.19.

Abro meus olhos de forma preguiçosa e vagarosamente as lembranças da noite anterior vão chegando em minha mente.

Era óbvio que eu estaria sozinha na cama quando acordasse. Que vergonha! Que vergonha do que permiti. Com que cara eu vou olhar para ele agora?

Não estava nos meus planos transar com ele. Se me perguntasse no dia que nos conhecemos, lá na fazenda, eu diria sim. Aquele Rafael era descontraído, parceiro, gente fina.

Esse Rafael de agora é soberbo, prepotente e insuportável. Não tem exatamente nada atrativo a não ser sua beleza física.

Será que foi efeito do álcool?

O que eu estou perguntando? É óbvio que foi. Não existe outra justificativa.

Saio da cama, tomo um belo de um banho e me preparo para encarar a fera. Ainda consigo ver algumas marcas em minha pele extremamente branca, retrato dos excessos da noite anterior.

Abro a porta do quarto e, como se estivesse dentro de um filme de terror, começo a caminhar lentamente, como se estivesse com medo de encostar os pés no chão.

–– Oi, Sra. Maria Isis. –– A funcionária surge, assustando-me. –– O Sr. Rafael saiu, mas deixou um aviso dizendo que não demora. O café da manhã está pronto e servido.

–– Obrigada.

Me dirigi até a mesa e me deliciei com tudo que tinha disposto. Dizem que transar abre o apetite... Enfim, por que estou pensando nisso?

Depois que comi, calcei minhas botas e saí para caminhar. Assim que pausei um pouco pra descansar, meu celular começa a tocar.

–– Oi, Suze.

–– "Oi, Suze?" –– Ela me imita direitinho e eu caio na risada. –– Sua cobra cascavel, assuma logo que você e Rafael são um casal.

–– Logo você, que se diz desapegada dessas convenções, quer que eu nomei uma coisa que ainda não tem nome? Ah, Suzane... Me erre!

–– Mulher, tu tem que voltar daí e me contar cada detalhe do que está acontecendo entre vocês.

–– Cada detalhe? –– Debocho e ela nega. –– Só você mesmo pra me fazer gargalhar de doer a barriga, Suze.

Passamos algum tempo conversando na ligação, mas tive que encerrar quando vi o carro de Rafael entrar na propriedade. Guardei o celular no bolso e fiquei observando.

Ele desce, pega várias sacolas no porta-malas do carro e entra na casa. Depois de um tempo, ele vem até mim. Caminhando tranquilamente, como se nada no mundo pudesse tirar sua paz.

–– Hoje você usará o vestido que comprou. Esteja belíssima às 19h. –– Sua voz é fria e sem nenhuma emoção.

–– Certo... –– Desvio o olhar para o cume de algumas árvores. –– Para quando você pretende marcar nosso casamento?

Que diabo de pergunta foi essa, meu Senhor?

–– Por que a pergunta? Mal visitou meus lençóis e já quer de forma definitiva? –– O tom de voz que ele usa é totalmente irônico. –– Não se preocupe com isso agora. Eu cuidarei de tudo.

–– Aí está o grande babaca que você realmente é! –– Bato palmas. –– Vá se ferrar, Rafael!

Saio de sua presença, mas não consigo dar nem seis passos e já sou segurada pelo braço. Rafael me puxa contra seu corpo e me faz encarar seus olhos.

E eu acabo notando que seus olhos não possuem mais a leveza de antes. Agora eles estão exalando fúria e descontrole.

–– Não é porque você foi pra cama comigo que você pode fazer o que bem entender quando estiver na minha presença. Foi assim que seus pais te criaram? Hãn?

–– Me solta, Rafael.

–– Você não vai a lugar nenhum. O Severino, meu funcionário, precisa falar com você. Procure-o. –– Ele me solta. –– Agora.

Saio pisando duro em direção ao local onde vi os funcionários reunidos. Minha vontade é pegar a pá e afundar o crânio desse idiota.

Meu Deus, como que esse homem consegue me fazer ter pensamentos mais terríveis do que quando eu estive com Derik?

Aproximei-me dos peões e perguntei quem era Severino. E para minha surpresa, era um jovem de mais ou menos a idade de Rafael. Ele me olha dos pés a cabeça como que se eu fosse de outro mundo. Ajeito minha postura.

–– E é com essas roupas que a madame vai me ajudar é?

–– Não sei o que você está falando. Ajudar em quê, Sr. Severino? –– Franzo a testa.

