Franzi a testa, não compreendendo tamanha insistência com o beijo que ele viu com o meu professor. Ok, eu poderia colocar nossos planos por água abaixo, mas passou. Apenas ele viu. Pronto. Fim de papo.
–– Eu só sempre achei ele um gostoso sabe? Fantasiava ficando com ele. Daí surgiu a oportunidade e eu quis aproveitar antes de ficar publicamente amarrada a você. É isso. –– Eu não estava preparada para a expressão de espanto que Rafael fez em minha direção. –– O que foi? Estou sendo sincera.
–– Estou começando a me arrepender de ter permitido que você voltasse a frequentar seu curso. –– Resmunga. –– Não sabia que tinha fetiche em professores. Você não tem vergonha?
–– Vergonha do quê? Ah, vá! Ainda não estou entendendo o motivo de você estar assim. Não temos nada, Rafael. E mesmo quando tivermos, ainda será puro fingimento. –– Depois de poucos segundos minha mente sugere um motivo para sua reação exagerada e eu olho para ele com ar de riso. –– Você ficou com ciúmes de mim? De ver seu prêmio beijando outro? Vai, assume!
–– Me erra, Maria Isis. Vai sonhando.
Eu sei que ele não tem motivos para sentir ciúmes de mim. Provavelmente sua reação pode ter sido por causa da alta probabilidade das pessoas não confiarem mais na nossa relação se me vissem com o Guilherme na sala.
Como iremos casar, não sei em quanto tempo e tremo de pavor se começar a pensar nisso, é melhor não escorregar dessa forma. Mas seria engraçado se fosse verdadeiramente ciúmes. Iria provar que essa revolta toda que ele tem contra mim é só pretexto para esconder o que sente.
Acabo sorrindo ao me dar conta que isso é impossível. No máximo, podemos nos tolerar. Mais do que isso nem pensar.
Ainda preciso descobrir o motivo dele ser, algumas vezes, tão cruel comigo. Também preciso saber se isso tem a ver com o motivo dos nossos pais não se darem bem. Eu sinto que há algo; e esse algo é bem importante.
Assim que chegamos no haras, Rafael pediu apenas que eu deixasse a mala no quarto e voltasse para a cozinha porque iríamos almoçar.
Esse lugar é maior em extensão territorial, mas a casa principal é menorzinha. Mais parece um bangalô. Não possui tanto luxo quanto a fazenda que nos conhecemos.
Enquanto almoçavámos, ele me disse que sempre vem sozinho para aqui e que por isso não construiu uma casa maior. O local é mantido apenas por uma folguista, que ele contrata os serviços só quando precisa vir.
Mas me disse que tem muito mais funcionários cuidando dos animais. Esses sim, merecem muito mais atenção, segundo ele.
–– Você parece apaixonado por animais. –– Comento após concluir a refeição.
–– Jura? –– Diz em tom irônico e depois sorri quando ameaço jogar o garfo em sua direção. –– No domingo, bem cedinho, iremos receber uma remessa importante de cavalos. Serão treinados e depois vendidos para competições no exterior.
–– Hum.
Essa história de levantar em pleno domingo, e além do mais bem cedinho, não me deixou nem um pouquinho animada. Mas não iria dizer isso em voz alta.
Depois que escovei os dentes, fomos conhecer a propriedade. Quase que o tempo todo passava um funcionário e nos cumprimentava. Pelo jeito com que eles falavam com Rafael, ele de fato tinha as suas admirações.
–– Você poderia me dizer o verdadeiro propósito de estarmos aqui? Até vestido de gala eu trouxe pra um lugar que não combina nada com ele. O que você está aprontando, Rafael?
–– Você verá. Muito em breve.
Ele me apresentou todos os cavalos, que ele deu nome a cada um, e falou do tempo que ele estava lá e da forma que chegou. Tive pena de uma égua que ele resgatou numa estrada de terra, abandonada para morrer. Algumas cicatrizes das surras que tomou em sua antiga situação ainda causava comoção em Rafael, pelo que notei.
Ali também havia criação de galinhas, porcos e vacas leiteiras. Tudo muito bem organizado e separado. Eu via paixão no olhar de Rafael e o invejei por fazer o que realmente gosta. Espero poder ser uma grande estilista muito em breve. Quero ter essa mesma sensação de realização.
Não conseguimos conhecer toda a propriedade porque o sol estava muito forte e eu já estava ficando cansada. A sedentária de milhões.
