— Obrigado por estar aqui — sussura para que somente eu escute e se afasta.
Ceci me lança um olhar confuso.
Não queria abrir mão da pequena, mas sou obrigado a larga-la quando Brady a puxa apertando seu corpo entre seus braços
Minha mão formiga com a ausência de seus dedos.
— Obrigado por ter aceitado meu convite. Alguém queria muito falar com você, mas não teve coragem de ligar, ficou com medo que não aceitasse. — O grandão fala, afogando a chaveirinho entre os músculos.
Observo quando ela abre um meio sorriso para ele e volta os olhos para a Honey que está no canto da sala abraçando o próprio corpo, nervosa, com o semblante triste.
Brady também percebe isso, porque no mesmo instante, ele se apressa a andar até minha cunhada e segura sua mão, instintivamente, vejo seu corpo relaxar.
A química dos dois é tão incrível que ele sabe exatamente do que ela precisa. Que agora é o apoio dele.
— Eu,uu..e...– Honey gagueja desviando o olhar para o chão.
Ceci procura meu olhar e pisco de um jeito bobo, querendo mostrar que estava ali, ao seu lado.
— Não precisa falar se não quiser — Chaveirinho fala com a voz tímida.
Essa é minha garota.
— Não, eu preciso! — Honey sussurra dando um passo a frente.
— Não, Honey. Você não precisa, eu que preciso pedir perdão. Sei que fiz a coisa errada desde o começo, sei que esconder sobre seu avô foi um erro e que...
— Ceci — Honey a interrompe. Troco um olhar de compressão com o Brady— Eu sei que fez tudo para o meu bem...
— Mas isso não justifica os meios. Eu, eu não devia… — Ceci passa as mãos nos cabelos, nervosa, e me adianto, pegando a bolsa da sua mão, deixando em cima do sofá. — Honey, eu juro por tudo que é mais sagrado que não fiz nada pensando exclusivamente no dinheiro. Na hora, deixei-me levar, fiquei deslumbrada com a oportunidade de terminar a faculdade sem a ajuda dos meus pais. Eu só pensei na única maneira que apareceu.
— Você não teve escolha, Cecí.— Brady tentou conforta-la.
— Eu tinha, Brady! Poderia ter escolhido qualquer outro curso, mas entrar numa área rodeada de machismo onde predomina a classe masculina foi o ápice para o meu pai cortar a nossa relação e me excluir do meio familiar. Me vi sozinha, sem apoio, sem um caminho ou oportunidade para seguir. Eu só não pensei direito... deveria ter contado bem antes ou não ter aceitado a proposta.
— Você é a melhor no que faz, Cecí. Não se arrependa! Se não fosse por você, nunca teria conseguido rastrear as contas daquele juiz corrupto e até hoje Honey ainda estaria casada com aquele crápula. — Brady disse, aliviado.
Ceci trabalha na área de TI, além de criar sites, jogos e desenvolvimento de software é uma especialista em hacker, com apenas um acesso, ela é capaz de derrubar um sistema criptografado. Ela não precisa mais do que um celular para descobri até a mais escondida informação.
— Você é ótima no que faz, foi muita coragem não desistir dos seus sonhos por um pensamento arcaico. — Honey conclui e dá outro passo, ficando bem perto da Cecí— Não importa o porquê fez aquilo. Pensei muito em tudo que se passou nesses seis anos, todos os momentos, tudo passou como um filme na minha cabeça. E em todos eles estava lá, segurando a minha mão. — Me arrepiei todo quando a minha cunhada segurou as mãos da Cecí entre as delas, o olhar de cumplicidade, carinho, amor transbordando entre as duas. — No nascimento do Liam. No aniversário de um aninho... no parque, no dia da família na escola. Quem ensinou Liam a andar de bicicleta?
— Eu amo aquele garoto.— Ceci fala, abrindo um sorriso.
— Ceci, nao importa o que a trouxe até nós, o que importante é que eu te amo desde o momento que entrou naquele banheiro e compartilhamos nossa primeira confissão. Foi ali onde tudo começou e, desde então, não ouve um só momento que não esteve ao meu lado, e não estou falando apenas fisicamente mais emocionalmente também. Com o coração, nos melhores e piores momentos. Deixou de viver a própria vida para viver a minha e do Liam.
– Eu amo vocês, Honey. E faria tudo de novo.
— Não precisa fazer mais nada, só ficar perto de nós!
Demora alguns minutos, mas logo elas se abraçam.
Observo as duas e uma pontada estranha me atinge no peito. Estava feliz. Feliz porque ela estava feliz.
Alegre porque, apesar das lágrimas escorrendo no rosto vermelho da Ceci, nos lábios havia um sorriso iluminando meu mundo.
Cresci em uma família consideravelmente grande. Três irmãos onde um protegia o outro. Brady e eu desde pequenos aprendemos a ver a família como uma sociedade. Cada um com sua parte. lavar a louça até fazer uma faxina era dividido igualmente entre os três. Sem essa de homem não faz só porque é homem. Pelo contrário, Charlotte, a única mulher, era a que mais se esquivava das obrigações, mas nós a protegia. Aquela encrenqueira se safafa de tudo com seu jeito dominador.
E nem imagino crescer em uma família que ainda vive no século passado com rótulos e distinção entre homens e mulheres.
Minha pequena realmente é uma guerreira por ter lutando com unhas e dentes para conquistar seus sonhos.
E quem nunca errou, que atire a primeira pedra.
Essa eu vou ter o prazer de arremessar bem na cara do desgraçado que ousar se meter com a chaveirinho.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Jucileide Gonçalves
Verdade quem não erra nessa vida, mas o mais importante é se arrepender de coração.
2024-09-16
0
Lucimar Alves
boa
2024-09-02
0
Dora Silva
kkkkkkk é tanto amor 💘 entre eles que não conseguem disfarçar
2024-05-03
4