...Estella Johnson Milles...
Os dias haviam se passado desde que... Não que o tempo importasse mais, não quando todos os seus dias são de completa agonia.
Eu permaneci presa aquela cama. Não por correntes, eu simplesmente não tinha condições de me levantar. Estava tão quebrada que era impossível consertar.
Aaron me dava banho, me alimentava e me trocava. Me usava, me machucava e até mesmo de drogava, com alucinógenos ou afrodisíacos. E recomeçava o ciclo, dia após dia.
Já não conseguia distinguir o que era ou não realidade no meu inferno particular. As lembranças, se misturavam com os momentos atuais e me deixavam a beira da loucura.
Nem ao menos tinha percepção das mudanças que íamos fazendo, as vezes saía as pressas, e quanto mais nos afastavamos, mais partes de quem eu era ficava para trás.
As vezes Aaron me acordava aos berros, dizendo que a culpa dos meus pais terem morrido era apenas minha, me chutava para fora da cama enquanto mantinha um sorriso macabro no rosto, foi dessa forma que tive uma das minhas costelas quebradas, ele me estrangulava e até mesmo me afogava, era sádico, meu pavor e medo eram seu entretenimento.
E nos momentos em que colapsava, ele me colocava no seu colo e me ninava como uma criança, cantava algumas canções enquanto alisava minhas costas e dizia que tudo iria ficar bem.
O monstro que me assombrava era o mesmo que me acalmava. Ele era o meu querido algoz. Ele era motivo da minha loucura e da minha lucidez, se é que poderia dizer que ainda restava isso em mim.
Aaron era cruel, e suas torturas eram diversas. No início eu desejava a morte. E depois nem isso eu conseguia desejar mais.
Eu não era mais Estella. Eu era a Estella dele.
Eu tive a oportunidade de fugir, ou ao menos acabar com esse inferno. Mas sabe, não existem grilhões mais fortes do que os que estão na nossa mente. A arma estava lá, acessível, disponível, não apenas uma vez, mas várias e várias,como agora. Eu precisava de uma bala e nada mais, senti a sua mão em volta da minha cintura, eu estava tremendo, via em fragmentos tudo o que vivi nos últimos tempos.
A minha mão deslizou pelo colchão, quando a porta abriu. A mulher tatuada estava de volta. Recolhi de volta a minha mão e me encolhi.
Ela deu um sorriso para mim, e olhou para a arma na cabeceira, segurou e apontou na direção do Aaron.
— Confia demais no seu brinquedinho Aaron.
Disse ela, talvez em alguma parte de mim, eu ainda desejasse a morte do meu algoz. Mas como eu disse, as nossas maiores prisões são as internas. Quando ela engatilhou a arma, aproximei o meu corpo ao do Aaron, como se eu fosse um escudo. Senti o seu beijo nas minhas costas.
— A minha Estella jamais faria mal a mim. Não é querida?
Ele disse de um jeito debochado. Eu assenti que sim. Aaron passou os dedos no meu rosto.
— O que faz aqui caçadora?
— Precisamos nos mover mais, estamos vulneráveis aqui Aaron.
— Quando precisamos ir?
— O mais rápido que conseguirmos. E talvez não seja suficiente.
— Levante-se e se arrume Estella.
Eu empurrei o meu corpo para fora da cama, gemi de dor. Ao tentar me erguer, senti uma dor tão forte que fiquei paralisada, a minha costela doía, mas também minha pélvis estavam doloridas de forma lacerante.
— Idiota. Ela mal havia se recuperado da outra fratura. E daquilo que fizemos. Deu os remédios para ela? Sabe o que pode acontecer, uma hemorragia, ou infecção. Você quer matar essa moribunda? Conheço maneiras mais fáceis Aaron. Esse peso morto vai nos atrasar. Deixe ela.
— O que fizeram?
Eu disse apoiada a uma cadeira, com falta de ar, tentando entender. A dias atrás eu apaguei e acordei febril enquanto sentia uma dor absurda no ventre.
— Faz tua mágica Caçadora, você me ajudou das outras vezes. Estella não fica para trás, meu brinquedinho pode estar quebrado, mas você pode remendar. Quanto aos remédios, eu não comprei. Esqueci. Ela sobrevive. Além do que, eu julgo que ela já está com infecção, e começou um pequeno sangramento.
