— Brady, está me ouvindo? — berro, esfregando a têmpora
— Estou Eduard, estou— responde num tom cansado — podemos falar sobre isso outro dia?
— Outro dia quando? Amanhã, semana que vem ou mês que vem? Preciso de uma posição para tirar o Smith do meu pé. Não aguento mais ele me ligando de hora em hora para encher a porra do saco. Sabe de uma? Se ele está assim agora nem imagino como vai ser depois que fecharmos o acordo. Estaremos ferrados.
Dramatizo e reviro os olhos, cansado do dia. Só quero sair daqui, viver o que a noite tem a me oferecer e descarregar todo o meu stress dentro de uma desconhecida qualquer.
— Esqueceu que precisamos da opinião da Honey, ela é nossa advogada, não podemos tomar uma decisão sem consulta-la e sem a aprovação do conselho, nem sem uma nova averiguação nos documentos. — Não respondo, a minha mente vagando para minha madrugada conturbada, e isso mais a falta de uma resposta decente, deixa-me nervoso. Solto uma lufada de ar — Me responde uma coisa. Qual ruim foi a seu dia para estar com esse mau-humor todo? — Ele pergunta.
— O problema não foi o dia e sim a madrugada, revirei toda a cidade atrás de um pacote de absorvente.
— Absorvente? — A risada e o sarcasmos no seu tom de voz escorre pela linha telefónica. Tenho vontade de mata-lo. Juro que se ele estivesse na minha frente, teria uma Terceira Guerra Mundial. Mas tudo faz sentido quando ouço uma gargalhada feminina do outro lado da linha, Brady está acompanhado. Safadinho...
Eis a razão do sumisso e do bom humor em seu tom de voz. E se eu o conheço bem, posso jurar que o motivo da sua alegria é minha cunhadinha que resolveu perdoa-lo.
— Sim, mas podemos conversar sobre isso depois, não quero atrapalhar seja lá o que esteve fazendo o dia todo. — Repondo
Ouço Brady sussurrar alguma coisa.
— Podemos conversar hoje. Quero que venha até minha casa! — O convite vindo dele me pega de surpresa, mas não posso deixar de brincar.
— Não sei o que andou fazendo, mas se for para encobrir alguma cachorrada, eu sou completamente a favor. Também posso ajudar a enterrar o cadáver ou servir de testemunha. O que quiser, seja lá o que for, irmão é para isso— Nem termino de falar e já ouço o meu nome num tom nada satisfeito.
— Eduard— A voz feminina que conheço bem grita do outro lado da linha. O sorriso no meu rosto se abre ao confirmar a minha suspeita.
— Cunhadinha, quanto tempo... — Finjo surpresa na maior cara de pau.
— cínico, que história é essa de encobrir cachorrada? Não basta um cafajeste na família?
— Honey assim você me ofende! — me faço de ofendido colocando a mão no peito. Mas na verdade estou muito feliz por eles terem se acertado.
— Afinal, você vem ou não. Olha que estou por um fio de voltar atrás sobre o convite que vamos fazer a você.
— que convite?
— Só vai saber quando chegar – Meu irmão fala, dividido a linha com a Honey.
— Farei o sacrifício de comparecer, já que estão requisitando minha ilustre presença.
— Não seja convencido, cunhadinho.
— Só me responda uma coisa. O pequeno Liam vai estar ? — Pergunto
— Por que o interesse no meu filho? Não vai enche-lo novamente com o papo das gatinhas da escola, ele só tem seis anos e já anda confuso demais para se preocupar em conquistar meninas.
Honey fica nervosa toda vez que eu ensino o Liam a conquistar as menininhas da escola. Mas quem manda aquele menino ser tão fofo, inteligente e esperto? Ele pode não ter o sangue do meu irmão, mas é um autêntico Foster e, se depender de mim, meu sucessor quando crescer.
— vai ou não vai?— pergunto novamente.
— Sim, mas vai chegar depois com a sua mãe. Dona Íris vai trazê-lo.
— Reunião em família? — Levei a mão a nuca— O papo é sério, então?
— Esteja aqui, Eduard! — o meu irmão interrompe— Boa noite!
Ele desliga, e me afasto das janelas guardando o aparelho no bolso da minha calça. Aproveito para colocar o paletó e pegar as chaves do carro dentro da gaveta da minha mesa.
Já é tarde, a empresa está vazia.
Opto por pegar o elevador social, me arrependendo no último segundo quando as portas se fecham e logo abre no andar de baixo.
É automático cruzar os dedos e interceder para não ser a peste em forma de gente a entrar.
Respiro fundo.
Eu sou tão azarado que ao invés da Ceci é o bostinha por quem ela é apaixonada a entrar com um dos meninos que vive grudado nele, os dois ficam bem ao meu lado.
É instantâneo corrigir a postura e verificar o meu reflexo no espelho. No meu escritório tem um quarto com banheiro, algumas roupas e ternos importados, o que me permitiu tomar banho e vestir-me decentemente pela manhã para ficar apresentável. O terno de mais cedo estava tão precário que foi direto para o lixo.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Lucimar Alves
começando a ler dstou gostando
2024-09-02
0
Eunice Alves Moreira Fernandes
ele é um narciso
2024-02-25
4
Celia Chagas
Ele até então é um idiota 🙄🙄
2023-10-24
2