Enquanto eu estava descansando na pequena varanda da casa, pego meu celular e resolvo passar o tempo vendo alguns stories. Repentinamente me bate uma vontade esquisita de fuçar a rede social de Rafael.
Como ele me segue, ficou fácil de encontrá-lo. Vejo, de cara nos destaques, várias fotos dele junto com diversos animais. Um destaque específico era só dele e da Amanda. O titulo era um emoji de coração.
–– Não pensei que fosse tão curiosa assim. –– Rafael me assusta chegando por trás de mim. Quase que meu celular aterrissa no chão. –– Toma.
Ele me estende um copo com um líquido claro, cheio de cubos de gelo e rodelas de limão. Antes de provar, como medida de segurança eu cheiro e constato que é limonada. Mesmo sendo óbvio não vou dar mole né?
–– Só queria saber um pouco mais sobre você. –– Era a única coisa que consegui pensar. –– Inclusive, irei te seguir. Fica estranho não sermos próximos nas redes socias. Agora esse destaque com sua amiga, a Amanda, tem que sumir daqui. Um destaque inteiro só pra ela?
–– Se você pode beijar seu professor eu posso muito bem ter um destaque pra cada mulher que tenho na minha vida. –– A tranquilidade com que ele passa o fato do beijo com o professor na minha cara me faz ficar irritada em tempo recorde. –– Vamos aproveitar e tirar algumas fotos para postarmos juntos. Já deveríamos ter feito isso há muito tempo.
Coloco na câmera, levanto e me aproximo do irritante por nome de Rafael. Como é pra soar que estamos juntos, mesmo ainda não assumidos, colo meu rosto ao dele e sorrio.
–– Meu Deus, como você é falsa! –– Ele sussurra. –– Até cara de apaixonada você consegue fazer. Estou impressionada.
–– Concentra, idiota!
Ele gargalha e eu também não me aguento. Foi aí que eu aproveitei e tirei uma sequência de fotos. Postei duas, marcando ele, e guardei o celular. Por fim, tomei toda limonada.
–– Você bem que poderia ser de boa assim. –– Acabo pensando alto e ganho seu olhar avaliativo. –– Algo me diz que você não é cruel. Parece estar sendo forçado a isso. Tem algo que eu deveria saber, Rafael? Por trás disso tudo?
–– Você fala demais, Maria Isis. Vou conversar com alguns funcionários. Com licença.
Ele levanta e retira-se deixando ainda mais agitada a pulga que eu tenho atrás da orelha sobre o assunto que mencionei. É mais do que óbvio que tem algo por trás das suas ações, mas quem sou eu para obrigá-lo a falar do que não deseja?
Retirei-me para o quarto e deitei um pouco na cama. Lentamente o sono foi chegando e eu acabei adormecendo.
Abro os olhos totalmente atordoada, tentando lembrar como foi que eu adormeci. Quase sempre isso acontece.
Olho através da janela e noto que já anoiteceu. Separo uma roupa mais quentinha, pois está fazendo muito frio, e sigo para o banheiro. Depois de um banho, ressalto que frio, penteio meus cabelos, termino de me organizar e sigo a procura de Rafael.
Assim que chego na sala, ele está sentado, vestindo um suéter mostarda e com uma taça de vinho na mão. Na outra, ele tem seu celular apontado para mim. Coloco as mãos tampando meu rosto e aguardo um sinal de que ele não está mais me fotografando.
–– Pode relaxar. A foto ficou melhor do que eu imaginei. Vinho, você envergonhada e com os cabelos molhados. Sugestivo, não?
–– Não me diga que você vai postar isso? –– Sigo em sua direção na tentativa de pegar o celular de sua mão, mas ele levanta e ergue o celular para o alto. –– É sério isso? Tenho uma imagem de boa moça a zelar.
Continuei tentando alcançar o aparelho, mas depois de alguns pulos e tentativas falhas percebi que estávamos com nossos corpos grudados e nossas bocas tão próximas.
Envergonhada, fiz menção de me afastar, mas sua mão livre agarrou minha cintura obrigando-me a permanecer onde estava. Acabei arfando. Que merda está acontecendo?
–– Rafael... Solta.
Ele aproximou o rosto a ponto de eu sentir seu hálito adocicado pelo vinho. Por um mísero segundo eu fechei meus olhos e curti o aroma quente.
