As palavras iam sendo ditas, não fui a muitas cerimónias fúnebres na vida, afinal não havia muitas pessoas com as quais eu me importava.
Aquelas palavras que foram ditas, eram mais para o consolo dos que estavam ali. Juana tirou o colar que usava e colocou em cima do caixão.
Ela ficou a cerimônia em silêncio, mas quando desceram o caixão Juana desabou, foi amparada por Flávio que estava mais perto.
— Já chega por hoje. Vou leva-la.
Me aproximei e segurei Juana nos braços, a levando em direção ao carro, enquanto Mel parecia ter feito um novo amigo, ela estendeu os braços para Flávio pedindo colo, ele colocou Melissa no carro.
Me despedi dele com um aperto de mãos e seguimos para direções opostas.
Não me parecia de bom tom deixa-la sozinha. Por isso a levei para casa, exigi que já tivesse uma enfermeira para cuidar dela assim como alguém para ajudar com a Melissa. Eu não tinha uma dívida com González,ja que eu não devo nada a ninguém, mas tinha gratidão, e por isso Juana estaria sob a minha proteção, ela e os seus filhos.
Mandei que reformassem o quanto antes uma das casas que havia no meu fort. Cuidaria para que tivessem todo o conforto que merecia.
Depois de deixa-la aos cuidados da enfermeira e ela me dizer que estava tudo bem eu segui para o meu quarto.
Tirei a camisa e vi que os pontos haviam estourado novamente.
— Porra!
Eu gritei enfurecido jogando tudo que havia em uma bancada no chão, enquanto sentia o cheiro de sangue fresco pingando no chão depois de ter socado um espelho.
Havia tido um dos atos mais nobres e altruístas na vida, mas ao contrário do que se pensa, eu não estava me sentindo bem, leve, ou seja, lá que cara*lho possa ser usado para descrever.
Eu estava com raiva. Pensava no que acabava de fazer, enquanto caminhava para aquele avião e ouvia o choro dela, sentia o meu coração sangrar.
Você pode se perguntar por que eu fui embora? Talvez eu tenha sido um covarde pela primeira vez na minha vida. Mas não conseguiria manter ela presa a mim, sabendo que nunca poderia dar-lhe o tudo que merecia, e mesmo que eu pudesse não servia para estar no meio de indecisões.
Então eu escolhi, escolhi a vingança para ela poder seguir. Mas onde isso me levaria? Já sentia a escuridão rondar os meus pensamentos.
Aurora era minha vulnerabilidade, meu ponto de equilíbrio, e também era minha fraqueza.
E eu já sabia, cada dia longe dela me levaria a um caminho que não teria volta. Minha vingança é tudo que tenho.
Costurei novamente os pontos rompidos, e depois de tirar os estilhaços de vidro da mão, segui para um banho.
Fui até o meu escritório, liguei todos os computadores, procurei tudo o que havia sobre Aaron White. Imprimi cada folha e as coloquei no quadro atrás de mim. Ele era meu alvo.
Depois segui para o quarto. Não dormi. Passei a noite na poltrona olhando a cama vazia, tal como a garrafa na minha mão ficaria em breve.
• Um mês depois
Flávio chegou no meu portão. Como ele sabia onde estava? O filho da pu*ta tem culhões, estava recostado no seu SUV enquanto tragava um cigarro, e jogava fumaça ao ar, enquanto os meus homens apontavam-lhe submetralhadoras, que foram imediatamente abaixadas quando Mel surgiu no quintal, ela olhou para o portão e conversava com o homem que se abaixou para ficar no tamanho dela.
— O que faz aqui?!
Eu perguntei enquanto caminhava até os portões. Juana saiu chamando a Mel. Fazia dias que não a via. Desde que Matteo nasceu ela se recusava a sair. Notei o olhar que ele direcionou a ela.
— Disse que queria vingança.
— Nunca disse isso a você.
— Não precisaria. Eu reconheço a motivação de um homem. Vi nos seus olhos quando falei o nome. Tenho pistas.
Acenei para um dos soldados para que abrisse o portão. Mel correu para os braços dele, como se fossem amigos de longa data. Ele me entregou alguns papéis e eu analisei as informações.
Os meus olhos pairaram sobre a mulher que Flávio procurava. As suas feições eram dóceis e delicadas.
