Gabriel
Meu pai arregalou os olhos, embora a raiva cresceu nele, ele estava claramente surpreso com a minha reação.
— Eu faço o que eu quiser para resolver esse problema de uma vez!— Laércio afirmou convicto.
— Se o seu acordo expirou, o meu também. Deixei bem claro que me submeti a tudo que quisesse enquanto não mexesse com a Bianca.
— Eu vou resolver tudo, do meu jeito e você vai continuar fazendo tudo o que eu mandar, não sabe ser homem sozinho.— ele falou desafiando, ele realmente não acredita em mim.
Me enchi de raiva, dei todos os motivos para ele fazer pouco de mim, mas esses dias acabaram.
— Espere pra ver. Primeiro, finalmente vou poder terminar com a Janaína!— coloquei a mão no bolso e devolvi o anel— Segundo, jamais vou me filiar a partido algum, chance de ser deputado, vereador ou a qualquer merdä, 0!
Ele deu risada e colocou o anel na mesa, ainda não acreditou em mim, preciso ser mais convincente.
— Não seja ridículo! Se não me obedecer, tiro você da posição de sócio majoritário.— ele falou como se tivesse a última cartada.
— Me tira, então!— desafiei e voltei a sentar. Ele me olhou com a sobrancelha levantada.— Me tira, e quem vai ficar com seus casinhos sujos? Quem vai limpar as merdäs corruptas que faz na política? Quem vai defender seus amiguinhos com êxito? Não tem advogado melhor do que eu nesse escritório, e para encontrar um que seja de confiança, levaria muito tempo. Não pode me tirar daqui, porque precisa de mim, muito mais do que eu preciso de você! Admita!— falei seguro do que dizia.
— Está achando que pode mais do que eu?— ele falou cheio de ódio.
Agora me levou a sério?
— Não estou "achando", eu tenho certeza. Com o fim do nosso acordo, eu crio as novas regras. De agora em diante EU mando nesse lugar, e vou fazer as coisas do MEU jeito! Você não vai se intrometer em nada na minha vida, eu vou fazer dela o que bem entender, do jeito que sempre quis. Estou cansado de ser sua marionete, vai ter que procurar outro trouxa. — olhei para Sr. Reginaldo que olhava a cena perplexo.— Não se preocupe, senhor Reginaldo, vou cumprir com minha obrigação, vou fazer o meu trabalho. Mas já adianto que causa trabalhista as chances de vencer são pequenas, ainda mais quando se é culpado de tudo. Minha sugestão é que ofereça um acordo bem gordo, e nos poupe a vergonha de perder. Assim se livra do problema, e evita mais investigações.
Meu pai se afastou pensativo e cuspindo fogo, se juntou ao sr. Reginaldo e ficou discutindo sobre o caso. Não deu meia hora e estavam de acordo comigo. Babacas!
Quando o cliente foi embora, meu pai trancou a porta, sabia que viria mais desafios.
— Ainda não acredito que aquela putazinhä mexa tanto com você! Ela te ameaçou? Vamos me fala? Ela vai se vingar, não é? Por isso está me ameaçando?— meu pai indagou temeroso e nervoso.
— O senhor não sabe de nada! Nem todos são como você!— me levantei impaciente e o encarei nos olhos.— Não quero esses termos pejorativos para falar da Bianca, ela é a mãe dos meus filhos, e não merece nem que o nome dela saía dessa sua boca imunda!
Agora atingi o limite dele, meu pai partiu pra cima de mim, e me acertou um soco na boca. Ele quis me acertar outros. Patético! O segurei até se acalmar.
— Se acalme pai, eu sempre fui paciente, não fui? Agora é a sua vez.— falei soltando os braços dele.
Passei a língua nos lábios e senti o gosto de sangue. Sorri por isso, me sentia livre, embora sabia que estava acordando uma fera adormecida.
— Essa conversa não terminou!— ele levantou apressado.
— Sabe onde me encontrar.— me virei para encará-lo.— Só uma coisa antes de sair. Se eu souber que arrancou um fio de cabelo da Bianca, olhou torto para ela, tudo o que o senhor fez de ruim na sua vida, vai ser sombra e água fresca perto do que farei com o senhor.
Ele bufou de raiva e saiu da sala.
Respirei aliviado, mesmo sabendo do grande problema que estava arrumando, sentia que estava fazendo o certo, se Bianca veio para se vingar, ou lutar por justiça, não ia ser eu que ficaria no caminho. Na verdade, via meus dias nessa empresa, já contados. É só questão de tempo e meu pai me tirar daqui. Aí sim, estaria totalmente livre.
Saí da empresa e fui direto para casa, Janaína não havia chegado ainda, então sentei para assistir um filme com Miguel.
— Como está na escola, amigão?— perguntei pegando pipoca.
— Bem. Tem uma aluna nova, acho que vamos ser amigos. Ela é bem legal. Gostei dela.— ele falou com um sorriso.
— É sempre bom fazer novas amizades.— respondi com um sorriso.
Ele assentiu e continuamos a assistir o filme, conversando sobre coisas aleatórias.
O filme estava no final, quando a Janaína chegou e se juntou com a gente. Olhei para ela comendo pipoca e olhando a tela, e suspirei profundamente. Tinha que terminar com ela ainda hoje, e me libertar de uma vez.
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Atualizado até capítulo 105
Comments
Marilza Motta
é Gabriel está saindo de baixo das asas deste velho horrível
2025-02-16
0
Telma Jesus
Que não sejam só palavras Gabriel
2024-10-04
2
Rose Gandarillas
Agora é terminar com Janaína, isso servirá de prova para o pai ver que não está de brincadeira.
2024-06-09
3