— Transou com ela? Você é doente.
— Sinto falta da minha boneca. Não consegui ir até o fim por isso. Mas você esta aqui... Pode ajudar.
Disse indo em direção a Petrova, puxou ela pela cintura, e lhe beijou enquanto eu mal conseguia ficar de pé.
Sim, eu estava inclinada, me segurando em uma cadeira, quando ele a jogou na cama, rasgando todas as roupas que ela usava. Fechei os olhos para não ver. Enquanto os gemidos e o som de corpos se batendo preenchiam o quarto, assim como as palavras carregadas de obscenidade que eram ditas um para o outro. Fui andando com dificuldade e me joguei em um canto do quarto, com as mãos nos ouvidos, lágrimas rolavam pelo meu rosto, por que meu algoz não me tratava assim? Tudo envolvia dor, sadismo e dominação, ja tive meus mamilos grampeados, outros homens em cima de mim sem que eu pudesse negar por estar drogada. Mas com essa mulher, ela sentia prazer, era nítido isso. E eu sentia apenas dor e desespero.
Demorou até que eles terminassem.
— Vou até uma farmácia. Vou remendar esse brinquedinho e nós saímos em seguida. Organize tudo Aaron.
Ela passou por mim, e deu um chute na minha canela, provavelmente querendo constatar se estava viva.
— Não chute cachorro morto Caçadora.
Ele zombou. Ela saiu do quarto, e Aaron se ajoelhou na minha frente.
— Está doendo querida? Eu vou cuidar de você. Sabe que eu vou não é?
Aaron levantou o meu queixo me fazendo olhar para ele, eu assenti que sim, enquanto ele limpava as minhas lágrimas. Ele levantou e pegou um remédio, me entregou junto a um copo de água.
— Consegue levantar?
— Posso ficar aqui? Só mais um pouco.
— Claro que pode minha Estella. Volto já.
Ele acorrentou meus pés e saiu do quarto, tentei me mexer, mas era difícil. Se passaram horas, até que Petrova entrou no quarto, visivelmente nervosa, e falando na língua dela. Abriu uma parte do piso que era um fundo falso e tirou um revólver e um passaporte.
— Eles estão perto porra! Se livre desse peso morto e vamos!
Ela disse assim que Aaron entrou no quarto.
— Já disse para não chamar a minha Estella assim.
Olhou na minha direção, permaneci encolhida no chão com a arma de Petrova apontada para mim.
— Por favor...
Vi os meus pais ajoelhados e ensanguentados a minha frente, enquanto eles discutiam. A risada do Dylan, e os corpos espalhados naquele hotel.
— Quer cair nas mãos dele? Foda-se! Eu não vou ficar de baba de um imbecil como você.
Engatilhou a arma. Estava prestes a atirar em mim. Ouvi o disparo, mas não senti dor. Ao abrir os olhos, vi Petrova no chão, e Aaron rastejando, estava paralisada.
— Eu vou te achar Estella. Eu vou.
Disse calmamente.
— Por favor...
Olhei para ele, enquanto ele se jogava em uma das redes de esgoto, um túnel que ele disse que era para nós dois, no entanto, me deixou para trás. Ouvi apenas o ruído de uma explosão e porta se abrir.
Alguém havia entrado. Me encolhi enquanto ouvia os passos. Ele parou próximo a mim, o meu corpo tremia, e eu não ousava levantar os olhos. Ele se abaixou e tocou nas correntes.
Eu me debati de forma veemente e gritava que havia sido deixada para trás. Senti uma picada, e todo o meu corpo amolecer.
Quando acordei estava numa cama de hospital, olhei para o lado, e vi duas pessoas conversarem. Arranquei o acesso do meu braço, tinha curativos por todo o corpo.
— O que fizeram? O que fizeram comigo?
Entrei em pânico, comecei a gritar, chamava por Aaron. Bati a cabeça nas grades da cama. Até que me imobilizaram e aplicaram algo em mim, que me fez perder a consciência de novo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 122
Comments
Vanedrigues
ô gente. ela tá quebrada por dentro
2024-04-06
4
Vanedrigues
esse tem q sofreerrrr
2024-04-06
2
Vanedrigues
coitada da bichinha...
2024-04-06
1