–– Me chame de Ino, por gentileza. O seu Rafael não contou o que a madame vai fazer? –– Nego com um gesto de cabeça. –– Hoje vamos dar banho nos porcos. Alguns estão prontos para serem vendidos e é importante, segundo o patrão, eles ficarem vistosos. Vou pegar um balde e uma escova pra madame. Me siga, por favor.

Eu estava boquiaberta com o que tinha acabado de ouvir. Rafael tinha me colocado pra lavar porcos? Sério?

Seguro meus cabelos com força e solto um grunhido de ódio. Ino grita por mim e eu tenho que abandonar meu momento histérico para segui-lo.

–– Pelo seu jeito, presumo que a madame nunca pegou numa escova dessas.

–– Pode me chamar de Isis. E não, nunca vi uma escova dessa. Grande né? –– Forço um sorriso. –– Quantos porcos são, Ino?

–– Hoje são só 25. –– Pego o balde e a escova. –– Vou lavar um e você lava o restante. Lembrei agora que preciso ajudar o Januário a alimentar as galinhas. Tudo bem por você?

Assinto, mesmo que com vontade de gritar e me descabelar toda. Eu passo a semana toda estudando, tentando lidar com essa minha nova realidade, e ele me coloca para passar meu dia lavando porcos?

Ele me paga. Ah, me paga! Se ele pensa que eu não vou me vingar está muito enganado. Não vai ser nada caótico, mas alguma coisa eu irei fazer. Esse maluco acha que pode mandar e desmandar na minha vida.

Enquanto observava Ino me mostrar como banha um porco, eu comecei a deixar a raiva esvair-se. Era engraçado ver os porquinhos tentando escapar de algumas escovadas.

Um deles, o mais rechonchudo, correu assustado por entre as pernas do Ino fazendo o peão escorregar e cair. Minha barriga doeu de tanto que eu gargalhei.

–– A senhora parece estar se divertindo. Agora é a sua vez. Preciso ir.

Severino foi embora e eu fiquei encarando aquelas fofuras. É isso, Deus, espero que o senhor me ajude.

Encho o balde, pego o sabão e a escova e me coloco no meio dos porquinhos. Não sei o que aconteceu, mas todos começaram a grunhir alto, como se estivessem se rebelando contra minha presença.

Mas o que eu fiz contra vocês, porquinhos amados?

Um deles derrubou meu balde e o outro abocanhou a escova e saiu correndo. Olhei para o céu e comecei a me acostumar com a ideia de que não iria sair dali nem tão cedo.

...

Completamente destruída, entro no casa por volta das 15h. Devo agradecer muito ao Severino que viu minha aflição e ajudou-me. Se não fosse por ele eu estaria no décimo porco agora.

Almocei junto com os peões, ouvindo suas conversas fiadas e algumas moda de viola. Eles me trataram como se eu fosse parte daquilo.

Seu Zé Capiba ainda me questionou o porquê de eu estar lavando porcos ao invés de estar me divertindo. Claro que eu não iria dizer que estava lá obrigada pelo patrão querido deles.

Dei a desculpa de que pretendo comprar uma fazenda em breve e gostaria de saber lidar mais com os animais, aprender sobre o dia a dia no campo.

Eles aparentaram acreditar no que eu disse e, para não abrir mais margem para perguntas difíceis de serem respondidas, desconversei perguntando sobre suas vidas, se eram felizes fazendo o que faziam.

Eu estava um caco, um lixo. Meu corpo todo doía pela posição que tive que permanecer por muito tempo lavando os porcos. Assim que entrei na casa, Rafael estava mexendo em seu notebook no sofá.

–– Você está fedendo. –– Comenta sem nem olhar para mim. –– Espero que esteja mais cheirosinha no horário do nosso compromisso.

Apenas revirei os olhos, pois não tinha forças para revidar verbalmente, e segui para o banho. Assim que a água tocou meu corpo eu quase que chorava.

A sensação maravilhosa de esfregar um sabonete cheirosinho no corpo era indescritível. O cheiro do sabão dos porcos estava impregnado mas minhas narinas. Urgh!

Lavei bem meus cabelos, já para mais tarde ajeitá-los. Não sei a loucura que Rafael está preparando, mas ele me quer bem arrumada. Então, assim estarei.

Saio do banheiro apenas de toalha e tenho uma ideia. Agora que minha vingança boba começará. Procuro na minha mala meu biquíni rosa favorito e coloco. Me olho no espelho e me dou conta que está faltando algo.

Ah, lembrei. Óculos escuros. Pronto! Saio do quarto com a maior cara de paisagem. Encosto uma mão na parede e fico apoiada, esperando Rafael notar minha presença.