— Qual lugar vamos primeiro?
— Mateus esta cuidando dos Tigers.
Quase, eu quase gritei o nome González. Era quase automático. Hesitei por um instante. Depois eu mesmo coordenei as funções. Mandei preparar o avião. Partiriamos o quanto antes.
Enquanto Mateus lidava com os Tigers eu fui em direção aos Trinitarios na espanha.
Entrei no lugar, insalubre e fétido, por uma abertura em uma das cortinas vi uma mulher nua e afogada no seu próprio vômito, com uma seringa ao seu lado, drogada e estup*rada até a morte.
Caminhei e me sentei em uma mesa, diante daquele que devia ser o líder. Ele cheirava um caminho de pó branco na mesa. Flávio ficou em pé, um pouco atrás de mim.
— Aaron esteve aqui?
O homem me encarou com um sorriso debochado no rosto.
— Depende de quem pergunta.
Estendi mão agarrando a cabeça do homem, batendo com violência no meio daquela droga, ouvi atentamente o som do nariz que quebrando. Enquanto os homens sacavam as suas armas.
— Na próxima vez eu vou partir seu crânio. Eu perguntei Aaron esteve aqui?
Cada segundo que ele demorava em responder um dos seus homens caíam. Até que um dos seguranças se aproximou.
— Esteve!
Olhei para ele, segurei a cabeça do líder e bati na mesa novamente, de um jeito que o crânio cedeu, seu globo ocular saltou para fora de uma forma deliciosamente grotesca. Meu sorriso fez o segurança se mijar de medo.
— Fale.
Ordenei.
— Esteve aqui, trouxe alguém com ele. Um novo brinquedo.
— Esta falando da mulher?
Flávio deu um passo a frente fazendo o homem se encolher.
— Fale o que ele fez com ela aqui.
Eu perguntei enquanto limpava as mãos.
— O que fazemos sempre.
— E o que fazem sempre? Parece sentir um orgulho e tanto. Não seja tímido. Para cada vez que eu precisar dizer isso vai perder uma parte sua.
O homem olhava a poça de sangue que se formava em baixo do crânio estraçalhado, eu podia farejar seu medo, o suor que se formava e sua testa, a garganta seca, a respiração ofegante, a adrenalina percorrendo seu corpo o deixando alerta.
— Nós... Nós a drogamos, e depois nos revezamos. Aaron coordenava tudo.
— Diz para mim, ela estava com medo?
Fiquei na frente dele, o homem hesitou responder, assentiu apenas quando segurei sua mão que eu arranquei com um unico golpe enquanto ele gritava.
— Ela pediu para parar?
Ele assentiu novamente.
— Viu e não fez nada? Para que serve essa porr*a na sua cara?
Disse enquanto vazava os seus olhos com os meus polegares. O homem agonizava, despertando em mim nada mais que satisfação.
— Sabe para onde foram?
— Não! Não! Uma mulher da máfia Russa veio atrás dele aqui.
— Petrova, claro. Isso não me surpreende.
Flávio disse enquanto eu quebrava o pescoço do homem. Reduzi aquele lugar a cinzas, como um lembrete de quem esteve aqui.
Dediquei os dias que se seguiram a fechar toda e qualquer brecha, como eu disse, Aurora era minha vulnerabilidade, e pessoas perigosas sabiam disso, e a cada vida que eu tirava, era sugado para escuridão, e isso era um lembrete a todos que ousassem se meter no meu caminho, seriam engolidos.
Quando soube que ela se casaria tive ainda mais certeza que as nossas vidas eram linhas paralelas, poderíamos caminhar lado a lado sem nunca nos encontrar. Recuperei a adaga que pertencia a ela. E mandei no dia do seu casamento junto a um conjunto em diamantes Oppenheimer.
Irônico dizer que escrevi a porra daquele bilhete enquanto as minhas mãos estavam manchadas de sangue? A luz que despertou em mim ainda esta aqui.
Eu queria acreditar que sim, embora o rastro de corpos sem vida fossem como uma trilha maldita que apontavam para o maior dos males: Um homem que não tem mais nada a perder.
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Atualizado até capítulo 122
Comments
Marcia Valeria
E ela usou...
2025-03-22
0
gi
um amor verdadeiro
2025-02-10
0
Sandra Mota
Porr@
2024-06-28
2