse uma criança.
Ela começa a andar toda brava, pisando fundo e para na minha frente apertando a campainha.
— Pronto! Satisfeito?
— Não, só estarei satisfeito quando você estiver lá dentro e me provar que não é nenhuma covarde e vai encarar os fatos de cabeça erguida.
— Deus! você é uma piada, Eduard.
Ela começa a rir com aquele ar de deboche que, vez ou outra, me fazia querer esganá-la. Torço os lábios ciente do que viria pela frente.
Ela começa a gargalhar.
A loira fica vermelha. Os lábios cheios se curvam cada vez mais. Ela se contorce e preciso suspirar e esperar aquele ataque nervoso de riso terminar.
O que era tão engraçado?
Olho ao redor. Não há nada que possa desencadear um ataque daqueles. O lugar, além de nós dois, só tem uma extensão de árvores, mata e a estrada.
— Olha quem está me chamando de covarde, uma pessoa que foge de relacionamentos como o diabo foge da cruz. — Fala, explodindo em outra gargalhada.
Só não devolvo a acusação, porque ela explode em outra gargalhada gostosa e muito alta. No primeiro momento me assusto, mas depois me acostumo, lembrando que nem se eu tentasse, conseguiria entender o que se passa naquela cabeça sem juízo e completamente louca.
O som vai entrando nos meus ouvidos e me pego sorrindo sem motivo algum.
Ela tem um sorriso lindo...
As bochechas estavam vermelhas, os olhos fechadinhos, ela coloca as mãos na barriga para tentar se aguentar e recuperar o fôlego.
Estava tão aérea no seu mundo de Narnia que não percebe quando Honey abre a porta.
A minha cunhada pisca para mim e coloca o dedo indicador nos lábios. Noto nos seus olhos uma certa apreensão, mas gosto de ver como está linda esbanjando um sorriso. Usava um vestido preto justo, os cabelos cheios e ondulados emolduram o seu rosto.
Linda, muito linda. A única mulher imune ao meu charme. Julgo que ela sempre esteve predestinada ao meu irmão, porque eles formam um casal único, perfeito.
Desvio o olhar para a estranha, agora com a mão no joelho e limito-me a cruzar os braços.
— Você precisa ver a sua cara quando alguém fala em casamento, é tipo " Aí meu Deus, eu vou morrer. Me socorre. "– Ceci fala, engrossando a voz. — Parece mais uma praga do que uma união de almas.
— Ficar amarrado, aguentando a loucura de uma mulher durante anos tem outro nome? É como disse? União de almas?
— Não seja dramático...— Fala, puxando o ar.
— Dramático, eu? A única pessoa dramática e perturbada aqui é você.— enfatizei, mas ela não pareceu notar.
— Ceci tem razão, Eduard! Precisa acabar com essa aversão a casamento.— Honey finalmente abre a boca e vejo Ceci engasgar ao olhar para a morena encostada na porta.
— Nunca! Vou carregar o meu legado até a morte— Declaro, ciente do olhar incrédulo da minha cunhada.
Volto a minha atenção para a loira com os olhos marejados. Dessa vez, não é do ataque de riso e sim da emoção de finalmente ver a amiga.
— Vocês vão ficar me encarando ou podemos entrar para conversar? — Honey fala
— Eu... eu..— Ceci gagueja, as palavras parecem estar presas em sua boca
— Vamos! Brady está na cozinha preparando uma massa para o jantar.
Sinto uns dedos gelados procurarem minha mão e desço os olhos para ver Ceci inconsciente entrelaçando os dedos nos meus.
O toque me causa uma sensação estranha.
Inclino até estar a centímetro do seu ouvido e sinto seu corpo pequeno se retesar.
— Vai ficar tudo bem— Sussurro, nos guiando para dentro.
Eu sei, quando ela perceber aquele contato íntimo fugirá, mas não deixo de aproveitar cada segundo aquela nossa trégua. Aperto os dedos pequenos entre os meus, sentindo a pele macia e delicada.
— Apostei com a Honey quanto tempo ficariam discutindo la fora — Brady aparece com um coque nos cabelos, uma camisa branca e uma calças preta básica com um avental ridículo por cima escrito "chefe", ele sempre usa aquele negócio quando cozinha com o Liam.— Entretanto ela não aguentou esperar. Me diz uma coisa, o que ganham com essas discussões?
— Não tanto quanto você fazendo apostas sobre a minha vida! — Ironizei.
Dou um passo em sua direção.
Ele abre um sorriso, erguendo os braços para me abraçar.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Dora Silva
quando esses dois se pegar vai explodir o quarto 💥💥💥💥💥💥💥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥
2024-05-03
4
Silvana Pereira
como sempre seus livros são maravilhosos, só podia ter áudio
2024-03-20
1
Dora Silva
adoro esses dois brigando por vê que nem um dos dois percebeu o grande amor 💘 que existe entre eles
2023-12-17
7