–– Mas... –– Ele tira os óculos do rosto e levanta sobressaltado. –– Mas o que é isso, Maria Isis? Onde você vai desse jeito?

–– Vou agradecer Ino por toda ajuda que ele me deu e depois vou tomar banho de mangueira. –– Me controlo para não rir.

–– Ino? O nome daquele peão é Severino, Maria Isis. Você está ficando louca? Inalou muita inhaca de porco e ficou lelé?

–– Por quê? Não posso agradecer o homem que me ajudou? Com licença que já já cai a noite e eu não consigo tomar meu banho de mangueira.

Apresso meus passos, mas eu mal consigo sair da varanda que Rafael agarra minha cintura prendendo-me no mesmo lugar.

–– Mas o que é isso? Endoidou? Vamos, solte-me. Preciso falar com Ino.

Para a minha sorte, Ino e mais dois homens vinham se aproximando. Rafael me soltou e eu ajeitei meu cabelo jogando todo charme possível em direção dos rapazes.

–– Vim avisar que a carga com os porcos já foi, patrão. –– Ino fala em direção a Rafael, mas seus olhos estão em mim. –– A senhora vai tomar banho de açude?

–– Não, Severino. Ela não vai. Pode ir. Agora.

–– Tem açude aqui, Ino? –– Chego perto dele e seguro em seu braço. –– Eu amaria conhecer. Pensei em tomar banho de mangueira mesmo. Está um calor danado não é mesmo?

Rafael pegou-me de surpresa e jogou-me em seus ombros. Enquanto eu estava de bunda pra cima, ele colocou sua mão na tentativa de mostrar menos do meu traseiro.

–– Vamos, deixe-me descer!

–– Tenho que levar essa leoa pra dentro, Severino. Depois me dê notícias da compra dos porcos. Com licença.

Assim que ele entrou comigo nos braços, não consegui aguentar e caí na risada. Ele estava fumaçando, com uma das mãos coçando a barba e a outra na cintura. Como se estivesse questionando mentalmente o que iria fazer comigo.

–– Você me faz passar maior vergonha e ainda ri, Isis? Sério isso? Quanta infantilidade!

–– Você tinha que ver sua cara... Impagável!

–– Ah, é? –– Fico séria a medida que ele vem se aproximando. Acabo correndo para o quarto. –– Não adianta correr, Maria Isis...

Subo na cama e fico de pé, aguardando sua aproximação. Ele estava sério, com o olhar afiado e ao mesmo tempo desejoso. Ele me olhava como se quisesse decorar cada pedaço de mim e aquilo me deixou úmida.

Meu Deus, o que esse maluco está fazendo com meu cérebro?

–– Você, quando se comporta como a droga de uma menina má, me deixa em chamas, Maria Isis.

Ele sobe na cama e segura meu rosto apertando as bochechas com apenas uma mão.

–– Você está gostando de brincar comigo não é? Fala pra mim. Você se diverte com esse lance de morde e assopra que temos...

Eu não podia responder porque era óbvio a resposta. E se eu responder esse doido vai ficar cada vez mais no meu pé. Apenas engulo seco e ele ri, como um predador que acabou de capturar sua presa.

–– Deixa eu sentir o quanto você me quer.

Sem eu ao menos esperar, ele me coloca deitada com certa brutalidade e depois fica a pouquíssimos centímetros de distância da minha boca. Sua mão vai até a calcinha do biquíni e seus dedos gelados visitam minha intimidade.

–– Molhada. Bem molhada.

Eu já começava a delirar com os movimentos circulares e ritmados dos seus dedos. Eu queria mais. Muito mais.

Seu rosto desce para o meus seios. Arfo quando sinto ele afastando o tecido e abocanhando como uma criança faminta. Não demorou nada e eu já estava alcançado o ápice do prazer.

Por que com ele é tão fácil e entorpecedor assim?

Se ele souber que eu penso isso ficaria ainda mais exibido e insuportável do que já é. Melhor ficar só pra mim mesmo.

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Comments

baixinha

baixinha

lindaaaaaaaa história estou amando

2024-07-15

3

Marcia Santos

Marcia Santos

Isso mesmo, Isis deixa esse babaca caidinho por você 🫵🫵

2023-10-03

0

Tania Cassia

Tania Cassia

🤣🤣🤣🤣🤣🤣 o Ino amou seu babaca, isso Yzis faz ele de gato e sapo🤪🤪🤪

2023-08-18

0

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