Athos havia deixado um verdadeiro exercito aos cuidados de Estella. E o lugar parecia de fato um hospital, uma equipe inteira havia sido designada a ela.
Dois homens me levaram até a porta do quarto. Olhei pela janela, Estella estava amarrada a cama, eu mal conseguia reconhecer a mulher que conheci a tempos atrás, que era cheia de vida. Vê-la naquele estado me encheu de raiva.
Um médico abriu a porta, e eu fiquei na frente dela.
— Por que ela esta presa Porr*a?
Rosnei para o médico que havia saído do quarto, enquanto o segurava pelo jaleco.
— Senhor, a paciente está em estado de surto psicótico, foi necessário deixa-la dessa forma. Ela vai acordar em breve. Mas devo dizer, o estado dela é preocupante, físico e mental, já vi muitas coisas na minha carreira. Mas isso aqui... Isso aqui foi capaz de abalar a estrutura de toda a equipe médica.
Eu soltei o médico. Como poderia dizer a alguém que já estava tão quebrada que os seus pais estavam vivos apenas para que pudesse se despedir deles? Como poderia dar tal notícia?
Entrei no quarto. O seu corpo tinha curativos por toda parte, mostrando o quanto Aaron havia sido cruel com ela, e o desgraçado ainda estava a solto. Enquanto eu pensava no que faria quando colocasse as mãos do maldito ouvi Estella grunhir de dor.
Ela franziu a sobrancelha, e abriu os olhos devagar, abria e fechava os olhos, incomodada com a claridade e desorientada.
Olhou para mim, mas parecia buscar outro alguém. Seu olhar transparecia tristeza e medo.
— Estella... Estella... você está segura...
Disse de forma suave.
— Onde ele esta?
Disse com os olhos cheios de lágrimas.
— Onde? Onde ele esta? Me deixou para trás. Me deixou para trás.
Começou a gritar desesperada. Se debatia na cama e chorava em desespero. Tentava chamar e acalmar, mas Estella não respondia, gritava sem parar, isso não poderia acontecer, havia levado pontos e a sua costela estava quebrada. Os médicos entraram na sala juntamente a uma psicóloga, pediram que eu me retirasse e esperasse. E eu esperei um longo tempo. Era angustiante, ouvir os gritos e choro dela. Depois de muito tempo a porta abriu.
— Precisa dizer que não deixamos ela para trás.
Disse em desespero, quando a psicóloga enfim saiu do quarto.
— Você não entendeu não é?
— Como assim?
Perguntei confuso.
— Ela não estava falando de vocês. Estava falando do Aaron.
— Como? Como isso é possível? Como é que ela pode querer ver ele, sendo que ele fez tudo aquilo com ela.
— É comum que pessoas que sofram o tipo de abuso que ela sofreu, desenvolva repulsa por seu agressor. No entanto, Estella desenvolveu uma espécie de vinculação afetiva com o abusador, chamamos essa condição de síndrome de Estocolmo. Esse é um estado onde a vítima demonstra indícios de lealdade ou sentimentos de gratidão para com o abusador, isso acontece como um mecanismo de defesa por medo de retaliação, uma estratégia do subconsciente para a sobrevivência, que pode levar a quadros de dependência. Estella esta vulnerável e em choque pelos traumas sofridos, encontrou nos cuidados e preocupação do homem que também era seu carrasco a calma que precisava para enfrentar todo o caos da situação não se dando conta da submissão onde se encontra. Quando ela disse que foi deixada para trás não se referiu vocês. Mas a ele. Estella tem um longo caminho pela frente.
Disse antes de sair. Deixando Flávio com um nó na garganta. Não sabia o que pensar ou o que fazer. Olhou pela janela, Estella havia sido medicada novamente. E parecia ser o único momento que ela tinha de tranquilidade.
O mesmo médico saiu da sala.
— O que mais aconteceu com ela?
— Senhor?
— Fale.
— Além dos hematomas, sinais claros de agressão recentes e antigos, uma costela quebrada, e outra trincada,fora os ferimentos na cabeça, nós removemos grampos enferrujados mamilos dela. Quando ela chegou constatamos uma hemorragia, causada por um ab*orto clandestino, fizemos uma curetagem, ela quase perdeu o útero, e mesmo assim havia sinais de conjunção carnal, fizemos alguns exames toxicológicos, e encontramos indícios de drogas, além do calmante que o Senhor D. reportou.
Flávio andou de um lado para o outro, estava com tanta raiva que socou a parede várias vezes, até que os nós dos seus dedos estivessem ensanguentados.
Não era seguro remover ela daquele lugar. A primeira coisa que Aaron faria era ir atrás da família dela.
Peguei o telefone e fiz uma ligação.
— Chefe, precisa dobrar a segurança dos Milles. Resgatamos Estella. Mas Aaron continua a solta.
— Eles não estão aqui, estão na Grécia. Mas mandarei um alerta.
Eu fiquei ainda algum tempo olhando para Estella.
Era inevitável não lembrar do que aconteceu antes de deixar o exército.
Ouvia os gritos, o horror das mulheres que eram submetidas aos extremistas. Quantas delas eram descartadas em lixeiras após serem usadas por tropas de soldados inteiras. E quando ousei fazer algo, fui repreendido. Semanas depois em uma ronda, os homens que estavam comigo, foram mortos e eu fui levado.
Fui torturado, enquanto ouvia a comunicação entre os rádios, os meus próprios superiores envolvidos naquela merda.
Foram semanas de afogamentos, choques, prensas nos dedos, surras, era obrigado a beber a minha urina, ratos andavam por cima de mim e roíam a minha pele.
Até que Fábio arrancou do seu peito todas as medalhas de honra que carregava, e rasgou a nossa bandeira que antes nos dava orgulho. Um esquadrão de desertores com habilidades para causar o caos em cidades inteiras, eramos isso. Os irmãos Thyerry conseguiram a minha localização e o meu irmão marchou para aquele lugar arrastando o inferno para aqueles homens. A satisfação em arrancar e pendurar a cabeça de cada um daqueles filhos da puta, nunca saiu da minha cabeça.
Marginalizados, foi assim que chegamos a Vincent Alencar, do exército para a máfia, nos juntamos a eles. Podíamos estar no submundo, mas tínhamos um código. Iríamos até certo ponto. Descobri que existia mais lealdade ali do que em todo o exército, afinal fui mandado pelo abatedouro pelo meu próprio capitão.
Me vinguei de cada um deles. Me vingaria de Aaron também.
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Atualizado até capítulo 122
Comments
morena
da primeira vez q li essa estória eu chorei rios, e agr parece q tô lendo pela primeira vez dnv 😭😭😭😭
2024-08-28
4
Allana Lopes
eu espero que esse traste pague da pior forma possível
2024-05-01
6
Allana Lopes
eu espero que aconteça um milagre.
2024-05-01
1