...Athos Gautier Martínez...
— Sabe o que é a escuridão? É a ausência de luz. Nada de bom existe em você, porque o que há de bom no inferno? O que poderia haver de bom em você?
Eu ouvi isso dia após dia, até que de fato não restasse nada bom em mim. Eu era fruto de uma sequência de estup*ros, a obsessão doentia de Antony Martínez era a única coisa que mantinha a minha mãe viva. Ela apanhava todos os dias, o que me fez nascer prematuramente. E quando completei a idade que ele achou necessária me levou para a masmorra, onde não havia raios do sol, onde ninguém veria o meu rosto, uma jaula para um animal ele dizia com um sorriso demoníaco no rosto.
Uma criança vendo diariamente o inferno, passa a gostar dele, passa a se identificar com ele, eu observava cada tortura na minha jaula de metal, um lembrete do meu lugar no mundo, uma jaula que mal me permitia ficar em pé, e ali eu via os punhos de bronze, que desfiguravam o rosto daqueles que ousavam desafia-lo, sim, o lugar onde eu era mantido, era o mesmo destinado aos seus inimigos, lugar de carnificina onde crânios se espalhavam em uma estante como uma espécie de memorial, do quão cruel ele poderia ser, o cheiro de podridão daquele lugar eram impregnados em mim, até que se tornou algo normal, e que não incomodava mais.
Os únicos momentos em que saia daquela Jaula era para ser torturado e treinado. Treino rígido que removia de mim qualquer sentimento de humanidade, e quem me ensinava? O homem que mais odiava na vida, e quando estava bom o suficiente ele me enviava para seus alvos, eu me infiltrava em facções, gangues e máfias, destruindo dinastias, sem que soubessem sequer de onde veio o golpe que sentenciou a morte.
— Um dia você vai sair daqui filho. Me perdoe por ser fraca, e não conseguir ajuda-lo. Quero que lembre de uma coisa: você é bom Athos, e merece ser feliz, e ser amado.
A única generosidade que conheci veio dela, Johana. Era a única também que me chamava pelo nome, contava histórias sobre os três mosqueteiros no pouco tempo que tinhamos juntos, minha mãe era o empecilho que me impedia de sucumbir a loucura de cada tortura e treino. Ela havia sido sequestrada e mantida como escrava se*xual do meu pai Antony Martínez, um homem cruel e sádico que praticamente a matava a cada ato, inúmeras vezes presenciados por mim.
Pertencíamos a ele, eu pertencia aos punhos de bronze, acima de toda aquela podridão, uma casa suntuosa nos arredores de Marselha, o meu pai mantinha a fama de bom homem, uma esposa, um filho e um patrimônio que o tornava um homem poderoso. Sem que ninguém imaginasse o que havia por baixo de tudo aquilo: a sua riqueza maior vinha de bordéis, tráfico de mulheres, e drogas.
Aquelas palavras doces foram ditas antes de eu ver o que nunca mais esqueceria. Antony descobriu que ela estava tentando me tirar daquela jaula, e trancado ali sem poder fazer nada, fui obrigado a assistir tudo, e quando tentava não olhar levava choques, eu vi o espancamento, os estup*ros que foram diversos, naquele dia quase todos os soldados de elite dos punhos de bronze se 'divertiram'. Como se não bastasse isso, ela foi torturada, e enquanto o maldito homem que era meu pai a estupr*ava novamente diante da minha jaula, eu vi a vida deixar seus olhos.
Ele deixou o corpo dela lá, apodrecendo por dias a fio, me obrigando a ver o processo de decomposição, e depois disso sua cabeça também foi preparada para estar naquela estante.
A última fresta de esperança e luz se perderam junto com ela.
Athos ficou no passado, El Diablo Martínez alimentou o desejo de vingança, e quando chegasse a hora Antony Martinez saudaria o mostro que criou debaixo dos seus pés.
Conhece o que se diz... Nunca deixe a jaula aberta, não quando se cria um monstro. Um motim liderado por Gonzáles libertou o monstro. Embrenhado na escuridão da noite, matei o meu irmão, e a esposa do meu pai. Eu deixei ele por último. Tomei o poder dos punhos de bronze. quem iria se opor ao próprio diabo? Matei todos os homens leais a ele. Cada soldado conhecia quem eu era, sabiam o que eu fazia, não me temer era fora de cogitação. Torturei o maldito punhos de bronze por dias a fio. Deixei a sua pele coberta de podridão, sangue e pus, o odor que saia dele me dava satisfação. Ele foi comido vivo por ratos e larvas enquanto eu o assistia o fim do desgraçado. Quebrei as suas pernas, braços, fêmur, todo o terror ao que lhe submeti ainda era pouco diante de toda a atrocidade que ele fez.
E quando ele deu o último suspiro, esquart*ejei cada parte do corpo dele e enviei com um recado aos aliados. El Diablo estava no controle. Queimei aquela porr*a de mansão até que não restasse nada.
E eu permaneci na escuridão, era tudo que conhecia. Tornei o meu nome conhecido e temido. O meu rosto só era visto como um lembrete de que era o fim da linha para quem estava na minha mira.
A mania de grandeza e limpeza eram reflexos do inferno que vivi.
Não há portas que estejam fechadas para mim, entro aonde quero, tomo o que quero. Eu sou a porra de um ambicioso, excêntrico, dominador e sádico, que esta fora das vistas da imprensa e autoridades. E que Deus ajude quem estiver na minha mira, porque piedade é algo que eu desconheço e definitamente a única coisa que carrego de um herói é a porr@ do meu nome.
Ou era, até o momento que uma certa mulher entrou na minha vida. Aurora Alencar sem nem ao menos saber estava sempre dizendo aquilo que Johanna falava. Era quase uma dádiva que um homem maldito como eu, ainda pudesse ouvir que existia bondade em mim, mesmo que isso fosse uma utopia.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 122
Comments
Marcia Valeria
Mas vai chegar o dia da redenção.
O amor cura!
2025-03-22
0
Marinêz De Moura Pereira Cortes
Desde o livro de Aurora imaginei ele com Estella
2025-01-25
0
Marcia Valeria
Misericórdia!!!
2025-03-22
0