Ele me solta repentinamente, olha para o celular e sorri. Logo depois avisa que a foto já foi postada. Chuto sua perna e ele solta alguns palavrões.
–– Você tem uma péssima educação, Isis. –– Recompõe-se. –– Quer jantar?
–– Ainda é cedo. Quero esse vinho aí. –– Aponto para sua taça. –– O céu está tão bonito e estrelado. Podemos ir lá fora observar?
Ele parece pensar se aceita a minha sugestão e, enquanto isso, resolvo fazer a minha melhor cara de anjo. Ele sorri de lado e avisa que vai pegar a garrafa e mais uma taça.
Sigo para o lado de fora primeiro. Começo a me arrepender quando uma lufada de vento frio chicoteia meu corpo.
–– Toma, se enrola. –– Rafael estende uma manta grossa toda quadriculada em minha direção. Franzo o nariz perante a estampa toda horrorosa. –– Se quiser posso guardar...
–– Não, não. Obrigada. –– Envolvo o tecido grosso em meu corpo. Rafael coloca um pouco de vinho na taça e me serve. –– Agora eu esquentarei.
Não sei por quanto tempo permanecemos calados, observando o tempo passar. Quando me dei conta, já tínhamos secado a garrafa.
Olhei de relance para Rafael, que estava concentrado em alguma coisa no celular com um meio sorriso no rosto.
Não sei se é o clima que está propício ou o efeito do álcool provocando pensamentos incomuns, mas me pego admirando os traços do rosto dele.
Seus olhos são de um azul tão intenso e vibrante, seu nariz combina perfeitamente com o tamanho da sua boca, que é bem contornada e corada.
E por que eu estou vendo a boca dele ficando cada vez mais perto de mim?
–– Esse seu olhar... –– Rafael sussurra e segura atrás do meu pescoço. –– Eu sei o que você quer, Maria Isis.
–– E... E o que eu quero? –– Por que a minha voz está falhando?
Inesperadamente, ele ganha meus lábios com uma vontade tão grande que ficou impossível não gemer. Ele me deita no sofá e fica por cima de mim.
Seu corpo quente e bem maior que o meu cobria-me inteira, mas sem fazer peso algum. Quando sua mão apertou a minha coxa, desprendi minha boca da sua para arfar livremente.
Meu Deus, que jeito de pegar é esse?
Enquanto ele beijava meu pescoço, seguro em seus cabelos macios e lisos. É errado isso tudo? Muito. Mas quem disse que eu queria ouvir a voz da razão?
De repente, ele me suspende e me faz entrelaçar as pernas na sua cintura. Enquanto caminhava para chegar no quarto, íamos beijando e esbarrando nas coisas pelo caminho.
Solto um gritinho quando sinto minhas costas baterem de forma violenta contra a cama. Esse homem estava amarrado foi?
Tiro seu suéter, ele tira meu casaco... Assim foi até estarmos completamente sem roupas. A sua boca quente e molhada lambuzava meus seios enquanto dois dos seus dedos estimulava meu ponto mais sensível.
Eu estava nas alturas!
Quando consegui chegar no ápice do prazer, ele afastou-se para colocar o preservativo. Era o tempo em que eu voltava para a terra depois de uma viagem por todos os planetas existentes em poucos segundos.
–– Eu vou te deixar ainda mais relaxada e molhada. Só que com minha língua agora.
Rafael começou a beijar o interior das minhas pernas me deixando em pura excitação para que alcançasse logo minha intimidade pulsante e ansiosa.
Quando recebi esse tipo de carícia do Derik, ele não conseguiu me fazer sentir nada a não ser um grande incômodo. Para que ele não continuasse, pedi que pulasse essa parte alegando estar ansiosa pelo que ainda viria.
Mas agora, vendo seu empenho em explorar cada pedacinho, em passar a língua em cada parte de mim, eu já queria me libertar outra vez.
Foi aí, quando eu estava pronta para ver estrelinha outra vez, ele parou e rapidamente colocou-se dentro de mim. Minhas costas arquearam-se sem eu querer e com dois movimentos eu consegui me realizar.
Lágrimas caíram dos meus olhos pela sensação louca que se apropriou do meu corpo ao chegar no clímax.
Como isso é possível?
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Atualizado até capítulo 64
Comments
Livia Ferreira
autora estou adorando o libro atualiza por favor
2023-07-19
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